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Conteúdo 18 de julho de 2022

As discussões em torno da alta do combustível

Os últimos anos foram marcados por acontecimentos que geraram impacto direto no setor de logística e na cadeia de suprimentos no Brasil. A Pandemia da Covid-19 e a Guerra na Ucrânia desestabilizaram empresas, reduzindo investimentos e reordenando o planejamento estratégico do mercado, e a alta constante do combustível tem onerado e, até mesmo, travado a economia. Com mais de 60% das cargas sendo transportadas por rodovias, torna-se complexo lidar com reajustes significativos no preço do diesel em curtos espaços de tempo, conforme temos acompanhado.

Os Operadores Logísticos sofrem há pelo menos dois anos com os aumentos impostos pela Petrobras, conforme revelado no estudo recente elaborado pela ABOL em parceria com o ILOS – Instituto de Logística e Supply Chain. O material traz o novo Perfil do OL. Nele, muitos deixaram claro o desejo de que  ajustes acumulados aconteçam de forma mais espaçada, como a cada seis meses ou mais. Neste cenário de instabilidade e imprevisibilidade, não há frete que não sofra aumentos e contratos que permaneçam intactos, sem nenhum tipo de atualização.

Defendemos uma nova política de preços, assim como discussões a favor da multimodalidade e de fontes renováveis de energia e alternativas ao combustível fóssil. No entanto, estamos cientes das dificuldades técnicas e econômicas que envolvem a operacionalização dessa mudança, como é o caso da eletrificação de caminhões de grande porte (cavalos mecânicos).

Com isso, o foco ainda acaba sendo na eletrificação de veículos leves, como aqueles usados para as entregas de “last mile” (ou a “última milha”). Entre as dificuldades estão a autonomia de conhecimento técnico sobre as particularidades dos veículos e suas baterias, e da infraestrutura, visto não haver uma malha de postos com abastecimento elétrico consolidada, o que pode dificultar possíveis mudanças de rota, por exemplo.

O processo de digitalização também é visto como uma saída, pois resulta em uma logística descentralizada e mais eficiente, favorecendo, principalmente, a redução de deslocamentos e, consequentemente, diminuindo os gastos com combustível. São muitas alternativas que podem, de alguma forma, contribuir para minimizar a pressão causada pelos aumentos, sobretudo do diesel, principal insumo utilizado pelos caminhões. Porém, são medidas de médio e longo prazos, enquanto os reajustes seguem sendo a realidade atual.

Marcella Cunha Marcella Cunha

Natural de Brasília, tem mais de 10 anos de experiência nos setores de transportes e tecnologia. Graduada em Relações Internacionais, com pós-graduação em Ciência Política, é a atual diretora Executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL). Tem passagens pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e pela empresa Uber.

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