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Economia 22 de outubro de 2015

Exportações de veículos montados no Brasil crescem e dão fôlego à indústria

A estratégia da indústria automotiva brasileira de apostas nas exportações de veículos para compensar as perdas com a queda do consumo de carros novos no mercado doméstico começa a dar bons resultados. As vendas para outros países cresceram 12,3% entre janeiro e setembro deste ano, se comparadas a igual período no ano passado, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores).

E a expectativa do setor é de mais crescimento este ano. Até setembro foram 293 mil veículos comercializados, e a Anfavea estima atingir 375 mil até o fim do ano. O reposicionamento da indústria para o mercado externo começou no primeiro trimestre deste ano, quando a cotação do dólar começou a ultrapassar a marca dos R$ 3, como revelou o Fato Online. Desde então, a indústria automotiva começou a apostar suas fichas nos acordos bilaterais que estavam sendo negociados pelo governo brasileiro para aumentar suas exportações.

Nos últimos meses, o Brasil conseguiu fechar acordo com o México, Argentina, Uruguai e Colômbia. Este último, o mais recente, foi formalizado na semana passada durante visita da presidente Dilma Rousseff ao vizinho

“Boa parte desse aumento das exportações que estamos apresentando agora se deve a renovação do acordo com o México”, disse Luiz Moan, presidente da Anfavea, ao Fato Online. As vendas para aquele país aumentaram em 50%. “No acumulado, cerca de 40 mil unidades já foram exportadas para o México esse ano”, acrescentou.
Segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), apenas em setembro, o incremento nas vendas para o mercado mexicano foi de 13,9 mil unidades. Para a Argentina, foram 2,3 mil veículos vendidos no último mês, mesmo com o país em crise econômica. As expectativas agora ficam para o acordo que está sendo negociado com o Peru.

No entanto, mesmo com a evolução nas vendas, o setor não está vendo crescer o valor exportado. De acordo com a Anfavea, quando comparados os volumes em milhões de dólares, observa-se uma retração de 1,7% no montante. Mas, Moan acredita que o cenário será melhor até o fechamento do ano. “Estamos agora retomando as exportações de caminhões que vai melhorar bastante a média de valor das exportações”, explicou.

Mais acordos

O anúncio da Parceria Transpacífico, acordo de livre comércio entre países que representam 40% do PIB (Produto Interno Bruto) do mundo, entre eles, Estados Unidos e Japão, traz preocupação. O Brasil não integra esse novo grupo de comércio e a Anfavea enxerga, por isso, a possibilidade de prejuízo para o setor. Isso, porque os participantes se encontram numa posição mais favorável às suas exportações.

No entanto, Luiz Moan pondera que, mesmo de fora, o Brasil já tem acordo com alguns dos países participantes como o México, a Colômbia e o Chile, o que pode minimizar os prejuízos. “Então, a nossa posição é de que gostaríamos de estar nesse acordo, mas já temos acordos (comerciais) com pelo menos três dos dez países que assinaram o Transpacífico”, disse.

Além disso, o setor tem expectativas de aumentar as exportações caso avancem as negociações para o livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Os termos para esse acordo estão sendo discutidos por representantes dos dois blocos, que tem até esse ano para definir o tamanho do universo tarifário que constará nesse acordo.

Cenário interno ruim

O aumento das exportações serve como um alívio para o setor automotivo, que vê internamente, uma forte retração. As vendas caíram 32,5% no acumulado do ano até setembro e, mês a mês, as montadoras estão observando resultados negativos.

Sem as políticas de incentivo do passado, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que estimulou o consumo até o final do ano passado, e com o ambiente político tumultuado contaminando negativamente a economia, as projeções do setor sobre o desempenho interno das vendas continuam desanimadoras. Reação mesmo, só a partir do ano que vem, na visão da Anfavea.

“Acreditamos fortemente que a partir do final do terceiro trimestre de 2016 a gente possa já ter um movimento de aumento das vendas e de retomada do setor de uma maneira mais autônoma e sustentável”, afirmou Moan.

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