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Conteúdo 10 de janeiro de 2022

A era do metaverso, a revolução da tecnologia 5G e a produção em 3D: para onde isso tudo irá nos levar?

10-01-22 Foto interna para colunas

“Sonhar o sonho impossível, sofrer a angústia implacável, pisar onde os bravos não ousam, reparar o mal irreparável, amar um amor casto à distância, enfrentar o inimigo invencível, tentar quando as forças se esvaem, alcançar a estrela inatingível: Essa é a minha busca.” Dom Quixote de la Mancha.
Miguel de Cervantes (1547-1616).

Por Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

Neste primeiro artigo de 2022, ao lhes desejarmos um Ano Novo radiante e saudável, trazemos-lhes um tema de “agenda transversal e multidisciplinar”, já presente no mundo atual e no campo digital/virtual: o metaverso!

Esse tema foi brilhantemente tratado em palestra do CEO e fundador da Upper ADucation, Walter Longo, com abordagem bastante didática e muito interessante acreditando que, trata-se de assunto necessário a ser discutido, no mínimo pela dimensão que vem tomando no mundo midiático e tecnológico, sobretudo após o Facebook ter trocado seu nome para “Meta”, em alusão e preocupação à matéria. Desde já, peço vênia ao autor para compartilhar aqui o link do vídeo no Youtube (https://youtu.be/IqTC4lsxNfk).

Da mesma forma que fizemos no artigo do mês passado, tenho a honra de dividir este espaço com o ilustre professor e engenheiro civil Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo, ex-secretário de Assuntos Estratégicos do Governo do Maranhão, ex-presidente da Valec, professor titular aposentado da UEMA (Universidade Estadual do Maranhã) e consultor da Universidade CEUMA.

Ainda que esteja nas atenções recentes, o termo metaverso foi cunhado por Neal Stephenson há 30 anos, em seu livro de ficção científica Snow Crash, o qual conta a história de Hiro Protagonist, personagem que, na vida real, é um entregador de pizza mas, no mundo virtual, seria um samurai.

Nessa mesma toada, segue o game Second Life, criado em 1999 e lançado em 2003, em ambiente virtual e tridimensional que simula a vida real e social do ser humano através da interação entre avatares. O filme Avatar, um épico da ficção científica, de 2009, escrito e dirigido por James Cameron, e estrelado por Sam Worthington, dentre outros, narra uma experiência vivida em 2154, quando corpos Na’vi-humanos híbridos, criados por um grupo de cientistas através de engenharia genética, interagem com os nativos de Pandora, uma das luas de Polifemo, um dos três planetas gasosos fictícios que orbitam o sistema Alpha Centauri.

Pois bem, visando tangibilizar um pouco mais o conceito, o InfoMoney trouxe uma tradução de metaverso como sendo “uma espécie de nova camada da realidade que integra os mundos real e virtual. Na prática, é um ambiente virtual imersivo construído por meio de diversas tecnologias, como Realidade Virtual, Realidade Aumentada e hologramas”. (https://www.infomoney.com.br/guias/metaverso/).

Em matéria do Valor Econômico do dia 03/01/2022 (https://valor-globo-com.cdn.ampproject.org/c/s/valor.globo.com/google/amp/empresas/noticia/2022/01/03/metaverso-domina-a-tecnologia-em-2022.ghtml), com o título “Metaverso domina a tecnologia em 2022”, o ex-executivo da Google, Xiaomi e Facebook, Hugo Barra, preconiza que (sic) o metaverso é o próximo paradigma computacional da humanidade, segundo o qual, a cada 15 ou 20 anos, a tecnologia ingressa em um novo ciclo. “Foi assim com os mainframes nos anos 50, os minicomputadores nos 60, os PCs na década de 80 e os dispositivos móveis a partir de meados dos anos 90, quando o uso da internet passou a se disseminar. A fase atual, caracterizada pelos smartphones e os aplicativos, começou em 2010. Faz 11 anos que entramos nesse paradigma. Então, se a história se repetir, teremos um novo salto até o fim da década. Em cinco anos, já veremos mudanças significativas”, observa Barra.

O metaverso impressiona, assusta, fascina, apaixona, amedronta, quer seja pela sua dimensão, quer seja pela nossa incapacidade de sermos assertivos em arriscar onde essa realidade virtual irá chegar (ou nos levar), sobretudo diante da era 5G!

Bolsas da alta grife Gucci compradas por US$ 4,100.00 para ornar (apenas) avatares; automóveis premium como os da Mercedes-Benz, da Tesla e da Rolls Royce são vendidos no metaverso para o deleite dos abonados usuários desse “meta universo”, que os pagam em bilionárias contas em criptomoedas.

Uma jovem, muito recentemente, produziu um tênis para avatares, e vendeu, em apenas 7 minutos, 600 pares desse tênis, por US$ 3,1 milhões.

Marcas como a já citada Gucci, bem assim a Dior e inúmeras outras estão criando um mundo trial no metaverso para estudarem tendências de moda e de mercado. Isso é de um conceito de marketing inusitado e revolucionário para a indústria da moda.

A MasterCard, por sua vez, também já faz vendas no universo meta. Bancos começam a financiar terrenos em cidades “metavérsicas”, os quais chegam a milhões de dólares.

Leilões de arte arrematam quadros que jamais existirão fisicamente, com valores superiores a US$ 20 milhões. O primeiro leilão da Sothesby’s de NFT (tokens não fungíveis, do inglês non-fungible token) no metaverso chegou a movimentar R$ 100 milhões.

Muitos de nós diremos que esse é um universo paralelo, cabendo a ele qualquer adjetivação, enquanto milhões morrem de fome, excluídos de absolutamente qualquer acesso humanamente digno!

Aqui tem discussões para um seminário, certamente! O que trazemos, por ora, é a provocação para análises diversas, sem nenhum juízo de valor. De forma ampla, o campo do metaverso pode ser útil quando usado, por exemplo, para a inclusão da educação via digital!

Crianças e jovens que jamais teriam acesso a viagens ao redor do mundo poderão viver isso em vários níveis, em eras diferentes, em contextos plurais. Que tal reviver a época dos Grandes Descobrimentos do século XVI? Ou reviver o dia 20 de julho de 1969 junto ao primeiro homem que pisou na Lua a bordo da Apolo 11?

Como usar o metaverso em favor da ciência, da medicina, da astrofísica, da biotecnologia etc. etc. etc… Como ficará a logística após o conceito do metaverso aliado ao 5G e às impressões 3D em escala industrial?


 

O Metaverse, a experiência durante a pandemia do coronavírus e as expectativas futuras

Por Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo

A pandemia da Covid-19 foi o teste drive. Vi e presenciei, sem trocadilhos, a brutal queda da anciã e moribunda aula presencial substituída às pressas pela outra, digital/virtual, e sua desconstrução por outra que parece ter caído no gosto da maioria, embora com as críticas de sempre. Sempre haverá bons e maus críticos, ouvi-los será estimulante.

Pois bem, assisti o acelerar do habilitar para o próximo nível da educação de qualidade nesses dois últimos anos e aguardo significativas mudanças outras com o 5G e os avatares do Metaverse.

A infraestrutura publica dos 4G e 5G, compartilhada com as concessionárias privadas, mediante regras consolidadas que dão garantias e segurança aos usuários, estimulam o trabalho em equipe, poder-se-á democratizar os impactos positivos destas na educação e na nova cultura adjacente.

Vejo que a Industria 4.0 já produz, por exemplo, geladeiras e fornos de micro-ondas que falam com a fábrica destes e entre si, usando a Internet das Coisas (IoT) e alguma Inteligência Artificial de sua própria rede autônoma; que com o 5G e sua resiliência, baixa latência e relevantes ganhos de confiança propiciará, entre os consumidores, uma relação cada vez mais win-win, assim espero e torço.

Estou certo de que veremos, nos meados desta década, professores e alunos das ciências sociais navegando com seus avatares em aulas peripatéticas nas vizinhanças da Acrópole, dialogando com os filósofos gregos e vendo melhoradas com suas perguntas e respostas as repercussões das aulas sobre o aprendizado. Isso será entusiasmante e preocupante.

Mesma coisa nas ciências exatas, um BIM (Building Information Modeling) modificado e aparelhado para fazer também análises de riscos, fornecerá aos futuros engenheiros e arquitetos elementos de conhecimento das estruturas; colaborando com a inventividade do ser humano na mudança para melhor daquilo que o bom Deus deixou criado, mas com necessidades de alguns aperfeiçoamentos sem danos à natureza. Igualmente entusiasmante e preocupante.

Pessoas, sim, gente, serão o motor de tudo isso; não há inovação criativa sem elas, e estas mesmas pessoas absorverão rapidamente novas tecnologias ao perceberem e entenderem o “E viu que era bom” bíblico, como está em Gênesis – O Começo.

Pois bem, nesse mundo de geladeiras e micro-ondas conectados, quanto mais geladeiras e micro-ondas estiverem democraticamente discutindo entre si, é provável que os avanços se tornem corriqueiros, atingindo extratos sociais mais necessitados deles. No início, grupos segmentados já useiros e vezeiros nessa cultura de tecnologia de nuvem acompanharão sem grandes tropeços as novidades. Em seguida, os grupos intermediários se incorporarão a essa nova cultura das geladeiras e micro-ondas, com suas dificuldades banidas por políticas públicas acertadas e certeiras que busquem minorar as desigualdades de todo o jaez, e de alcance a todas as classes sociais.

Mas é nas crianças que residem as maiores esperanças. Elas são rápidas e eficientes no receber de competências e de adquirir habilidades. A escola de meus sonhos produzirá pedagogias educacionais com metodologias ativas que serão usadas para garantir, com confiança e por densidade de uso, a ansiada educação de qualidade a mais universal possível e não o privilégio de castas; como agora o é.

Creio que algoritmos computacionais agregados aos sensores de uso consentido em salas virtuais de aulas serão muitos úteis para avaliações do ensino/aprendizagem. Preparem os professores e dialoguem com eles para essa nova cultura e veremos, até 2030, os bons resultados disso.

Isso também pode ser feito nas indústrias brasileiras, que ganharão competitividade e produtividade com as tecnologias disruptivas aqui paridas ou adaptadas ao novo ecossistema, interrelacionadas com essa nova visão do mundo no qual insisto: pessoas de boa vontade serão cada vez mais necessárias.

Já estou percorrendo esse Novo Caminho de Santhiago, querendo estar onde os bons poetas estão, e não subestimando tanto o que irá acontecer nesses próximos curtos 10 anos.

“Meta” quer dizer ir além, e traduzo como versos o “verse” do Metaverse. Ir além dos versos. É caminhando juntos e misturados que abriremos os caminhos.

Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo é ex-secretário de Assuntos Estratégicos do Governo do Maranhão, ex-presidente da Valec. É professor titular aposentado da UEMA (Universidade Estadual do Maranhã) e consultor da Universidade CEUMA. É membro do Conselho do Nordeste Export.

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

Mestre em administração de empresas pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), com 35 anos de experiência no setor de logística empresarial, planejamento estratégico e novos negócios. Certificado como conselheiro pela FDC (Fundação Dom Cabral), e MBA pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) em Economia e Gestão: Relações Governamentais. É co-fundador da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos), tendo sido seu CEO por nove anos. É membro do Conselho Brasil Export, e é conselheiro do Frotas & Fretes Verdes e da Aspen (Assembleia Permanente pela Eficiência Nacional) do IBesc (Instituto Besc de Humanidades e Economia). É vice-presidente da ALALOG (Associação Latinoamericana de Logística), conselheiro e consultor de empresas nas áreas de estratégia, M&A e desenvolvimento de novos negócios. É colunista do BE News e da LogWeb. É sócio-diretor da Talentlog – Consultoria e Planejamento Empresarial Ltda.

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