Distribuição compartilhada

20/02/2024

 

Varejistas sofrem constante pressão para alcançar a excelência operacional e manter a relevância de seus pontos de venda, mantendo custos sob controle. Os custos de transporte são parte fundamental (e crescente) dessa equação. Em paralelo, não podemos desconsiderar as constantes pressões por entregas mais frequentes em função dos altos custos imobiliários, da concorrência e das necessidades dos consumidores.

A distribuição compartilhada pode ser parte fundamental da equação para varejistas que queiram alcançar esses objetivos conflitantes, pois melhora significativamente o tempo de resposta, reduzindo os tempos de transito e de reposição. Apesar de muitos já terem ouvido falar em distribuição compartilhada, a pratica ainda não é comum por estas bandas.

 

Como funciona?

 

O varejo costuma manter poucos Centros de Distribuição, dependendo do porte e abrangência, frequentemente um apenas, e muitos pontos de venda acabam ficando a distancias consideráveis. E, para atender tais mercados, é comum a contratação de algum mix de carga completa, fracionada ou dedicada. Essas opções são caras, lentas ou pouco confiáveis e a distribuição compartilhada seria uma alternativa muito superior, particularmente para longas distancias.

Um Centro de Distribuição compartilhado normalmente pertence a um Operador Logístico e é utilizado para vários varejistas que têm pontos de venda na região atendida, que dificilmente conseguiriam justificar seu próprio Centro de Distribuição no mercado-alvo e passam a ter acesso aos benefícios de escala e profissionalização. Nessas operações são consolidados embarques para múltiplos pontos de venda em veículos cuja utilização é otimizada pelo Operador Logístico, favorecendo maior frequência de entregas a custo razoáveis.

 

 

A figura acima mostra um varejista hipotético operando um único centro de distribuição. Sem distribuição compartilhada, a melhor alternativa é o frete fracionado, mais caro, levando a uma menor frequência de entregas. A distribuição compartilhada propicia entregas mais frequentes a partir do Centro de Distribuição compartilhado. As economias de escala pelo compartilhamento do transporte de última milha e a maior eficiência no abastecimento ao Centro de Distribuição local/regional mais que compensam os custos do Centro de Distribuição adicional, além de favorecer maior frequência de entrega aos pontos de venda, reduzindo capital de giro e a necessidade de espaço para armazenagem no ponto comercial.

Considerando que um Operador Logístico pode atender algumas dezenas de varejistas, há vantagens consideráveis para o trafego urbano, e muito particularmente shopping centers e regiões com alta concentração de varejistas.

A tabela a seguir apresenta uma comparação, um tanto grosseira, das principais características da distribuição compartilhada comparada com carga fracionada.

Carga fracionadaDistribuição compartilhada
Custo$$
VelocidadeVários dias24 – 48 hs (para estoque no CD)
Precisão do atendimento no horário+-Dia+-1 hora
Padronização de procedimentos de entregaNãoSim
Sequenciamento da cargaNãoSim
Estoques próximos dos pontos de vendaNãoSim
Preparação de kitsNãoSim

 

P.S.: Apesar de o foco deste artigo ser o varejo, a distribuição compartilhada é perfeitamente aplicável a qualquer segmento que busque fortalecer sua presença em áreas geográficas distantes e/ou regiões onde as vendas ainda não geram escala suficiente para pagar um Centro de Distribuição ou buscam uma melhor atenção e serviço aos consumidores, da forma mais econômica possível.

Compartilhe:
Elcio Grassia

Elcio Grassia

Sócio-fundador e CEO da Nazar Systems, plataforma SaaS para digitalização da Cadeia de Abastecimento. Vice-presidente de Programas do CSCMP Roundtable Brasil. Sócio-consultor da Integrare Consulting, com foco em Logística e gestão da Cadeia de Abastecimento, tendo desenvolvido projetos para clientes como Ambev, Aqua Capital Partners, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Burguer King, Cacau Show, Carapreta Carnes Nobres, Comfrio, Consórcio Rio Energia, FEMSA, FGV Projetos, Global Environment Fund, WalMart /Intelligrated, Mendes Junior, Novus, Radhakrishna Foodland, Secretaria de Logística do Estado de São Paulo, The Fifties e Vale, entre outros. Tem 45 anos de experiência em Logística, Supply Chain, Operações, Gerência Geral e Desenvolvimento de Negócios em empresas como Havi Global Solutions, McDonald’s Brasil e América Latina, Martin-Brower Brasil e Nestle Brasil.

Tráfego nas rodovias e no rodoanel na Páscoa: veja previsão, horários e operação das concessionárias
Tráfego nas rodovias e no rodoanel na Páscoa: veja previsão, horários e operação das concessionárias
Farizon inicia operação comercial no Brasil com veículos elétricos e foco em logística urbana
Farizon inicia operação comercial no Brasil com veículos elétricos e foco em logística urbana
Distribuidora digital exclusiva da Unilever, E-coa investe R$ 5 milhões em novo CD em Embu das Artes, SP
Distribuidora digital exclusiva da Unilever, E-coa investe R$ 5 milhões em novo CD em Embu das Artes, SP
Operação logística para a Páscoa da JSL movimenta 26,5 milhões de caixas e mobiliza 1.500 caminhões
Parceria entre DHL Supply Chain e GE HealthCare amplia eficiência na logística hospitalar com entregas em até 24 horas
Parceria entre DHL Supply Chain e GE HealthCare amplia eficiência na logística hospitalar
Craft inicia operação própria de FCL no México e completa presença nos principais mercados da América Latina
Craft inicia operação própria de FCL no México e completa presença nos principais mercados da América Latina

As mais lidas

01

Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro
Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro

02

Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado
Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado

03

Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos
Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos