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Conteúdo 9 de outubro de 2020

Inteligência artificial está aí. Como ela pode afetar seu Supply Chain?

INTRODUÇÃO

A Inteligência Artificial (IA) tem ganho substancial espaço no contexto da cadeia de abastecimento. Mas o que é IA? Várias são as vertentes que a definem. Embora leigo, prefiro colocá-la didaticamente como sendo uma tecnologia que permite a aplicação de análises avançadas, calcadas em lógica e algoritmos, incluindo aprendizado de máquina, para identificar e interpretar os eventos que acontecem, suportar e automatizar as decisões e o mais importante agir pela sua própria iniciativa. Quanto mais escassas as competências e habilidades do ser humano, mais espaço se abre para esta automação. Aliás a expectativa alta e forte demanda dos clientes, constantes mudanças, incertezas, volatilidade do mercado e dos negócios colocam ainda mais a IA em evidência. É inquestionável a habilidade da IA para tratar assuntos voltados às tarefas repetitivas e a necessidade de velocidade para tomar decisões. Vem se fortalecendo por outro lado discursos voltados para inteligência emocional e soft skills dos colaboradores, que devem se preparar para a solução de problemas complexos, buscar criatividade, relacionar-se com os clientes, consumidores e fornecedores. Não há dúvidas de que IA está chegando e com força. Mas como a afeta a logística e Supply Chain?

IMPACTO NA CADEIA DE ABASTECIMENTO

A IA está em toda parte. As iniciativas são muitas e múltiplas.  Porém um de seus maiores impactos se dá exatamente na cadeia de abastecimento. Começa no início da cadeia com a antecipação de pedidos até a gestão e administração de entregas tornando os processos mais ágeis e eficientes. Os profissionais de “supply chain” conhecem bem a expressão “falta de previsibilidade”. Os gestores responsáveis por logística estão bem habituados a eventos imprevisíveis, como pedidos urgentes e não planejados, indisponibilidade de veículos, falta de produtos, e outras vezes se deparam com desafios mais operacionais como selecionar uma nova rota de transporte ideal devido à mudança súbita no corredor de trânsito. Estes desafios causam um estresse enorme no contexto operacional. E todos são atingidos. Desde o gestor até o mais humilde braçal no chão de depósito. É um efeito dominó. Muitas empresas, inclusive de grande porte adotam tal procedimento como sendo padrão. Mas cá entre nós. Existem melhores formas de lidar com estes problemas. Os sistemas de controle, podemos aqui endereçar a torre de controle por exemplo, apoia a organização a ser mais eficiente. Tanto internamente como externamente. As ordens de carga e transporte podem ser geradas de maneira automática. Agendamentos, vagas de estacionamento, processos de carga e descarga podem ser administrados e utilizados por sistemas que muitas vezes fazem uso da IA. Se fala de IA em todos os lugares. Sim, existe um grande potencial aí. Os algoritmos inteligentes permitem estabelecer rotas e planejar em tempo real considerando diversos locais de coleta – (lembra-se do milk run?) e de entrega, capacidades de veículos, sequenciamento da carga no veículo, priorizações de clientes, datas de vencimento, características e tipos de cargas, prioridades de pedidos, datas de vencimento, tipos de carga entre outras variáveis. Sem dúvida, uma atividade hiper complexa para o cérebro humano. Mas não para as máquinas.  Os computadores podem realizar cálculos em segundos levando em conta esta miríade de condições e apresentar planos mais eficazes. Só na área de transporte podemos elencar uma grande variedade de possibilidades de otimização, como:

  • Reduzir distâncias percorridas trazendo agilidade e sustentabilidade ao meio ambiente (menor uso de combustível);
  • Eficiência no planejamento de cargas a serem transportadas
  • Reaproveitamento de viagens, evitando deslocamentos com veículos ociosos
  • Aumento da satisfação do cliente devido à agilidade e pontualidade
  • Monitoração do desempenho dos veículos
  • Redução dos custos de transporte
  • Dispositivos móveis podem ser usados e os motoristas podem operá-los tornando a operação de coleta de dados automática e em tempo real

OUTROS IMPACTOS NA CADEIA DE ABASTECIMENTO

Gosto dos exemplos, pois tornam nossa conversa mais fluida. Buscando exemplos reais sobre o uso de IA me deparei com alguns casos interessantes que aproveitam a tecnologia.

  1. Segurança no transporte de carga

A Rolls Royce e Google fizeram uma parceria para criar navios autônomos. Já ouvimos falar do carro ou caminhão autônomo substituindo o motorista. Neste exemplo a tecnologia substitui os trabalhos de mais de 20 tripulantes de navios. Algoritmos de IA são usados para monitorar as condições do oceano e avaliam possíveis riscos para o navio.

  1. A UPS usa IA para criar as rotas mais eficientes para sua frota.

No contexto das demandas atuais, sabemos que a agilidade nas entregas é fundamental. A UPS usa uma ferramenta baseada em IA para criar as rotas mais eficientes para sua frota. Os dados são provenientes de clientes, motoristas e veículos e algoritmos são aplicados para criar as rotas mais propícias. O sistema baseado em GPS ajuda os motoristas a ser mais eficientes no trânsito. As rotas podem até ser modificadas em tempo real, dependendo das condições de trânsito e outros fatores. Redução no tempo de viagem, menores emissões e aumento da vida útil dos veículos são os ganhos obtidos pela otimização.

  1. Robôs entregam medicamentos, mantimentos e pacotes com IA

A Marble, que se autodenomina “empresa de logística de última hora”, entrega todos os tipos de itens às pessoas de forma rápida e mais eficiente do que os humanos, incluindo comida e remédios, usando robôs. A tecnologia aplicada é a mesma usada em carros autônomos — para navegar nas calçadas da cidade e evitar encontrar pessoas e outros perigos. Os robôs rastreiam sua rota e as condições das calçadas à medida que avançam, de modo que as rotas estão melhorando continuamente. É uma maneira mais rápida, eficiente e mais acessível de obter mercadorias de todos os tipos em áreas urbanas movimentadas.

  1. Um algoritmo de IA pode prever quando os pedidos chegarão e sairão de um armazém

A Lineage Logistics, empresa que armazena alimentos para supermercados e restaurantes, usa IA para prever a rota de seus pedidos. O algoritmo de IA pode prever quando os pedidos chegarão e sairão de um armazém, o que significa que os funcionários podem colocar as paletes na posição certa. Itens que ficarão mais tempo no armazém são colocados na parte de trás, e itens que se movem mais rapidamente e não permanecerão no armazém são colocados na parte de acesso mais rápido.

  1. Combinando informações históricas de entrega com feedback do cliente, relatórios meteorológicos e logística

A empresa Infinera, no segmento de redes de transportes inteligentes, utiliza aprendizado de máquina – “Machine Learning” – para analisar os tempos de fabricação e logística e prever melhor as datas de entrega tornando sua cadeia mais eficiente. O algoritmo de IA fornece informações para os vendedores e clientes para que eles saibam quais produtos estão disponíveis e quando podem ser entregues. Em vez de considerar apenas os horários de fabricação e envio para adivinhar quando os itens chegarão, a IA combina informações históricas de entrega com feedback dos clientes, relatórios meteorológicos e logística para dar uma previsão precisa de quando os produtos chegarão aos clientes. O resultado é uma empresa mais coesa que é capaz de tomar decisões mais rapidamente e clientes satisfeitos que sabem exatamente quando seus produtos chegarão.

ÚLTIMAS PALAVRAS

A inteligência artificial, embora existente há várias décadas, começa a ganhar corpo. Sua utilização se vê em várias áreas das organizações. Muitos exemplos podem ser encontrados nas literaturas. A dica que fica para nós seres humanos é de que se desesperar jamais. Porém, necessitamos entender e avaliar o que está acontecendo ao nosso redor para prepararmos o nosso futuro. Tanto no aspecto empresarial, enxergando IA como elemento agregador e benéfico, como do ponto de vista de emprego. Fica claríssimo que empregos serão substituídos. No entanto outras oportunidades irão existir. Não esqueçamos de que quando se lançou os computadores pessoais, criou-se desemprego, mas empregos forma gerados numa proporção muito maior. Estejamos preparados. Ao infinito e além.

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais

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