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Conteúdo 17 de maio de 2021

Alimentos: Supply Chain do desperdício

17-05-21

Introdução

Ultimamente tenho lido muito sobre sustentabilidade, a famosa bola da vez. E tem me chamado a atenção a quantidade de alimentos que são desperdiçados ao longo da cadeia de abastecimento – “Supply Chain”, em um mundo faminto. Considerando da origem até a mesa de consumo, cerca de 30% dos alimentos são desperdiçados. Por várias razões.

A sustentabilidade leva em consideração três pilares: meio ambiente, econômico e social. E eles precisam caminhar juntos nas iniciativas governamentais e institucionais. Dados que retirei da FAO, órgão da ONU, assustam: dos principais continentes, a África se posiciona em primeiro lugar com 20% de pessoas na linha da fome, vindo em seguida a Ásia com 12% e depois a América Latina com cerca de 6%. Na média global, mais de 10% de 7.3 bilhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Contudo, a produção de alimentos é suficiente para alimentar estas bocas.

E qual é o papel da Supply Chain neste contexto todo? É sobre isso que peço licença para refletirmos juntos. Se fala muito sobre a redução do desperdício nas casas e nos restaurantes. Mas e ao longo da cadeia de abastecimento? Quero apresentar algumas ideias que coletei em minhas literaturas para ter visibilidade e eventualmente buscar soluções nesta complexa jornada. E conto contigo nesta reflexão.

A famigerada embalagem

A embalagem tem sido uma das áreas de inovação mais discutidas no mundo dos alimentos, especialmente pelas “foodtechs”. Embalagens inteligentes têm surgido, utilizando tecnologias promissoras. Startups têm trazido diferentes ideias para as soluções de embalagem, desde os “plásticos” comestíveis da Loliware, com base nos EUA, feitos à base de algas marinhas, até as embalagens inteligentes da Syndigo, fornecendo informações claras e objetivas sobre os produtos, fazendo inclusive parcerias com grandes redes varejistas como Walmart.

Por outro lado, a empresa Hazel, com sede em Chicago, desenvolveu uma embalagem que libera vapores que podem triplicar a vida útil do produto. A StixFresh desenvolveu um adesivo que desacelera a deterioração e estende a vida dos alimentos.

Pode parecer simples, mas não é. Vamos pegar o supply chain da banana. Ela continua a respirar após a colheita o que acelera o seu amadurecimento devido à produção de calor. A partir daí se desenvolveu containers inteligentes, onde em uma viagem de longa duração é possível monitorar a temperatura e a emissão dos gases. A embalagem tem uma função fantástica ao longo da cadeia. Desde proteger produtos até dar respostas de arranjos de produção e logísticos, facilitando a armazenagem e o transporte.

Tomando decisões de distribuição

Uma outra ação que deve ser considerada para de alguma forma evitar o desperdício na cadeia é a decisão sobre a distribuição. Tais decisões podem inclusive elevar a receita da organização. Aqueles produtos com menor prazo de validade devem ser enviados para pontos de venda onde acontece um maior volume de negócios, onde ocorre a possibilidade de maior rapidez no giro e comercialização do produto, atingindo o cliente e consumidor com mais agilidade. O conceito do FEFO (First expiry, first out), ou seja, aquele que vence primeiro sai primeiro.

Outra vez a tecnologia pode substancialmente apoiar este processo, pois dados e informações confiáveis serão demandados. Entender as demandas de mercado para usar esta estratégia é mandatória. Produtos sazonais devem ser administrados coerentemente. Por exemplo, melancias têm muito mais propensão a serem vendidas em períodos de calor.

O foco no custo não é necessariamente sempre obrigatório

Conhecidamente, os grandes varejistas operam com receitas extremamente altas em função do volume comercializado, contudo, as baixas margens de lucro prevalecem. Mesmo assim, colocar foco na redução dos custos ao longo da cadeia nem sempre é a melhor solução.

Muitos consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos de maior qualidade. Existe um nicho de mercado crescente, por exemplo, no segmento de orgânicos. Esta estratégia pode inclusive aumentar o volume pelo fato de vender produtos mais frescos e se diferenciar da concorrência.

Local de produção ou obtenção

A vida útil do produto pode influenciar o melhor lugar para a produção industrial de produtos ou mesmo a obtenção de frutas e verduras. Ou mesmo de peixes refrigerados.

O “lead time” de armazenagem e transporte tem um peso significativo sobre alguns tipos de produtos. A distância a ser percorrida da origem até o ponto de venda ou de industrialização é muito importante no quesito da qualidade do produto.

Itens como alface, almeirão, entre outros possuem vida útil muito curta – horas a poucos dias. Pensar nesta cadeia é fundamental.

Tipo de modal de transporte
Os produtos que possuem um prazo de validade limitado exigem movimentações e embarques de alta frequência. E quando pensamos em transporte intermodal isso pode causar problemas, pois obrigatoriamente existirá um tempo de transferência de carga por menor que seja. Cabotagem, ferrovias, rodoviários, aéreos, todos podem ser usados, mas requerem avaliações pontuais.

Operadores Logísticos especializados

Particularmente eu acredito bastante na especialização, principalmente quando o tema é tão relevante. Temos empresas de todos os portes que demandam armazenagem e transporte especializado, considerando diferentes volumes e combinações de uma variância incrível de modais. Desde motocicletas, a furgões, a balsas, barcos e caminhões refrigerados, até entrega via aérea.

A criatividade se faz necessária ao estabelecer o modelo de negócio, podendo trabalhar com modos híbridos de logística em função da distribuição, capilaridade e geografia dos pontos de consumo.

Os Operadores Logísticos são extremamente viáveis em um país com dimensão territorial enorme e temperaturas que podem acelerar a deterioração dos alimentos caso não sejam monitoradas adequadamente.

Conclusão

Nas conversas que tenho tido com profissionais e especialistas na área, tenho notado que há um grande consenso sobre a necessidade de evitar o desperdício de resíduos alimentares ao longo da cadeia de abastecimento no mundo dos alimentos, sejam eles frescos ou industrializados.

O grande problema é ter ações concretas neste sentido olhando para a cadeia de abastecimento de uma maneira integrada e obtendo informações que vão além dos limites da empresa específica, seja o varejo, a indústria ou mesmo o plantador. Sim, existem perdas da porteira para dentro, lá nas fazendas e fora delas.

A abordagem deve levar em perspectiva a pluralidade dos atores que participam da cadeia. E entendo que a conscientização de consumidores, plantadores, industriais e empresários seja um caminho importante em busca das medidas para minimizar as perdas.

Eu acredito que painéis e discussões sobre este assunto merece um destaque maior. Quanto mais se aprofunda a discussão, mais oportunidades para atacar o problema podem emergir.

Por hoje é isso. Estamos por aqui. Ao infinito e além. Que a força esteja conosco. Nos cuidemos e muito! Estou no Linkedin. Me procure por lá e vamos trocar ideias. É sempre saudável! Me acompanhe também no meu canal do Youtube (clique aqui).

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia

Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação. É Autor de vários livros, entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 4ª edição – 2020. Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais.

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