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Conteúdo 6 de julho de 2020

Cadeia de Valor 4.0

Introdução

Em função da crise de saúde pela qual passamos, a cadeia de abastecimento tem sido substancialmente afetada. O comportamento de clientes e consumidores tem se alterado. Há uma redução nos gastos em quase todas as categorias, antecipando possíveis dificuldades financeiras logo mais adiante.  É provável que essa tendência continue por algum tempo. Não há milagre. As rendas diminuíram em muitos locais e com isso o poder de compra é reduzido. Em paralelo a conveniência passa a ter muito mais importância. As vendas digitais ganham mais espaço, demandando das organizações uma imediata preparação para a sobrevivência.  Há projeções de redução no poder de consumo e, portanto, nos gastos em média de 50%. Ora, considerando que esta média venha a ocorrer, muitos segmentos serão afetados além deste fator uma vez que alguns deles terão um aumento como é o caso de alimentos e suprimentos domésticos. É a famosa preocupação com relação à experiência do cliente. Mas o que isso tem a ver com a cadeia de valor e o mundo 4.0? As empresas precisam se preparar para encarar de frente esta realidade levando em consideração quatro elementos básicos: estratégia, modelos de negócios e processos, tecnologia e competências. As empresas devem estar competitivas e raciocinar de maneira mais ampla e criativa, uma vez que as incertezas e as complexidades passam a fazer parte do dia a dia.

Cadeia de valor 4.0

Ao tocar neste tema estamos abordando funções e processos que extrapolam os limites de uma organização. Desde o fornecedor até o cliente final. Como sobreviver em um mundo onde a tecnologia vem com muita força em todos os processos empresariais, desde relacionamentos com fornecedores e troca de informações, passando por projeções de demanda, produtos de gestão e que tragam elementos de visibilidade na cadeia? O mundo 4.0 – já se fala em 5.0 – não é um projeto. Mas uma jornada.  É basicamente um modelo para digitalizar a cadeia de valor envolvendo uma rede de agentes incluindo fábricas, fornecedores e clientes. A iniciativa integra diversas áreas para digitalizar as operações de negócios, incluindo produção, desenvolvimento, logística, engenharia, tecnologia da informação, recursos humanos entre outros. E a jornada é conjunta expandindo além dos limites da organização.

Experiência do Cliente

As fantásticas experiências com o cliente não ocorrem por acidente ou por acaso. Tais experiências resultam de pesquisas, conhecimento rigoroso de comportamentos, planejamento e execução das estratégias para oferecer melhores alternativas e possibilidades. Por muito tempo, o “Supply Chain” tem desempenhado uma função secundária com relação a prover uma experiência diferenciada. Contudo, inteligentemente algumas organizações usam as competências da cadeia de abastecimento para melhorar esta estratégia. Multinacionais como Amazon, Mcdonalds, Unilever, Netflix e Apple são casos formidáveis. Mas mesmo domesticamente temos importantes exemplos para citar, como é caso da Magazine Luiza, Wine.com.br e Natura. As influências na satisfação do cliente podem advir de situações mais corriqueiras às quais as empresas muitas vezes não dão o devido valor como é o caso de uma entrega atrasada. Entregas realizadas no prazo alinham-se com as expectativas e encantam os clientes. É fisicamente e emocionalmente perceptível. A logística, por exemplo, apresenta um alto volume de interações com os clientes. Contudo, muitas empresas não se deram conta disso. É necessário extrair valor deste relacionamento. Portanto, coloque o cliente no centro e crie oportunidades positivas.

Ecossistema

Gosto de explorar este tema. As empresas não podem fechar-se em seus quartos escuros. É essencial administrar todo o ecossistema – fim a fim, compartilhando informações dentro de um processo colaborativo e holístico. Os volumes de dados podem não representar nada até o momento em que se transformem em informações que possibilitem a tomada de decisões por diferentes agentes da cadeia de valor. A capacidade de analisar dados e convertê-los em elementos de vantagem é que faz a diferença. Muitas ferramentas estão disponíveis no mercado, desde entender demandas, otimizar estoques, visualizar em tempo real os recebimentos (inbound) e entregas (outbound) até medir os níveis de serviço e o atendimento das expectativas. Estratégias estas que servem ao B2B (Business-to-Business)  e ao B2C (Business-to-Consumer).

Modelos de negócios

Muitas vezes nos causam confusão os termos “cadeia de valor” e “modelos de negócios”. O termo cadeia de valor, enunciada por Michael Porter em 2005, refere-se às atividades que uma organização desempenha e como elas se relacionam, de tal maneira que gerem vantagens competitivas. A cadeia de valor e as atividades individuais, formada por macro funções como compras, produção, vendas, marketing estão alinhados a uma estratégia, cujo objetivo principal é criar valor para os clientes e acionistas. Já o modelo de negócio descreve a lógica de criar, entregar e capturar valor por uma organização buscando formas e estratégias diferenciadas para competir. E aí vale a criatividade. O modelo de negócios de AirBnB objetiva criar valor para os clientes oferecendo um serviço mais acessível de hospedagem. O Uber, UberEats, iFood, Rappi são outros exemplos. Portanto, explorar modelos de negócios competitivos e criativos, pode advir de diferentes perspectivas como tecnológicas e de processos. E não necessariamente deve ser disruptivo. Uma boa dose de inovação que crie valor já é suficiente.

Demanda

Falar de “supply chain” orientado à demanda não é novo. Contudo, a disponibilidade gigantesca de dados apresenta a possibilidade de realizar importantes análises de comportamento dos mercados.  Os métodos convencionais para projetar as demandas, com base em históricos comumente não refletem a realidade atual. As tecnologias baseadas em sensores conseguem monitorar, coletar e prover informações extremamente úteis. A análise inteligente dos dados coletados traz significativas melhorias das previsões tornando-as mais precisas. O “Machine Learning” (Aprendizado de máquina), ainda que seja uma tecnologia ainda em evolução, pode realizar análises preditivas, e projetar demandas com uma abordagem mais confiável, pelo entendimento dos padrões e comportamentos de compra e consumo e antever as necessidades. Neste contexto se insere também o aspecto de colaboração e compartilhamento de dados e informações entre as diversas partes do ecossistema de negócios.

Múltiplos Canais – Omnichannel

“Omnichannel” é mais do que um jargão corporativo. É sim uma estratégia onde a empresa otimiza seu atendimento para se alinhar às expectativas e necessidades dos clientes e consumidores trabalhando de forma sincronizada entre os diferentes canais. Essa coordenação está presente fundamentalmente nos bastidores das operações de uma organização. Neste momento a abordagem de Omnichannel em supply chain passa a ter uma fantástica importância. Esta abordagem se traduz na capacidade de mover produtos de maneira coordenada envolvendo as múltiplas formas de atingir os clientes. Significa alinhar as expectativas de planejar, produzir, administrar estoques e transportar. Isso só é possível com uma estratégia centrada no cliente. Imagine aí uma super necessidade de possuir um S&OP – Planejamento de Vendas e Operações extremamente azeitado. Coloque neste contexto a execução. Primordial!

Digitalização e Automação

O surgimento de soluções digitais e tecnologias avançadas, possibilitam a comunicação e a utilização de infraestrutura, aplicações e dados com velocidade e com diferentes volumes, com uma qualidade incrível e maior segurança. Algumas das tecnologias já disponíveis e que são aplicadas em escala nas organizações incluem: Big Data e análise de dados, computação em nuvem, fabricação aditiva (Impressão 3D), automação ou robótica avançada e realidade virtual e aumentada, entre outras. Essas tecnologias favorecem a transformação digital na cadeia de valor através da integração de sistemas e processos que se interconectam e avançam para os limites externos da organização atingindo fornecedores e clientes.

Competências

A grande maioria das empresas não tem todas as respostas para as questões mais desafiadoras, apesar dos avanços e da criação de novos modelos de negócio, do desenvolvimento de produtos e serviços fantásticos, da tecnologia, do relacionamento colaborativo, dos programas de qualidade, das técnicas de just-in-time e do comércio eletrônico. Nunca foi tão necessário enfatizar as habilidades e as competências empresariais. Como se presume, a força de trabalho passa a ser preponderante; o compartilhamento do conhecimento atualizado passa a ter prioridade. Imaginar que o conhecimento possa estar armazenado em um gigantesco banco de dados não traz vantagem competitiva, embora muitas organizações pensem que sim. Além das competências funcionais uma demanda cada vez mais crescente vem se mostrando importante: softskills. Seja nos níveis de liderança ou não, os profissionais precisam se preparar melhor no que concerne ao lado emocional.  Nossas interpretações de mensagens subliminares enviadas pelas organizações são fundamentais. Por exemplo, estar fora da zona conforto, chavão muito utilizado ultimamente tem impactos que devem ser muito bem analisados. Enfim, a quem interessa estar fora da zona de conforto?  Gostaria que você refletisse sobre isso.

Mundo 4.0 e Maturidade da organização

Este tópico nos daria um artigo fantástico e que já está sendo elaborado. Claramente o nível de maturidade precisa levar em conta uma série de dimensões e itens, atributos estes que devem ser analisados para avaliar em que nível de maturidade a organização se encontra e com isso buscar as inovações e melhorias necessárias para preencher os “gaps”. Eu vou elencar alguns tópicos fundamentais e provenientes do trabalho de pesquisa que venho realizando e que são eles: Cultura, Liderança, Estratégia, Clientes, Fornecedores, Produtos, Processos e operações, pessoas e competências, tecnologia e governança. Os elementos aqui apresentados ainda estão sob revisão, mas já possibilitam estabelecer um norte, uma direção, para entender quais seriam os componentes relacionados à maturidade 4.0. Veja que interessantemente a tecnologia é apenas um dos elementos. Portanto, não podemos confundir indústria 4.0 com tecnologia, embora ela seja um sustentáculo importante.

Estas são algumas dicas que devem ser consideradas no mundo digital e complexo que estamos vivendo. Para o infinito e além. Que a força esteja conosco. Nos cuidemos e muito!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais

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