Pneus para Empilhadeiras: ano fecha com dificuldades, mas, mesmo assim, empresas faturam alto e prometem investimentos
Notícia | 14 de Fevereiro de 2012
O ano que passou foi considerado atípico pelas empresas do segmento. Algumas tiveram bons ventos, outras passaram por turbulências. Mas, o certo é que praticamente todas elas vão investir em 2012, e muito, principalmente com vistas ao fator ecológico dos pneus.
Entrada de novos players no mercado, boa fase econômica no país e o segmento de vendas de empilhadeiras e equipamentos aquecidos foram os três principais pontos levantados pelos entrevistados dessa matéria especial sobre como o mercado de pneus para empilhadeiras atuou em 2011. Apesar de bons resultados no fechamento dos faturamentos, as opiniões dos executivos entrevistados não são unânimes quanto ao bom desenvolvimento deste mercado no ano que passou.
“O ótimo momento da economia vivido em 2011 pelo Brasil contribuiu para o desenvolvimento da indústria e gerou demanda para o setor de empilhadeiras e de equipamentos. O mercado de pneus acompanhou este cenário. A Pirelli, que tem forte atuação no fornecimento de pneus para uso profissional em setores como agricultura, transportes (caminhões e ônibus), industrial (empilhadeiras), construção civil, infraestrutura e mineração, obteve um resultado positivo no período”. Essa visão sobre o setor, de Flávio Bettiol Junior, diretor da unidade de negócios Truck e Agro da Pirelli (Fone: 0800 728 7638) na América Latina, não é compartilhada por José de Sá Mariano, gerente de filiais da Comercial Rodrigues (Fone: 13 3222.8004), que é mais cauteloso ao falar de 2011. “Foi um ano difícil no nosso segmento, pois surgiram, nos últimos anos, diversas pequenas empresas, que importaram algumas marcas de pneus sem expressão no mercado, porém com preços bastante sugestivos, fazendo com que alguns clientes experimentassem estes pneus”. Ainda assim, Mariano espera que em 2012 as vendas sejam alavancadas e que o mercado cresça acima da média dos anos anteriores, impulsionado por eventos como Olimpíadas e Copa do Mundo que ocorrerão no país.
A Pirelli se prepara para realizar grandes investimentos durante todo o ano. Região fundamental para a estratégia de crescimento da empresa, a América da Sul receberá investimentos de cerca de US$ 1 bilhão entre 2012 e 2015, inclusive no México.
De acordo com Vinícius Penna, supervisor de vendas de pneus industriais da Continental Pneus (Fone: 0800 170.061), para muitos setores e empresas, 2011 talvez tenha sido um ano no qual as espectativas iniciais não corresponderam aos resultados finais alcançados. Mas, a Continental Pneus teve excelente desempenho e a divisão de pneus industriais constatou aumento no volume de vendas. “No ano passado, ampliamos não apenas a oferta, mas, também, a disponibilidade de nossos pneus, e aumentamos o número de visitas aos usuários finais, sempre em conjunto com nossos parceiros comerciais”, afirma Penna, comemorando, também, os resultados de vendas de pneus radiais Conti RT20 nas regiões sul e sudeste. As perspectivas da Continental para 2012 são positivas. A companhia continua apostando na expansão geográfica, com enfoque no sudeste, nordeste e norte do país.
Quem também celebra crescimento em 2011 é a Michelin (0800 970 9400). “Em um mercado já maduro com crescimento de mais de 6%, nossas atividades de mineração cresceram 6,2%, assegurando nossa liderança com mais de 50% de participação de mercado”, analisa Gilson Santiago, diretor de marketing e vendas para pneus de mineração e terraplanagem da empresa para a América do Sul. Em 2012, os objetivos da companhia serão manter a liderança de mercado no segmento minas de superfície na América do Sul; estimular o crescimento no segmento de infraestrutura, setor em que a empresa fechou o ano com 20% de participação; e continuar a crescer na participação no mercado de empilhadeiras, principalmente no Brasil.
Quem experimentou crescimento geral de 15% foi a ABC Valadares (Fone: 33 2101.4200), com destaque para a ampliação da linha de reforma de pneus, que proporcionou 30% de aumento nas vendas. A companhia ampliou sua unidade de mistura de compostos visando atender aos diversos segmentos consumidores de borracha. A unidade, construída em parceria com o BDMG/BNDES, num investimento de R$ 4 milhões de reais, permitiu triplicar a capacidade de produção da empresa. Os resultados já começaram a surgir, segundo o gerente geral da ABC, Humberto Freitas. “O investimento é estratégico e visa inserir definitivamente a empresa no segmento de compostos. Alcançamos um crescimento satisfatório no suprimento de compostos, principalmente nos mercados de reforma, automotivos e pneumáticos”, diz.
Mais investimentos estão previstos para 2012. Ainda no primeiro semestre a empresa vai duplicar a capacidade produtiva de banda de rodagem e concluir a instalação de mais uma linha de mistura de compostos. “Essas medidas são fundamentais para suportar nosso objetivo de duplicar o faturamento da empresa até 2014”, afirma Freitas.
O setor de pneus industriais acompanhou o crescimento do segmento de movimentação de carga, muito positivo e que recebeu bastante investimento das empresas que têm buscado aprimorar a logística dos seus produtos visando melhorias e redução de custos, de acordo com Rafaella Sene, assistente de marketing da Trelleborg Wheel Systems (Fone: 14 3269.3600). “O ano de 2012 para o Brasil tem boas perspectivas, com empresas e governo investindo no país para preparar para eventos importantes como a Copa do Mundo. Além disso, também temos empresas investindo para atender ao grande mercado interno. Temos visto grandes grupos investindo no país e isso é muito positivo para o setor de movimentação de carga”, avalia.
O ano de 2011 foi marcado por grandes desafios para a Standard Tyres (Fone: 11 3719.0070), com o lançamento de mais uma linha de produtos que ajudou a consolidar a marca no segmento de pneus industriais superelásticos, além de torná-la o maior fornecedor de pneus sólidos e pneumáticos para montadoras do Brasil, segundo Julimar Rodrigues, gerente comercial nacional da empresa. Nesse ano a empresa também exportou seus produtos para diversos continentes. “Essa forma de agirmos permitiu que a Standard Tyres atravessasse bem o ano passado, que foi marcado por oscilações no mercado, principalmente em função da instabilidade econômica da Europa. Mesmo atingindo nossas metas, essas oscilações não permitiram que em 2011 tivéssemos o mesmo desempenho de 2010, que marcou uma recuperação sobre 2009. Enfim, foi um ano de bons resultados, mas que exigiu muita atenção e uma dedicação ainda maior ao atendimento das demandas do mercado”, analisa Rodrigues.
Segundo ele, o mercado de transporte é sempre um reflexo da economia: se ela está aquecida, a circulação de bens é grande e a demanda por caminhões e empilhadeiras se mantém em alta, assim como pneus, combustível e peças. O ano de 2012 será desafiador, com boas expectativas de recuperação do mercado que, mesmo concorrido, se mostra favorável a todos que trabalharem com seriedade e se propuserem a apresentar soluções a seus clientes. “A cada ano os mercados se profissionalizam cada vez mais e o cliente entende que custo baixo é diferente de preço. Por isso, a exigência por competitividade é uma crescente, com produtos de alto desempenho e prestação de serviços que dão a esses mesmos produtos uma maximização de resultados”, esclarece.
A Rodaco (Fone: 51 3489.1132) também é uma companhia que pretende aproveitar as boas expectativas de 2012. O planejamento da empresa, que obteve expressivo crescimento no mercado de pneus industriais em 2011, inclui grandes investimentos em tecnologia de compostos, equipamentos, marketing e corpo de trabalho.
NOVAS TECNOLOGIAS E TENDÊNCIAS PARA 2012
Aproveitando os bons ventos que 2011 deixou para esse ano, as companhias do setor já estão preparando novidades para o mercado. Lançar tecnologias é um dos focos dos players que também comentam sobre as futuras tendências do segmento.
A Comercial Rodrigues lança em 2012 o Solideal XTREME, um pneu para suportar longas distâncias em operações contínuas, com a banda de rodagem desenvolvida para reduzir em 25% as vibrações, aumentando a pressão do contato com o solo e resultando em melhor controle de dirigibilidade. Mariano acredita que não dá para dimensionar o quanto o setor irá se aprimorar, pois a cada ano novos estudos e testes são elaborados. “Mesmo assim, já evoluímos bastante e sempre haverá novas tendências que nos causarão gratas surpresas futuramente”, afirma.
Como explica Penna, da Continental Pneus, o segmento de pneus industriais vem se desenvolvendo tecnologicamente de maneira progressiva e a companhia investe continuamente na otimização dos processos de mistura, confecção e vulcanização de seus produtos, inclusive produzindo patentes mundiais nestes segmentos. As novidades para 2012 são as tecnologias já adotadas na Europa e que terão ênfase por parte da empresa no Brasil: CSEasy, RV20 e TSR (Tubeless Sealing Ring).
O CSEasy é o único sistema no mundo que possibilita a troca do pneu com a roda montada na própria empilhadeira, segundo Penna. Desenvolvido para veículos industriais, na maioria empilhadeiras, oferece até 40% mais horas de trabalho em relação a outros produtos do mercado, segundo testes realizados pela Continental. Entre outros diferenciais presentes nesse modelo estão menor geração de calor durante a operação, maximizando a durabilidade dos pneus e gerando economia de energia, seja no combustível ou na bateria, e menor emissão de CO2. Já o Conti RV20 é voltado para aplicações em aeroportos, que envolvem alta velocidade e longas distâncias. O modelo possui um desenho de banda diferente, que minimiza as vibrações. Com compostos que permitem diminuir a resistência ao rolamento, o consumo de combustível e as emissões de CO2 do veículo também abaixam.
Já o sistema TSR permite a montagem de pneus sem câmera em aros convencionais com câmara da indústria. O sistema é composto por um anel de borracha reforçada, com uma válvula integrada. Este anel tem por função selar o ar contido dentro do pneu, substituindo o conjunto câmara + protetor presente nos sistemas atuais. “Os pneus com câmara apresentam rápida perda de pressão quando furados, gerando riscos para a carga, para o equipamento e para o operador. Nestas condições, eles obrigam a imediata suspensão do serviço para que o reparo seja feito, sem falar no risco de a válvula não suportar a pressão de ar e explodir. Já no sistema TSR da Continental, a perda de ar no caso de furo no pneu se dá de forma gradativa, reduzindo o risco de acidente e permitindo que o equipamento continue se movendo, sem comprometer a operação. Desta forma, o reparo não precisa ser feito imediatamente, os pneus têm a durabilidade aumentada e o processo de montagem, além de mais simples, é bem mais rápido”, explica Penna. Para ele, entre as principais tendências futuras para este setor está a relação custo/benefício pela otimização de compostos de borracha, de modo a ampliar a durabilidade do pneu e diminuir a sua resistência ao rolamento e o consumo de combustível para reduzir as emissões de CO2.
Os lançamentos da Michelin foram feitos em 2011. “Lançamos uma nova gama de pneus, o XDR2, com melhor performance e maior durabilidade. Temos também o MEMS – Sistema de Monitoramento Online, que mede a temperatura e pressão dos pneus de mineração, gerando maior produtividade nas minas”, explica Santiago. Segundo ele, num mercado mundial em grande crescimento, a tendência é assegurar a melhor performance e gestão no uso de pneus, fazendo com que transportem mais tonelada por quilômetro.
Já para Bettiol Junior, da Pirelli, a tendência atual do setor de pneus é desenvolver produtos que tenham um menor impacto no meio ambiente e com objetivos de crescimento sustentáveis. Nessa lógica, os planos de crescimento da Pirelli no mercado sul-americano estão atrelados a altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de uma gestão administrativa voltada para a redução de desperdícios e para a fabricação de produtos mais ecológicos. “Esses produtos estão amparados em constantes pesquisas internas com foco na redução da resistência ao rolamento e na vida útil cada vez maior, além de buscar novos materiais e processos produtivos inovadores”, anuncia.
A Pirelli tem investido em novas tecnologias voltadas a pneus de uso profissional, buscando melhorar a competitividade das empresas e reduzir o impacto ambiental. Um exemplo é o CI84 para empilhadeiras de pequeno porte, que proporciona mais horas de trabalho, o que resulta em um menor volume de pneus inservíveis. A linha CI84 tem uma maior camada de borracha na banda de rodagem e protetores metálicos que reforçam sua estrutura e conferem alta resistência a cortes e perfurações. Além disso, proporciona maior estabilidade durante a execução do transporte de cargas, graças à elevada rigidez da estrutura, que minimiza a movimentações laterais, segundo a empresa.
Para Rodrigues, da Standard Tyres, novos equipamentos mais automatizados, melhores condições de seleção de matéria-prima e programas que permitem um melhor projeto do produto são os enfoques da tecnologia do setor. “Tudo isso garante melhor performance do produto final, com um custo-hora reduzido para os usuários”, continua. Nas tendências, Rodrigues acredita que o mercado caminha rapidamente para um padrão europeu, com clientes mais exigentes e preocupados com a redução do custo-hora e um pós-vendas eficiente. Além disso, deve atender questões ambientais e de saúde, com processos produtivos limpos, ecológicos e que atendam às condições de ergonomia exigidas por lei e necessárias ao bom desempenho da movimentação de materiais. “Neste contexto, os pneus sólidos logo serão os lideres do mercado”, ressalta.
Atualmente, a Trelleborg destaca no quesito tecnologia produtos com compostos diferenciados que reduzem o desgaste e diminuem o calor do pneu, o que proporciona uma performance superior. “A tendência do mercado é que as empresas passem a usar mais pneus superelásticos porque não é necessária a verificação periódica da pressão e não existem problemas quanto a furos, o que diminui custos na manutenção”, explica Rafaella.
Segundo Paulo Nobre, gerente comercial nacional da Rodaco, o grande desafio de todos os fabricantes se concentra no desenvolvimento tanto de compostos, como de novas estruturas para os pneus, de forma que proporcionem maior resistência ao aquecimento. Isso gera aumento da durabilidade e melhoras na relação de custo-benefício, uma vez que as exigências dos pneus, em operações de movimentação, são cada vez maiores. Nobre concorda com Rafaella quanto às tendências de mercado. Para ele, os pneus superelásticos e sólidos continuarão sendo os que proporcionam a melhor relação de custo x benefício.
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