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Conteúdo 22 de abril de 2021

Empresário, seu patrimônio pode estar em risco

Falar em gestão de risco e segurança na companhia é algo que paira em desagrado por alguns, vista de menor relevância para outros e, em alguns casos, só para mostrar aos clientes como suas cargas estão seguras. Mas será que estão mesmo?

Duas das áreas na empresa que não são queridas, pois, por si só configuram auditorias, são elas: financeira e de gestão patrimonial/segurança.

Visando redução de custos para sobrevivência em tempos difíceis, como o que temos passado, algumas companhias acabam negligenciando a condição segura, exigida para o bom andamento das operações logísticas. Fazer gestão de risco é tudo muito caro! Mas ela deve ser encarada como um investimento, da mesma maneira que um seguro faz parte do minimizar uma possível perda ou dano patrimonial.

O incremento nas instalações (verticalização e automação), seguido do valor agregado de produtos, fizeram com que os riscos em manter mercadorias armazenadas ou transportadas aumentassem e muito. Um contêiner de televisores na década de 90 não vale tanto quanto um contêiner carregado com os mesmos produtos (agora “slim” e tecnologicamente mais avançados, portanto, atrativos às quadrilhas).

O fracionamento de volumes também gerou valor e isso refletiu no montante embarcado ou mantido em prontidão para ser transportado. Com isso, os profissionais de segurança e operadores de serviços patrimoniais têm tido altas demandas para seus serviços. Suas ligações com a atividade logística contribuem para o resultado operacional.

Também vemos que cadeias de suprimentos mais complexas sob o avanço das tecnologias amenizam vulnerabilidades nos processos, que passaram a ser mais precisos.

Sim, isso é fato! Porém ainda temos a engrenagem que faz girar a coisa toda (operações). Se mal avaliadas, podem gerar um efeito cascata sobre o (fator) logística quando o aspecto abordado aqui é segurança e preservação (gerenciamento de riscos).

O risco tem sido aumentado tanto para as operações domésticas quanto para as externas (exportação ou importação), uma vez que o roubo de cargas não tem lugar para acontecer. Mas existem padrões de maior incidência em veículos e armazéns, além de ações fraudulentas (contêiner dublê) e o tráfico de drogas.

Nas situações em que são encontrados ilícitos transportados, pega muito mal perante os clientes e a sociedade que sua empresa esteja vulnerável e seja utilizada por pessoas mal intencionadas. A desconfiança sobre a real capacidade de preservação das cargas, além de prejuízos à imagem da empresa, pode envolver indiretamente (e sem culpa) a imagem do cliente e comprometer o seu negócio.

Se de um lado, nós temos uma preocupação em atender o cliente, do outro não há como fazer isso sem que tenhamos a garantia da preservação das cargas (condição segura), minimizando os riscos.

Nosso país é um dos que se destacam em indicadores de roubos de cargas (abordagem em trânsito ou invasão a estabelecimentos). Determinados estados brasileiros ficam fora do radar de atendimento de algumas cias logísticas ou exigem muito do (PGR) para que seus veículos operem por lá, como é o caso do estado do Rio de Janeiro. Algumas empresas deixaram de operar para aquele estado ou, quando o fazem, repassam o custo em função dos riscos que correm de ter um caminhão roubado juntamente com a carga.

Difícil abordar isto, pois sabemos que, apesar de tudo, o estado do Rio de Janeiro continua necessitando ser atendido em suas variadas demandas, comprometendo sua cadeia logística. Não menos cruel é a situação de outros estados, como, por exemplo São Paulo, onde o índice de roubo de cargas é alarmante. Uma falha estrutural de segurança pública, que pode vir a atingir demais estados da federação, se não forem tomadas medidas urgentes por parte do poder público!

À medida que crescem as ações criminosas, o frete é onerado também pela parcela que compõe o gerenciamento de riscos e segurança patrimonial das mercadorias armazenadas, transportadas ou distribuídas (ações de contenção, escoltas que visam amenizar tais ações do crime contra as empresas, aumento das alíquotas de seguros). Ou, por exemplo, que numa entrega de mercadorias a roteirização contemple a utilização do fator espaço no assoalho do veículo com taxa de ocupação menor que o adequado por conta do valor excedido da carga transportada, fazendo com que a empresa invista desnecessariamente em frota em suas operações, e que o cliente igualmente pague por isso.

Sem citar alguns casos inaceitáveis que passaram a ser incorporados na rotina de determinadas regiões. É o cúmulo que aceitemos numa sociedade como a nossa na qual um instalador de fios elétricos da rede tenha um grupo de pessoas armadas (escoltas) para que mantenham a preservação dos fios (produto) e também da integridade física dos funcionários responsáveis pela manutenção (serviço essencial).

Presenciamos diariamente veículos identificados com o logo de suas empresas, cometendo abusos e até colaboradores fumando maconha no trânsito como se fosse a coisa mais normal do mundo! É “o cara” que vai entrar na sua casa, na casa dos clientes para realizar manutenção em nome da empresa, tendo contato com as famílias! Um exemplo de que determinadas empresas não estão fazendo sua parte fiscalizando e identificando colaboradores que não as representam!

Gerir riscos de segurança na companhia é contar com uma boa equipe de gestão patrimonial que tenha um bom plano (PGR — Plano de Gerenciamento de Riscos) capaz de identificar e prever riscos das instalações e pontos críticos que podem trazer prejuízos ao patrimônio, uma ameaça à integridade de seus colaboradores e à salvaguarda dos produtos ou dos serviços a seus clientes.

O contrato de trabalho é um bom instrumento e pode ser utilizado para responsabilizar e deixar clara a relação patrão-empregado, dos conteúdos em confidencialidade, bem como, nos casos em que possa haver danos ao patrimônio e que reflitam na imagem da companhia.

É claro que deve tudo ser bem redigido para não dar margem a passivos e possibilidades outras, que não cabe citarmos aqui, principalmente em se tratando de regime CLT ou da contratação de prestadores de serviços (terceirizados), frotistas ou não.

A coisa toda começa na seleção e qualificação dos colaboradores. Em princípio quem trabalha com logística, é verificado! Não obstante, a entrevista, as companhias por exigência das seguradoras verificam a condição do contratado e seu histórico deve ser positivo.

Segundo, treinamento constante sobre a relevância dos componentes na equipe e suas responsabilidades com a integridade e a transparência nos processos, seguido de sensibilização ética e valores morais, bem como uma saúde mental equilibrada.

Terceiro, vigilância, monitoramento e controles bem elaborados sobre os pontos críticos nos quais possa haver um possível desvio, furto, ou roubo de mercadorias.

Já nas instalações (plantas das empresas), a situação recém-ocorrida na FedEx (onde ocorreu a invasão de um atirador) põe em xeque não só a saúde mental dos colaboradores, mas também acende um alerta quanto a importância da gestão de risco e segurança das organizações de maneira geral e da necessidade de agir em função das ocorrências.

Palmério Gusmão Palmério Gusmão

Professor no MBA de Comunicação & Marketing e Gestão Empresarial na Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, SP. Palestrante e jornalista, exerceu diversos cargos em seus mais de 20 anos atuando no setor logístico. Contato para aulas, consultorias e palestras: professorpalmerio@gmail.com.

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