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Conteúdo 30 de junho de 2022

Três fatos pouco conhecidos que afetam a contratação de motoristas

Já é esperado na área de transportes de cargas que em determinados tempos de ciclos apareçam uma lacuna nas equipes de motoristas.

Isso se dá por uma alta demanda por conta de um novo contrato ganho pela transportadora, ou um período do ano onde se concentram intervalos produtivos (entressafras) em clientes com grande demanda por caminhões.

Pode ocorrer também em operações inbound as famosas suspensões das atividades visando ajustar os processos produtivos da planta.

Se uma fábrica dá férias coletivas, por exemplo, e a Cia transportadora não consegue absorver esses trabalhadores, há demissões. Uma transportadora fatura com o veículo rodando.

Após certo período pode não valer a pena os esforços financeiros de ter mantido no quadro determinado número de motoristas. Ainda que essa categoria de trabalhadores não seja abundante.

Não é só no Brasil que temos o fenômeno da escassez profissional de condutores.

Em 2018 chegou a faltar nos EUA cerca de 60 mil motoristas. Um público de estádio de futebol, para ficar mais transparente imaginarmos a grandeza. E a projeção é de que em 2028 faltem cerca de 160 mil.

Na Europa no ano seguinte (2019), em países como Inglaterra, Alemanha e Espanha, faltaram 127 mil destes profissionais caminhoneiros, onde a idade média atual está nos 45 anos.

Apenas 7% daqueles que atuam no *TRC Europeu tem menos de 25 anos, sinal de que os jovens têm baixo interesse na profissão, não só aqui.

O custo para tirar as cartas de motorista na Europa está na faixa dos 600 euros cada uma (2022), até atingir o nível de motorista profissional na categoria para dirigir caminhões (C+E) com CAM — Certificado de Aptidão para Motorista, ou o ADR — Acordo europeu sobre o transporte internacional de cargas perigosas por via terrestre (equivalente ao curso **MOPP no Brasil).

A remuneração do caminhoneiro na Europa é boa, maior até que de uma formação ao nível técnico ou superior. E ainda sim, há déficit maior que a oferta de vagas.

É um investimento que se paga em um curto período; a remuneração até que é boa, porém as empresas exploram no tempo que fica em viagem, portanto há grande perda da vida social (fora de casa, sem a sua família, é um preço alto para seguir na carreira).

Passado o encantamento inicial pela profissão, vai desanimando mesmo que o salário seja aparentemente atrativo.

Fatores permanentes que influenciam na contratação de motoristas:

1) O nível de qualificação exigido para os motoristas (e isso requer um investimento inicial).

2) O desinteresse pela profissão por conta dos riscos inerentes ao ofício (exposição da segurança do condutor, roubo de cargas, multas, custos se for autônomo, má alimentação, pernoite na boleia, etc.), e o

3) Sacrifício de perda da vida social, acompanhado pela evasão dos quadros em tempos de baixa contratação acabam por desanimar também nossos motoristas brasileiros.

Segundo a Organização Internacional do Transporte (IRU), em 2020 a falta de motoristas saltou de 23% para 36% em 12 meses no mundo.

Esses dados foram reunidos em uma pesquisa que contou com a participação de mais de 800 transportadoras em mais de 20 países.

A pesquisa apontou déficit crescente em 2021 de 17% na Europa, 18% no México, 20% na Turquia, 24% na Rússia e quase um terço no Uzbequistão.

Já a base de dados da SETCESP — Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região registra 1,6 milhão de veículos registrados na base, contra 587.511 motoristas habilitados nas categorias “C” ou superior.

A média de idade dos caminhoneiros no Brasil é de 44,8 anos. Um mercado de trabalho essencialmente masculino, mas com presença feminina na casa dos 17%, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que contabilizou quase 2,3 milhões de trabalhadores no setor em âmbito nacional. (Mercedes-Benz: Dados de 2022).

Há de se fazer um movimento em prol da melhoria das condições dadas aos profissionais motoristas, que por vezes são esquecidos, tornando-se reféns de baixos salários e condições insalubres de trabalho.

E ainda que insatisfatórias muitos não conseguem de outra forma atingir o nível de faturamento que atingem, por outros meios.

Com ressalvas às horas dedicadas efetivamente ao labor; ou quando autônomos, pelos altos custos para manter o patrimônio de onde tiram o sustento – o próprio caminhão.

 

*TRC — Transporte Rodoviário de Cargas

**MOPP — Movimentação de Produtos Perigosos (Curso obrigatório segundo a Resolução 168/2004 do CONTRAN) para condutores habilitados que pretendam conduzir veículos e transporte de cargas perigosas ou de emergência.

Palmério Gusmão Palmério Gusmão

Graduado e Especialista em Logística Empresarial pela Faculdade Anchieta de São Bernardo do Campo, possui habilitação pedagógica de docentes em matemática. Adquiriu o título de Auditor Lead Assessor da Qualidade pela NBS Consulting Group. Iniciou trajetória liderando operações na Tegma, maior player estratégico (automotivo) da América Latina. Atuou por vários anos no setor logístico. Seu último cargo foi gerente comercial em uma empresa na área de operações portuárias no Porto de Santos. Foi integrante e líder de comissão de transição e fusão em dois grandes grupos. Experiência no Magistério em cursos de graduação em Logística (disciplinas de administração, marketing e logística) e de pós-graduação (MBA executivo da Universidade Cruzeiro do Sul) e na Escola Internacional de Negócios junto ao SEBRAE. Colunista da Logweb desde 2007. Apresentador do Programa de TV Cenários Logísticos. Aulas consultorias e palestras: professorpalmerio@gmail.com / no Linkedin https://www.linkedin.com/in/palmeriogusmao/

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