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Conteúdo 25 de julho de 2022

Joe Biden quer forçar companhias marítimas a baixarem os fretes internacionais, mas e o Brasil?

Por Alexandre Gera*

 

A alta dos fretes internacionais já não é mais novidade para ninguém, principalmente para quem atua no segmento de comex. Mas, recentemente, um novo acontecimento chamou a atenção de quem acompanha os noticiários internacionais. Joe Biden, presidente dos EUA, criticou o setor dizendo que “um dos fatores que afetam os preços é que nove grandes companhias de navegação consolidadas em três alianças controlam a grande maioria, principalmente transporte no mundo”, comentou. “E cada um desses nove é de propriedade estrangeira. Durante a pandemia, essas operadoras aumentaram seus preços em até 1.000%.”, complementou o presidente norte-americano.

 

Diante dessa crítica, empresas Importadoras, exportadoras e prestadores de serviços, como os Freight Forwarders e Brokers (agentes de cargas e comissárias de despachos aduaneiros) norte-americanos alegam que as empresas que controlam 80% da capacidade marítima global estão imunes às leis antitrustes dos EUA porque têm sede na Ásia e na Europa. Mesmo assim, precisam ser responsabilizadas pela escalada dos preços dos fretes internacionais causados pela pandemia e pela guerra da Ucrânia.

 

Os reflexos no Brasil

O mercado brasileiro, por sua vez, pode ser beneficiado pela pressão e interferência dos EUA na situação inédita e caótica dos fretes internacionais por causa do alinhamento político que perdura por décadas. No entanto, empresas importadoras, exportadoras e prestadores de serviços, como Agentes de cargas e Comissárias de despachos aduaneiros brasileiros, não podem depender dessa ação norte-americana, visto que tempo é dinheiro, e ninguém sabe se essa estratégia trará os resultados que fazem parte da expectativa de todos os executivos.

 

A ação de Biden inclui uma lei chamada de “Ocean Shipping Reform Act”, que foi aprovada por unanimidade no Senado dos EUA em março deste ano, segundo reportagem publicada pela Agência Reuters em junho. A lei serve para aumentar os poderes da Comissão Marítima Federal sobre as linhas de navegação, mas o problema é que elas não são sediadas em território norte-americano, e a própria Comissão Marítima Federal afirmou que os preços não são manipulados.

 

Deste modo, a escalada dos preços se dá pelo fato de que o segmento de transporte de contêineres é altamente competitivo, mesmo com Biden afirmando que essas operadoras tiveram lucro de US$ 190 bilhões em 2021, sete vezes mais do que no ano anterior. “O custo foi repassado, como você pode imaginar, diretamente aos consumidores, atribuindo-o às famílias e empresas americanas porque eles podiam.”

 

É improvável prever se essa ação é somente política ou se realmente trará soluções efetivas para o cenário da alta dos fretes internacionais, já que a demanda represada por causa da pandemia e reglobalização por causa da guerra na Ucrânia não tende a diminuir. Além disso, a quantidade de contêineres é limitada, sem contar que existe uma limitação física de portos, alfândegas, transportadoras, entre outros intervenientes. Isso reforça que o maior problema é estrutural e não somente dos operadores de fretes internacionais, sendo que esperar que algum benefício seja refletido na economia brasileira é uma visão um tanto quanto inocente.

 

Para se ter ideia, em reportagem publicada pelo Portal G1, o Diretor Executivo da Centronave (Centro Nacional de Navegação Transatlântica), Claudio Loureiro de Souza, explicou que um contêiner que usualmente fazia 4 ciclos completos no transpacífico (rota da Ásia/Costa Leste dos EUA). Hoje, no entanto, só consegue completar cerca de 2,5 ciclos por causa da retenção desses equipamentos ao longo de toda a cadeia.

 

Como os softwares e a automação podem ajudar?

Enquanto em muitos portos mundiais o debate sobre automação já chegou nas operações portuárias com a robotização de processos manuais, no Brasil, empresas importadoras, exportadoras e prestadores de serviços, como Agentes de cargas e Comissárias de despachos aduaneiros, sofrem ainda mais do que as empresas que operam no mercado norte-americano. Tal dificuldade ocorre porque, adicionalmente, são enfrentados desafios como o cenário político, a alta do dólar em relação ao real, entre outros pontos que fazem com que os executivos busquem por softwares de conexão e automação dos processos, visando reduzir riscos custos e tempo, mas, principalmente, de olho nas melhores oportunidades.

 

Esses executivos brasileiros de comex estão trabalhando arduamente atrás de oportunidades para “casar a linha de produção com o deadline dos navios”, que passam rápido demais. E quem não está preparado para aproveitar, acaba ficando para trás nessa corrida. Mas, então, qual a solução que tem sido a mais adequada? As soluções variam de cliente para cliente, uma vez que cada importador ou exportador atua em um determinado segmento, com suas características de produção, escoamento e planejamento de compras (nacionais e internacionais). 

 

Sendo assim, uma ótima opção é contar com o apoio de soluções como o Orquestrador Digital, software que conecta todos os outros sistemas e, também, os sites dos Agentes de Cargas, Freight Forwarders e Armadores. A estratégia potencializa a automatização de processos como consulta, booking (reserva) e contratação dos fretes internacionais. Uma vez que muitos profissionais realizam esses processos de forma manual, não dá tempo do player de comex aproveitar as oportunidades de cargas, que acabam sendo ocupadas por um possível concorrente. Sendo assim, a tecnologia e automação ajudam empresas importadoras, exportadoras e prestadores de serviços a serem mais estratégicos e assertivos em suas operações de comércio exterior.

 

*Alexandre Gera é founder e CEO do DigiComex. O executivo conta com mais de 25 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens pela Vastera (ex Bergen), Softway (atual Thomson Reuters) e Sonda IT com o aplicativo SAP-CE.

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