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Conteúdo 18 de julho de 2022

Black Friday 2022, nem comecei a planejar minha operação!

Com início do segundo semestre, já é hora de começarmos a pensar sobre a Black Friday de 2022 e preparar toda a cadeia de produtos e distribuição, desde os fornecedores de produtos, passando por instalações logísticas, estrutura de transporte, time de vendas, tecnologia e atendimento ao cliente para suportar o aumento de demanda da data.

Apesar de parecer distante, estamos há apenas 4 meses do evento. Se o planejamento da operação para essa data ainda não começou, ainda é tempo de resgatar os aprendizados de 2021. Analisar os erros e acertos da última edição pode ser uma boa maneira para começar.

Uma das principais variáveis para a preparação é o plano de vendas. Fazer previsões assertivas é uma tarefa naturalmente desafiadora, principalmente diante da incerteza do cenário econômico atual.

Cenário Econômico

No final do mês de junho, tivemos revisões positivas para o crescimento do PIB projetado para 2022. O Banco Central revisou de 1% para 1,7% o resultado do ano. Instituições financeiras também revisaram suas projeções, com previsões entre 1,5% a 2,0% para o país. Aceleração do setor de serviços e aumento do consumo das famílias devem liderar a expansão do segundo semestre.

Outra notícia que pode impulsionar o consumo é a PEC dos auxílios em aprovação no Legislativo e o aumento das despesas governamentais em anos eleitorais. Ao injetar recursos na economia, é esperado um impacto positivo nos gastos dos consumidores.

Desemprego em queda, ainda que a taxa permaneça elevada torno de 10%, com queda no rendimento médio, pode animar o consumo do segundo semestre.

Inflação persistente em torno de 11% nos últimos 12 meses, alta nos alimentos e energia estão consumindo uma parcela importante da renda do consumidor, aliada a uma taxa de juros elevadas, desestimula a compra de produtos duráveis e semiduráveis.

Black Friday 2021

A projeção era de um crescimento de 18% para a Black Friday de 2021. Ao atingir 5,4 bi de reais de faturamento 5% superior a 2020, o crescimento ficou bem aquém da expectativa inicial. E bem distante dos robustos 31% de crescimento da edição de 2020.

O que esperar de 2022

Olhar o histórico de crescimento dos anos anteriores terá pouca serventia para planejar essa data. Saber se a Copa do Mundo em novembro terá um efeito positivo com o aumento da venda de televisores ou muito negativo por coincidir com o calendário da Black Friday ainda é um tema polêmico entre os especialistas do setor.

Planejamento e Dimensionamento da Operação

Um processo de S&OP maduro, com revisões periódicas da previsão tendem a dar respostas melhores que usar o orçamento de venda elaborado no final do ano anterior. Ou simplesmente correr atrás de uma meta que pode ser mais um desejo do que um número realista.

Dimensionar a capacidade da cadeia usando diferentes cenários de crescimento pode ser uma boa alternativa diante da incerteza que estamos entrando agora.

Exercitar em conjunto com a área de vendas e financeira do que seria um crescimento acelerado, moderado e conservador, aderente para a realidade do seu negócio é o primeiro passo.

Usando os 3 cenários de crescimento definidos, agora é o momento de planejar as necessidades da operação sob os diferentes aspectos listados abaixo, considerando o nível de serviço desejado para a data.

– Estoque e capital de giro

– Dimensão das instalações

– Equipamentos de armazenagem e movimentação

– Capacidade de transporte

– Quantidade de colaboradores

Cada um destes aspectos gerará uma previsão de despesas e investimento. Normalmente isso ajudará bastante na escolha de qual cenário seguir. As vezes podem existir limitações, como disponibilidade de produtos, política de preços e capital de giro, que podem definir o cenário de partida, independente da propensão de gasto do consumidor.

Outra variável relevante é o tempo para a implementação de cada ação. Inaugurar um novo CD com o atual cenário de condomínios logísticos aquecidos pode levar meses. Encomendar alto volume de produtos ainda é uma incerteza com a desorganização da cadeia de suprimentos global. Por outro lado, ampliar a capacidade de armazenagem através da contratação de um operador logístico ou implementar um novo parceiro de transporte pode ser feito em poucas semanas.

Conclusão

Entrega veloz hoje é um qualificador para operar e não mais um diferencial. Inflação alta tem atingido duplamente o resultado das empresas. Ao mesmo tempo que coloca pressão nas despesas, o aumento de custos de produtos e insumos não tem sido repassado integralmente aos preços, pressionando também a rentabilidade das operações.

Ganhos de eficiência na operação se tornam imperativos diante disto. Equilibrar a despesa da operação com a entrega de um nível de serviço adequado é um exercício diário do profissional de logística. Isso ganha mais importância em um evento que o aumento de demanda é concentrado em poucos dias.

Os custos de atender toda essa demanda podem ser proibitivos se o prazo de atendimento for muito reduzido. Além disso, conhecer corretamente qual é o nível de serviço desejado pelo seu cliente é um outro elemento relevante para decidir qual é o plano mais adequado para você.

Marcio Luiz Matsuda Marcio Luiz Matsuda

Engenheiro mecânico pela POLI-USP, especialista em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini – USP, MBA em Varejo pela FIA-USP e Black Belt em Lean Six Sigma pela Fundação Vanzolini – USP. Executivo com mais de 20 anos de experiência em grandes varejistas nas áreas Comercial, Planejamento e Projetos, Produtos, Logística e Supply Chain. Atuou como clevel em empresas como Track&Field, Dafiti, Saraiva e Sequoia Logística, e em posições gerenciais nas empresas Etna, B2W, Telefonica, Magazine Luiza, Dia% e Submarino. Atualmente, é sócio na Connexxion Consulting (www.connexxion.com.br).

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