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Conteúdo 13 de março de 2008

Novos soluços no mercado externo

Em declaração nesta segunda-feira, o presidente do Bundesbank (Banco Central da Alemanha), Axel Weber, afirmou que "o aumento no preço do petróleo é motivo sério de preocupação e não creio que nos permita qualquer espaço para afrouxar nossa política monetária". Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE), do qual Weber é um dos diretores, manteve a taxa de juros básica européia em 4%.

Curiosa situação. O preço do petróleo chegou esta semana a quase 110,20 dólares o barril, puxado pela demanda chinesa, mas também em grande parte pela desvalorização do dólar. O preço do ouro está próximo de mil dólares a onça e, genericamente, os preços de todas as commodities subiram muito, medidas em dólares.

De fato, nos últimos doze meses o índice de preços em dólares do Economist para todas as commodities subiu 45%, com destaque para os preços dos alimentos (aumento de 70,6%). Contudo, o aumento do mesmo índice de preços das commodities medido em euros subiu 24,7% – ou seja, cerca de metade do aumento dos preços medidos em dólares.

Talvez esses números expliquem a preocupação do BCE – e em particular do seu diretor alemão – com os efeitos da política monetária sobre a inflação e as taxas de câmbio. Uma das conseqüências da maciça emissão monetária do Federal Reserve americano é a desvalorização do dólar frente as moedas de países com banqueiros centrais mais conservadores, como é o caso do Banco Central Europeu.

Essas observações são pertinentes diante de mais um soluço da crise do subprime americano, que parece não ter fim. Ao contrário do que muitos supõem, a crise não acabou. Como também não acabou a cadeia de intervenções do banco central americano, injetando liquidez a cada nova onda da crise.

Agora mesmo, faltando uma semana da reunião ordinária do FOMC (o Copom dos EUA), especula-se com mais uma redução de emergência da taxa de juros básica dos EUA. Que efeitos uma medida desse tipo pode produzir nos mercados?

O efeito mais imediato já foi sentido: em lugar de acalmar o mercado, provocou novas perdas nas bolsas americanas. Essas perdas não pouparam nem a nossa Bovespa, que devolveu todos os ganhos obtidos nesse início de ano. Nos últimos 12 meses, estamos assistindo a uma enorme volatilidade nos mercados acionários, com quedas e aumentos bruscos que não são compatíveis com um mercado de capitais que pretenda canalizar, pela via acionária, o investimento das empresas.

Na Bovespa, entre as grandes a bolsa menos atingida pelo turbilhão do subprime , o índice Bovespa variou este ano entre 55 mil e 65 mil pontos. No movimento mais recente, este mês, o índice oscilou entre 60 mil e 65 mil pontos. A situação, contudo, é pior nas maiores bolsas.

Depois de atingir mais 14 mil pontos por volta de outubro do ano passado, o índice Dow Jones americano está hoje pouco acima de 11.500 pontos. A situação não é melhor na Alemanha, onde o índice Dax baixou de 8 mil pontos na virada do ano para 6.500 pontos esta semana. O mesmo quadro geral é descrito também pelo índice FTSE 100 da bolsa londrina, que despencou de 6.750 pontos em novembro último para um patamar de 5.600 mais recentemente.

Bolsas de valores são indicadores antecedentes das condições econômicas. Em vista do comportamento das bolsas, não é de estranhar que o Bank of International Settlements (BIS), de Basiléia, na Suíça, tenha emitido nota expressando preocupação com o agravamento da crise e com a possibilidade de contágio de seus efeitos sobre os países emergentes.

Até agora temos passado ao largo. Alguns se perguntam por quê. A razão é simples: primeiro, nosso sistema bancário não é tão integrado ainda ao sistema financeiro internacional; segundo, não houve milagre. Tudo começou com a crise de 1999, quando o câmbio passou a flutuar, o regime de metas de inflação foi implantado e passamos a produzir elevados superávits primários para impedir uma explosão da dívida pública. Finalmente, porque essa mesma política foi mantida de 2003 em diante.

Esperemos que assim continue.

 
Fonte: www.dcomercio.com.br

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