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Intralogística 11 de janeiro de 2022

Automatização dos armazéns tende a mudar o conceito e as operações nas estruturas de armazenagem

Afinal, como diz um dos participantes desta matéria especial de Logweb, uma estrutura operada automaticamente possui características dimensionais menos tolerantes do que uma estrutura de armazenagem operada por uma empilhadeira.

 

Com a exigência cada vez maior dos consumidores em receber seus produtos dentro de poucos dias ou até mesmo poucas horas, as novas tecnologias voltadas principalmente para a movimentação e separação de pedidos cada vez mais fracionados e diversificados têm crescido consideravelmente. Isto, certamente, acarreta mudanças nas estruturas de armazenagem. “Soluções como sorter, multi schuttles, pick to light, bem como pisos intermediários com racks, são algumas das tecnologias e soluções aplicadas”, aponta Marcos Antônio de Morais, gerente de Negócios da Águia Sistemas de Armazenagem.

Por seu lado, Giuseppe Constantino, gerente comercial da Bertolini Sistemas de Armazenagem, diz que a automatização dos armazéns muda muito com relação às estruturas de armazenagem. Muda a agilidade e o conceito de entrada e saída de produtos e há a redução de pessoas. E isso realmente vem fazendo a diferença dentro do setor.

“Dentro da automatização, percebemos que a separação de caixas, o picking, é o que mais vem sendo utilizado. Mas, também, vemos uma tendência para transelevador, para AGV e LGV, que têm demandas de empresas que vêm utilizando tecnologias de ponta para poder fazer sua intralogística.”

Já Flávio Piccinin, gerente operacional da ISMA Indústria Silveira de Móveis de Aço, destaca que muda muita coisa: uma estrutura operada automaticamente possui características dimensionais menos tolerantes do que uma estrutura de armazenagem operada por uma empilhadeira. É possível afirmar que são estruturas similares visualmente, mas com um nível de engenharia diferente. “Que fique claro, uma não é melhor que a outra, são simplesmente diferentes, e mesmo com esta tendência ainda continuará tendo demanda pelas estruturas de armazenagem convencionais, que ainda atendem a grande maioria dos segmentos e empresas. Eu acredito que o porta-paletes seletivo operado por transelevadores ainda é o equipamento com maior potencial de crescimento em razão da sua aplicabilidade. A seletividade com grandes alturas traz ganho de eficiência real.”

 

Condomínios Logísticos

Já que estamos falando em “interferência” na concepção das estruturas e no modo de operação do armazém, vale lembrar que a crescente expansão dos condomínios logísticos reflete positivamente na demanda de estruturas de armazenagem, pois são equipamentos complementares – um galpão dentro de um condomínio logístico frequentemente receberá estruturas de armazenagem e, considerando que os novos empreendimentos possuem características que trazem ganho de eficiência para as operações, é possível afirmar que ambos andam juntos. “Porém, eu não atribuiria somente ao condomínio logístico esse papel, e sim à nova cadeia de suprimentos que está em criação. Uma nova cadeia logística demanda uma nova infraestrutura e uma gestão logística mais eficiente para atender aos desafios e às expectativas do mercado atual”, comenta Piccinin, da ISMA.

Morais, da Águia, também analisa o papel dos condomínios logísticos no segmento de estruturas de armazenagem, destacando que os maiores projetos estão locados nestas instalações que, sem dúvida, trazem uma segurança maior para quem busca a verticalização e capilaridade de sua cadeia logística com melhor custo-benefício.

“Os condomínios logísticos vieram no sentido de agregar novas empresas ao setor, ou até mesmo acomodar empresas já existentes, para que possam fazer uma expedição mais eficiente. E, também, para concentrar a logística em locais de fácil acesso, e que possam oferecer uma entrega com maior agilidade”, completa Constantino, da Bertolini.

 

Usuários

“O e-commerce puxou consideravelmente a demanda de estruturas de armazenagem, bem como as soluções de automação para garantir o atendimento da alta demanda cada vez mais forte.”

A declaração é de Morais, da Águia, citando os novos e maiores usuários de estruturas de armazenagem. A ele se junta Constantino, da Bertolini, apontando que Mercado Livre, Amazon, Magazine Luiza e empresas voltadas para o e-commerce realmente cresceram bastante, e esses são os maiores demandadores do mercado neste momento.

“O comercio eletrônico cresceu de modo exponencial nos últimos anos em razão da ausência temporária do varejo físico, porém isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde, mas é possível afirmar que nos últimos anos o comércio/varejo em geral tem investido muito em sistemas de armazenagem como forma de ganho de eficiência operacional, redução de custos e, principalmente, de perdas”, completa Piccinin, da ISMA.

 

Mercado

O setor de intralogística cresceu consideravelmente. É um setor onde, com a pandemia, foram tirados da gaveta muitos projetos e colocados em execução. Muito mais para atender o consumidor, e também pelo mercado online. É um panorama que trouxe bastante perspectivas para o setor de intralogística.

“Em relação às tecnologias – continua o gerente comercial da Bertolini, fazendo um balanço do setor em 2021 –, elas também foram muito solicitadas no sentido de automação. Percebemos que as empresas também trouxeram a automação como uma solução dentro da intralogística. Da mesma forma que cresceu o sistema de armazenagem, também cresceu a questão da automação pela necessidade da entrega, da agilidade e da redução de pessoas na operação.”

Constantino também lembra que, como impacto da pandemia no setor, houve um aumento considerável de armazéns sendo construídos, de áreas para armazenagem sendo ampliadas, justamente para atender uma demanda que há muito tempo não se via.

“O ano de 2021 foi marcado por grandes desafios e adaptações, tivemos que aprender a conviver na pandemia com um cenário imprevisível, sobretudo com uma forte instabilidade nos insumos e até mesmo a falta de algumas matérias-primas essenciais ao nosso mercado. Porém, observamos um mercado bastante aquecido em alguns setores, com a busca de novas tecnologias, a fim de minimizar e enxugar seus custos, se preparando para a retomada pós-pandemia”, acrescenta o gerente de Negócios da Águia.

Morais também lembra que a pandemia mudou consideravelmente a forma como as empresas atuam. Um exemplo bastante explorado nos dias de hoje são as reuniões virtuais, que trouxeram uma maior interação entres os stakeholders – esse é um exemplo de mudança que se fortaleceu e deve continuar com ferramentas cada vez mais pensadas para este comportamento.

Por sua vez, o gerente operacional da ISMA relata que é impossível falar de 2021 sem citar 2020, haja visto que estamos vivendo a “calda longa” do ano em questão. “Com o desequilíbrio da cadeia de suprimentos sofremos com o aumento nos custos e a falta de insumos, além do sério problema de saúde pública. Entretanto, a quebra do status quo da logística mundial obrigou todos a buscar a melhoria da eficiência operacional, que, por vezes, estava no seu fornecedor do outro lado do Atlântico, e usar a tecnologia a nosso favor, diminuindo barreiras e mudando paradigmas. Uma nova cadeia de suprimentos está sendo criada e, por consequência, a demanda por uma nova infraestrutura e investimentos relacionados aos processos logísticos mais eficazes foi crescente neste ano”, acrescenta.

Piccinin também comenta que, com o rompimento da cadeia de suprimentos provocado pela pandemia, todo o modelo logístico que se mostrava consolidado foi por terra e, pensando em gestão de risco, as mudanças vieram para ficar. “É claro que com as devidas adequações temporais, mas eu não creio em um modelo com tamanha interdependência que vivíamos outrora. Não era incomum ouvir dos nossos clientes que o estoque deles estava em navios ou caminhões em trânsito ou que a decisão de fabricar um componente localmente ou do outro lado do Atlântico era ponderada somente por fatores financeiros ou econômicos.”

 

2022

Fazendo previsões para o setor em 2022, Morais, da Águia, enxerga um ano de grandes possibilidades, em razão da alta demanda no consumo. “Temos visto nossos clientes se preparando para atender consumidores cada vez mais exigentes no que se refere à disponibilidade de itens em estoque atrelado à velocidade na entrega.”

“Entendemos que é um setor que vai crescer e continuar com bastante demanda, tanto em sistema de armazenagem como em automação”, prossegue Constantino, da Bertolini.

E Piccinin, da ISMA, completa dizendo que é muito difícil criar cenários em um ambiente com a volatilidade que estamos vivenciando. “Tudo pode mudar em razão de dias, porém cremos que a demanda por infraestrutura logística se manterá crescente e que 2022 seja promissor para o segmento.”

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