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Conteúdo 22 de novembro de 2021

Emirados Árabes Unidos: missão técnica internacional de muitos aprendizados!

“Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear.
E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso!”
Rubem Alves (1933-2014).

 

A epígrafe que abre este artigo, do teólogo, pedagogo, poeta e filósofo mineiro Rubens Alves, permite-me dizer que cada vez mais, ao levar meus olhos para passear, como muito bem descreve o poeta, impressiono-me como fantástico é o mundo que habitamos e como tão pouco o conhecemos, sobretudo em relação aos seus povos, seus hábitos, costumes e o mar de oportunidades abertas e prontas para serem exploradas.

Nos últimos dias, de 13 a 18 de novembro, estivemos nos EAU (Emirados Árabes Unidos), levando a comitiva do Brasil Export, em número recorde de 60 dos seus membros e conselheiros. A missão internacional do Brasil Export (https://forumbrasilexport.com.br/) ocorre uma vez ao ano e, desta vez, foi realizada em parceria inédita com a CNI – Confederação Nacional da Indústria (https://www.portaldaindustria.com.br/cni/).

Na agenda, a Expo Dubai 2020, palestras no âmbito da CNI e visitas técnicas, como ao SRTIP (Sharjah Research, Tecnology and Innovation Park), ao terminal portuário da DP World e à JAFZA (Jebel Ali Free Zone Area).

Na programação da CNI, além daquelas comuns às do Brasil Export, outras foram realizadas, como ao Dubai Industrial Park; DEWA (Dubai Electricity & Water Autority) | Jebel Ali Power Plant & Desalination Complex; Emirates Cargo & Dubai Airport Free Trade Zone e ao Centro Financeiro de Abu Dhabi. Reputo todas as visitas como de excelente nível técnico e de elevado valor prospectivo para o Brasil e empresários brasileiros.

Os EAU estão constituídos como um Estado Árabe Confederado, localizado no Golfo Pérsico, por sete monarquias árabes, cada qual com sua soberania estabelecida. Os sete emirados que constituem os EAU, são: Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajmã, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. A capital e segunda maior cidade dos EAU é Abu Dhabi.

Enquanto o emirado de Abu Dhabi é considerado o centro de atividades políticas, industriais e culturais, Dubai é o hub logístico e comercial, assim como Sharjah é o centro acadêmico e tecnológico.

Os EAU, como confederação estruturada há exatos 50 anos (Constituição de 1971), têm território de 98,6 mil Km2; população de 9,89 milhões de habitantes, sendo cerca de 18% nativos, abrigando, portanto, 82% de imigrantes, sobretudo vindos de outros países asiáticos e países africanos.

O islamismo é a religião oficial, e o idioma é árabe, a língua oficial, ainda que todos os seus habitantes falem o inglês como segunda língua. Como política de atração de oportunidades, os EAU querem dobrar sua população até o ano de 2040.

Com um PIB (Produto Interno Bruto) de USD 421 bilhões (PIB per capta de USD 43 mil), os EAU têm uma audaciosa gestão fundamentada em um planejamento de Estado de largo prazo, que vai até 2.117. (Paridade de moedas: USD 1,00 – Dólar USA = AED 3,6725 – Dirhams EAU).

Prova desta política de Estado pode ser observada na composição do PIB, conforme gráfico a seguir, onde se nota elevada participação já em manufatura, construção civil, comércio e turismo, além de agressivos investimentos em logística e transportes.

22-11-21 Imagem Emirados

Fonte: Banco Mundial/FMI – Apresentação de Mario Cezar de Aguiar – Presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, na abertura da Missão Empresarial CNI Expo2020 – Dubai EAU.

 

Dentre as muitas visitas da programação, voltamos a destacar a visita ao SRTIP (https://srtip.ae/).

Para os aficionados por inovação e tecnologia, grupo este no qual me enquadro, o dia foi especial, não só por termos estado em um hub de excelência em inovação e tecnologia, mas por termos sido recebido pelo CEO do SRTIP (Sharjah Research, Tecnology and Innovation Park), Sua Excelência Hussain Mohamed Al Mahmoudi, que proferiu palestra de como a inovação tecnológica nos EAU é tratada com prioridade pelo governo e seguido pelo setor privado.

O SRTIP, fundado em 2016 por decreto real do Sheikh Sultan Bin Muhammad Al Qasimi, visa desenvolver e gerenciar um ecossistema de inovação que promove a P&D (Pesquisa & Desenvolvimento) e apoia as atividades empresariais e a colaboração em base tripla: indústria; governo; e academia.

Está fundamentado em quatro macro objetivos: (1) desenvolver o ecossistema de inovação através da mudança do mindset das pessoas; (2) gerar desenvolvimento sustentável atuando junto às lideranças e empreendedores; (3) catalisar a economia do conhecimento junto ao empreendedor para que possibilite um ambiente de maior competitividade; (4) projetar e construir empreendimentos que possam escalar e prosperar, visando aproximar stakeholders que sejam capazes de viabilizar ideias e projetos inovadores.

O planejamento estratégico do SRTIP (2020 ~ 2030) tem, anualmente, investimentos do governo EAU na ordem de USD 280 milhões, priorizando as seguintes áreas: (1) tecnologia da água; (2) desenho e arquitetura de produção; (3) mobilidade, logística e cidades inteligentes; (4) saúde humana e digitalização de tecnologia; (5) tecnologia renovável; e (6) tecnologia ambiental e economia circular. Muitas dessas áreas visam atender ao MENA (Mercados do Oriente Médio e Norte da África).

Seu elevado compromisso com P&D o faz produzir IA (Inteligência Artificial), IoT (Internet das Coisas) e Blockchain (armazenamento de informações em formato digital e integrado), para comercializar tecnologia na obtenção de projetos de inovação para a competitividade econômica do país.

O SRTIP vem desenvolvendo projetos com tecnologias líderes no mundo em 3D, aditivos para manufatura, agricultura com elevada tecnologia, energia renovável e sustentável, mobilidade e logística, atraindo empresas do porte da Intel, GE, Embraer, dentre outras.

A cooperação técnica científica e as parcerias sustentáveis são a grande fortaleza do SRTIP, dispondo no seu site ou na sua área de abrangência de 22 universidades e instituições de ensino, contando com mais de 47 mil alunos.

Dos seus núcleos de excelência destacam-se: MEA – Hub de Inovação em Energia Renovável; e o SoiLab – Sharjah Open Innovation Lab, este tendo como propósito a criação e o desenvolvimento do futuro da tecnologia de ponta dentro do país, engajando diferentes atores em um processo contínuo de cocriação. Formatar projetos de pesquisa com tecnologias disruptivas é a base filosófica do SRTIP.

Outro ponto alto da missão foi a visita técnica ao terminal portuário da DP World, o 9º em movimentação de contêineres no mundo, realizando, anualmente, cerca de 14 milhões de TEUs (unidade equivalente a 20 Pés = em inglês: Twenty-foot Equivalent Unit), tendo capacidade para até 22 milhões de TEUs ao ano.

O DP World supera em muito a sua relevância na cadeia logística, dado ter importância chave para a economia do país, representando 23,8% do PIB de Dubai. Com cerca de 57 km2 e 5 km de cais, o DP World dispõe de 145 Portainers (ship to shore gantry cranes), tendo, em média, a atracação de 10.000 navios por ano. No DP World tivemos a oportunidade de conhecer o protótipo da única estrutura porta-contêineres (container warehouse) verticalizada em teste no mundo, o BoxBay, com o uso de transelevadores automatizados. Seu uso futuro, certamente, trará opções para operações de elevado giro, terminais com restrições de áreas, e outros desafios chaves operacionais.

Em Jebel Ali, onde está o terminal da DP World, encontra-se o JAFZA (Jebel Ali Free Zone Area), devidamente apresentado pelo sênior manager Faisal Jassem. Em Dubai, encontram-se 30 das 45 Zonas de Livre Comércio, ou Zonas Francas dos EAU, onde estão instaladas mais de 60 mil empresas de mais de 100 países.

De volta à Expo Dubai 2020, no pavilhão da DEWA (Dubai Electricity & Water Autority), comprova-se a determinação e o compromisso com o crescimento sustentável através de políticas para uma economia igualmente sustentável, haja vista a expansão do parque de energia solar, que pretende fornecer mais de 10% da energia de Dubai até 2030. O foco na redução de emissões projeta eliminar 6,5 milhões de toneladas de carbono chegando, em 2050, à condição de Carbon Free.

Em reunião na Dubai Chamber of Commerce (https://www.dubaichamber.com/), a curiosidade e o entusiasmo pelos emirados foram redobrados, sobretudo no nosso caso, de infraestrutura logística, pois há uma forte determinação do governo por investimentos nesses setores, com um grupo constituído dentro da própria câmara para fomentar o desenvolvimento de operadores logísticos no país.

O universo de oportunidades é vasto. A ApexBrasil mapeou 449 oportunidades comerciais e exportações para os EAU. Moda, higiene pessoal e cosméticos lideram esta lista, seguidos de alimentos e bebidas, dentre outros, conforme podemos verificar no quadro abaixo.

22-11-21 Imagem Moda Higiene Pessoal

Fonte: ApexBrasil. Perfil EAU. Agosto 2021

 

Seriam necessárias algumas semanas a mais para que conhecêssemos melhor os EAU e as muitas oportunidades por eles oferecidas para o desenvolvimento de negócios e internacionalização de empresas em Dubai e na região como um todo. Não há barreiras tarifárias, alfandegárias e administrativas no país. A tarifa média de importação não ultrapassa os 5%.

A facilidade de abertura de empresas nos EAU é outro diferencial. Em até dois dias obtém-se a licença (Trader Licence) para operar. A carga tributária restringe-se a um tributo de circulação de mercadoria no valor de 5%, aos moldes de um IVA (Imposto de Valor Agregado).

Para finalizar, convém dar ênfase a cuidados necessários na formulação de estratégias de acesso aos mercados dos EAU. Investir em conhecer os Emirados, sua cultura, seu idioma, e os modos de realizar negócios é o primeiro passo. A transparência e o formato do “ganha-ganha” em sentido de cooperação é condição sine qua non para o êxito nas transações com os EAU.

Identificar as tendências e projetos futuros de cada Emirado, conhecendo suas políticas de curto, médio e longo prazos, é de suma importância. Identificar, buscar e desenvolver parceiros locais (distribuidores, agentes e/ou representantes) faz-se mister; assim como avaliar a abertura de escritório local, como forma de estabelecer-se um canal mais próximo, direto e de confiança com os Emirates. Investir em network, em relacionamento direto é fundamental para o robustecimento de confiança e de credibilidade.

Realizar, prioritariamente, investimentos nas Zonas de Livre Comércio, as Free Trade Zones, é necessário e recomendado, isto porque são estas os pontos prioritários e estratégicos para os governos de cada Emirado.

Desenvolver e garantir uma comunicação objetiva, confiável e transparente, oferecer suporte profissional de vendas e serviços, além de assistência técnica, são extremamente necessários para que haja credibilidade nas relações comerciais.

Há um mundo fantástico a ser explorado pelo Brasil no exterior, e os EAU são parte desse mundo. O Brasil não pode continuar participando apenas com 1% do comércio mundial. Sim, somos mais do que o celeiro do mundo, somos o grande “supermercado global”, é certo, mas isso não garante a escalada da participação no comércio mundial. Temos que ousar mais e jactarmo-nos como atores globais de manufaturados, produtos industrializados de alto valor agregado. Que assim seja, e coloquemos em prática todas as lições aprendidas.

 

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Carlos Cesar Meireles Vieira Filho Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

Mestre em administração de empresas pela UFBA, tem 34 anos de experiência no setor de logística empresarial. Certificado como conselheiro pela FDC, e MBA pela FGV em Relações Institucionais e Governamentais, é cofundador da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos, tendo sido seu CEO até o dia 31/05/2021. É membro do Conselho Nacional, do Nordeste e do Centro-Oeste Export e presidente do Conselho Internacional do Brasil Export. É conselheiro do Frotas & Fretes Verdes e diretor do Deinfra da FIESP, sendo ainda vice-presidente da ALALOG (Associação Latinoamericana de Logística). É colunista do Portal Logweb e sócio-diretor da Talentlog – Consultoria e Planejamento Empresarial.

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