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Operações nos setores químico e petroquímico: segurança exige profissional especializado

Notícia | 14 de Fevereiro de 2012


Pelas suas características, os produtos destes setores exigem segurança, de modo a preservar instalações, vidas humanas e o meio ambiente. Por isso, são várias as exigências legais e, inclusive, mão de obra treinada, para garantir que o transporte e a armazenagem sejam realizados de forma segura.

O s setores químico e petroquímico são bastante particulares em termos de planejamento e controle da cadeia de suprimentos, especialmente no que diz respeito às exigências legais associadas às operações. Assim, as operações e os processos logísticos devem seguir rigorosos procedimentos, com especial atenção a aspectos de segurança do trabalho e operações, assim como cuidados com o impacto das operações na sociedade e no meio ambiente.

“A logística destes setores envolve diversas normas de segurança e inúmeros procedimentos para zerar ou minimizar a possibilidade de riscos. A mais importante é a certificação no Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Quali­dade (SASSMAQ). Há, ainda, o selo Atuação Responsável, da Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química, que compreende uma série de normas, incluindo a segurança para os trabalhadores, para o meio ambiente e para a carga, ou seja, sustentabilidade”, explica André Ferreira, diretor da Rápido 900 de Transportes Rodoviários (Fone: 11 2632.0900).

Mas, além das atividades e licenças específicas – SASSMAQ, CETESB, ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Exército, Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério da Agricultura, IBAMA, Bombeiros, Prefeitura, MOPP – Movimentação Operacional de Produtos Perigosos e o atendimento aos requisitos do Decreto 96044/88, que aprova o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos e dá outras providências, e as resoluções CONAMA pertinentes ao transporte rodoviário de produtos perigosos –, também há restrições de trânsito ainda mais duras do que as que valem para a carga convencional. “O nível de exigência e controle por parte dos embarcadores também costuma ser bem superior ao do embarcador de carga convencional”, complementa Paulo Tigevisk, gerente de marketing e vendas da Brasilmaxi Logística (Fone: 11 2889.6100).

Outro destaque deste setor, além da necessidade de obter licenças, é que, posteriormente ao transporte, tem de haver um “no hall” deste transporte, “pois temos que fazer as limpezas e tratativas de cada produto em cada tanque especifico, pois temos que nos adequar em m³/ton (a densidade dos produtos variam demais)”, explica, agora, Michell Tassi, responsável comercial da Transtassi (Fone: 35 2101.1600).

E, como complementa Renato Pavan, gerente de negócios da Célere Intralogística (Fone: 11 5670.5670), todos os colaboradores devem ser intensamente treinados e alertados sobre os procedimentos operacionais e sobre riscos físicos, químicos e biológicos, quer sejam ocupacionais ou ambientais. “Há necessidade de profissionais altamente qualificados para interpretar as legislações e garantir a segurança na cadeia logística, minimizando os riscos de acidentes e, consequentemente, os impactos ambientais”, complementam Marcelo Junqueira e Ivair Pimentel, líderes que atuam na Área de Operações da Estrada Transportes (Fone: 13 3298.2000).

Por sua vez, Andrea Carla Fernandez, diretora administrativa da Grecco Logística (Fone: 11 4512.6000), faz sua análise de diferencial destes segmentos sob um olhar diferente: “a área de logística dos setores de químico e petroquímico está bem avançada em relação à tecnologia dos demais segmentos, pois além de haver muitas exigências com a legislação, há muita organização. Por exemplo, dificilmente o cliente destes setores faz grandes estoques, então a precisão nas entregas é de extrema importância para que não sejam interrompidas produções e/ou acordos comerciais”.

E há, ainda, outro diferencial, agora apontado por Marcelo Contatto, diretor da Transportadora Contatto (Fone: 19 2113.7500): normalmente, os volumes de carga mensal nas respectivas rotas são informados anteriormente para definição da quantidade de equipamentos que será necessária, considerando horários de carga/descarga, rota, rodízios, restrição de horários, etc.

Finalizando este tópico, Francisco Parente, diretor comercial da TCM Logística, Transportes & Armazéns Gerais (Fone: 11 2422.7272), aponta outros diferenciais: carros dedicados para as operações; alto investimento em adequação física para atender aos produtos incompatíveis; e necessidade de empresa especializada para atendimentos emergenciais.

NECESSIDADES ESPECIAIS

Pelas características dos produtos destes setores, há de se considerar que são necessários, para a sua operação, equipamentos e sistemas especiais, bem como serviços diferenciados. Exemplos? São vários,apontados por nossos entrevistados e, logicamente, dependendo do tipo de produto químico e petroquímico: carretas e equipamentos de pressão, sistemas de válvulas específicos para acondicionamento, carga e descarga de produtos, contêineres Isotanque, contenedores, muncks, sistemas de combate à incêndio com canhão de espumas, EPIs – Equipamentos de Proteção Individual específicos, sinalizadores, cones, placas indicativas, rigoroso treinamento de pessoas, licenças especiais, sistema pneumático de amortecimento nos caminhões, rastreadores, tacógrafos, sistema de acondicionamento dos produtos em carrocerias adequadas, pisos impermeabilizados, barreiras de contenção, bombas de sucção, sprinklers no teto ou em rack em portapaletes, detectores de fumaça, estrutura diferenciada para troca de ar, WMS que garanta o controle de lote, validade e rastreabidade, empilhadeiras com excelente dirigibilidade, material para contenção de líquidos e sólidos, veículos com sinalização adequada, motorista com curso MOPP, área de contenção, abafadores de escapamento dos caminhões, kit´s de químico e proteção em todas unidades e todos veículos, tanques divisionados, térmicos e serpentinados, seguro de cargas ambiental e plano de atendimento emergencial, em caso de sinistros envolvendo produtos químicos.

“Do ponto de vista do Operador Logístico, deve-se observar a compatibilidade dos equipamentos utilizados com a classe de risco dos produtos a serem movimentados. O conhecimento e atendimento de todas as normas de trabalho específicas de cada operação devem ser a base do trabalho, guiando o dia-a-dia de toda equipe”, completa Pavan, da Célere Intralogística.

Por sua vez, Junqueira e Pimentel, da Estrada Transportes, acrescentam que todos os equipamentos e veículos devem possuir o CIV – Certificado de Inspeção Veicular, que garante que veículos e equipamentos que realizarão o transporte de produtos químicos passaram por uma criteriosa inspeção, realizada por uma empresa credenciada junto ao INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial.

A estes itens, Rodrigo Bacelar, gerente comercial e de marketing da ID Logistics (Fone: 11 3809.3400), acrescenta armazenagem especial para produtos perigosos e inflamáveis com controle de temperatura e umidade, equipamentos de movimentação e estruturação de armazéns com mecanismos anti-explosão, veículos especiais com dispositivos contra sinistros, determinado nos códigos da ABIQUIM e do Programa de Atuação Responsável (Responsible Care), assim como programas específicos de treinamento de operadores e de motoristas.

“Além disso, antes de cada viagem o motorista realiza um check-list, de acordo com o procedimento interno, onde verifica se todos os itens estão de acordo para realizar este tipo de transporte. Para garantir ainda mais que este procedimento seja cumprido com eficácia, o motorista é acompanhado por um responsável designado pela empresa”, enumeram os líderes da Estrada Transportes.

De fato, Anderson Massa Moraes, diretor comercial da Gat Logística (Fone: 11 2488.2033), lembra que equipamentos e sistemas são indicados pela legislação para produtos específicos e que, entretanto, outros cuidados devem fazer parte da rotina logística quando se atua nos setores químico e petroquímico. São eles: conhecer antecipada e perfeitamente todas as características físico-químicas do produto; adotar rígidas regras de segurança em todas as etapas do processo; observar rigorosamente o atendimento às legislações pertinentes; atentar-se a eventuais restrições para transporte dos produtos – estas restrições também podem ser de ordem viária (horários específicos para tráfego de produtos perigosos já são uma realidade em grande parte das cidades); manter uma equipe para atendimento a emergências adequadamente capacitada, equipada e atenta; investir firmemente na capacitação das pessoas; trabalhar com adequados equipamentos e em perfeito estado de conservação e manutenção, com periódicas inspeções técnicas; realizar o planejamento para cada etapa do trabalho com forte foco em segurança, saúde, meio ambiente e qualidade; auditar periodicamente a execução dos trabalhos; adotar um modelo de gestão eficiente e voltado para cuidados com saúde, segurança, meio ambiente e qualidade; e conscientização – acreditar que acidentes podem acontecer com os outros e com você!

Outra análise diferenciada das necessidades destes segmentos é realizada por Carlos Pinto, gerente nacional Oil & Gas da Kuehne+Nagel Serviços Logísticos (Fone: 11 3037.3300). De acordo com ele, há necessidade de equipamentos especiais para o manuseio de peças destinadas às três fases do mercado petroquímico: Upstream (a parte da cadeia produtiva que antecede o refino, abrangendo as atividades de exploração, desenvolvimento, produção e transporte para beneficiamento), Midstream (fase em que as matérias-primas são transformadas em produtos prontos para uso específico, como gasolina, diesel querosene, GLP, etc.) e Downstream (parte logística, transporte dos produtos da refinaria até os locais de consumo, compreendendo o transporte, a distribuição e comercialização). “A Petrobras, por exemplo, dispõe de navios especializados para o transporte de petróleo, derivados e álcool, assim como de navios mínero-petroleiros (que levam minério e trazem petróleo) e outros destinados ao transporte de produtos químicos. As operações de carga e descarga dos navios são feitas em terminais marítimos, que dispõem de facilidades para atracação, sistemas de tubulações e bombas para a transferência da carga transportada, bem como de tanques para seu armazenamento. Nas operações de cabotagem, os navios também descarregam nos portos que possuem instalações especializadas para este fim. Dos campos de produção terrestres e marítimos o petróleo é transportado por oleodutos para as refinarias. Quando importado, ele é descarregado nos terminais marítimos e transferido para as refinarias, também através de oleodutos. Depois de processado nas refinarias, seus derivados são transportados para os grandes centros consumidores e para os terminais marítimos, onde são embarcados para distribuição em todo o país. O gás natural, por sua vez, é transferido dos campos de produção para as plantas de gasolina natural, de onde, depois de processado para a retirada das frações pesadas, é enviado aos grandes consumidores industriais e à rede de distribuição domiciliar”, explica o gerente da Kuehne+Nagel.

PROBLEMAS E SOLUÇÕES

Em que pese a importância destes setores, eles enfrentam vários problemas. Apontamos alguns deles, com as possíveis soluções sugeridas pelos entrevistados.

“Um dos grandes problemas atuais nesses setores está na falta de um planejamento estratégico ou plano-diretor para mapear e solucionar gargalos em portos e rodovias. A informalidade do setor ainda é uma questão relevante, e fatores como segurança e confiabilidade são cada vez mais exigidos, assim como programas de certificação como SASSMAQ e ISO tornam-se vitais para a maioria das empresas que pretendem sobreviver e progredir nesse segmento. A grande questão é: como manter uma estrutura adequada para atender todas as exigências do mercado e ser competitivo? Cada vez mais, o controle das operações e o foco na redução de custos sem perder qualidade seguem como as maiores dificuldades encontradas pelas empresas prestadoras de serviço desses segmentos”, aponta Eduardo Gumbrevicius, gerente comercial de químicos e petroquímicos da Aqces Logística (Fone: 11 3296.6900).

E ele dá a solução: no Brasil, existe uma grande necessidade de investimentos com horizonte de longo prazo, capazes de proporcionar o desenvolvimento de toda a infraestrutura logística nacional, para que as indústrias possam expandir suas operações sem entraves logísticos. A profissionalização do setor também é um fator crítico de sucesso, assim como a forte necessidade de se aumentar as fiscalizações para que se cumpram as regulamentações das legislações vigentes.

Na opinião de Tigevisk, da Brasilmaxi, os principais problemas são os relacionados às cada vez mais frequentes restrições de tráfego, à diversidade e complexidade das legislações estaduais e ao grande risco que este tipo de operação oferece, que não é remunerado na devida proporção. “No meu entendimento não haverá solução para os principais problemas destas operações sem que haja um grande movimento que aglutine os principais participantes do processo: embarcadores, associações do segmento, Operadores Logísticos, transportadores, órgãos reguladores e o poder público”, completa.

A questão da diversidade de normas em cada estado brasileiro, muitas vezes incompatíveis com o trânsito de veículos carregados com produtos químicos que têm que passar por vários estados até o seu destino final, também é apontada por José Rubem Moreira de Souza Filho, diretor-presidente da José Rubem Transportes e Equipamentos (Fone: 71.3594.3800). Para ele, as soluções envolvem políticas nacionais que unifiquem os controles e as regras.

“Há uma grande exigência de documentos, certidões, licenciamentos para cada produto e para cada Estado, o que gera altos custos e demora nos processos. Outro problema é a contratação de motoristas capacitados. O ideal é ter uma licença única para transporte de produtos perigosos que seja válida em todo o território nacional. Com relação à mão de obra, temos contratado motoristas e treinando-os de forma muito intensa”, avalia, agora, Ferreira, da Rápido 900.

Pavan, da Célere, destaca que, como já dito, o diferencial destes setores está relacionado com as questões de segurança e meio ambiente. “É preciso conduzir com muita inteligência as operações de forma que, mesmo considerando e respeitando as particularidades mencionadas destes setores, a melhoria da produtividade das operações seja uma prioridade. Não se pode dizer que a baixa disponibilidade de mão de obra qualificada seja exclusividade destes setores, mas face às suas peculiaridades, este problema ganha maior relevância. O grande desafio dos Operadores Logísticos não está apenas em formar mão de obra qualificada, mas, principalmente, em retê-la. Plano de carreira, programas de treinamento, benefícios diferenciados e premiações para alta performance são algumas ferramentas utilizadas para atrair e reter a mão de obra". Ainda entre as soluções, o gerente de negócios aponta a implantação de Sistema de Gestão Integrado, agregando as áreas de meio ambiente, segurança, saúde ocupacional e qualidade, visando padronizar e manter os processos alinhados, além de treinamentos e campanhas de segurança regulares, buscando sempre a melhoria continua dos processos.

Francisco Carlos dos Santos, gerente comercial da Transportes Della Volpe (Fone: 11 2967.8500), também aponta como problemas a pouca quantidade de motoristas e de veículos especializados nestas cargas, o que requer treinamento e adequação dos motoristas e aumento da frota.

Moraes, da Gat Logística, diz que são vários os problemas relativos à logística de produtos químicos e petroquímicos: segurança, legislações rígidas e, em muitos casos, conflitantes, restrições para tráfego, capacitação de empresas e pessoas, entre outras. “Como todo empreendimento que deseja um ‘final feliz’, a solução dos problemas da logística para produtos químicos e petroquímicos passa pela profissionalização de empresas e pessoas. A adoção de processos e modelos de gestão formais é o caminho para garantir uma prestação de serviços segura e dentro de padrões esperados de qualidade. A profissionalização, entretanto, deve estar presente tanto nos prestadores de serviço de logística como nos depositantes/embarcadores. Os investimentos necessários ao atendimento do modelo de gestão trazem benefícios simbióticos e necessariamente devem ser remunerados”, diz o diretor comercial da Gat Logística.

Junqueira e Pimentel, líderes da Estrada Transportes, também falam dos problemas. “Alguns dos problemas enfrentados é o atendimento a algumas orientações quanto às rotas, já que, em muitos estados temos dificuldades de escolher a melhor opção que desvie de áreas densamente povoadas ou de proteção de mananciais, reservatórios de águas ou ecológicos. Outro item específico no modal terrestre é a falta de local apropriado para estacionamento e pernoite dos veículos em viagens, pois a legislação exige que veículos transportando produtos perigosos só poderão estacionar em áreas previamente determinadas pelas autoridades competentes.” Para os líderes da Estrada Transportes, as soluções incluem rever a legislação e melhorar a infraestrutura do país, otimizando as rotas e paradas dos veículos para descanso e pernoite, “pois isso acaba acarretando custos que temos que repassar aos nossos clientes”.

Para Andrea, da Grecco, o problema é com relação aos horários em que os caminhões podem trafegar com produtos químicos perigosos (exigências da legislação) e a parte de segurança e meio ambiente, que também é de uma grande exigência. Para ela, é preciso melhor entendimento entre as leis e as necessidades do mercado.

“Como problemas logísticos exclusivos destes setores podemos enumerar: adequação rápida à rigorosa legislação que afeta estes setores, incorporar todos os fornecedores/parceiros (terceirizados, quarteirizados, etc.) nos padrões específicos de qualidade e segurança no atendimento esperado por estas indústrias, treinamento e valorização do capital humano. As soluções envolvem estabelecer relacionamentos colaborativos e transversais com toda a cadeia logística e incorporar o pensamento de sustentabilidade em cada passo desta cadeia. Além disto, colocar o foco nas atividades que propiciam melhores e mais seguros processos e comunicar aos colaboradores, de forma direta e indireta, nos diferentes níveis da organização, incentivando a participação e inovação no caminho da sustentabilidade”, relaciona, agora, Bacelar, da ID Logistics.

Para o gerente nacional Oil & Gas da Kuehne+Nagel, o Brasil necessita de maiores investimentos em infraestrutura para que possamos ter mais opções de modais como, por exemplo, a precariedade apresentada nas rodovias, a falta de linha férrea apropriada e os altos custos do modal marítimo para transporte nacional (cabotagem). Sem contar a burocracia e lentidão nos processos junto à liberação de cargas importadas. Atualmente, na logística de transporte internacional de cargas, a etapa do desembaraço aduaneiro é uma das mais morosas e ineficientes da cadeia. Os importadores acabam não tendo controle desta etapa e têm o seu “lead time” afetado e, consequentemente, a insatisfação do seu cliente final. A burocracia documental nos regimes especiais e o controle e apresentação em papel exigido são fatores agravantes para a logística no Brasil, completa Carlos.

Para André Luiz de Negreiros Vicente Lo Pomo, coordenador de Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Gelog Locações e Transportes (Fone: 13 3296.3330), o problema é com relação às empresas que ainda insistem em transportar produtos químicos de maneira errônea, sem um Sistema de Gestão adequado às necessidades legais, com veículos sem a mínima condição necessária para esse tipo de transporte – e também empresas sem consciência ambiental, que descartam seus resíduos de qualquer maneira. “As soluções incluem utilização de empresas recomendadas no SASSMAQ”, conclui.

Por seu lado, Julio Nishino, gerente de Projetos/Pricing da Libra Logística (Fone: 11 3563.3600), diz que são poucos os fornecedores de serviços com estrutura totalmente adaptada a estes setores, e ainda existem muitos prestadores que insistem em realizar a logística desses produtos sem condições de atendimento.

Com isso, devido aos preços para estrutura especializada serem maiores, alguns clientes ainda optam por realizar serviços com prestadores não capacitados. Tudo isso implica em riscos às pessoas, ao meio ambiente e à operação e, ainda, cria dificuldades para que fornecedores que investiram em capacitação consigam o retorno de seus investimentos. “As soluções incluem: capacitação dos fornecedores de serviços logísticos neste segmento e forte investimento em qualidade, segurança e meio ambiente, que devem ser pilares da empresa prestadora destes serviços, com pessoal qualificado e treinado em gerenciamento de risco, além da valorização dos fornecedores realmente aptos por parte das empresas do segmento químico e petroquímico”, completa Nishino.

Análise semelhante faz Wendell L. M. Fernandes, gerente executivo de Transporte Local e Rodoviário da Santos Brasil (Fone: 11 4393.4900). Ele entende que estes segmentos deveriam filtrar de forma mais adequada seus fornecedores e, se necessário, criar novas qualificações. De acordo com ele, existem muitos fornecedores despreparados para atuar na área. Isto faz com que empresas competentes saiam do mercado, por não conseguirem garantir um nível de serviço adequado. Outra consequência é o aumento de acidentes e incidentes em estradas e armazéns, por conta da falta de preparo. “Torna-se cada vez mais necessário o entendimento de leis e regulamentações. O desconhecimento e despreparo de algumas empresas do setor resultam em multas para os fornecedores e embarcadores.”

Fernandes considera que seria importante criar uma câmara permanente de parceiros habilitados para atuar nestes setores com endosso dos embarcadores, com o objetivo de regulamentar a área de transporte e armazenamento de produtos químicos. “O ônus de multas e obrigações ambientais é extremamente rigoroso. A concorrência torna-se desleal para quem obedece a legislação e faz tudo dentro dos parâmetros ambientais corretos. O custo aumenta anualmente por conta de adequações a legislação”, completa.

“Os maiores problemas são a concorrência sem as devidas licenças exigidas pelo mercado, remunerando mal nosso setor, e as atuais restrições à circulação de veículos nos grandes centros. Seriam fatores para solucionar estes problemas: maior fiscalização pelas autoridades competentes, melhores condições e maior flexibilidade de hora para circulação e distribuição de caminhões menores VUC.” A análise, agora, é de Warlly Borges, gerente comercial da Translag Transporte e Logística (Fone: 11 2714.3216).

Já Marcus Vinicius Pereira de Araújo, gerente de filial da Logquímica Transportes e Logística (Fone: 11 2967.7171), destaca como problema o fato de os clientes quererem que o custo de frete seja o mesmo de cargas em geral, “mas nos cobram para que atendamos todas as particularidades do seu negócio”. Para ele, a solução envolve maior envolvimento dos clientes com seus fornecedores de transporte, buscando alternativas viáveis para que o transportador possa receber pelo serviço prestado e tenha um melhor prazo de entrega com o cliente.

Samir J. Salomão, gerente administrativo da Renascer Transportes Rodoviário de Cargas (Fone: 47 3435.1669), aponta, ainda, a morosidade do setor público e de órgãos responsáveis pela emissão e renovação das licenças. Segundo ele, a solução viria com a pressão dos sindicatos da categoria junto aos órgãos para uma maior agilidade na liberação de licenças e renovação das mesmas.

Uma análise bem diferenciada dos problemas dos setores em foco é feita por Walter César Gomes e Wagner Antonio Gomes, ambos diretores da Ecolog Logística do Brasil (Fone: 31 2138.0100). Eles envolvem: vazamento de produtos, incompatibilidade de produtos com embalagens adequadas, precariedade das rodovias, empresas que, ao contratarem, avaliam o menor custo, e não a segurança, e alto custo das licenças. As soluções, segundo os representantes da Ecolog, envolvem: velocidade controlada, jornada de trabalho de motoristas regulada, manutenção adequada dos equipamentos, kit de equipamentos necessários dentro da empresa e no veículo, treinamento cada dia mais aprimorado da mão de obra e melhor conhecimento dos produtos que se manuseia.

Também diferente é a análise de Maurício Gomes, diretor geral da TALog - TA Logística (Fone: 19 2101.7185). Segundo ele, o problema mais importante nestes setores diz respeito à logística reversa. “É preciso um Operador Logístico que realize as coletas de embalagens vazias, material impróprio e resíduos”, completa. 

SÃO VÁRIAS AS TENDÊNCIAS

Pelas suas peculiaridades, estes setores apresentam várias tendências e, por que não?, novidades, conforme atestam os representantes dos Operadores Logísticos e transportadores ouvidos nesta matéria especial.

“A principal é a máxima exigência. Sabemos que trabalhar com grandes estoques não é mais a tendência das empresas. Portanto, as áreas de compras, produção e estoque trabalham em Just in time para evitar custos extras na produção. Entender o processo e contribuir para o seu sucesso é papel do parceiro logístico para com o seu cliente. As implicações de se escolher uma transportadora não especializada neste segmento podem variar de pequenas avarias nos equipamentos transportados até grandes atrasos nas entregas, o que ocasionaria grandes impactos na produção, trazendo prejuízos financeiros tanto para o cliente quanto para o transportador”, afirma Abilio Neto, diretor comercial da Brasiliense Cargo (Fone: 19 2102.4900).

Evandro Luiz Roveri, sócio-diretor da M3 Logística (Fone: 11 4496.1651), também destaca que em um futuro próximo somente permanecerão no mercado as empresas responsáveis com alto grau de comprometimento para o cumprimento da legislação pertinente. “Esperam, no entanto, o Operador Logístico e o transportador, uma remuneração mais justa para esta atividade, que demanda alto custo de operação.”

É este também um dos pontos apontados por Junqueira e Pimentel, da Estrada Transportes, no que se refere às tendências/novidades: as indústrias químicas buscarão por transportadoras que possuam maior e melhor valor agregado, pois se sabe que um acidente pode caracterizar-se como crime ambiental. Sendo assim, o processo de qualificação será mais exigente, buscando como diferenciais ações de prevenção e programas sustentáveis. “Os órgãos de fiscalização estão mais exigentes, visando à responsabilidade de cada parte da cadeia logística voltada para o meio ambiente e a sociedade”, completam.

Tigevisk, da Brasilmaxi, lembra que há muito espaço para crescimento dos Operadores Logísticos nestes segmentos, pois o número de empresas especializadas ainda é pequeno e a taxa de crescimento dos segmentos é superior ao do mercado em geral. Há também a expectativa da entrada de novas empresas multinacionais no mercado brasileiro a médio e longo prazo. Estes mercados são promissores para oferta de operações de intralogística, completa o gerente de marketing e vendas.

Assim também pensa Pavan, da Célere Intralogística, para quem o grau de terceirização destes setores ainda não está tão avançado como em outros, principalmente se consideradas as atividades logísticas mais avançadas. Este fato representa uma grande oportunidade para os Operadores Logísticos, principalmente para os que já possuem especialização nestes setores, avalia.

Nishino, da Libra Logística, destaca que há uma tendência de concentração e especialização dos fornecedores de soluções logísticas, devido às peculiaridades da operação. A gestão do risco, inerente às operações deste tipo, cria um nicho de mercado que nem todos os fornecedores podem atender, acredita ele. O gerente destaca que a diminuição de interlocutores e o aumento da visibilidade na cadeia são pontos importantes cada vez mais valorizados pelas empresas do segmento químico e petroquímico.

“A tendência é de um desenvolvimento muito rápido nos países vizinhos, como também no Brasil, já que os setores químico e petroquímico estão em plena expansão. As novidades são os veículos condutores desse tipo de carga, que estão cada vez mais seguros, tanto para o motorista como para a carga”, diz Gilberto Blum, diretor comercial da Transportadora Amizade (Fone: 45 3577.1155).

Lo Pomo, da Gelog, já aponta que a tendência é de crescimento muito forte, bem como das exigências legais, com legislações ambientais mais específicas, através da adoção do índice de poluição veicular nível Euro V e revisão dos Sistemas de Gestão, visando maior segurança nos processos de transporte.

Bacelar, da ID Logistics, aponta que uma forte tendência é incorporar e aprofundar o conceito de “sustentabilidade” das operações logísticas nestes setores industriais. Segundo ele, a tendência para fornecedores e operadores logísticos que interagem com estes setores é se incorporar no ciclo produtivo e de serviços com este conceito bem desenvolvido. “Assim, operações logísticas sustentáveis, com foco no aproveitamento de energias, armazéns autossustentáveis, uso de equipamentos menos poluentes, operações mais seguras e com menos possibilidades de erros, valorização do capital humano, tratamento adequado de resíduos sólidos, treinamentos dedicados para fortalecer estas ideias, etc. farão parte da tendência logística nestes setores”, aposta.

Carlos, da Kuehne+Nagel, é mais detalhado em sua análise. Segundo ele, no Brasil, as principais tendências do setor estão ligadas aos investimentos em estruturas portuárias para fazer frente ao crescimento projetado para a economia brasileira nos próximos anos. A busca é pelo aperfeiçoamento que atenda aos padrões técnicos desejados pela indústria química, de forma a reduzir ao mínimo os riscos provenientes nas operações de transporte e distribuição.

“A logística integrada é, sem dúvida, outra tendência deste mercado – continua o gerente nacional Oil & Gas –, onde as empresas não mais analisam suas logísticas separadas de seus fornecedores. Ambas conseguem reduções nos custos logísticos, níveis de inventário e um atendimento mais eficaz aos seus clientes. Os Operadores Logísticos serão cada vez mais utilizados, pois facilitam a intermodalidade gerada pela logística integrada, oferecendo aos seus clientes novas oportunidades logísticas de movimentação completa do produto, desde o fornecedor até seu cliente final, conhecido como serviço ponta a ponta.”

Outra visão também é a de Tassi, da Transtassi. Segundo ele, as tendências são fazer a logística reversa dos resíduos que vão se acumulando através das limpezas que são feitas, e também o aproveitamento de cargas e fretes de retorno. “No passado era muito pouco explorado esse mercado, justamente por questões de parceiros que pudessem realizar a limpeza e, também, o grande problema da densidade dos produtos não serem compatíveis, mas com a globalização e a comunicação em tempo real que temos hoje em dia, tudo fica mais fácil para isso se realizar”, completa.

ALGUMAS TENDÊNCIAS
 
• Aumento da demanda logística de transporte e armazenagem;
• Várias restrições ao trânsito de produtos químicos e petroquímicos;
• Mudanças importantes, como a emissão de Nota Fiscal Eletrônica;
• Profissionalização dos operadores, a fim de atender todas as exigências legais do setor;
• Novas tecnologias/metodologias/materiais para assegurar o transporte correto e seguro;
• Legislação cada dia mais focada e rigorosa;
• Demanda cada vez mais acentuada por Centros de Armazenagem e Distribuição alinhados com o tipo de produto (químico e petroquímico);
• Aumento da disponibilidade de crédito para investimento no setor logístico;
• Maior fiscalização por parte dos órgãos governamentais, ONGS, dos produtores e consumidores destes produtos;
• Novos armazéns com a infraestrutura pronta para armazenagem de produtos químicos.

Tabela 1
Tabela 2
Tabela 3
Tabela 4
Tabela 5
Tabela 6

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