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Conteúdo 11 de julho de 2019

Sociedade das empresas mortas

O hábito de consumo muda numa velocidade assustadora. Uma linha que agrada agora pode amanhã iniciar seu declínio vertiginoso e desaparecer da rotina e do gosto do cliente num piscar de olhos. Basta pensarmos nos produtos que eram febre em nossa infância, ou mesmo na juventude de muitos, que hoje fazem parte apenas de nossas lembranças. É, mudaram os produtos, os processos, os consumidores… Difícil acreditar, nesse cenário cuja velocidade da informação chega junto com o fato, que empresas ainda alimentem a ideia do lucro a qualquer custo.

E essa frase tem mesmo uma dicotomia estranha: “lucro a qualquer custo”. Ou a empresa parte para o lado do lucro sem planejamento, que destrói o corpo, sua estrutura financeira e de mercado, ou ela parte para o lucro indiscriminado, que destrói sua alma, sua reputação, ao colocar em segundo plano seus consumidores e seus colaboradores. Ou é difícil vermos empresas que devastam o meio-ambiente e não estão nem aí para as pessoas?

Já parou para pensar em quantas empresas sumiram do mercado porque não acompanharam as mudanças e preferências dos consumidores? Quantas desapareceram porque não olharam pela janela e não perceberam que tudo estava e está em transformação contínua? Quantas profissões sumiram e quantas novas surgiram só na última década? Quem tem mais de 40 anos de idade sabe que se perdia horas e horas numa fila de banco para pagar uma simples conta de energia e hoje sequer há a necessidade de ir ao banco.

Não seria exagerado ou não cometeria qualquer gafe quem dissesse que hoje não se consomem alimentos, roupas, carros e qualquer produto que se possa vir à mente agora. Hoje só há um produto que, dele, outros tomam forma: a informação. É ela que orienta, influencia e movimenta o consumidor para perto ou para longe de um determinado artigo. Alguma dúvida de quem é mais importante nesse jogo?

E essa importância vem crescendo sistematicamente à medida que esses consumidores filtram o fato do “fake”. Não é simplesmente saber que uma pessoa ou empresa fala uma verdade ou uma inverdade, já se analisam os porquês dessas verdades ou os propósitos da disseminação de inverdades. São os olhos de todos voltados ao “benchmarking” com um julgamento quase instantâneo e uma absolvição ou condenação, nem sempre no alvo, mas rápida como uma flecha.

Nessa briga ferrenha no mercado, travada em todas as horas e nas mais diferentes circunstâncias, o que se fala de um produto ou de uma empresa pode empoderar ou simplesmente aniquilar com qualquer projeto. Nesse degrau, a importância maior é dada àqueles que participam diretamente do processo de construção/produção. São mesmos os funcionários – ou colaboradores, como queiram – que lançam uma voz bem significativa porque se entende que falam com conhecimento de causa aqueles que “moram na casa”. Alguma dúvida de que investir em conhecimento, formação e qualidade de vida dos funcionários seja de suma importância? São eles que devem comprar o projeto antes do mercado. São elas os principais vendedores.

É certo que manter uma empresa hoje no Brasil não é uma tarefa fácil. Já falamos muito disso aqui. São dificuldades absurdas na infraestrutura de transporte, excessos na carga tributária, nos encargos e uma série de outras dificuldades que quem vive o caso entende bem do que se fala. Porém, independentemente dos obstáculos, certas coisas não podem ficar de fora, ou o preço pode ser alto para a sobrevivência de uma empresa.

Cada vez se percebe mais que empresas que investem em conhecimento, ofertando uma maior e melhor formação aos funcionários, ao mesmo tempo que lhes ofertam qualidade de vida através de aberturas na rotina, liberdade de ideias, salários associados à meritocracia, gozam de lucros rápidos e significativos, mesmo com estruturas pequenas como muitas “startups” que temos notícias. Elas se diferenciam por muitas coisas, mas o que mais se pode destacar é o cenário de incertezas que qualquer empresa está sujeita, inclusive grandes marcas.

Infelizmente ainda se nota bastante que muitas empresas estão ignorando as pessoas e seus gostos, seus anseios, seus planos… sejam elas consumidores ou colaboradores. Apesar dessas empresas ainda estarem presentes no mercado, elas já fazem parte do passado.

Marcos Aurélio da Costa Marcos Aurélio da Costa

Foi coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

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