Desafios de uma Cadeia de Abastecimento

10/02/2013

Gestão da Cadeia de Abastecimento é uma disciplina que evoluiu da Logística, e de forma sistêmica, surgiu entre os militares com a “Arte da Guerra” com o objetivo de garantir o abastecimento das tropas – era uma questão de sobrevivência. Hoje, este conceito se estende ao dia a dia das empresas, indicando a assertividade em disponibilizar produtos para o consumo – no momento, local e quantidades corretos, ao menor custo possível.

Porém, uma Cadeia de Abastecimento eficiente já não é um diferencial competitivo suficiente se olharmos para o cenário atual de competitividade que inclui busca pela redução de custos, aumento da demanda voltada ao consumo e um consumidor cada vez mais exigente. A eficiência passou a ser um requisito básico para a operação – mais uma vez, aparece como uma questão de sobrevivência.

A complexidade das Cadeias de Abastecimento tem crescido devido ao aumento de intervenientes nos elos; de terceiros envolvidos no processo; novo perfil de consumo (estabilidade econômica e nova classe média); diversidade de sistemas dentro da mesma empresa; lançamento de novos produtos e ciclos de vida cada vez menores, entre outros.

Uma Cadeia de Abastecimento ineficiente impacta diretamente a sobrevivência do negócio: o consumidor não encontra os produtos nos Pontos de Venda (PDVs) e acaba comprando produtos da concorrência, o que faz com que a empresa eleve seus custos de distribuição para disponibilizar seus produtos e seus estoques intermediários para cobrir a ineficiência, afetando seu fluxo de caixa. Como resultado, ela precisa elevar o preço final do produto para manutenção da margem (não está aumentando seu lucro) e negociar com fornecedores um aumento nos prazos de pagamentos. Diante de todos esses fatores, a imagem da empresa fica afetada perante o mercado pela falta de produtos nos PDVs, pela variação de preços de seus produtos e pelo aumento dos prazos de pagamentos aos fornecedores.

Assim, agilidade e visibilidade aparecem como dois diferenciais da Cadeia de Abastecimento, por meio dos quais as empresas respondem às alterações das demandas de consumo de forma consistente, têm baixas taxas de rupturas nos PDVs, assertividade no planejamento, alcançam estoque total da cadeia otimizado e logística eficaz, além de firmar um bom relacionamento com fornecedores e prestadores de serviços.

Indo um pouco mais a fundo, a agilidade pode ser entendida como a capacidade de executar movimentos rápidos, incluindo mudanças de direções sem a perda do equilíbrio e da coordenação em resposta a um estímulo. Na Cadeia de Abastecimento, ela é traduzida por capacidade em atender as demandas não previstas de consumo no menor prazo, evitando rupturas e mantendo a estabilidade do sistema.

A visibilidade, no entanto, é a capacidade de ser percebido pelo sentido da visão, de fácil e boa visualização. No universo de supply chain significa ter as informações necessárias para tomada de decisões, desde a mais simples como o modal a ser utilizado em um frete (navio, caminhão, avião, etc.) até a previsão de planejamento com as restrições impostas por produção, vendas e logística.

Com o aumento da complexidade nas Cadeias de Abastecimento, a informação passou a ser tão ou mais importante que os próprios produtos que por ela passam, pois sem esta visibilidade os elos da Cadeia de Abastecimento podem tomar decisões que impactam seus resultados e refletem em toda a cadeia.

A falta de informação na Cadeia de Abastecimento causa o chamado “Bullwhip Effect” – ou Efeito Chicote – que é a amplificação ao longo da Cadeia de Abastecimento da previsão da demanda, ou seja, a previsão de demanda fica mais instável quanto mais nos movemos para longe do consumo. Algumas das consequências são: rupturas nos PDVs e níveis de estoques elevados por toda a Cadeia.

Esta busca pela eficiência das Complexas Cadeias de Abastecimento passa por ampliar sua visibilidade e elevar sua agilidade, resultando em competitividade para todos os envolvidos. Como consequência, o consumidor sempre vai encontrar os produtos disponíveis nos PDVs com um mesmo preço; o estoque total da cadeia se mantém em um nível baixo; os custos emergenciais são drasticamente reduzidos; os elos conseguem manter e melhorar seus resultados financeiros; e fornecedores e parceiros, diante desse cenário mais promissor, passam a desejar permanecer e manter um bom relacionamento dentro da cadeia.


Sergio Sorrentino de Moraes – Gerente de Arquitetura de Soluções da Software AG
 

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