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Conteúdo 6 de julho de 2020

A Logística Pós-Pandemia

Primeiramente, quero me solidarizar com as famílias, incluindo a minha, cujos parentes perderam a luta para o vírus aqui no Brasil e com tantas outras que estão em plena batalha em todo o planeta.

Diante de uma politização absurda, inclusive da ciência e com tantas “guerras de ego”, ainda nos perguntamos se o mundo será realmente diferente ou esta situação apenas aflorou a polarização que traz, entre outras, a falta de respeito às opiniões. Se nos voltaremos um pouco mais ao cuidado comum, exigibilidade básica esquecida para a vida em sociedade, ou estaremos voltados às vantagens indiferentes aos prejuízos de outrem. O que muda além do que estamos vendo no pessoal, profissional e na estrutura econômica do Brasil e do mundo?

Sem dúvidas, ainda é muito cedo para tirarmos conclusões, fazermos prognósticos e visualizar um futuro comportamento de toda a cadeia em meio aos cuidados certamente necessários agora. Porém, mais cedo ou mais tarde, esse “novo tempo” se apresentará e nos chamará para experimentarmos seu “novo normal”, que para poucos nem vai ser notado, porém, para outros, ele pode representar sobrevivência, superação e sucesso. E a pergunta de um milhão de dólares é: Como nos prepararmos?

Um pensamento atribuído a um ator hollywoodiano diz mais ou menos assim: “Você não percebe o tamanho de sua força, até o dia que percebe o tamanho de sua necessidade. E sua única alternativa agora é ser forte”. Não temos mesmo outra alternativa a não ser atravessar esse caminho com sabedoria, paciência e muita resiliência. Contudo, embora agora pareça insensibilidade por ser tudo tão recente, a renovação da vida é naturalmente aplicável em qualquer circunstância. A vida flui e se readéqua indiferente à vontade e limites nossos e ressurge pujante.

O consumo de bens e serviços sempre será a principal atividade humana. São perceptíveis algumas mudanças de “o que comprar, como comprar e como receber” para muitas pessoas – numa relação que extraiu o que tinha de ambíguo diante da travessia comum desses tempos – assim como para empresas “o que produzir, como ofertar e como entregar” vêm se desenhando com uma harmonia não tão percebida anteriormente. Não há dúvidas de que pessoas e empresas não são mais as mesmas. A interatividade, a modernidade multifacetada das redes sociais e as descobertas de áreas com diversas oportunidades podem ser só o começo para um novo jeito de consolidar essa relação (consumo / consumidor / fornecedor).

Embora me pareça agradável pensar que agora, diante de toda a necessidade de investimentos em logística, que abordamos tantas vezes aqui, as coisas irão decolar e sanaremos muitas de nossas deficiências, tal quadro não se mostra favorável, pois até o final dessa fase, sem dúvidas, a contabilização passará fácil da casa de R$ 1 trilhão e, para quem gosta de fazer contas bem mais detalhadas, já se pode falar de valores incalculáveis no Brasil e no mundo. E são mesmo incalculáveis quando olhamos para as vidas perdidas – importante destacar.

O que realmente é impressionante e apaixonante na logística vai se apresentar mais uma vez, como em tantas outras ocasiões, e nos conduzir ao crescimento novamente dando o conhecido suporte aos mais diversos segmentos. Se os governos não investem como deveriam, as boas ideias, os investimentos privados e a aptidão de um povo que não se esconde e que valoriza o trabalho, o farão de modo a suprir e preencher as lacunas da cadeia logística. Isso é fantástico! A Logística quando chamada não se nega mesmo envolta em tantas dificuldades.

Novos negócios já surgiram e surgirão outros, como parte de qualquer crise, embora esta sendo diferente, pois esta geração não passara por nada parecido. Se antes havíamos superado bolhas econômicas, falta de crédito e de renda, recessões […] esta possui séries de elementos, inclusive a saúde, que tornam as decisões mais complexas e as consequências ainda pouco conhecidas. Cada tomada de decisão é uma partida de xadrez, e com uma aposta alta, bem alta…

A retração da economia prevista no Brasil e no mundo é um fator altamente negativo para a logística, no que tange o desenvolvimento de nossa infraestrutura. Em alguns países essa retração poderá evoluir para terríveis dois dígitos. Mas, na contramão dessa desaceleração, se considerarmos que certos hábitos ultrapassados que conservávamos (como resistências ao e-commerce e restrições territoriais de negócios) estão ficando de lado, a logística também reeditará e reinventará métodos e novos processos para uma nova forma de negócio.

Os caminhos mudaram. O que estava feito será reconstruído. O que foi quebrado será recomposto. O mesmo tempo que nos aprisiona pode nos libertar. Uma boa ideia terá seu reconhecimento pesado em ouro. E para quem perdeu seus entes, a dor será amenizada quando voltarmos a sorrir e valorizarmos o que realmente não tem preço: A VIDA. Tudo a seu tempo. Tudo no seu devido lugar.

Marcos Aurélio da Costa Marcos Aurélio da Costa

Foi coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

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