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Conteúdo 10 de dezembro de 2018

Política, economia e logística

Prestes ao início de um novo governo, o Brasil redesenha suas ambições comerciais. Nada modestas – e assim devem ser, as metas incluem revigoramentos na produção do Agronegócio, das exportações e na geração de emprego através de novas políticas comerciais, externas e internas, para trazer o país de volta a um caminho de crescimento.

É verdade que alguns setores da economia parecem não ter se distanciado desse caminho de crescimento, a exemplo de nossa produção de grãos que vem batendo recordes ano após ano, o crescente saldo de nossa Balança Comercial – assim devido aos bons ares do Agronegócio, trazem certo alento, embora 2018 aponte para uma leve queda dos produtos industrializados e para uma demora excessiva na recuperação do setor de serviços diante das últimas crises. E o que se percebe em pontos positivos relacionados à economia, é que esta nos provou mais uma vez que pode fluir com o empreendedorismo e estancar sangramentos consistentes enquanto as preocupações do governo estiverem mais voltadas ao próprio umbigo.

Foi perceptível que o governo atual, que findará neste 2018, gastou suas energias de forma a sobreviver em meio a tantas denúncias de corrupção e na busca por justificativas de sua ausência austera nos principais campos da economia. Quanto ao futuro governo, no que também é perceptível, se obrigará a concentrar suas energias nos mesmos campos básicos de uma estrutura política/econômica que nos distancia de nossas metas de crescimento. Embora o desenho mostre agora um lado de combate a tais eventos que desafiarão a nova administração pública, e que esse enfrentamento seja absolutamente necessário, o tempo agora é de “assobiar e chupar cana”, ou seja, controlar as contas públicas, fazer as reformas necessárias, estancar a corrupção e investir em logística.

Não há dúvidas de que essa reformulação de propósitos políticos, que passa pelos próprios políticos, já não tenha demorado demasiadamente, mas não se sabe por quanto mais tempo nossa logística conseguirá encontrar saídas para continuar assistindo aos importantes setores de nossa economia, onde sempre é obrigada a ofertar soluções. Parece básico, mas não se pode construir uma casa começando pelo teto. Para um crescimento econômico consistente, temos que rever muito da situação atual dos modais logísticos.

Entre combater a corrupção, mudar a visão política que tanto conhecemos, acelerar a economia, gerar empregos para milhões de brasileiros e fomentar a logística para viabilizar a aceleração econômica, sabe-se que será um enorme desafio, mas também se sabe que os dois primeiros pontos demandarão muito tempo, e esse tempo que vimos ser perdido há décadas está, cada vez mais, se voltando contra nós e nos cobrando pela forma com que o desperdiçamos.

Esperar que tudo se resolva de imediato é ilógico. Contudo, o segredo parece estar na administração do tempo com suas prioridades de forma a atender aos pontos citados, senão simultaneamente, pelo menos entender sua complexa ligação e trabalhar “para aumentar o cobertor e não cobrir a cabeça descobrindo os pés” como há tempos vem sendo feito.

Os investimentos em logística caem ano após ano e a proporção deles ante o aumento da produção e da comercialização é mesmo de assustar. Citar as perdas de até 30% no transporte e na armazenagem dos grãos produzidos no Brasil, ou as perdas setoriais incalculáveis geradas em estradas, ferrovias e portos, ou mesmo o quanto pagamos por mercadorias cujo valor reflete tantos e tantos problemas, parece básico demais. Mas perceber que essa falta de investimento vem atender certos interessados em tirar proveito do caos para vender soluções, seja na área privada ou pública, através daqueles primeiros pontos citados que envolvem a política, casa desastrosamente com a atual situação de nossa logística como esta casa perfeitamente com a limitação de nosso crescimento econômico.

Que esse desafio, que não é só dos governantes, mas nosso também, comece enfim, a ser encarado de frente e tratado com a mais absoluta responsabilidade.

Marcos Aurélio da Costa Marcos Aurélio da Costa

Foi coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

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