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Conteúdo 3 de novembro de 2010

É hora de redesenhar sua Malha Logística

Projetos de malhas logísticas começam com as necessidades dos clientes e tipos de produtos movimentados

Nos últimos 12 meses, com crescimento da ordem de 7%, muitas empresas começaram a sentir os impactos de uma malha logística de alto custo e baixo desempenho. A ênfase de redução de custo para manutenção das margens tem dado espaço para questionamentos de atendimento e nível de serviço. As empresas de sucesso constroem constantemente seus modelos de distribuição e abastecimento, adaptando-se para melhor atender seus clientes a um custo competitivo.

De uma forma geral, estudos de malha são desenvolvidos com foco na redução de custos, via de regra com resultados de mais de 20%, mas uma redução tão elevada pode ser seguida de um desserviço ao cliente, isto é, melhoramos nossa eficiência em detrimento a uma perda de eficácia.

Muito esforço e energia são necessários para o entendimento de como o desempenho de uma malha logística se comporta e como podemos otimizá-lo.

Para conseguir isto, você deve começar perguntando as questões certas e alinhadas a suas metas organizacionais. Estamos servindo adequadamente nossos clientes e consumidores? Temos níveis de estoques que eliminam as rupturas? Eles estão localizados no melhor local? E vale aqui destacar que estas respostas, a exemplo dos negócios, têm sua resposta variando a cada momento. Enfim, pela dinâmica, não podemos responder a estas questões com uma resposta única.

Segue algumas considerações sobre a necessidade do estudo continuado sua malha logística, tanto de entrada como de saída de seus produtos:

1. Uma solução não é comum para todos!
Malhas logísticas de alto desempenho não são ótimas para todos os clientes e produtos. O desenho de um caminho comum para clientes e produtos está sempre errado. Você deve considerar que a melhor solução para determinado segmento de mercado ou família de produtos pode não ser o desenho de sua malha logística. Mais do que isto, a malha que melhor se adéqua a seu negócio como um todo pode não ser a melhor para qualquer nicho de sua atuação. Buscar o melhor é saber que o resultado global é o melhor e não de forma isolada. Inclusive, é frequente obtermos num estudo de malha uma resposta para instalações diversas, dependendo do tipo de segmento e característica. Por exemplo, em casos de estruturas para atendimento de e-commerce, estas, devido às suas características, podem ter um atendimento distinto e segregado de outra instalação;

2. Desça ao nível do SKU
Gerentes devem estudar ao nível do SKU (item), e não em termos de famílias. Por exemplo, determinar especificamente qual produto deveria ser entregue diretamente na loja, considerando suas características e particularidades. Você pode determinar quais produtos devem ser estocados no CD, incluindo quanto e onde e quais produtos serão transbordados. Por exemplo, se você tem itens de alto giro, alta margem e o nível de serviço está baixo, uma alternativa é mantê-los mais próximo dos consumidores, mesmo que isto não seja a alternativa de menor custo, mas a particularidade de um item pode não ser verdade para toda família que ele pertence.

3. Considere as questões ambientais
Todo movimento em torno das questões de meio ambiente tem ajudado algumas empresas a se projetarem junto a seus consumidores, destacando seu lado de responsabilidade social e associando sua imagem como empresa “amiga” do meio ambiente, o que de uma forma pode refletir-se com maior aprovação de seus consumidores e incremento de vendas. O ponto é que alternativas de baixa emissão de gases efeito estufa (CO2) nem sempre estão associadas ao menor custo e/ou melhor nível de serviço, então a produção de emissões é mais uma variável a considerar na definição da melhor malha. Ultimamente o modo de transporte tem sido uma questão forte no âmbito das emissões. Isto é, apesar de bem mais rápido do que um navio, o avião – que é o maior poluidor entre os meios de transporte – pode ser substituído por um navio na transferência de produtos, simplesmente pelo critério de emissões.

4. Seja criativo com o transporte
Mesmo com elevados custos com capital no Brasil, via de regra, o transporte é o maior custo logístico. Encontrar meios criativos de reduzir estes custos pode ser um longo percurso. Colaboração e negociação de acordos de longo prazos e garantias têm se mostrado uma boa saída para as questões de transporte, em especial em períodos de intensa sazonalidade como safras e outras épocas.

5. Inclua o modo aquaviário em seus estudos
Há algum tempo as questões da matriz de transporte vem sendo debatida. O próprio PNLT – Plano Nacional de Logística e Transportes tem em sua estrutura uma meta para transferir o transporte do modo rodoviário para o aquaviário – fluvial e cabotagem. Se este plano for de fato implantado, teremos num futuro, até 2025, uma distribuição praticamente homogênea entre os principais modos de transporte: rodoviário, ferroviário e aquaviário, para a movimentação de produtos em nosso país.

Projetos de malha logística não são estáticos, e devem ser continuamente validados, tanto que softwares potentes têm sido utilizados para estes estudos de otimização. Acreditar que já fizemos o possível e que o cenário não muda ou mudará pode ser o maior de todos os erros.

 

 

Edson Carillo Edson Carillo

Mais de 20 anos de experiência em supply chain management – logística. É Diretor Executivo da Connexxion Brasil | Supply Chain Engineering, consultor e instrutor nas áreas de operações (SCM e Manufatura). Especialista em Lean Manufacturng pelo Kaizen Institute e TOC pelo Avraham Goldratt Institute. Vice Presidente do ILOG e Diretor da ASLOG. É Professor de pós graduação e MBA na FGV nas disciplinas de Supply Chain Management, Operações, Serviços, Jogos e Planos de Negócios. Co-autor de diversos livros. Foi presidente do Instituto Imam, engenheiro industrial das Indústrias Alimentícias Kibon e engenheiro pesquisador na Cia Ultragaz.

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