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Conteúdo 21 de outubro de 2021

Os Operadores Logísticos diante da crise do combustível

Muitos foram os desafios enfrentados pelos Operadores Logísticos (OLs) durante a pandemia. Enquanto alguns levaram ao adiamento de investimentos, outros trouxeram um novo cenário, capaz de garantir crescimento, transformação e quebra de paradigmas. Atualmente, temos acompanhado a crise sanitária mundial gerar outras crises, como a que afeta a cadeia de suprimentos, levando ao atraso na entrega de mercadorias e a novos gargalos logísticos, apontando para a necessidade de voltar os olhos para o replanejamento logístico e a infraestrutura mundial.

Ainda vivemos um contexto de portos estratégicos tendo suas operações interrompidas por decisões sanitárias, falta de contêineres disponíveis no mercado internacional (e aumento do valor daqueles disponíveis), enfim, um certo caos que tem gerado grande preocupação, sobretudo com a proximidade das festividades de final de ano, quando o número de entregas aumenta significativamente no mundo inteiro.

Além desse contexto, o setor de logística brasileiro também vem lidando com as constantes altas do preço do combustível, de forma a driblar o aumento de custos em cascata, chegando até o consumidor final, sem que isso implique em redução na qualidade dos serviços prestados aos clientes e embarcadores.

A gasolina atingiu R$ 7 em alguns estados brasileiros e o preço do diesel – muito utilizado pelo transporte rodoviário e ferroviário – também aumentou sobremaneira. O aumento acumulado até julho de 2021 foi de 28%, conforme indica o IPCA, medido pelo IBGE. E ainda não sabemos se alguma das soluções hoje discutidas no Congresso Nacional para controlar ou unificar o cálculo do ICMS dos combustíveis (PLP 11/2021) de fato reduzirá o preço sobremaneira e dará o respiro à altura que o setor de logística necessita.

Fato é que a inflação no setor de transportes apresenta níveis muito superiores à inflação média do país e o custo com combustível para muitas empresas vem chegando a apresentar um impacto de 35% a 40% no valor total do frete. Em rotas mais longas, o diesel pode representar até 60% do custo do frete e essa alta tem reflexo em toda a cadeia produtiva e de suprimento.

Como consequência, alguns setores e clientes com maior dinamismo têm provocado a migração dos Operadores Logísticos da região Sudeste, onde a grande maioria instalou sua matriz, para novos segmentos e regiões, o que vem gerando uma diminuição da oferta em médio prazo.

Para preservar os envolvidos na atividade, os OLs vêm adotando algumas iniciativas específicas para dirimir danos, como a maior consolidação de carga para os mesmos destinos em longas distâncias e a utilização de veículos com propulsões alternativas, como a elétrica, gás natural e/ou biogás e, em grandes centros urbanos e para rotas curtas, até mesmo bicicletas.

A DHL, associada da ABOL, é uma das operadoras que está adotando novas alternativas, com foco também na sustentabilidade. Atualmente, a empresa dispõe de uma frota elétrica de mais de 60 veículos no Brasil, entre vans e um caminhão elétrico, realizando entregas verdes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.

Alguns contratos com clientes e embarcadores contemplam mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro que podem ser acionados em casos de dificuldades, como no atual momento, o que traz um pouco mais segurança aos prestadores de serviço. Ainda que inexistam em outros contratos, no geral, as empresas vêm conseguindo negociar com seus clientes para permitir a manutenção de operações sustentáveis.

Outras estratégias também envolvem a criação de bases próprias de abastecimento para potencializar o ganho de escala na compra de combustível e um olhar mais atento às operações multimodais, utilizando terminais rodoferroviários, por exemplo, para permitir redução dos custos logísticos e ganhos em eficiência energética.

Além disso, o setor já sabe que investimentos em tecnologia e melhorias de processos para redução de custos e melhor alocação de ativos são fundamentais tanto para períodos de crise quanto de estabilidade. Diante disso, o mercado tem se mostrado preparado e planejado para as mudanças geradas por esse novo momento, com seus impactos e desafios.

Marcella Cunha Marcella Cunha

Natural de Brasília, tem mais de 10 anos de experiência nos setores de transportes e tecnologia. Graduada em Relações Internacionais, com pós-graduação em Ciência Política, é a atual diretora Executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL). Tem passagens pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e pela empresa Uber.

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