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Conteúdo 13 de abril de 2020

Lojas como Centros de Distribuição, será que funciona?

Em tempos de distanciamento social, devido a pandemia do COVID-19, temos acompanhado uma evolução na modalidade compras via e-commerce, com uma expectativa de crescimento de mais de 15%, rompendo a barreira dos R$ 100 bi para este ano.

Segundo levantamentos realizados pelo E-commerce Brasil, entidade mantida pelos principais players no segmento de B2C, o distanciamento social recomendado pelas autoridades impulsionou o canal eletrônico de vendas, em especial para o segmento de brinquedos, motivado pela paralisação das aulas escolares, o de supermercado e farmácia.

Agora, se por um lado há este crescimento nas vendas online, não podemos desconsiderar a enorme redução do consumo através das lojas físicas, visto que, na grande maioria estão fechadas devido as restrições impostas pelos governadores e prefeitos. Isto é, de uma forma geral, o varejo deve sentir uma retração nas vendas para este ano.

Para minimizar os impactos, e considerando que as lojas físicas, sem atendimento ao público, ainda são ativos para as empresas, e que armazenam estoques e são capazes de processar pedidos, por que não as utilizar como centros de distribuição, CDs, avançados e próximos aos clientes?

Usando um sistema de gerenciamento de estoque integrado, os varejistas podem evitar situações frustrantes como a falta de estoque no canal virtual, apenas porque um item pode não estar disponível no CD, mas pode estar em uma prateleira de uma loja.

Isso captura vendas que de outra forma poderiam ter sido perdidas. O uso da integração do inventário da loja para atender pedidos online de produtos que não estão em estoque nos Centros de Distribuição resulta em aumento imediato da receita, mas disputas internas por este estoque pode ser uma questão não tão simples de resolver.

O que parece simples, pode ser complexo se considerarmos a necessidade de integrações sistêmicas, questões tributárias, gestão de estoques, contratação de fretes, entre outras.

Impulsionador

Há algum tempo, os operadores de canais diretos de venda ao consumidor, em especial os varejistas, têm sentido o fator “tempo de entrega” como um diferencial para conversão da venda, tanto que as modalidades SDD – do inglês same day delivery, isto é, entrega no mesmo dia, e entregas em até 2 dias tem sido objetivo para eles.

Ainda, a modalidade de entrega a partir da loja é necessária para aqueles comércios que estão implantando modelos de omnicanalidade, isto é, oferecendo uma plataforma ampla de acesso aos seus consumidores.

A realidade

Como já apresentado, o fato de conceitualmente ser simples, a implantação desta modalidade, também conhecida como “ship from store – SFS”, processo de atendimento do pedido através da loja, muito possivelmente irá requerer uma embalagem e transporte diferenciados, além de outros critérios.

Considerando que vendedores em geral possuem uma comissão e/ou premiação por vendas, saber que o estoque disponível para eles pode ser comercializado por qualquer outro canal, seria considerado um risco, de exatamente na hora que um cliente estivesse presencialmente na loja, o produto não estaria mais disponível, e assim, ele perderia sua venda e comissão…

Para fazer o SFS funcionar da melhor maneira possível, os varejistas precisam de visibilidade 100% em tempo real de seu inventário completo, em todos os canais.

Assim, garantir que algoritmos apropriados estejam em vigor para que os envios a partir das lojas, mantenham a disponibilidade de estoque nas lojas, o que por sua vez, pode significar um novo modelo de arrumação dela, com uma área maior para tratamento de pedidos, e respectiva estocagem.

Carga adicional de treinamento para equipe de retaguarda da loja deve ser considerada, em especial na arrumação dos estoques, embalagem e expedição. Dependendo do volume a ser expedido pela loja, recomendável um acesso exclusivo e distinto para pessoal de transporte.

Vencida a questão interna de comissionamento da equipe comercial e da gestão dos estoques, com visibilidade 360°, um outro ponto que pode ser um impeditivo é a questão tributária, visto que alguns centros de distribuição foram localizados em determinados estados em função de algum benefício fiscal, e agora a venda e expedição acontecendo de outro local, pode implicar em mais imposto e consequente maior preço.

O dilema então é de preço vs prazo, o que é difícil de explicar ao consumidor que devido prazo de entrega o preço pode ter um substancial impacto. Então, o que fazer? Deixar o cliente decidir? Reduzir margem e subsidiar a operação? Este realmente tem sido um dilema!

Por fim, e não tendo a pretensão de exaurir o assunto, a questão é com o transporte, em especial a definição do modelo e opções de contratação.

O primeiro ponto é sobre decidir o modelo de decisão, isto é, se a contratação será descentralizada, isto é, cada loja decide sua lista e modos de transporte, ou um modelo centralizado, e assim, ter uma estrutura capaz de identificar as característica de cada região para um modelo de entrega em última milha, ou melhor, último quilometro.

De fato, o modelo de transporte deveria apoiar-se em sistemas de roteirização e racionalização para que o impacto nesta despesa fosse mínimo. É simples perceber que há uma tendência no incremento das despesas com fretes, que se não forem bem gerenciadas levaram a corrosão da pequena margem que operações de venda oferece.

Concluindo, a modalidade de atendimento através de lojas, que não é uma novidade, está ganhando mais espaço e se bem implantada e gerenciada deve trazer benefícios para o varejo online e mais conveniência para os consumidores.

Edson Carillo Edson Carillo

Mais de 20 anos de experiência em supply chain management – logística. É Diretor Executivo da Connexxion Brasil | Supply Chain Engineering, consultor e instrutor nas áreas de operações (SCM e Manufatura). Especialista em Lean Manufacturng pelo Kaizen Institute e TOC pelo Avraham Goldratt Institute. Vice Presidente do ILOG e Diretor da ASLOG. É Professor de pós graduação e MBA na FGV nas disciplinas de Supply Chain Management, Operações, Serviços, Jogos e Planos de Negócios. Co-autor de diversos livros. Foi presidente do Instituto Imam, engenheiro industrial das Indústrias Alimentícias Kibon e engenheiro pesquisador na Cia Ultragaz.

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