Peças para Empilhadeiras: oscilações nas vendas durante o ano não impedem crescimento do setor em 2011
Notícia | 14 de Fevereiro de 2012
De uma maneira geral, o setor se manteve aquecido em 2011. Aliás, o segmento de peças para empilhadeiras vem crescendo ano após ano, acompanhando a aceleração do ritmo de venda de máquinas, sobretudo de equipamentos importados.
O setor de peças para empilhadeiras fechou o ano de 2011 positivamente. Essa é a análise quase unânime dos entrevistados dessa matéria especial.
Por exemplo, na avaliação de Everton Fornazier, gerente de serviços da Auxter Soluções em Máquinas e Equipamentos (Fone: 11 3602.6000), o ano passado apresentou um aquecimento no setor de peças em razão da grande comercialização de máquinas e equipamentos de diversas marcas e modelos. O grande impulsionador dos negócios da empresa foi o valor competitivo que as peças originais ganharam no mercado, gerando resultados positivos.
Já Alexsander Luis Furlan, supervisor de peças de reposição da Clark Empilhadeiras (19 3856.9090), considera 2011 um ano em que os objetivos comerciais da empresa foram superados. “A comercialização de peças genuínas Clark apresentou um ótimo resultado. Durante o ano todo não sofremos quedas significativas e conseguimos manter um resultado mensal retilíneo”, avalia. Para Luis Humberto Ribeiro, diretor da Zeloso (11 3694.6000), o ano também foi positivo e a empresa cresceu acima do esperado.
O setor de vendas de motores de partida e alternadores, em que atua a Dokcar Comercial (Fone: 11 2242.6199), também fechou o ano com bons resultados. Segundo Djalma Neto, diretor da empresa, como o dólar se manteve praticamente estável durante o ano, a importação dos itens com os quais a empresa trabalha foi facilitada. Com preços mais baixos, aliados à crescente demanda de componentes para máquinas e empilhadeiras, a Dokcar aumentou as vendas e passou a atuar em novos nichos.
“Podemos considerar que o setor de peças, em 2011, se manteve equilibrado”, afirma Glauco André Santos, diretor da Gama Equipamentos (Fone: 48 3357.4040). De acordo com ele, mesmo com as oscilações de alguns setores específicos da indústria, a balança se manteve equilibrada com relação a 2010, algo que deve ser comemorado, tendo em vista todos os rumores de instabilidade no cenário mundial.
Andrea Buck, coordenadora de pós-vendas da Jungheinrich (Fone: 11 4815.8200), também aponta dinamismo em 2011. Para ela, o mercado de movimentação cresceu muito acima do esperado, após um ano de recessão devido à crise ocorrida entre 2008 e 2009. Este aumento na demanda ainda refletiu na venda de peças durante 2011, proporcionando um acréscimo considerável ao setor.
A Still Brasil (Fone: 11 4066.8100) e a Linde (Fone: 11 3604.4755) tiveram em 2011 o melhor desempenho no setor de peças de suas histórias no Brasil: a primeira com faturamento 24% maior comparado a 2010 e a segunda, com 18%. A Moviplam (Fone: 11 4581.4397) comemora o mesmo percentual de crescimento da Linde, enquanto a Commat (Fone: 11 2808.3306) atingiu seu objetivo inicial de crescer 15% em vendas de peças. Já a Movicarga (Fone: 11 5014.2477) superou as expectativas colocadas no começo de 2011 e o setor de peças da Toyota Material Handling Mercosur (Fone: 11 3511.0400) obteve crescimento superior a 30% em comparação com 2010.
Otávio Costa, gerente da Kenji Máquinas (Fone: 43 3339.3046), também aponta que o departamento de peças da empresa localizado em Londrina, PR, teve crescimento médio em 2011.
A Nova Fase Empilhadeiras (Fone: 41 3344.4988) aumentou o faturamento em 15% em relação a 2010 e em 25% comparado com 2009. “Tivemos muitos altos e baixos, porém o mercado se manteve estável na maior parte do ano, diferente do setor de venda de empilhadeiras, onde houve uma oscilação muito grande. Salvo alguns meses, conseguimos manter nosso faturamento no valor médio anual”, confirma Gustavo Yamada Ito, gerente de filial da empresa.
“Nosso crescimento na área de vendas de peças sobressalentes Curtis, em 2011, foi de 32% em comparação com 2010. Este crescimento se deu graças à elevada atividade econômica do Brasil nos três primeiros trimestres do ano, bem como ao nosso aumento de market share”, explica Ruy Piazza Filho, diretor da Vinnig Componentes Eletrônicos (Fone: 21 3979.0283).
Para a BMC (Fone: 11 3036.4000), 2011 foi muito interessante para as atividades com incremento de vendas superior a 100% nas atividades de peças e prestação de serviços. Segundo José Alberto Bueno, diretor de suporte ao produto da empresa, esse aumento é resultado da consolidação e do fortalecimento da rede de distribuição, do investimento no incremento do estoque de peças de reposição – dobrando o inventário – e do consequente acréscimo da frota ativa com novas empilhadeiras, cuja venda superou 2010 em 22%.
A entrada de equipamentos chineses no Brasil também impulsionou o mercado e foi responsável pela reestruturação do planejamento de vendas de algumas empresas para tornarem seus produtos mais competitivos. “O setor de peças vem crescendo ano após ano, acompanhando o ritmo de venda de máquinas, principalmente de equipamentos chineses que, em ritmo acelerado, estão conquistando o mercado brasileiro”, avalia Ítalo Fagá, gerente regional de vendas Brasil da LiuGong Forklift America (Fone: 31 3225.3392).
O aquecimento do mercado também se refletiu nos resultados da Makena Máquinas, Equipamentos e Lubrificantes (Fone: 51 3373.1122). Com meta de obter crescimento mínimo em torno de 10% em 2011, a empresa cresceu 16%, mesmo com a forte retração do mercado no segundo semestre, observado pelo gerente do departamento de peças da empresa, Aírton Rodrigues.
Este também é o painel traçado pela NMHG Brasil (Fone: 11 5683.8500) – 2011 foi bastante atípico em relação aos anos anteriores: o mercado teve um primeiro semestre positivo, com crescimento acima de 20% sobre o mesmo período de 2010. No entanto, essa taxa não se manteve no segundo semestre, que atingiu desempenho inferior, na faixa de 10%.
“A economia foi o principal fator que afetou diretamente e mais intensivamente este segmento de máquinas e equipamentos. Outro fator que nos tem preocupado bastante é a invasão de fontes alternativas de peças não genuínas, que descaracteriza e compromete totalmente o bom desempenho e a garantia dos equipamentos Hyster e Yale”, afirma Marco Antonio Augusto, gerente de pós-venda da NMHG.
COMO DEVE SER 2012
“O mercado de peças de reposição, além de outras variáveis, está diretamente interligado à inserção de máquinas no mercado. A passagem da atual crise econômica e a possível retenção de investimentos em novos equipamentos poderiam retardar os nossos negócios. Porém, essa retenção de investimentos chega a ser benéfica para o mercado de peças de reposição, como já ocorreu nos anos de 2008 e 2009. É evidente que a mudança do cenário externo poderá interferir positivamente ou negativamente neste ano, mas acredito que o bom desempenho dependerá muito mais de nós do que qualquer variável.” A opinião é de Furlan, da Clark Empilhadeiras.
Para Elaine Valaites, coordenadora de peças e serviços da Moviplam Empilhadeiras, apesar da crise nos Estados Unidos e na Europa e da flutuação do dólar, a venda de equipamentos continua em alta e, consequentemente, a procura por peças de reposição acompanha este crescimento.
A demanda por peças deverá continuar em alta em 2012 em função das obras planejadas para acontecer no país durante o período, segundo Djalma Neto, da Dokcar. Para ele, o país se configura hoje como um grande canteiro de obras, com enorme quantidade de máquinas trabalhando a todo vapor. Como a procura por equipamentos novos continua crescente e alguns setores não conseguem atender toda a procura, será necessário reformar e consertar a frota já existente para deixá-la em perfeito estado para uso nessas obras, beneficiando o setor de peças.
Seguindo a mesma lógica está Rodrigues, da Makena. De acordo com ele, a expectativa é que no segundo semestre, quando a questão das grandes obras estará ainda mais adiantada, haja uma possibilidade maior de crescimento na participação de mercado, que deve girar na casa de 8%, no caso da empresa. Os primeiros meses do ano devem ser marcados pela retração, em função do desempenho do setor industrial. Marcelo Yoem, assistente comercial da Zuba Comércio (Fone: 11 4719.9099), também acredita que o setor de peças continuará crescendo em função do número de manutenções das máquinas durante o ano.
“Vemos 2012 como um ano promissor e estratégico para o setor de peças, pois acreditamos na continuidade do aquecimento do mercado e na busca do cliente pela qualidade, custo e disponibilidade de peças, tanto para máquinas e equipamentos nacionais quanto para os importados”, afirma Carlos Wood, gerente de peças da Auxter.
Mas, apesar dos bons sinais, ainda é preciso ter cuidado. Santos, da Gama Equipamentos, também projeta crescimento, porém é mais cauteloso. “Para 2012, projetamos um crescimento moderado no setor, levando em consideração as expectativas de analistas econômicos. Com crescimento econômico moderado, acirram-se a concorrência e as ações agressivas, e por vezes até camicases, como as que aconteceram em 2011, poderão permanecer no mercado. Por isso, acreditamos no diferencial de serviços para permanecer crescendo”, afirma.
Mais otimista, Ito, da Nova Fase Empilhadeiras, tem altas perspectivas para o setor de peças em 2012. Segundo ele, esse segmento apresenta crescimento diretamente proporcional ao crescimento de máquinas no mercado, sendo que quanto maior o número de equipamentos no mercado, maior a quantidade de peças necessárias. “Este ano, como temos boas expectativas, vamos aumentar nosso setor de peças, tanto em número de funcionários como em capital para estoque”, anuncia.
Enfocado nas máquinas chinesas que entram no país, Ítalo, da LiuGong, afirma que essa importação fará o crescimento do setor ser inevitável em 2012. Já Augusto, da NMHG Brasil, acredita que as ações de pós-venda serão impulsionadoras do crescimento nesse ano. “Estamos otimistas e acreditamos que este ano será melhor que 2011, não somente pela ‘carona’ na economia que tende a ser melhor, mas, principalmente, pela maturação de diversas ações de pós-venda iniciadas em 2011 e que serão continuadas neste ano, bem como outras que serão implantadas em 2012”, avalia.
Algumas companhias já fecharam suas previsões de crescimento para 2012, que devem pautar os trabalhos executados ao longo do ano. A Linde espera crescer entre 15 e 20% no setor de peças, enquanto a Still projeta crescimento no mesmo setor de 17% em relação a 2011. “Este crescimento será alcançado com a distribuição de peças através da Rede de Serviços Autorizados, fornecimento direto a grandes clientes (Key Accounts) e com o aumento das vendas para os países da América Latina”, afirma André Guimarães, gerente de pós-vendas da Still.
A Vinnig não espera um crescimento na mesma ordem de 2011 devido às crises econômicas mundiais, mas prevê crescimento de 15%. Enquanto isso, a Movicarga busca manter o crescimento alcançado nos últimos quatro anos, com vendas crescendo acima de 100%.
Por sua vez, a Toyota pretende vender mais contratos de manutenção e lançar uma campanha de peças genuínas a preços competitivos. “Aumentaremos, também, nosso quadro de funcionários de peças e a área de abrangência no mercado brasileiro”, anuncia Eduardo Shinji Matsubara, gerente de pós-vendas da empresa.
As perspectivas da BMC são promissoras considerando a projeção de crescimento da economia brasileira. Com esta premissa, a empresa irá acelerar o cronograma da construção da primeira fábrica de equipamentos da Hyundai fora do continente asiático, algo que impactará positivamente na qualificação dos estoques e na redução dos prazos de importação em toda cadeia de distribuição de máquinas e peças de reposição.
NOVIDADES
Com a grande quantidade de concorrentes no segmento de peças para empilhadeiras, é natural que as empresas permaneçam em constante corrida por inovação, sempre de olho nas novidades que o mercado oferece. No ano de 2012, não será diferente. Já preparadas para apresentar novidades, de modo a facilitar ainda mais os trabalhos dos compradores, as companhias enfocam seus esforços em sair na frente dos concorrentes no que se refere a novos produtos.
Segundo Fábio Pedrão, diretor executivo da Retrak Empilhadeiras (Fone: 11 2431.6464), a evolução da tecnologia embarcada nos equipamentos exige componentes cada vez mais sofisticados. Estes mesmos componentes retornam ao usuário em equipamentos mais modernos, rápidos, produtivos e seguros, e a tecnologia permite menos manutenções ao longo da vida útil do equipamento e menor custo operacional. “Cada vez mais equipamentos eletrônicos de diagnóstico são necessários. Se junta a isso o fato de você necessitar de software para programação e parametrização do equipamento de acordo com a característica do cliente e/ou do operador. As peças são cada vez mais complexas e difíceis de recuperar. O computador informa ao técnico qual o código do defeito e as peças que devem ser testadas e, eventualmente, substituídas. Estes materiais, com possibilidades remotas de recuperação, podem tornar o custo de manutenção economicamente inviável entre 5 e 8 anos após o início da vida econômica do equipamento. É o preço da tecnologia e a racionalização nos custos de peças e mão de obra”, elucida.
Neste contexto de novidades, a Dokcar está desenvolvendo uma linha de motores de partida para empilhadeiras que já está em fase final de testes e será lançada em breve no mercado. Enquanto isso, a Vinnig apresenta novidades nas peças Curtis, como as novas tecnologias desenvolvidas pela fábrica da marca. A fabricação de controladores de impulso para direção eletrônica Curtis é uma novidade que permite que o equipamento elétrico use controladores Curtis na tração, elevação e direção, todos unidos por sistema de comunicação CAN bus, eliminando boa parte da fiação elétrica, tornando-o mais confiável. “Além disso, agora temos um sistema de câmeras que mostra as imagens captadas no painel da máquina, sendo muito útil para a marcha à ré e para a visualização da ponta dos garfos das empilhadeiras quando armazenando cargas em grandes alturas. Também temos painéis coloridos para as máquinas e que podem ser claramente vistos em qualquer nível de luminosidade e ângulo de visão”, explica Piazza Filho.
ESTOQUES E PÓS-VENDAS
Além da inovação de peças para empilhadeiras, as empresas estão direcionadas para usar o estoque e o pós-venda como diferencial, e para isto investem em infraestrutura e tecnologias. Levando em consideração que esses dois fatores também são decisivos na escolha pela empresa que irá oferecer as peças, as companhias estão adequando seus espaços e treinando colaboradores para agilizar todo e qualquer trabalho que o cliente possa ter ao comprar as peças desejadas.
Com grande concorrência, diversas novidades no mercado e cada vez mais companhias investindo no setor é necessário, como afirma Wood, da Auxter, que cada empresa implante atrativos para prospectar novos clientes e para manter aqueles que já são cativos, com grande disponibilidade de peças no balcão, prazos diferenciados para pagamento e, principalmente, um atendimento satisfatório.
Paulo Matsushita, gerente de operações e manutenção da Movicarga, por exemplo, destaca que as peças da Nissan deverão receber uma padronização em todos os modelos, algo que deve reduzir o custo com estoques e facilitar a compra e manutenção pelo cliente – “desta forma, tanto a Movicarga quanto os clientes manterão um estoque menor e, consequentemente, observarão a melhora nos resultados” – enquanto Carlos Makimoto, diretor da Aesa Empilhadeiras (Fone: 11 3488.1466), afirma que a companhia está investindo em tecnologias para facilitar a estocagem de peças, na busca por redução dos custos de armazenagem.
Matsubara, da Toyota, destaca que em um mercado tão competitivo como o de peças para empilhadeiras, a companhia se estrutura para atender a uma demanda cada vez maior. Uma nova área de armazenamento está nos projetos da empresa, o que aumentará a capacidade de estocagem de peças e trará mais espaço e modernidade para as operações desenvolvidas.
Entrega imediata, com estoque atualizado, também é preocupação de Andrea, da Jungheinrich. “Devido ao crescimento do mercado, fizemos adequações que possibilitam que as peças mais procuradas sejam disponibilizadas com entrega imediata, atendendo aos clientes de forma mais dinâmica”, ressalta.
“A atividade mais ampla e completa para os equipamentos é o suporte na pós-venda. Entendemos que a atividade de compra de peças é apenas uma atividade de apoio em todo o processo, e não a real necessidade do usuário final dos nossos equipamentos. Neste sentido, temos trabalhado em conjunto com os nossos distribuidores para oferecer aos clientes pacotes personalizados por tipo de equipamento, operação e necessidades específicas, garantindo um trabalho de pós-venda feito corretamente”, explica Augusto, da NMHG Brasil, que continua: “assim, este cliente poderá focar as suas energias apenas no seu negócio, sem desperdiçar tempo em diversas ações que não agregam valor ao processo. Temos uma campanha direcionada aos clientes sobre a importância da realização de manutenções periódicas nos equipamentos utilizando somente peças genuínas e serviços autorizados. Alinhada a esta campanha está a ampliação dos kits de manutenção personalizados pela fábrica, que será a garantia dos clientes de utilizarem somente peças 100% genuínas”.
Por sua vez, a Paletrans Carretas (Fone: 16 3951.5371) passará a fazer a importação direta das peças que são produzidas fora do país, ganhando mais autonomia e agilidade para disponibilizar produtos aos clientes. Em 2011, o Grupo Unihold, ao qual a Paletrans Carretas pertence, consolidou a transferência da fabricação e comercialização de peças de reposição de seus equipamentos, antes produzidas na unidade fabril Paletrans Equipamentos, para a unidade Paletrans Carretas Industriais. Além disso, também construiu uma nova unidade fabril de 1.036 m² dedicada às instalações de armazenagem, separação de pedidos, embalagem e despacho das peças de reposição e implementou sistemas de endereçamento dos produtos e instalações para agilizar o atendimento aos clientes, conta José Tonon, responsável pelo setor de peças da empresa.
Para 2012, a Comingersoll (Fone: 15 3225.3000) espera resultados ainda melhores aos obtidos em 2011, em função da inauguração da Movimenttar, nova empresa do Grupo. Localizada no Rodoanel, a Movimenttar passa a ser a responsável por toda comercialização, logística e pós-venda de empilhadeiras Doosan e plataformas elevatórias Snorkel. Com a criação da nova empresa, os investimentos para o ano serão maiores em estoque de peças, treinamentos e incremento na estrutura comercial e de técnicos, segundo Luiz Claudio Cintra Soncini, gerente de pós-venda da empresa.
Ítalo, da LiuGong Forklift America, acredita que as grandes marcas que vieram para conquistar e permanecer no mercado estão se ajustando para atender à demanda, adequando e atualizando constantemente os estoques de peças por meio de depósitos alfandegados. Em 2011, a empresa estabeleceu um centro de distribuição de peças para garantir a disponibilidade dos equipamentos, dando suporte aos negócios de seus distribuidores e cliente finais.
O gerente regional de vendas Brasil da LiuGong também salienta que o fator globalização proporciona aos compradores possibilidade de testar uma gama de componentes do mundo todo, principalmente os chineses, que estão conquistando o mercado interno pelo seu custo-benefício. “Gerenciar peças é uma atividade muito complexa, pois tratamos de milhões de itens que têm de estar disponíveis no tempo certo e no lugar certo. Esse é um desafio para todas as marcas, porém aqueles que conseguirem trabalhar da melhor maneira, criando estoques inteligentes de peças que suportem o negócio do cliente, serão mais bem vistos perante o mercado. Hoje, o cliente não busca somente um produto de qualidade e melhor preço. Ele analisa se determinada marca tem capacidade de suportar seu negócio como um todo, desde a aquisição e depois no pós-venda. O segmento de peças está cada vez mais incorporado ao serviço, proporcionando ao cliente maior garantia quanto à qualidade da peça em conjunto ao serviço prestado”, finaliza.
AFINAL, COMO FICAM AS PEÇAS NÃO ORIGINAIS?
O utro fator que já é levado em consideração há anos e deve ganhar mais impulso nos próximos meses é o combate à pirataria de peças. Perdendo mercado para fornecedores de peças não genuínas, as companhias buscam mostrar aos seus clientes, agora com maior intensidade, como as peças originais são mais negócio para quem busca produtos com vida útil maior.
“Estamos inseridos em um mercado em constante evolução tecnológica. E a velocidade dessa evolução nos obriga a otimizar os processos produtivos e de comercialização, buscando sempre o melhor atendimento ao cliente final. As alterações nos projetos de máquinas exige que sejamos cada vez mais rápidos no desenvolvimento de fornecedores, em nossa logística e no nosso atendimento. Fazer com que todos os processos acompanhem essa evolução tecnológica é o novo desafio das empresas que buscam competitividade.
E, francamente, essas inovações buscam proteger o nosso mercado da pirataria. Essa não é nenhuma grande novidade para o nosso mercado, pois sabemos que proteger o nosso negócio é uma questão de sobrevivência e sucesso”, explica Furlan, da Clark Empilhadeiras.
E ele continua: “como acontece no mercado automobilístico, o fornecimento de peças de reposição não se limita apenas aos fabricantes. Iludidos por preços mais baixos, consumidores finais desprezam a qualidade do produto genuíno e adquirirem as famosas peças ‘piratas’ do mercado paralelo, colocando em risco a segurança de seu operador, diminuindo a produtividade do equipamento e reduzindo a vida útil da empilhadeira. Muitos clientes não sabem, mas a durabilidade de uma peça genuína é superior em mais de 50 vezes à de imitação. Sempre trabalharemos para minimizar esta ocorrência, utilizando uma política comercial agressiva e conscientizando o cliente de todos os benefícios contidos na aquisição de uma peça genuína. Já conseguimos reconquistar uma boa fatia deste mercado, porém sabemos que não é um trabalho fácil e existe muito a ser feito. Com o desenvolvimento de nossa economia, acreditamos que o mercado paralelo perderá força e o consumidor enxergará automaticamente o beneficio de manter a sua máquina sempre genuína. Em outros países, isso já é uma realidade que acontece há muito tempo”.
A confiança e qualidade das peças originais devem pautar o ano, de acordo com Wood, da Auxter. Para ele, o mercado de peças é extremamente aberto ao cliente, com inúmeras possibilidades de compra, tanto para o cliente que preza manter seu equipamento com peças originais quanto para aquele que se utiliza de peças similares. No entanto, nota-se que a tendência de mercado é a busca pela peça original, para que o cliente tenha qualidade e confiança no produto a ser aplicado.
Hugo Niglio, engenheiro de manutenção da Commat, também segue essa linha de raciocínio. A empresa atua somente com peças originais das marcas americanas Crown e Taylor-Dunn e da chinesa EP. No entanto, segundo ele, o mercado conta com alguns fornecedores de peças nacionais e importadas de outros países que não oferecem garantia do que é vendido ou não têm conhecimento da instalação destas peças por não conhecerem a empilhadeira. “Isso acaba gerando um custo mais baixo na venda de peças, porém, uma ameaça ao funcionamento eficiente dos equipamentos. A tendência é que haja melhoria no mercado a partir do conhecimento, por parte do usuário, da importância de adquirir uma peça original”, afirma.
Guimarães, da Still, também acredita que o mercado já começa a ver mais vantagem nas peças originais, às vezes mais caras que as não genuínas, por vezes mais baratas. “O mercado tem cada vez mais optado pela aquisição de peças originais, pois entende que o custo de uma máquina parada em função de falha em uma peça não-original é muito maior que a aparente economia imediata na aquisição. Acompanhando uma tendência de outros mercados, a peça de reposição original para empilhadeiras tem, atualmente, preços muito competitivos e muitas vezes menores do que os do mercado paralelo”, afirma.
Carlos Kiss, gerente de pós-vendas da Linde, aponta que os produtos chineses influenciam fortemente no mercado brasileiro. Para ele, essa onda de novos fornecedores acaba influenciando os operadores, sejam eles donos de uma máquina ou proprietários de grandes frotas, e acaba criando oportunidades para a venda de peças originais, já que peças não-originais acabam apresentando problemas precocemente e afetam outros componentes da máquina em função da baixa qualidade.
Finalizando, Matsushita, da Movicarga, diz que o mercado de peças originais terá preços cada vez mais próximos aos do mercado de peças ‘paralelas’ e, em função disso, as vendas de peças originais apresentarão um crescimento sustentável.
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