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Carregadores de baterias para Empilhadeiras: novas tecnologias e concorrência acirrada

Notícia | 14 de Fevereiro de 2012


Apesar da crise mundial, o mercado doméstico foi propício para o crescimento dos players. Redução de custos em energia elétrica, aumento de vida útil e carregamentos rápidos são enfoques das novas tecnologias.

D e modo geral, o ano que passou foi bom para o setor, principalmente se comparado com a economia mundial nesse período, que enfrentou as crises europeia e americana. Contudo, notou-se que havia espaço para o crescimento do mercado doméstico, mesmo com receio de que a crise o atingisse de forma mais séria. Houve cautela nos investimentos em equipamentos do setor logístico. Este resumo sobre como o mercado de carregadores de baterias se comportou em 2011, dado por Nelson Roberto Macan, diretor da KM Carregadores (Fone: 19 3886.8044), dá a partida para esta matéria especial que busca compreender quais os próximos passos do segmento, o que deve ajudá-lo em 2012, o que deve desacelerá-lo e quais as futuras tecnologias e tendências.

Para Mariana Kroker, responsável pela área comercial em nível nacional da Fronius do Brasil (Fone: 11 3563.3800), o setor de carregadores de baterias de modo geral cresceu em 2011, já que o mercado esteve aquecido no primeiro semestre do ano. Parte do crescimento da empresa, por exemplo, ocorreu graças à conquista de clientes como a TAM Companhia Aérea, Coca-Cola, Peugeot, Moura, Jungheinrich e Johnson&Johnson.

Assim como Mariana, João Carlos Waldmann, diretor comercial da JLW (Fone: 19 3491.6163), também confirma o bom ano para o setor, mas alerta: “o ano começou em alta e esperávamos um segundo semestre melhor, o que acabou não acontecendo”. Mas, ainda segundo ele, mesmo com a queda no segundo semestre, o setor teve crescimento.

As perspectivas para 2012 se dividem entre cautela e otimismo. Macan, da KM Carregadores, não espera grandes modificações no mercado. Mesmo assim, a companhia irá aprimorar produtos e tecnologia, por notar um interesse maior dos europeus no mercado logístico e no fornecimento de equipamentos com alta tecnologia agregada aos brasileiros. Já Waldmann, da JLW, acredita que poderemos ter surpresas durante o ano. “O Brasil é o pais das surpresas.

É um país que está em crescimento constate, mesmo tendo uma das maiores taxas de impostos do mundo. Empresas do mundo todo querem se instalar ou vender para o Brasil. Somos o povo mais otimista do mundo e no final tudo dá certo, é só trabalhar bastante”, ressalta.

A Fronius do Brasil já começou a sentir o aquecimento de 2012 no setor. A empresa recebeu, ainda no início do ano, um pedido de 90 carregadores, o que a motiva a acreditar que as perspectivas devem melhorar no decorrer do primeiro semestre. “Temos muitos projetos interessantes com clientes nos segmentos metalúrgico, automotivo, de logística e Centros de Distribuição, onde estamos pleiteando uma oportunidade para mostrar o potencial da tecnologia de inversores”, revela Mariana.

O QUE TEM DE NOVO EM TECNOLOGIA?

“Embora seja um setor pouco valorizado quando falamos em importância dentro do ciclo de compra de equipamentos de movimentação na intralogística, percebemos que existe uma carência muito grande de novas tecnologias.” Mariana, da Fronius do Brasil, toca num ponto muito importante para a saúde e estabilidade do segmento de carregadores de baterias. Como ela explica, a tecnologia oferecida pelo mercado brasileiro em relação a carregadores ainda está pautada em tecnologias de 60 Hz, que desprestigia a bateria, gerando aquecimento desnecessário e exigindo da rede elétrica alta demanda de energia. Pensando nesse cenário e na tendência de produtos verdes e sustentáveis do mercado, a empresa se foca em inversores com alta redução de custos de energia elétrica, aumento da vida útil da bateria, carregamentos rápidos e tamanhos de equipamentos reduzidos. “Nosso objetivo é demonstrar, dentro da intralogística das empresas que é possível migrar de uma tecnologia antiga de 60 Hz para uma nova, com inversores de alta frequência, com resultados que comprovadamente darão retorno ao investimento”, afirma.

A Fronius do Brasil faz parte de um projeto, junto com um fabricante de empilhadeira e cliente europeu, que está em fase de testes, com sistemas de carga com hidrogênio, chamada Carga com Células de Combustível, que faz a carga em poucos minutos, permitindo que a máquina volte logo a trabalhar. “No momento, são apenas testes, mas entendemos que em alguns anos, as novas tecnologias podem mudar tanto que o carregador pode se tornar algo obsoleto, assim como a bateria. Atualmente, essas ideias são tecnologias que se tornariam inviáveis pelos altos custos de investimento, mas, em alguns anos, poderão ser uma das opções que surgem para inovar o mercado”, especula Mariana.

Outra tendência que ela aponta está na mudança de comportamento do comprador em relação ao carregador, bateria e carrinho elétrico, vistos cada vez mais de forma isolada. Com essa visão isolada, o comprador poderá escolher qual o carregador de bateria e tecnologia vai querer usar, decidir em qual tecnologia de bateria vai querer investir e qual marca e tecnologia de carrinho elétrico vai comprar. “Percebemos um maior interesse nas empresas em conhecer melhor cada parte da compra, que, de imediato, pode representar apenas 3 a 5% do valor da compra do pacote, mas que, no cotidiano, representará muito mais”, continua.

A cada ano surgem novas tecnologias, mas que na prática se tornam inviáveis comercialmente, na opinião de Waldmann, da JLW. “Tivemos o Fast Charger, carregador rápido surgido nos Estados Unidos, com custo acima de US$ 10 mil, sendo que a bateria tinha que ser especial, ou seja, o conjunto com bateria e carregador custaria mais caro que a empilhadeira. Atualmente, surgem carregadores importados, denominados de alta frequência, com custo acima de 100% do produto nacional, que economizam energia elétrica, mas que, na prática, teríamos que carregar mais de duas mil baterias para pagar esta diferença, o que torna o negócio inviável”, afirma, completando: “o que temos mesmo são melhorias eletrônicas constantes para garantir melhor vida útil às baterias”.

A JLW percebe como tendências do setor maior eletrônica embarcada nos carregadores e maior concorrência no mercado, com empresas estrangeiras querendo vender para o Brasil.

Também falando de carregadores de alta frequência, Macan, da KM Carregadores, afirma que estão chegando ao mercado tecnologias de carregadores de alta frequência (chaveados) que consistem em um equipamento que possui dimensões reduzidas – menores que as dimensões produzidas pelos principais fabricantes nacionais – e que não precisam de grandes espaços alocados para suas instalações. “No entanto, esses equipamentos são mais caros que os produzidos no Brasil”, afirma. Para ele, a principal tendência no setor é o forte movimento de terceirização e locação de equipamentos, o que fará com que os clientes deixem de ser as indústrias, atacadistas e varejistas e passem a ser empresas locadoras que terceirizam equipamentos e os operadores logísticos. 

 

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