Log Tech – Será que já é hora de adquirir uma?

18/04/2022

Cenário Nacional de Startups

Quando falamos de startups, o Brasil ocupa posição de destaque no cenário global. Desde a emersão do aplicativo de transporte “99”, em 2018, como o primeiro unicórnio nacional (startup avaliada em mais de US$ 1 Bilhão), encerramos 2021 com 20 empresas que atingiram esse mesmo patamar.

Segundo a plataforma de inovação aberta Distrito, em 2021, US$ 9,4 bilhões foram investidos nas startups nacionais, quase triplicando o montante de US$ 3,5 bilhões de 2020. Estima-se que devemos ter entre 10 a 15 novos integrantes em 2022 no seleto grupo de Unicórnios.

Dimensões continentais, gargalos de infraestrutura, burocracia, emaranhado tributário, matriz de transporte com excessiva utilização do modal rodoviário, desafios tecnológicos, educacionais e altos custos são alguns dos desafios que o profissional de logística lida no seu dia a dia.

 

Atividade de M&A de Logtechs no Brasil

Mercado fragmentado, com muitas dores estruturais a serem resolvidas e a possibilidade de trazer disrupção de modelos de negócios com uso intensivo de tecnologia fazem deste ambiente adverso um celeiro para muitas Logtechs prosperarem. Além da 99, temos a Loggi e a Cargo X que já chegaram no status de unicórnios.

A recente aquisição da Uello pela Renner traz à tona um assunto ainda pouco debatido: o que uma grande empresa busca ao adquirir uma Logtech? Por que adquirir alguém que não faz parte do meu negócio principal se é possível, simplesmente, contratar os serviços oferecidos por essa empresa?

Listamos a seguir algumas movimentações do mercado de Logtechs, sem a pretensão de esgotarmos todas as operações deste mercado.

 

EmpresaLogtechAno da aquisição / Lançamento
AB InbevZé Delivery2016
Magazine LuizaLogBee2018
GPAJames2018
Madeira MadeiraBulkyLog2019
Via VarejoASAPlog2020
OlistPAX2020
Mercado LivreKangu2021
Nuvem ShopMandae2021
SequoiaFrenet2021
AmericanasShipp2021
Via VarejoCNT2022
RennerUello2022
BoticárioEquilibrium2022

 

A lista de empresas é bastante diversa, com diferentes segmentos representados por Operadores Logísticos, Varejistas e Marketplaces, Bens de Consumo e plataformas de tecnologia, vemos que essas aquisições atendem a diferentes estratégias empresarias que podemos enumerar abaixo.

 

Preencher lacuna de oferta de serviços disponíveis no mercado

A Bulkylog foi criada pela MadeiraMadeira para melhorar a qualidade das entregas ao consumidor final, reduzir o prazo de entrega e ter disponibilidade imediata de estoque na sua operação de dropshipping. O segmento de móveis tem baixa oferta de serviços logísticos especializados, com algumas transportadoras evitando trabalhar com esses produtos. Criar uma solução especializada foi o caminho encontrado para trazer os benefícios que citamos anteriormente.

 

Construção ou fortalecimento de Ecossistema de negócios

Ofertar serviços de fulfillment e transporte para os sellers tem sido uma estratégia amplamente utilizada dos grandes marketplaces. Melhorar a experiencia do cliente que compra em marketplaces tem sido trabalhado com intensidade pelos varejistas. Além de aumentar a velocidade de entrega, há uma melhora na rentabilidade do negócio pela cobrança destes serviços.

Diversas movimentações de Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza, Olist, Via Varejo, Renner e Boticário seguem nesta lógica de negócios.

 

Acelerar a agenda de transformação digital

Com a crescente necessidade de digitalização dos negócios, acelerada pelas mudanças de hábito de consumo como resposta às restrições de circulação trazidas pela pandemia, a agenda de transformação digital está no topo da prioridade das empresas.

Criar as competências internas pode levar alguns anos e a aquisição possibilita acesso imediato a sua tecnologia, processos e a equipe desenvolvedora.

 

Novos modelos de negócios

Dentre a lista acima, vemos algumas Startups que nasceram dentro das empresas. O Zé delivery foi criado pela ABInbev no seu hub de inovação proprietário ZX, o que acabou gerando um relevante canal on-line de venda direta ao consumidor.

Outro exemplo foi a compra do James Delivery pelo GPA para oferecer uma solução proprietária de compras em suas lojas.

 

Pontos para reflexão

Melhorar nível de serviços, reduzir custos e aumento de eficiência das operações está no plano de trabalho de 11 a cada 10 departamentos de logística e supply chain das empresas. Considerar a aquisição, total ou parcial, de uma logtech figura como uma potencial solução para esses desafios.

Além do negócio e da tecnologia, os talentos e a cultura da Logtech são ativos que tem de ser bem gerenciados durante o processo, sob o risco de perder talentos e a capacidade de inovação. Manter a Logtech em estruturas separadas é uma estratégia adotada em várias empresas.

Ainda não sabemos qual será desfecho desse movimento de mercado no âmbito das operações, no entanto, o assunto tem se demonstrado proeminente e traz diversos pontos de reflexão para que os tomadores de decisão reavaliem a sua estratégia de operação e, também, encontrem formar cada vez mais empresas robustas para apresentarem diferenciais competitivos dentro de um mercado que, ultimamente, tem se transformado de forma mais veloz. Tudo isso, sempre com o foco de atender melhor ao seu cliente.

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Marcio Luiz Matsuda

Marcio Luiz Matsuda

Engenheiro mecânico pela POLI-USP, especialista em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini – USP, MBA em Varejo pela FIA-USP e Black Belt em Lean Six Sigma pela Fundação Vanzolini – USP. Executivo com mais de 20 anos de experiência em grandes varejistas nas áreas Comercial, Planejamento e Projetos, Produtos, Logística e Supply Chain. Atuou como clevel em empresas como Track&Field, Dafiti, Saraiva e Sequoia Logística, e em posições gerenciais nas empresas Etna, B2W, Telefonica, Magazine Luiza, Dia% e Submarino. Atualmente, é sócio na Connexxion Consulting (www.connexxion.com.br).

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