Mercado Imobiliário Logístico Industrial – Percepção sobre o mercado antes e depois do meu período sabático

13/02/2020

*Por Larissa Mattos

Comecei a trabalhar no mercado de imóveis industriais aos vinte anos. Naquele tempo, estamos falando de 2005, esse nicho de mercado era pouco profissionalizado, sendo que a empresa onde iniciei carreira era umas das poucas especializadas neste segmento. Ao longo dos dez anos seguintes, acompanhei esse mercado crescer, assim como a economia do país. Tanto as imobiliárias, quanto as construtoras e incorporadoras que desenvolvem esse tipo de projeto, foram se profissionalizando cada vez mais. Vivi bonanças e tempos de crise, e aprendi a criar oportunidades jogando nos dois lados da moeda. Em tempos de crise, com estoque de galpões super ofertados, os locatários ficaram mais exigentes, e os grandes proprietários aprenderam uma importante lição: galpão precisa ter eficiência e diferencial para se manter alugado mesmo em tempos difíceis. Com isso, os proprietários foram aprimorando cada vez mais seus projetos, de forma a deixá-los o mais flexível possível.

Ainda nesse meio tempo (2005-2015) o setor industrial passou a dividir espaço considerável com mercado logístico, que, sobretudo pelo ascensão do setor de e-commerce, cresceu – e cresce – consideravelmente. Para atender essa nova demanda, o mercado precisou criar técnicas e projetos que pudessem otimizar ainda mais a eficiência dos galpões. A estruturação de condomínios logísticos, desde sua configuração física, até o rateio das despesas de portaria, segurança etc., se consolidou no mercado como melhor opção custo e benefício para operações logísticas.

O maior desafio das grandes incorporadoras passou a ser localização: quais regiões melhor atenderiam à essas demandas, considerando distância dos principais polos comerciais, qualidade de acesso, pedágio, benefícios fiscais, entre outros fatores. E, uma vez identificadas áreas com potencial, o segundo desafio de fazer fechar a conta e aprovar o projeto.

Pois bem. Em 2015 tirei um período sabático do mercado, fui explorar outras áreas e novas aventuras. Mas a saudade bateu à minha porta e eu, cinco anos depois, resolvi abrir. Cá estamos nós em 2020, e a dinâmica desse mercado continua muito envolvente. Semana passada, por exemplo, estive em Extrema, e fiquei impressionada com a expansão de empreendimentos logísticos naquela região.

Mas, falando em grandes mudanças, o que de fato mais me impactou nessa volta, foram as novidades e as facilidades que a internet e a tecnologia, agora, propiciam às práticas do nosso dia-a-dia atuando como corretores logístico industriais:

Marketing dos imóveis: como a internet mudou a estratégia de marketing para comercialização dos imóveis. Se antes eram via anúncios em jornais físicos e envio de mala direta impressa, hoje, a divulgação eletrônica é muito mais sofisticada. Apesar de demandar melhores estudos estratégicos, uma vez que a ferramenta seja bem utilizada, seu poder de alcance é surpreendentemente maior do que antes.
Novos termos do mercado: achei que voltaria dominando o mercado…prepotência – e grande equívoco da minha parte – pois, com o advento das mídias sociais, vieram novas terminologias, que, confesso, me fizeram sentir completamente ultrapassada: “Métrica de Seguidores”, “Taxa de Conversão”, “Google Adds”, “Organic Search”, “Inbound Marketing”, e tantas outras que deram nó na minha cabeça – e que ainda estou desenrolando, montando, com muito entusiasmo, um glossário (eletrônico, claro!).
Fotos Aéreas: se antes tínhamos que pegar helicóptero para tirar fotos aéreas dos imóveis, hoje em dia fazemos tudo via drone. Ganhos: segurança, economia e tempo.
Viagens e Destinos: Tenho apenas 34 anos, mas posso dizer que durante meus dez primeiros anos de profissão, ao fazer viagens com clientes, carregava um guia geográfico debaixo do braço (era pesado e tinha muitas páginas). Antes do período sabático, posso dizer que já estava imprimindo o trajeto pela internet, mas nada que se compare ao revolucionário Waze…valorizemos essa ferramenta! Nem sei quantos acessos e retornos já perdi viajando a trabalho.

Acredito que, com empenho, inteligência e criatividade, dando “match” em todas essas (e outras) ferramentas, podemos inovar cada vez mais esse mercado, tecnologicamente falando.

Estou de volta e muito entusiasmada. Porém, devo admitir que ainda não abri mão da minha agenda de papel. Mas já tenho ela no Outlook também…

Em tempo, outra transformação que não deve passar despercebida: fui a um café-da-manhã semana passada, desses de inauguração de condomínio logístico, e percebi um considerável acréscimo de mulheres neste universo ainda tão majoritariamente masculino. Fico feliz em somar e quero muito contribuir para que esse número aumente e se qualifique.

Muito trabalho pela frente. Eba! Mãos à obra…

*Larissa Mattos – Supervisora de Venda e Locação da SDS Properties, imobiliária especializada na comercialização de imóveis industriais e logísticos.

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