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Conteúdo 3 de maio de 2018

Vamos brincar?

A avalanche de informações a respeito da evolução tecnológica no supply chain está acima da nossa capacidade, ou da minha, pelo menos, de absorver tanta inovação.
IoT, Logística 4.0, IA (Inteligência Artificial) na logística e tantas outras, são assuntos quotidianos nas empresas e todas, a seu modo, estão se “preparando” para essas modernidades.
Me impressiono com a quantidade de jovens profissionais que discorrem sobre esses temas com uma desenvoltura invejável.
O pior de tudo isso, é que a realidade das empresas, em especial a capacitação profissional do seu pessoal, está muito aquém daquilo que minimamente se espera para se começar a pensar em investir em tecnologia.
Parecem estar brincando, por quererem a inovação sem o preparo adequado das suas instalações, equipamentos, processos, gestão operacional e, o principal, sem um mínimo de vivência profissional e formação técnica dos seus colaboradores.
Foi por isso mesmo que resolvi, neste artigo, compartilhar com você a realidade, através de uma pequena mostra de casos que tenho vivenciado.
Vamos a eles!

A empilhadeira preta:
Em visita a um centro de distribuição, tomei um susto ao ver uma empilhadeira sair de um corredor bastante escuro.
A luz do prédio estava apagada, em função do programa de contenção de energia elétrica e, por isso mesmo, operavam com um restinho de luz natural do final da tarde.
A empilhadeira era pintada na cor preta e, ao perguntar ao gerente operacional o motivo daquela cor, recebi a explicação de que era a tinta disponível quando reformaram a máquina.
Logo percebi que as cores amarela e laranja foram esquecidas, mesmo sendo as recomendadas para a sinalização de segurança…

Frete com tudo incluso:
Num processo incipiente para a contratação de um novo fornecedor de transportes, os profissionais que estavam conduzindo o processo de concorrência definiram que os preços dos fretes deveriam incluir todas as generalidades, resultando numa única linha de valor para capital e interior de cada estado.
Para quem está familiarizado, dependendo da região a ser atendida e do tipo de produto a ser transportado, sabe-se que os custos com as generalidades podem passar de 15 linhas de cobrança, sem contar o percentual do seguro e gerenciamento de risco.
O racional para essa solicitação: Seria mais fácil comparar os preços de todos os concorrentes, analisando apenas 54 linhas (capital e interior para os 26 estados mais o DF).
Conclusão, ficaria para cada empresa concorrente decidir o que considerar para adicionar os custos de generalidades nos preços dos seus fretes.
Pode-se imaginar a discrepância entre os valores apresentados e a difícil tarefa de se realizar a análise competitiva…

O porta-pallet vermelho:
Após mais de 12 meses de negociação (isso mesmo, mais de 1 ano) e 14 revisões na proposta técnica-comercial original, finalmente consegui fechar, para um operador logístico, um contrato para a terceirização de uma operação.
Antes mesmo de iniciar as atividades, recebi uma demanda da área de qualidade do cliente, para que os porta-pallets destinados aos seus itens fossem pintados na cor vermelha.
O motivo, era a necessidade de se destacar, das demais estruturas, aquelas destinadas à sua operação.
Foi difícil o processo de convencimento para a manutenção das cores originais (azul para os montantes, laranja para as longarinas), mas, com um pouco de paciência e alguns bons argumentos, sobretudo os de segurança, finalmente consegui…

3 empilhadeiras para 3 turnos:
Ao iniciar as conversações para apresentar um escopo técnico para um projeto, deparei-me com uma solicitação no mínimo inusitada do cliente.
A profissional que conduzia o processo solicitou-me considerar 3 empilhadeiras para a sua intralogística.
Durante a visita à sua operação, percebi que a área não tinha mais que 800 metros quadrados e sua atividade era bastante tranquila, mesmo nos finais de mês.
Ao final da reunião, perguntei o motivo para se considerar as 3 empilhadeiras. Ela foi taxativa e, com um ar de desprezo pela minha “incompetência”, mandou: “É uma máquina para cada um dos 3 turnos de trabalho”.
Uau, aprendi mais uma…

A esta altura, você deve estar com um sorriso no rosto, pois pérolas como estas mereciam um livro, não acha?
Não! Ao contrário, isso me preocupa pela baixa qualidade da capacitação profissional, aliada à prepotência de muitos ao discorrer sobre inovações e demandar coisas absurdas, difíceis até mesmo de entender o objetivo das suas solicitações.
Por isso mesmo é que eu pergunto: Vamos brincar de nos preparar tecnicamente, antes de sair falando e fazendo bobagem por aí? Vamos brincar de vivenciar experiências e aprender com os que realmente têm o que compartilhar? Vamos brincar de ser sérios?
Vamos brincar?
Até a próxima!

Hernani Roscito Hernani Roscito

Hernani José Roscito

Sócio-Proprietário da MENDES DE ALMEIDA & ROSCITO CONSULTORIA

Consultoria especializada em projetos de Supply Chain

hernani.roscito@marconsultoria.com.br

www.marconsultoria.com.br

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