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Conteúdo 23 de julho de 2018

Sua função vai existir amanhã?

No decorrer de nossa infância era muito comum sermos indagados sobre o que gostaríamos de ser quando crescêssemos. As respostas apontavam para algumas profissões ainda em evidência como médico, engenheiro, dentista, professor, motorista e assim por diante.
Os dias atuais nos trazem algumas experiências e constatações interessantes. Devido à transformação digital e tecnológica, globalização, novos modelos de negócios e crescimento demográfico, novas profissões e funções têm surgido e outras se extinguem. Ou mesmo sofrem transformações radicais.

Como imaginar e se preparar para esta transformação?

É essencial reconhecer que muitas atividades vêm recebendo inovações. Uma delas tão antiga quanto a invenção do automóvel: dirigir. O ecossistema de transportes vem se transformando velozmente. Não apenas no que se refere às máquinas e equipamentos mais poderosos, automáticos, inteligentes e flexíveis. Veículos autônomos começam a ser uma realidade no trânsito moderno. Caminhões comandados tecnologicamente estão sendo testados e é uma questão de tempo para os termos trafegando pelas rodovias. Se nota ainda uma forte demanda por outros modelos de negócios mais ágeis e flexíveis, como a “uberização” do transporte, hoje mais centrada no transporte de pessoas, mas já em evolução para a movimentação de cargas. Motoristas de táxi, veem seus territórios sendo invadidos. Muitas reações são violentas em alguns países. Porém, a situação é real. Trata-se de serviço ao cliente. Resposta, pontualidade, preço e serviço. A experiência do cliente dita as regras. Não é imposição.

Profissões em alta

Mas não para por aí. Outras profissões estão em alta, como os criadores de vídeos (os famosos YouTubers), os projetistas da experiência do cliente, engenheiros de veículos autônomos e até mesmo pilotos de drone. Esse contexto força a que as organizações sejam reinventadas principalmente na área de recursos humanos. As posições de gerência demandam habilidades distintas e digitais. Com o advento de uma tecnologia mais avançada, incluindo o Big Data, analistas de dados tem tido uma demanda bastante importante. Os vendedores são mais especializados em produtos de alta tecnologia e segmento de mercado. Isto proporciona inclusive que algumas áreas ou todas elas sofram atualizações essenciais como a área de educação, computação, matemática e engenharia. Oportunidades científicas têm surgido em função do elemento viabilizador tecnologia.
Aha…só que atualmente as habilidades e os perfis de funções digitais tem sido dificílimas de se recrutar. Neste quesito o papel da educação é fundamental.

Profissões em baixa

Mas existe outro ponto interessante. Da mesma forma que existem as profissões em alta, também existem as profissões em baixa, como é o caso onde os robôs têm sido largamente utilizados nas fábricas e nos armazéns, substituindo as pessoas. Mas não para por aí. Outras atividades administrativas e de escritório, bem como área de construção civil e certas funções nas áreas jurídicas também sofrerão impactos.

Funções que sofrem mudanças

Funções voltadas ao planejamento da demanda são suportadas por sistemas em nuvem, com possibilidade de acesso às transações em tempo real e algoritmos extremamente avançados, possibilitando que planejadores de demanda sejam criadores de negócios e suportes importantes para outras áreas da empresa. Tais pessoas terão mais poder, serão mais analíticas, com enorme potencial para solucionar problemas. As análises dos impactos financeiros terão um equilíbrio em relação à acurácia das previsões e dos pedidos perfeitos, além de uma conexão forte com serviço ao cliente.
Com o advento da customização em massa – impressão 3D interfere aqui – , o planejador e programador de produção, passam a trabalhar com robôs colaborativos que podem ser reprogramados em curto espaço de tempo. O planejamento deixa de ter longas corridas de máquinas em busca da produtividade. O foco agora passa a ser lucratividade. O número de SKU´s (Stock Keeping Units) tende a aumentar significativamente, visando agradar os clientes e fazer mais dinheiro.

Logística deve causar uma boa impressão ao cliente. Não apenas entregar.

As funções logísticas se concentram em satisfazer os clientes. Não apenas receber pedido, separar, planejar rotas, carregar, transportar e instalar. Além de todas as atividades mencionadas deve existir a garantia de que o cliente está pronto para receber, evitando operações e retornos desnecessários. Administrar e causar uma excelente impressão do cliente na entrega é uma tarefa árdua e que obrigatoriamente deverá ser feita pela logística. E pode significar novos negócios no futuro. Na minha humilde visão, o responsável pela logística passa a ser o gerente ou o diretor de satisfação do cliente ou algo similar. Não importa o nome que se dê.

Oba…funções em alta na Logística.

Muitas funções estão em alta e é necessário prestar atenção nas mesmas. Em Supply Chain, temos algumas funções importantes, e que demandam preparação, como é o caso do programador de transportes, gerente de operações, gerente de “Procurement”, gerente de logística e gerentes de centros de distribuição.

Exemplos marcantes da história

O curso da história nos mostra exemplos fantásticos do reposicionamento das profissões e das funções. No passado tivemos os acendedores de lâmpadas que foram substituídos pelo advento da eletricidade. As operadoras de telefonia substituídas pela evolução das telecomunicações. E porque não mencionar a função de ascensorista. Ainda que em alguns lugares existam. Linguagens de programação e operadores de grandes computadores são exemplos marcantes. Na década de setenta e oitenta proliferou a certificação em datilografia. Menciono ainda, a mão de obra do campo radicalmente substituídas por equipamentos avançados. E você deve estar pensando em inúmeras outras atividades não mais existentes e aqui não elencadas.

Atenção redobrada para as mudanças

É fundamental chamar a atenção para essas mudanças a fim de que as pessoas compreendam o que está acontecendo, para que elas não apostem em estratégias equivocadas no decorrer de suas vidas, restringindo suas habilidades e seus campos de ação. É necessário estar em consonância com o que o mercado irá demandar.
A formação das pessoas deve fazer parte das estratégias empresariais, mas principalmente dos próprios indivíduos. A carreira de cada um depende de si próprio. Não entregue decisões nas mãos de terceiros. É importante se atualizar e entender a direção que as coisas estão tomando. Seja para seguir no mundo corporativo ou empreender por conta própria! Não seja igual ao sapo que ao ser colocado na água à temperatura ambiente, chega a morte, quando esta é submetida a um aquecimento gradual. Estão esquentando a nossa água!

Que a força esteja contigo!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais
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