Facebook Twitter Linkedin Instagram
Conteúdo 1 de abril de 2019

Torre de controle em “supply chain”. Já ouviu falar?

A analogia de uma torre de controle de Supply Chain com uma torre de controle de um aeroporto parece ser algo bastante óbvio.  As torres dos aeroportos monitoram visualmente e gerenciam o uso dos recursos em tempo real tais como: pistas, portões e espaço aéreo. É possível tomar decisões e ações através da observação e controle das aeronaves que estão para chegar, esperando para a descida ou subida de passageiros e cargas ou aquelas que estão prontas para partir.

As aeronaves, em conjunto com seus passageiros e cargas, funcionam como produtos e peças em uma cadeia de valor.  Dessa forma, uma torre de controle da cadeia de abastecimento fornecerá ferramentas para que uma organização monitore e administre seus recursos por meio da tão pretensa visibilidade.

 

MAS…O QUE É UMA “TORRE DE CONTROLE” NO CONTEXTO DE “SUPPLY CHAIN”?

Graças principalmente à evolução tecnológica, o conceito de “Torre de controle” está se tornando cada vez mais utilizado na gestão da cadeia de abastecimento. A torre de controle pode ter significados distintos para diferentes pessoas ou empresas. Eu vou explorar o mais usual. Implementar tal conceito possibilita ter a capacidade de monitorar e rastrear as entregas em tempo real, tornando tal atividade mais eficaz. A torre de controle, é um hub, um ponto focal que oferece visibilidade, tomada de decisão e ação, com base em diferentes análises em tempo real.

A execução de operações e entregas de última milha apresenta grandes desafios. As organizações necessitam superar a falta de visibilidade de materiais e produtos e seus estoques, alocação de recursos, como capacidades de movimentação, envolvendo diferentes modais de transporte, veículos e pessoas, bem como gargalos de tráfego. A falta de agilidade e a ineficiência, são outros elementos importantes, e que impactam radicalmente as operações logísticas das organizações, afetando os níveis de serviços contratados, bem como a satisfação de clientes e consumidores.

Portanto, aparece aqui um ponto fundamental, onde as empresas não só terão de incorporar novas tecnologias, assunto mais que debatido ultimamente, mas também adotar novos modelos estratégicos em suas operações para não se tornarem irrelevantes neste mundo extremamente competitivo.

Ao criar um ecossistema estratégico orientado à satisfação do cliente, as empresas podem ter visibilidade dos pedidos ou ordens para reduzir o risco de potenciais rupturas.

Se espera que, uma torre de controle da cadeia de abastecimento, no mínimo, seja um lugar onde os colaboradores possam ver os recebimentos previstos, remessas aos clientes, ordens de produção e estoques, tanto disponíveis quanto em processo.  No passado, se falava muito do “cockpit” que era mais voltado aos indicadores de desempenho. Diria que aqui não é muito diferente. Porém, usando ferramentas que efetivamente auxiliem as pessoas de operações a serem mais ágeis, eficazes e assertivas em suas tomadas de decisão.

 

 

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA TORRE DE CONTROLE?

 

Dentro do conceito atual da torre de controle algumas características incorporadas às plataformas tecnológicas podem ser:

  • Visibilidade e controle de toda a cadeia no que tange a pedidos de clientes, de variáveis que influenciam o desempenho dos níveis de serviço, como também a integração com os operadores logísticos;
  • Monitoramento em tempo real feito através de dispositivos inteligentes;
  • Multiplicidade de canais, possibilitando ter acesso às informações em Diferentes dispositivos, compartilhando-as e colaborando com o ecossistema em tempo real;
  • Análise de dados – aplicações de administração de entregas pode utilizar análise de dados para direcionar eficientemente os responsáveis pela entrega de última milha para os destinos pretendidos, acelerando e mantendo a qualidade do processo de entrega;
  • Notificações e alertas eficazes e em tempo real possibilitando resolver interrupções antes que provoquem qualquer ruptura na cadeia de valor.

 

COMO AS EMPRESAS PODEM SE BENEFICIAR DA TORRE DE CONTROLE?

Como definido previamente, a torre de controle é um local central que possui organização, tecnologia e processos. Tais elementos permitem coletar os dados essenciais da cadeia de abastecimento para dar maior visibilidade às ações a serem tomadas, no curto e longo prazos, alinhados com os objetivos estratégicos da empresa. Estrategicamente, dois grandes benefícios devem advir deste contexto:

  • Colaboração: a plataforma da torre de controle deve permitir a colaboração entre todas as partes do ecossistema, tanto internas, quanto externas, com todos trabalhando uníssonos com as mesmas informações para resultados comuns.
  • Otimização: a plataforma deve também suportar a otimização, o que facilita a tomada de decisão. Atualmente, os desafios da cadeia são tão complexos que muitas vezes estão além da compreensão humana. É necessário possuir algoritmos e regras de decisão para automatizar ou pelo menos apoiar os processos de tomada de decisão.

 

Os colaboradores que estão no comando da torre de controle podem tomar decisões com base no feedback recebido do sistema centralizado. Ao coletar dados dos processos de entrega diários, as torres de controle também oferecem uma visão única do desempenho. Com ferramentas automatizadas, a equipe pode realizar análises para otimizar decisões, identificar rupturas de processo e gerenciar as ordens com base nos tempos normais de ciclo.

Contudo, com os avanços tecnológicos e a economia digital, as organizações precisam estar dispostas a dar um passo adiante. Não podem restringir as ideias  apenas no campo dos  controles e sim em uma solução que também permita administrar os processos de negócios.

É importante pensar em plataformas digitais que possam incluir elementos voltados para a Indústria 4.0 ou Internet das Coisas. A estratégia visa alavancar as áreas de planejamento e gestão da demanda com estimativas mais refinadas e redução das incertezas.

Uma torre de controle pode ser extremamente valiosa. É fundamental entender como a torre de controle pode melhor atender os propósitos da empresa.

 

ALGUMAS EMPRESAS USANDO O CONCEITO DA TORRE DE CONTROLE

 

A torre de controle pode atender a vários e diferentes objetivos organizacionais. A seguir, apresento algumas empresas que buscaram o desafio de implementar a torre de controle com sucesso e atendendo diversas demandas e requisitos de negócio. Muitas outras existem!

  • Unilever tem usado o conceito na Europa para obter maior visibilidade e controle de sua Logística de distribuição de produtos. Alguns dos benefícios relatados são: melhor serviço ao cliente, redução de custos e redução na emissão de carbono, em função de uma coordenação eficiente dos transportes em diferentes modais logísticos.
  • P&G, uma empresa que possui um dos melhores “Supply Chains” do globo  nomeou sua Torre de Controle de  “Business Sphere”. Tem obtido visibilidade global dos estoques e melhoria de desempenho na cadeia de abastecimento através de melhores níveis de serviço.
  • A plataforma da Torre de Controle da Pfizer permite medir o fluxo de produtos, pedidos e despachos. Além disso, a plataforma dá à Pfizer e aos seus parceiros uma visão única dos dados. Os benefícios incluem a capacidade de medir o fluxo de produtos, pedidos e remessas para estabelecer conjuntos de indicadores baseados em fatos e fundamentados no comportamento real da cadeia.
  • O Sistema da Torre de Controle da L’Oréal possibilita a sincronização de informações com todos os seus fornecedores, podendo responder mais rápido aos eventos de mercado.
  • A central de comando da Dell visa coordenar a logística de peças e os técnicos de campo para atender à solicitação e requerimentos dos clientes.

 

CONCLUSÃO

A busca da vantagem competitiva na esfera global ou regional demanda uma gestão mais efetiva da cadeia de abastecimento que depende da visibilidade dos recursos, sejam eles materiais, produtos, ativos ou pessoas e da capacidade de resposta. Existem diversos fatores que são determinantes para este fim. Bons exemplos são conhecimento e domínio de processos empresariais, ferramentas de tecnologia da informação, experiências de planejamento de vendas e operações e a integração entre as diversas áreas empresariais, habilidades em modelos de negócios e estratégias. Tais habilidades possibilitam a formação de teoria e prática para o conceito de torre de controle da cadeia de abastecimento. Por outro lado, a torre de controle não se presta apenas a ter uma melhor gestão e otimização dos custos da cadeia mas seguramente é uma fonte potencial de receita e de valor agregado na busca da fidelização e satisfação dos consumidores e dos clientes da empresa. Assim como as estratégias e os modelos de negócios sofrem transformações e evoluções, também as torres de controle devem ser ajustadas e adaptadas às novas realidades. De outra forma, não trarão os resultados esperados.  A fim de harmonizar e orquestrar a cadeia de abastecimento é importante atentar para os detalhes dos serviços alvos das torres, que podem ser hierárquicas. Por que não? Portanto, mecanismos de integração entre os diversos níveis da estrutura organizacional deveriam existir para se obter a tão almejada visibilidade da cadeia.

 

Que a força esteja conosco!

 

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais

Newsletter
Cadastre-se aqui


Top do Transporte
Top do Transporte
Top do Transporte
Top do Transporte
Toyota
Translifit
SDS
Tokio Marine
Retrak
Manufacturing Summit Brazil