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Conteúdo 12 de novembro de 2021

O atual dilema das cadeias globais

Introdução

Nos últimos meses tenho dialogado com profissionais de diversos segmentos e eles têm apontado problemas sérios de fornecimento de matéria-prima. E eu gostaria de destacar este tema por várias razões.

Primeiro, o efeito das ações necessárias no combate a pandemia, com distanciamentos e isolamentos. Segundo, as consequências para a cadeia de abastecimento. Terceiro e não menos importante, o impacto nas economias.

As restrições de materiais e componentes para a fabricação de produtos de diferentes naturezas tem impactado o crescimento econômico global, possibilitando uma elevação da inflação segundo economistas, devido à elevação dos preços.

As interrupções de fornecimento no contexto global durante a pandemia causaram sérios distúrbios nas cadeias de abastecimento em todos os continentes. E a carência vai desde contêineres que movem as mercadorias até peças de automóveis e componentes de computadores.

Aparentemente de acordo com especialistas em economia, estes gargalos devem ultrapassar o ano de 2021 e invadir 2022, frustrando projeções de organizações e afetando os investimentos.

A questão que permanece é quando retornaremos ao desempenho do período anterior à pandemia e como o trabalho será afetado, tanto nas economias desenvolvidas como nos países emergentes. Todo movimento deve ser executado com planejamento e atenção redobrados.

 

Os gargalos na cadeia

Na perspectiva de recuperação da economia mundial, aparentemente “supply chain” surge como o patinho feio da história. A escassez de bens e insumos, devido às interrupções no fluxo de abastecimento, já está sendo sentida em todo o mundo.

A China, centro fabril e logístico do mundo, cerrou suas fábricas lá no começo de 2020. Países fizeram “lockdown” impondo as restrições visando limitar movimentação de produtos e de pessoas. Os congestionamentos das malhas logísticas foram evidentes, restringindo o transporte e movimentação de mercadorias. E em alguns segmentos aconteceram as restrições de capacidade devido ao aumento da demanda de alguns produtos somando-se o impacto da escassez de mão de obra devido ao distanciamento.

Estes foram alguns dos fatores, que ao longo do tempo, se transformaram em uma espécie de efeito chicote, vindo a afetar fortemente a disponibilidade de bens ao redor do mundo.

 

As consequências

A elevação dos fretes e os atrasos nas entregas passaram a ser generalizados. O custo de transporte marítimo entre China e a Europa triplicou nas semanas iniciais de 2021, em função da escassez de contêineres. Tal comportamento não foi diferente em outras regiões do planeta.

Isso causou um caos no comércio internacional. Os longos tempos de estadia, ociosidade e de espera causaram um impacto considerável. Empresas de navegação passaram a cobrar taxas extras devido aos congestionamentos. Com isso os preços foram as alturas. Frete alto. Produto mais caro. Inflação à vista. Tudo isto pode ter impacto nas economias dos países, tanto na inflação como no PIB – Produto Interno Bruto.

As interrupções sofridas por supply chain, a escassez de recursos humanos aliada ainda à persistência da pandemia pode desacelerar a economia em muitos países, incluindo os EUA e economias europeias. A inflação mais alta, ainda que apresentando intensidades diferentes entre as economias já se faz presente nos EUA, Alemanha e mesmo aqui em nosso Brasil.

É fundamental entender que os atrasos logísticos verificados lá no começo de 2020 apresentam duas vertentes: a oferta e a demanda. Pelo lado da oferta, em um escopo global, a complexidade e a distribuição geográfica das cadeias de valor fazem com que a movimentação fique extremamente vulnerável devido aos bloqueios em centros geográficos.

Pelo viés da demanda, os impactos foram enormes, pois serviços e bens sofreram alterações. Por exemplo, houve uma alta significativa no consumo de itens tecnológicos devido ao uso mais intenso de eletrônicos que possibilitaram o distanciamento.

Indo além, pode-se verificar também um desequilíbrio nos preços de energia. Tudo isso desencadeia um efeito gigantesco que afeta rigorosamente o comportamento da cadeia de valor, principalmente seus custos.

 

Finalizando

Graças às vacinas para combater o coronavírus, a economia global lentamente começou a emergir da pandemia e as pessoas começaram a circular. Aviões já tem seus assentos altamente ocupados.

Porém, indubitavelmente, a Covid-19 deixou uma sequela econômica destrutiva, ao menos para os próximos meses: a ruptura das cadeias globais de abastecimento. A rápida disseminação do vírus em 2020 provocou paralisações de indústrias em todo o mundo e, enquanto a maioria de nós estava em confinamento, houve menor demanda dos consumidores e redução da atividade industrial.

Posteriormente e em alguns segmentos a demanda disparou. O comércio online que o diga. E as cadeias interrompidas durante a fase mais crítica da crise global ainda enfrentam enormes desafios e estão lutando para se recuperar. O caos se instalou para muitos fabricantes e distribuidores de mercadorias que não podem produzir ou fornecer por várias razões, incluindo a escassez de mão de obra e a falta de componentes essenciais e matérias-primas.

A busca por um melhor planejamento e fontes alternativas se intensificam. E resta nos entender que ver a crise como oportunidade também é uma alternativa viável. É dessa forma que a humanidade tem evoluído e sobrevivido a períodos difíceis.

Este é um texto para refletir. Não existe bola de cristal, uma vez que as variáveis são muitas neste mundo complexo e extremamente volátil. Uma coisa é certa: a pandemia trouxe à tona as nossas fragilidades individuais e as fragilidades de empresas e “cadeias globais”.

Por hoje é isso. Educar para transformar. Ao infinito e além. Que a força esteja conosco.

Estou no Linkedin. Me procure por lá e vamos trocar ideias. É sempre saudável! Me acompanhe também no meu canal do Youtube: https://www.youtube.com/paulobertaglia

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia

Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação. É Autor de vários livros, entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 4ª edição – 2020. Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais.

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