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Logística Setorial 9 de junho de 2020

Alimentos e bebidas: como será a logística no segmento depois da pandemia? O que muda, o que veio para ficar?

Algumas das mudanças que vieram na esteira da crise do novo coronavirus vieram para ficar. E devem mudar a logística do segmento e acrescentar outras exigências aos OLs e transportadoras que atuam no segmento, alguns dos quais estão presentes nesta matéria especial.

É dado como certo que a pandemia de Covid-19 representa a mais desafiadora crise desde a Segunda Guerra Mundial, e irá por à prova a capacidade humana de resiliência e reinvenção – enquanto indivíduo e enquanto sociedade.
Especificamente no caso da indústria de alimentos e bebidas, já é possível notar mudanças importantes no padrão de consumo das famílias a partir da quarentena recomendada por órgãos de saúde. Por exemplo, o maior movimento em mercados de bairros residenciais e, sobretudo, o incremento das vendas de alimentos e bebidas em plataformas online. Sem falar na correria dos primeiros dias para estocar estes produtos em casa.
Mesmo considerando o segmento de alimentos e bebidas estratégico ou essencial, não há como dizer que a sua logística passou ilesa por impactos em função do surto de Covid-19. Em todos os elos da cadeia de abastecimento do setor foi necessário adotar diversas medidas preventivas para proteção da saúde dos colaboradores, além de realizar um forte replanejamento das demandas para atender as medidas restritivas necessárias e manter a operação para os clientes.
“Esse replanejamento – diz Alexandre Barreto, diretor executivo da Ellece Logística –, apresentou impactos distintos nos diferentes canais de abastecimento atendidos pelos Operadores Logísticos e pelas transportadoras. Com exceção do canal B2C (e-commerce), que teve um efeito positivo no cenário com relação ao aumento do volume em vendas, o canal B2B do médio-grande Varejo/Atacado, apesar de não ter tido interrupção no funcionamento das atividades, apresentou efeitos distintos, como ruptura no ressuprimento de alguns produtos específicos e oscilações dos volumes em vendas dos sortimentos de mercadorias.”
Já o B2B do pequeno-varejo (canal do food service – restaurantes/cafeterias, etc.), teve mais impacto em todos os aspectos de abastecimento, com quedas nas vendas e consumo.
“Desta forma – prossegue Barreto –, todas essas variáveis geraram uma necessidade de rápida adaptação na logística do segmento de alimentos e bebidas, porém os aprendizados das medidas adotadas neste período nos farão, sem dúvida, mais fortes para a retomada da economia.”
De fato, comenta agora Marcelo Caravieri Vicente, Supply Chain Commercial da Taglog Serviços Logísticos, uma inversão enorme nos hábitos de consumo da população está fazendo com que a logística procure alternativas para atender as duas pontas do segmento, ou seja, embarcador e consumidor.
As compras virtuais tomaram uma proporção muito grande em pouco tempo, os consumidores estão indo menos aos grandes varejos e há um movimento maior em mercados de bairros residenciais.
“A reação dos OLs e transportadoras precisa ser na mesma medida e direção. Dentro desta análise, a logística B2C está demandando maior agilidade e pontualidade, enquanto a B2B demanda menor custo, atendimento especializado e setorizado. É preciso entender o momento de cada cliente, ou seja, como vão se comportar em relação à produção, horários, rotas e se adaptar ao cenário atual”, diz Vicente.
André Machado, CEO da Vex Logística de Transportes, lembra que em março houve um volume extremamente alto em função da corrida aos supermercados para estocagem de alimentos, bebidas e produtos de higiene. O volume cresceu 35% comparado ao ano passado, pegando toda a cadeia de surpresa.
“Observamos que modelos de abastecimento automático tiveram alto índice de erro, pois a concentração em categorias específicas – álcool em gel, papel higiênico, etc. – nunca havia ocorrido antes nesta magnitude. Passamos a trabalhar com forecast diário, observando atentamente a venda de clientes e obtendo a maior quantidade de informações possíveis de agentes governamentais, indústrias e pontos de venda”, diz Machado.
“Nota-se uma elevação no volume de cargas deste segmento. A preocupação é com a reposição de seus estoques para uma pronta entrega”, acrescenta Álvaro R. Moraes, diretor de Operações da Transbrasa Transitária Brasileira.
Pelo seu lado, Renato Mantoani, diretor Comercial e Operacional da Dallogs Express Logística, comenta que o varejo de alimentos é muito grande e escalonado em relação ao seu porte. “Percebemos que o pequeno e médio varejo tiveram, sim, bloqueios em seu recebimento, prejudicando o abastecimento se comparado a tempos normais.”
Especificamente no caso da Log-In Logística Intermodal, o diretor comercial Mauricio Alvarenga relata que logo no início da pandemia registraram um aumento no volume de alimentos transportados via cabotagem, o que, depois da segunda semana, voltou ao normal. “Por outro lado, foi perceptível também queda no volume transportado de bebidas. Isso está relacionado, em minha opinião, ao fato de bares e restaurantes e os eventos coletivos estarem paralisados e o consumo ter diminuído”, acrescenta.

Futuro
Considerando o que se tem vivido nesta pandemia, e as necessárias adaptações logísticas, ficam no ar duas perguntas: A logística no segmento de alimentos e bebidas irá mudar após este surto? Mais ainda, a logística neste segmento nunca mais será a mesma, depois deste surto?
Luciano Candemil, presidente da Austral Logistica, vai pelo óbvio: haverá uma maior preocupação com a prevenção a doenças infectocontagiosas.
Rosemary Panossian, sócia-diretora da Confiancelog Armazenagem, Logística e Transporte, afirma que, com certeza as mudanças virão, já que as pessoas estão desenvolvendo habilidades digitais que não tinham antes, ou não utilizavam. Paradigmas serão quebrados, pois a conquista de facilidade e economia de tempo com as compras online vão empurrar o mercado nessa direção com mais velocidade.
É preciso modelar o negócio para o B2C (business-to-customer), diz a sócia-diretora da Confiancelog, acreditando que este surto vai fortalecer o setor, que passa a ser visto como essencial. “Acho, inclusive, que o setor deve aproveitar o pós-pandemia para rever as normas de restrição ao tráfego, com normas diferenciadas, pois ficou muito evidente a essencialidade.”
Também para Ricardo Hoerde, CEO da Diálogo Logística, não só o setor de alimentos e bebidas, mas o varejo e o e-commerce como um todo devem apresentar mudanças significativas.
Certamente haverá uma transformação importante na área de logística – diz ele –, tanto para a compra de bebidas e alimentos quanto para outras demandas, uma vez que a expansão da pandemia está provocando uma necessária aceleração nos processos de inovação e digitalização dos serviços prestados pelas transportadoras e OLs. O segmento deverá sair fortalecido e mais valorizado por conta do surto de coronavírus, até porque as próprias empresas estão observando o quanto elas precisam de parceiros importantes para continuar realizando as entregas para os seus clientes, sem que eles precisem sair de casa ou manter contato com outras pessoas, se expondo a um maior risco de contágio.
“De forma geral, todas essas adaptações adotadas para suportar este período de pandemia farão com que as empresas que conseguirem suportar a crise saiam mais fortalecidas. Sem dúvida, o incremento de tecnologia e a produtividade na cadeia serão os principais fatores impactados na nova fase pós-surto. A cadeia logística em si já vinha sinalizando a necessidade de adaptações para acompanhar as tendências de reduções de estoques e aumento significativo da capilaridade das entregas devido o efeito natural do canal B2C (e-commerce). Esta nova realidade está fazendo com que as empresas inovem e empreendam no sentido de uma logística cada vez mais eficiente com tecnologia e produtividade.”
Ainda na visão de Barreto, da Ellece, a logística permanecerá constantemente se adaptando às mudanças impostas pelas tendências e ameaças como essa que estamos vivendo pelo surto da Covid-19. A evolução tecnológica é algo que vem rompendo barreiras numa velocidade cada vez mais acelerada.
“Seguiremos com os aprendizados adquiridos no período e continuaremos nos adaptando rápido. O perfil das vendas no varejo no mundo vem migrando de forma muito agressiva para plataformas online, inclusive no segmento de alimentos e bebidas. As necessidades de mudanças e adaptações devem ocorrer com velocidade cada vez maior e as empresas que estivem conectadas com as novas tendências terão uma vantagem competitiva”, completa Barreto.
Também para Vicente, da Taglog, o setor precisará se adaptar à nova realidade. O momento é difícil e exige esforço de todos e, por outro lado, também é o momento de encontrar oportunidades que estão escondidas. “É fato que o setor de e-commerce terá um incremento substancial em todas as frentes de negócios e a logística terá a premissa de distribuir produtos seguros em qualquer lugar, tendo que suportar a cadeia de ponta a ponta.”
Ainda segundo o Supply Chain Commercial da Taglog, claramente, quando existe um cenário de grandes mudanças na economia e que afetam indústrias e comércios, a logística é obrigada a se reinventar. Entretanto, muitas atividades retornarão a sua normalidade e outras terão que se adaptar, trazer inovações e diferenciais ao mercado.
“Acreditamos que a logística irá mudar. Esta pandemia trouxe consigo a transparência da necessidade eminente de produtos de consumo imediato, cujo estoque era demasiadamente controlado para demanda equilibrada e com pouca/moderada elevação.”
Tambem de acordo com Moraes, da Transbrasa, no futuro, diferente do que é hoje, o maior controle de estoques, saldos diários por produtos e reposição serão mais intensificados e atribuída maior atenção.
Também na visão de Jair Lima, diretor Comercial e Projetos da Gold Armazéns, Logística e Distribuição – Gold Logística, haverá mudanças na logística, pois ela, como área estratégica em qualquer segmento, seguirá para o pós-pandemia com a certeza absoluta que será preciso lidar com uma nova perspectiva, isto é, de como o trabalho deverá ser realizado, como precisarão mudar suas operações, pois neste momento os modelos convencionais de gestão já estão sendo colocados à prova por não se mostraram eficientes no momento da crise, a qual exigiu respostas rápidas, eficientes, colaborativas, de alto impacto e com decisões compartilhadas de forma descentralizada.
“Será necessário reavaliar a estrutura das organizações, reestruturar parcerias, integrar experiências, ‘clientes, parceiros e fornecedores’, para otimizar custos, mantendo um olhar atento para a manutenção e geração de novos talentos capazes de responder adequadamente aos desafios em curso.”
O diretor da Gold Logística também acredita que a logística de forma geral será tratada e ensinada nas escolas com uma divisão, AC – Antes do Covid e DC – Depois do Covid. “Toda cadeia de suprimentos sofreu um impacto frontal, a começar pelas transportadoras e pelos armazéns, que no momento enfrentam dificuldades de gerar novos negócios e uma descomunal demanda de renegociação dos acordos comerciais vigentes, sem contar os gigantescos pedidos de descontos. Lembrando que até ontem estávamos falando de Logistica 4.0, mas a verdadeira revolução se chamará ‘Logística Pós-Covid-19’. Mesmo ainda não sendo claros os impactos operacionais e nos negócios, destaco os cenários mais que positivos na logística para o comércio eletrônico, B2C e B2B, embora, de qualquer forma, não esteja visível qual será o impacto final da crise no segmento. Apesar das dúvidas e incertezas, econômicas e políticas, o momento pede flexibilidade e muita cautela na tomada de decisão porque um movimento errado no tabuleiro poderá significar game over. Empresas com forte resiliência organizacional terão melhores chances de atravessar e superar a crise em menor prazo.”
Mais enfático, Roberto Schmeing, gerente de Segmento Alimentício e Industrial da Intermodal Brasil Logistica – IBL Logística, diz que a logística no segmento já mudou. “Acredito que teremos de monitorar os funcionários constantemente, e também se adequar a muitas áreas, principalmente na prevenção.”
Sobre se a logística neste segmento nunca mais será a mesma, depois deste surto, Schmeing não vê desta forma, já que, segundo ele, o alimentício é um produto de primeira necessidade.
Também para Wagner Toffoli, diretor comercial de Operações Logísticas da Santos Brasil, os padrões de segurança devem se manter mais rígidos, principalmente quando do manuseio e selagem de mercadorias. Novas tecnologias também devem ser desenvolvidas para garantir que estas operações mais complexas não deixem de ser ágeis e continuem trazendo vantagens para o cliente.
Quanto ao fato de a logística no segmento nunca mais ser a mesma depois desta pandemia, Toffoli concorda. “Sem dúvida, com os novos padrões de consumo e hábitos, a logística se torna protagonista nesta transformação. Cada vez mais próxima à casa dos clientes, com alto nível de serviço, pontualidade e baixo custo.”
Outro que prevê mudanças na logística do segmento pós-pandemia é Machado, da Vex Logística. Segundo ele, a necessidade é o maior catalisador de mudanças e vimos claramente o crescimento de market share das vendas alimentares no canal do e-commerce. Muitos consumidores ainda eram receosos de fazer suas compras pelo canal digital e se viram obrigados a testar outras plataformas para terem suas necessidades atendidas.
“Em momentos de crise, todos buscam reduzir estoque para terem o maior conforto possível com o caixa financeiro da companhia. A evolução é contínua, mas sem dúvida a busca por desintermediação e maior assertividade do estoque veio para ficar. Cada vez mais o abastecimento usará Inteligência Artificial e dados em tempo real para redução do ciclo total da cadeia”, vaticina o CEO da Vex Logística.
No caminho contrário, Ramon Alcaraz, presidente da Fadel Transportes e Logística, acredita que haverá uma mudança inicial, pois as pessoas evitarão locais de grande aglomeração, mas aos poucos crê que volte ao ritmo normal. “Várias empresas adotarão o trabalho home-office para parte do QLP admimistrativo, as viagens de negócios serão reduzidas e isso pode trazer uma redução no consumo externo. Mas caso tudo isso aconteça, o volume tende a ser o mesmo, mas migrando o local.”
Na verdade, o presidente da Fadel não acredita em mudanças radicais no modo de viver do ser humano, como alguns imaginam – “para mim, a tendência é tudo ir voltando ao normal, com apenas algumas mudanças já verificadas agora, como aumento significativo das compras on-line. Isto já vinha acontecendo, mas com a quarentena as pessoas estão utilizando mais esse canal e têm a tendência de continuar, ou seja, a velocidade do crescimento desse modelo será maior pos-crise”.
Wagner Machado Cardoso, diretor comercial da Maxton Logística e Transportes, é outro profissional do setor que não acredita em mudanças na logística no segmento de alimentos e bebidas. “Talvez em outros segmentos tenhamos mudanças, mas neste não.”
Embora Mantoani, da Dallogs, saliente que a maneira como consumimos quase tudo tem tomado novos rumos, ele também destaca que, especificamente no segmento de alimentos e bebidas, não haverá mudanças significativas. “Cenário diferente para o hábito com itens de higiene pessoal, veículos e estruturas prediais.”
Ainda segundo o diretor da Dallogs, após o aprendizado em relação à proteção e assepsia individual do ser humano em relação ao convívio pessoal e a enfermidades como a que vivemos, nada mudará!

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