Atacado farmacêutico financia varejo do setor no Brasil
Notícia | 14 de Fevereiro de 2012
O curto prazo dado para que o varejo pague os medicamentos comprados dos laboratórios farmacêuticos brasileiros é o principal fator para que o atacado do setor acabe por financiar o segmento varejista.
Essa é a visão sustentada por Luiz Fernando Buainain, presidente da Abafarma –Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Fone: 11 5080.3636), sobre as atuais condições em que varejo e atacado de medicamentos se encontram no país. “As condições comerciais desse setor vêm da indústria, dos laboratórios para o distribuidor. Temos média de 18 a 23 dias para realizar o pagamento ao laboratório, enquanto o mercado varejista pede pelo menos 35 dias para esse pagamento. Com isso, os clientes atacadistas acabam compensando os do varejo, que demoram mais para pagar, esperando que o cliente final compre os remédios nas lojas”, explica Buainain.
O resultado dessa política de pagamento também afeta as distribuidoras de medicamentos. Como os prazos de pagamento concedidos aos varejistas ultrapassam um mês, enquanto as indústrias oferecem ao atacado menos dias, a margem de lucro das distribuidoras se mantém apertada, mesmo com a entrega eficiente dos remédios.
Hoje, além de entregar os medicamentos, as distribuidoras ainda atuam com o armazenamento de grande parcela dos produtos, gastam com segurança e tecnologia de rastreamento dos caminhões, todos custeados internamente, arcando com os prejuízos de atuar em negociação mais flexível com varejistas.
De acordo com Buainain, é necessária uma revisão de prazos de pagamentos dos distribuidores, de forma que não se fechem portas entre varejo e atacado. “Essa revisão é necessária, pois com a atual forma de pagamento, muitas distribuidoras acabam fechando por não conseguirem se manter sem receber os valores devidos dentro de um cronograma aceitável para um negócio saudável”, afirma.
LOGÍSTICA VAREJISTA X LOGÍSTICA ATACADISTA
Apesar de trabalharem no mesmo segmento, distribuindo medicamentos, a logística do varejo farmacêutico se diferencia em diversos pontos da logística atacadista.
O distribuidor compra grande quantidade de produto. O varejo não consegue comprar quantidades expressivas de medicamentos, pois a demanda para o consumidor final não condiz com essa grande compra. Como as vendas acontecem paulatinamente, não há necessidade de manter estoque, inclusive, pois os produtos são muito perecíveis.
Já o atacado farmacêutico, segundo o presidente da Associação, já possui um know- how de distribuição por todo país e trabalha com todos os tipos de medicamentos, sem distinções, pois irá distribuí-los para redes de drogarias e hospitais de acordo com uma demanda existente, muito maior que a do varejo. Atuando com diversos remédios, é natural que a compra seja mais expressiva. Outro fator que diferencia o atacado do varejo é que o primeiro negocia com quase todos os laboratórios existentes, enquanto o segundo, muitas vezes, não consegue atender a essa expectativa.
Sobre o mercado atacadista, Buainain afirma que “para ter sucesso neste ramo, não basta apenas ter uma frota. A entrega é um serviço especializado e exige muito conhecimento sobre logística, capital de giro e finanças sólidas. A atividade é fundamental para o acesso da população à saúde, mas ainda carregamos o estigma de sermos meros intermediários”.
Segundo informações cedidas pela Abafarma, de acordo com dados do IMS Health, o volume de medicamentos distribuídos pelas maiores empresas do setor no país superou R$ 19,5 bilhões só no primeiro semestre de 2011.
FUTURO FARMACÊUTICO
Com a ascensão financeira da classe C, que hoje representa 48% dos consumidores desses produtos, e a criação de programas como o Farmácia Popular, que dá descontos em medicamentos voltados para doenças importantes, o cenário do setor farmacêutico é promissor.
Apenas em 2011 a indústria teve faturamento de R$ 40 bilhões. Em cinco anos, esse faturamento deve dobrar. “Acredito que chegaremos ao faturamento de R$ 80 bilhões ou mais nos próximos cinco anos. Os programas estatais, como o Farmácia Popular, o aumento da compra da classe C e o crescimento do poder aquisitivo do brasileiro representam grande parte desse faturamento”, anuncia Buainain.
Para atender toda a demanda, o setor está investindo em melhorias. A tecnologia é uma das áreas que mais recebe atenção. “O WMS, pick by light e pick by monitor já são muito usados no segmento. A tendência atual é otimizar a logística no que diz respeito à tecnologia usada na expedição dos produtos, com novas técnicas”, explica o presidente da Abafarma.
No entanto, apesar das boas previsões, diversos obstáculos ainda freiam o desenvolvimento do setor farmacêutico. Entre eles está a infraestrutura brasileira para o transporte dessas cargas e a segurança que essa atividade exige. Para isso, maciços investimentos ainda são necessários para que se chegue ao panorama ideal. Outro problema encontrado é a pouco eficiente logística reversa do setor. A política de devolução dos produtos vencidos para a indústria ainda é muito complicada e cria gargalos em toda cadeia, tornando necessária a revisão dos procedimentos voltados para o assunto.
Não há comentários no momento