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Conteúdo 26 de abril de 2021

Aquisição de serviços logísticos exige muito mais do que simples comparações de preços

É do conhecimento de todos que, no começo, o processo de terceirização de serviços logísticos limitava-se a operações mais simples e que, ao longo do tempo, foram migrando para serviços mais complexos e sofisticados, nos quais a tecnologia, inclusive a de informações, transformou-se em instrumento fundamental e essencial ao bom desempenho dessas atividades.

Por outro lado, não só no Brasil mas em todo o mundo, a terceirização das atividades logísticas foi crescendo de forma significativa e em quase todos os segmentos econômicos. Não somente aumentou o nível de terceirização, mas também a quantidade e os tipos de serviços prestados, fazendo com que um mercado em crescimento se apresentasse aos operadores logísticos. Nos últimos vinte anos, como demonstram as pesquisas a respeito, o faturamento médio dos operadores cresceu de forma significativa.

Observa-se, também, que os motivos pelos quais as empresas terceirizam seus serviços logísticos têm sido os mais diversos possíveis, sendo a “redução de custos” um dos mais buscados. Porém, outros motivos têm aumentado suas relevâncias quando se avalia a oportunidade (ou não) de terceirizar serviços logísticos. Alguns exemplos: redução de investimentos em ativos logísticos, maior atenção às atividades voltadas ao seu próprio “core business”, ter maior flexibilidade operacional e maior acesso junto às tecnologias mais avançadas.

Consequentemente, no processo de escolha de um operador logístico, além de ter de satisfazer os motivos pelos quais “se terceiriza”, as empresas também exigem que seus contratados cumpram outros quesitos diversos, tais como políticas claras de proteção ao meio ambiente, de cuidado com a saúde (notadamente agora em época de pandemia), de excelência operacional, de segurança, de garantia de entrega, de relacionamento e de ética. São variáveis que, sem dúvida e notadamente nos tempos atuais, passaram a ter suas importâncias aumentadas e consideradas em qualquer processo de avaliação e seleção de um operador logístico.

Óbvio que operadores logísticos que praticam o EGS (Environmental, Social and Corporate Governance), isto é, ocupam-se com o desenvolvimento sustentável, desenvolvem relação sadia com o conjunto de empregados, fornecedores e clientes, e garantem, através de regras de “compliance” e de governança corporativa, direitos aos seus acionistas, têm maior vantagem competitiva.

Paralelamente, pesquisas do Instituo de Logística (ILOS), já há algum tempo, têm indicado que os principais motivos para substituir um operador logístico têm sido a má qualidade dos serviços prestados, a pouca flexibilidade operacional, uma certa resistência a mudanças e baixa capacidade de propor novas soluções. Dificuldade de relacionamento, pouca capacitação tecnológica e problemas éticos também são alguns outros motivos apontados e que justificam o “corte” desse operador logístico faltoso.

Portanto, não é sem importância que no momento da seleção de fornecedores, os “pesos” dados a outros itens, que não “o preço do serviço a ser contratado”, têm sido cada vez maiores. Além de preços “aceitáveis”, os compradores precisam estar seguros da continuidade de suas operações no momento de “entregarem nas mãos de terceiros” a logística de suas empresas. Fundamental, então, assegurar-se de estar contratando o prestador de serviços mais adequado e com condições de oferecer respostas eficazes aos problemas logísticos da sua empresa e de toda a sua cadeia de abastecimento e distribuição.

Reforça-se, portanto, o fato de que usuários e operadores de serviços logísticos têm cada vez mais em conta, a chamada relação “custo/benefício” como conceito necessário de contratação. Ou seja, a avaliação, ao mesmo tempo em que considera os preços a serem pagos, inclusive comparando-os com os concorrentes, também considera o conjunto de benefícios recebidos, incluindo aqui, agora de forma explícita, o relacionamento entre contratados e contratantes!

Corrobora-se, principalmente nos mercados mais maduros e para uma parcela significativa de empresas, que muitos dos tomadores de serviços logísticos estão dispostos a terceirizar suas atividades, inclusive as mais complexas, mesmo com preços maiores (“custo”), posto que o relevante a ser considerado, e que de fato é o que justificará a terceirização, são os benefícios que essa contratação poderá gerar (“benefício”).

E se levarmos em consideração que contratos firmados entre usuários e operadores de serviços logísticos são, geralmente, de médio e longo prazos, e que os obrigam a manter relacionamentos diários, contratados e contratantes, em seus relacionamentos, precisam primar pela clareza, transparência e confiança. Em resumo, lealdade, variável essencial para a construção de uma parceria que busca êxito operacional e geração de um relacionamento de sucesso.

Conclui-se, portanto, que o conceito conhecido como “relação custo/benefício” faz parte integrante dos processos que analisam, avaliam e selecionam operadores logísticos, impedindo-se que sejam instituídos processos limitados às normas e aos procedimentos de compra que consideram somente os preços do que se quer adquirir.

Diante desse cenário, consolidou-se no setor, a compreensão de que a compra (ou venda) de serviços logísticos é muito mais complexa do que a compra (ou venda) de “commodities”, posto que um conjunto enorme de variáveis, além do preço, precisa ser corretamente avaliado.

Nestes momentos de incertezas e com crises instaladas em tempos cada vez menores e em “quase”’ todos os segmentos da atividade econômica, cujas origens são as mais diversas possíveis (contexto geopolítico, meio ambiente, eventos climáticos, pandemias etc.), termo como “ruptura” passou a ser comum. E se há riscos de ruptura, que colocam em perigo a “normal” continuidade operacional, ou mesmo empresarial, exige-se que sejam incorporados instrumentos modernos para identificação e dimensionamento desses possíveis riscos, que possibilitem o desenho de cenários prováveis e que elaborem elenco de opções viáveis de superação. Claro está que operadores logísticos que exercem essas práticas, portanto devidamente preparados para isso, mesmo com “custos” diferenciados quando comparados com o mercado, serão aqueles com maiores condições para gerar, de forma concreta, “benefícios”.

Em resumo, ao se estabelecer uma relação na qual o conceito “custo/benefício” é considerado, processos objetivos de contratação, nos quais sejam estabelecidos formas claras e transparentes de relacionamento, e que assegurem um clima de confiança no “trato” diário, passam a ser exigências de usuários e operadores de serviços logísticos que querem celebrar contratos eficazes e duradouros.

Paulo Roberto Guedes Paulo Roberto Guedes

Formado em ciências econômicas (Universidade Brás Cubas de Mogi das Cruzes) e mestre em administração de empresas (Escola de Administração de Empresas de São Paulo/FGV). Professor de logística em cursos de pós-graduação na FIA (Fundação Instituto de Administração), ENS (Escola Nacional de Seguros) e FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras). Membro do Conselho Consultivo da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos, da qual também foi fundador. Membro do Conselho de Administração da ANHUMAS Corretora de Seguros. Diretor de Logística do CIST – Clube Internacional de Seguro de Transporte. Consultor Associado do escritório de Nelson Faria Advogados. Consultor empresarial e palestrante nas áreas de planejamento estratégico, economia e logística. Articulista de diversas revistas e sites, tem mais de 180 artigos publicados. Exerceu cargos de direção em diversas empresas (Veloce Logística, Armazéns Gerais Columbia, Tegma Logística Automotiva, Ryder do Brasil e Cia. Transportadora e Comercial Translor) e em associações dos setores de logística e de transporte (ABOL – Assoc. Brasileira de Operadores Logísticos, NTC&L – Assoc. Nacional do Transporte de Cargas e Logística, ANTV – Assoc. Nacional dos Transportadores de Veículos, ABTI – Assoc. Brasileira de Transp. Internacional e COMTRIM – Comissão de Transporte Internacional da NTC&L). Exerceu cargos de consultoria e aconselhamento em instituição de ensino e pesquisa (Celog-Centro de Excelência em Logística da FGV), de empresas do setor logístico (Veloce, Columbia Logística, Columbia Trading, Eadi Salvador, Consórcio ZFM Resende, Ryder e Translor) e de instituição portuária (CAP-Conselho de Autoridade Portuária dos Portos de Vitória e Barra do Riacho do Espírito Santo). Lecionou em cursos de pós-graduação na área de Logística Empresarial na EAESP/FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas) e em cursos de graduação de economia e administração de empresas em diversas faculdades (FAAP-Fundação Armando Álvares Penteado, Universidade Santana, Faculdades Ibero Americana e Universidade Brás Cubas). Por serviços prestados à classe dos Economistas, agraciado com a Medalha Ministro Celso Furtado, outorgada pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo.

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