Digitalização na logística é uma questão de sobrevivência

16/07/2024

O atual cenário em evolução da indústria da cadeia de suprimentos em todo o mundo apresenta alguns desafios às empresas, como tensões geopolíticas, escassez de mão de obra e complexidade regulamentar. Diante disso, as empresas do setor têm de se adaptar a um ambiente em constante mudança para superar as incertezas.

No meu ponto de vista, os desafios que as cadeias de abastecimento enfrentam hoje só podem ser resolvidos em grande escala de uma maneira: através da tecnologia.

A inovação é a força motriz por trás da evolução da gestão da logística. Em tempos de incertezas e de volatilidade econômica, é preciso ver a tecnologia e a digitalização como formas de encarar e responder mais prontamente aos desafios e aproveitar as oportunidades.

Portanto, a tecnologia está aí para ajudar as empresas a explorar e desenvolver estratégias para gerenciar e mitigar riscos em um ambiente cada vez mais imprevisível. E mais: quem não abraçar a transformação digital não conseguirá responder às necessidades e exigências dos clientes de forma eficaz para garantir ou manter a competitividade do seu negócio.

O uso de tecnologias avançadas e sistemas eficientes de automação é crucial para enfrentar os pontos críticos dos clientes, ao mesmo tempo em que melhora a eficiência geral da cadeia de suprimentos e proporciona economia de custos.

Os modernos sistemas de gestão de transporte (também conhecidos como TMS), por exemplo, oferecem uma ampla gama de soluções de software projetadas para otimizar rotas, dar visibilidade do status de pedidos, obter insights em tempo real, além de fornecer status de remessa e documentação de comprovante de entrega.

Ao fornecer um alto nível de visibilidade, o TMS também ajuda as empresas a se adaptarem rapidamente a situações inesperadas, tomar decisões imediatas e manter um processo de transporte bem coordenado, mesmo em casos de emergências.

Dando um passo atrás no processo de transportes de cargas e mercadorias, também é preciso pensar em como tornar os processos de armazenagem mais eficientes. Para isso, existem os sistemas de gestão de armazenagem (ou WMS). Seu propósito é ajudar as empresas a reduzir erros, minimizar o tempo de inatividade e melhorar a produtividade geral em cada estágio do processo de armazém.

Com operações de depósito automatizadas, as empresas podem gerenciar efetivamente os níveis de estoque e atender pedidos por meio do rastreamento eficiente de estoques. Como resultado, podem garantir entregas precisas e rápidas e excelência operacional para seus clientes.

E só para ficarmos em três exemplos, afinal há muitas tecnologias disponíveis, vale destacar como a inteligência artificial e a tecnologia de aprendizado de máquina também melhoram o dia a dia dos negócios. Câmeras equipadas com essas tecnologias nos veículos podem garantir a segurança do motorista e a proteção da frota, ao mesmo tempo em que otimizam suas operações para a entrega pontual de bens e serviços. Esses dispositivos são capazes de detectar e lidar rapidamente com direção distraída, perigos na estrada e outros riscos de transporte em tempo real.

Enfim, as novas tecnologias oferecem vários benefícios para as empresas e as ajudam a reduzir erros humanos, obter dados e análises valiosos, melhorar a precisão e aprimorar os serviços ao cliente.

Porém, a inovação exige investimentos. Então, como justificar a aplicação de recursos financeiros em logística em empresas que não a têm como atividade fim, ou seja, ela é “apenas” parte do todo?

Aqui é preciso levantar a bola para a necessidade de indústrias, varejistas e demais organizações em terceirizar suas necessidades de transporte e logística para provedores de soluções que têm a inovação em seu DNA. Dessa forma, as empresas podem se concentrar em suas atividades principais, ficando livres de complexidades logísticas.

À medida que as empresas navegam em um ambiente cada vez mais imprevisível, adotar a digitalização e a automação será essencial para atingir a resiliência e a eficiência da cadeia de suprimentos.

As organizações que ainda não adotaram a digitalização encontram maiores efetivos, maiores custos de horas extras e despesas operacionais adicionais, tudo isso prejudicando o sucesso geral. Construir uma cadeia de suprimentos resiliente é mais econômico a longo prazo, pois aumenta a eficiência e evita perdas potenciais durante eventos imprevistos.

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Antonio Wrobleski

Antonio Wrobleski

Especialista em logística, presidente da BBM Logística, sócio e conselheiro da Pathfind. Engenheiro com MBA na NYU (New York University) e também sócio da Awro Logística e Participações. Ele foi presidente da Ryder no Brasil de 1996 até 2008. Em 2009 montou a AWRO Logística e Participações, com foco em M&A e consolidação de plataformas no Brasil. Foi Country Manager na DHL e Diretor Executivo na Hertz. O trabalho de Antonio Wrobleski tem exposição muito grande no mercado Internacional, com trabalhos em mais de 15 países tanto no trade de importação como de exportação. Além disso, ele é faixa preta em Jiu-jítsu há 13 anos e pratica o esporte há 30 anos.

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