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Conteúdo 19 de janeiro de 2018

Economia colaborativa: desafiando os modelos tradicionais

A economia colaborativa ou economia compartilhada é um ecossistema sócio econômico construído em torno de recursos humanos, físicos e intelectuais. O modelo inclui a criação, produção, distribuição, comercialização e consumo de bens e de serviços por diferentes pessoas e organizações de maneira compartilhada. O modelo vem se popularizando cada vez mais em função de algumas empresas extremamente conhecidas como é o caso do Uber, AirBnB, Waze entre outros e de acordo com algumas projeções, o setor atingirá cerca de US$ 350 bilhões nos próximos dez anos. A tecnologia, uma vez mais, assume o papel viabilizador possibilitando o compartilhamento de produtos, serviços, transporte, espaço e mesmo dinheiro numa escala e velocidade que antes nem sequer imaginávamos.

No mundo da economia compartilhada, aqueles que denominamos consumidores, são agora produtores, financiadores, vendedores e distribuidores.

Contudo, a rápida expansão do modelo tem chamado a atenção dos setores públicos e empresariais e os problemas começam a aparecer. Publicidades e ações negativas tem surgido. Em alguns países, incluindo o Brasil, temos visto protestos e até mesmo agressões aqueles que prestam serviços para o Uber por exemplo. Iniciativas legais muitas vezes são adotadas visando o bloqueio de funcionamento dos serviços como tem acontecido com o Whatsapp. Por outro lado, os questionamentos têm surgido com relação a algumas empresas que nasceram no contexto do compartilhamento ou da colaboração, mas vem cada vez mais se transformando em grandes corporações. O Uber e Airbnb são exemplos. Notamos ainda que o capitalismo, como hoje é conhecido deve passar por uma transformação significativa. O surgimento da Wikipédia é modelo clássico de economia colaborativa. A enciclopédia Britânica que tanto sucesso fez em décadas passadas com cerca de 50.000 artigos perde de longe para a Wikipédia com mais de 30 milhões de artigos em 287 idiomas. Sem contar as grandes operadoras de telecomunicações que sofrem uma concorrência fortíssima de Skype e WhatsApp.

O aplicativo de navegação colaborativa – Waze, que gratuitamente pode ser instalado nos celulares, é um exemplo espantoso de economia compartilhada para o apoio às movimentações de transportes e passageiros.
Grandes redes de hotéis veem com desespero fatias de mercado desaparecerem devido a empresas como Airbnb que permitem aos usuários buscarem quartos, apartamentos ou residências para serem alugadas.

Existem ainda produtos oferecidos para a educação de uma forma colaborativa. As pessoas que possuem uma capacitação em determinado assunto informam o que poderiam e desejariam ensinar. E por outro lado os “consumidores” se inscrevem para o aprendizado. Uma plataforma bastante conhecida é o Weeazy. Um outro que tem feito tremendo sucesso é o Duolingo para o aprendizado de idiomas.
Em Londres existe um supermercado (People´s Supermarket) onde apenas os seus membros podem comprar e onde os mesmos obtém 20% de desconto. Em troca, os associados pagam uma taxa de 25 libras anuais e são solicitados a dedicar voluntariamente quatro horas mensais trabalhando em atividades internas. Em função dessa dedicação, os custos de pessoal são reduzidos e os benefícios se revelam nos custos baixos. Todo lucro auferido é colocado na loja para reduzir ainda mais os preços.
O Youtube é um exemplo característico de entretenimento colaborativo. Noticiários, vídeos educativos, gravações feitas pelos celulares são disseminadas pelas redes sociais atingindo Facebook, Linkedin, Instagram, entre outras mídias.
Atualmente, o consumidor pode por exemplo escolher entre comprar um automóvel ou compartilhar o seu uso através de serviços. Tais empresas já existem em vários países e oferecem alternativas para quem não quer ter a propriedade de um veículo. Exemplos são a Zipcar e a GoGet. Um novo tipo de relacionamento se cria e permite que pessoas possam alugar carros, bicicletas, espaços de escritório, malas, furadeiras, joias, quartos, barcos e muitos outros ativos e serviços diretamente uns dos outros para uso coletivo. O acesso aos produtos e aos serviços é muitas vezes mais importante que a propriedade dos mesmos.
O Brasil segundo alguns estudos realizados recentemente é o país na América Latina que mais tem se destacado em relação aos modelos da economia compartilhada e colaborativa. Além do já conhecido Uber, alguns outros negócios parecidos têm surgido como é o caso do 99Taxi no serviço de transporte de passageiros. O DogHero, lançado no final de 2014, é uma iniciativa voltada para a hospedagem de cachorros. Pessoas preocupadas com seus animais se sentem desconfortáveis em deixar seus cães sozinhos. Com isso as pessoas se cadastram no site e se qualificam para cuidar dos “caninos” complementando suas rendas.
Espaços compartilhados de de centros de distribuição reduzem os custos logísticos, bem como o compartilhamento de transportes.
Todos os mercados e áreas de negócios serão afetados. Não acredito que seja um movimento que chegou e irá se dissipar. Pode sim sofrer adaptações e transformações, mas o conceito me parece ser bastante interessante. Seguramente as empresas convencionais estão preocupadas, pois isso as afeta.
E o conceito nasce por necessidade. O ponto crucial é de que forma fazemos ou iremos fazer parte dessa nova economia.

Que a força esteja contigo!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais
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