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Análise 9 de junho de 2021

Empresas revelam a importância da resiliência para garantir a eficiência da cadeia de suprimentos

Adaptar-se a mudanças nunca pareceu tão necessário quanto nos últimos tempos. Voltar ao normal: nunca mais. Portanto, focar na resiliência da cadeia de suprimentos é condição para a sobrevivência no mercado. Este foi um dos assuntos debatidos no evento virtual “Indústria digital no novo normal: resiliente, relevante, pragmática”, promovido pela Infor, no dia 12 de maio.

Segundo Waldir Bertolino, country manager da Infor no Brasil, este é, certamente, um momento de ruptura para a indústria. “De um ano para cá, as empresas precisaram ser resilientes para se reinventar e inovar com muita rapidez. E, com essa aceleração da jornada digital, elas começaram a entrar, ou a se consolidar, no mundo da indústria 4.0.”

 

Expansão e tecnologia

Um dos participantes foi Eduardo Araujo, diretor de logística da FedEx do Brasil. Ele contou que o aumento do e-commerce durante a pandemia colaborou para a expansão da empresa, que abriu um novo Centro de Logística em Cajamar, SP, em outubro de 2020. A estrutura é a maior da marca na América Latina e uma das maiores do mundo, com 50.000 m² de área operacional.

Além disso, em setembro de 2020, a FedEx ampliou seus voos semanais internacionais para seis e já há a necessidade de criação de uma sétima frequência. Tudo impulsionado pelo comércio eletrônico, principalmente.

“O e-commerce avançou 10 anos em 12 meses. E este é o pilar de crescimento da FedEx no Brasil. O consumidor se adaptou muito bem a essa nova experiência. Além da facilidade, o comércio eletrônico possibilita o acesso a uma variedade de produtos. E as empresas também devem se adaptar para atender bem esses consumidores, pois o e-commerce exige mais expertise e infraestrutura dos Operadores Logísticos”, disse Eduardo.

Além dos investimentos, a FedEx está finalizando o desenvolvimento de uma solução de fulfillment para pequenas e médias empresas, que estão ampliando suas redes físicas e digitais.

Entre as soluções implantadas na área de transporte estão as esteiras automatizadas para carregamento de veículos, focadas em agilizar a operação. Nos Estados Unidos, já é utilizado o robô Roxo para entrega autônoma de última milha. Ele consegue subir escadas, atravessar a rua e reconhecer pedestres. Também no país, a marca usa drones para entregas. “Olhamos o que o mercado tem oferecido para garantir melhores experiências para os nossos clientes”, ressaltou.

 

Ferroviário e colaboração

Pela Marfrig Global Foods, quem participou foi o diretor de logística, Luciano Alves. Ele explicou que a restrição de funcionamento de restaurantes e bares no Brasil gerou para a empresa uma mudança no volume de mercadorias no atacado e no varejo, e também acarretou no aumento da exportação, principalmente para a Ásia. “Foi um grande desafio lidar com o transporte marítimo. Sem falar que o encalhe do navio Ever Given, em abril, está refletindo agora no Brasil, com a falta de contêineres.”

Entre os desafios enfrentados estão a carência de veículos dedicados ao transporte de produtos da cadeia fria e a “guerra” constante para conseguir espaço nos navios. Foi por isso que a empresa reviu suas estratégias e investiu no modal ferroviário, que oferece maior disponibilidade e menor custo.

A companhia também implantou um programa para se aproximar de fornecedores de transporte especializados na cadeia do frio. Segundo Luciano, esta parceria é primordial para a eficiência das operações. “Nosso objetivo é implantar uma plataforma única de logística para dar agilidade às informações, integrando todos os parceiros”, disse.

Buscando canais diferentes para atuação, a empresa está trabalhando no lançamento de um e-commerce para venda de carne pela internet, com entrega ao consumidor. Segundo o diretor de logística, a tendência agora é a multicanalidade. “As empresas precisam se preocupar com seu produto e estratégia de marketing, o custo terá de ser compartilhado. Quem tiver a melhor estratégia, sairá na frente.”

Luciano revelou, ainda, que a Marfrig está desenvolvendo um projeto com cinco empresas para uso da Inteligência Artificial no compartilhamento das melhores rotas. A ideia é estender a solução para as parceiras no last mile. “Buscamos empresas para compartilhar espaços no transporte de cargas. O custo logístico será um grande elo para unir as marcas a trabalharem junto. Compartilhamento é o futuro, não só para otimizar as operações e reduzir custos, mas também por questões sociais e ambientais. Estamos trabalhando fortemente essa questão em nossas operações”, ressaltou.

 

Inovação e customer experience

Já o chefe de logística da Raízen, Rodrigo Couri, relatou que o maior desafio da empresa foi a previsibilidade da demanda. “No mercado de combustíveis, a aquisição é feita com 30 dias de antecedência, seja da Petrobras ou de produto importado. Imagine, com tantas mudanças, estimar uma demanda 30 dias antes? O impacto disso envolve toda a cadeia de abastecimento, incluindo os modais ferroviário, rodoviário e fluvial, com os quais operamos.”

Segundo Rodrigo, foi necessária muita resiliência para atender ao cliente final, pois ninguém estava preparado para esse tipo de desafio. Não teve como mapear a pandemia. “A única certeza é que tudo vai mudar a partir de então. Dentro da Raízen, revimos muitos processos e aceleramos a implantação de projetos voltados para a tecnologia. Essa foi a forma de respondermos ao cenário que estávamos vivendo.”

Em relação às tendências, citou a continuidade do investimento em tecnologia para o aumento da eficiência e da produtividade, com foco na experiência do consumidor final. “O mercado vive um momento de crescimento da customer experience, e focamos nisso, seja no abastecimento ou em uma loja de conveniência”, revelou.

 

Parceria e digitalização

A pandemia trouxe uma série de desafios imediatos, de curto, médio e longo prazos para a BR Distribuidora. Aurélio Souza, gerente executivo de logística e suprimento, disse que foi preciso focar nos horizontes de prazos. “A prioridade era proteger a equipe, afinal, são as pessoas que fazem tudo acontecer. O desafio foi garantir a continuidade operacional, mitigando eventuais perdas de curto prazo.”

Ele também citou a volatividade da demanda e a restrição de circulação. “Para lidar com isso, tivemos de revisar o S&OP (planejamento de vendas e operações). Não tem muito segredo, procuramos estreitamento entre os elos da cadeia de abastecimento, através da colaboração, de forma a identificar o momento de recuperação da demanda e trazer os negócios de volta à pista”, contou.

Também foi um trabalho de resiliência financeira. “Procuramos garantir a liquidez de todos os envolvidos e lançamos uma série de programas para auxiliar nossos fornecedores”, disse Aurélio.

Essa resiliência, segundo ele, se relaciona diretamente com a tecnologia. Na frente de transportes, a BR revisou estratégias de gestão e passou a contratar serviços de forma mais regionalizada, de acordo com a transportadora. O mapeamento das rotas por meio de tecnologia proporcionou maior escala às transportadoras, reduzindo custos e riscos nas operações.

A empresa também reforçou a parceria com as fornecedoras de transporte, focando naquelas com melhor desempenho. “Acreditamos que a tecnologia pode nos apoiar na automação de processos, oferecendo informações mais assertivas, com tomada de decisão mais estratégica e inovadora. Contamos também com torre de controle para monitoramento da frota, garantindo maior eficiência na nossa Supply Chain”, explicou Aurélio.

A BR apostou, ainda, num projeto de Supply Chain digital com duas empresas, sendo uma provedora de tecnologia e outra, implementadora. Essa frente traz o Machine Learning e a Inteligência Artificial para o planejamento de demanda e otimização dos estoques. “Na área de combustíveis, qualquer otimização em mobilização de estoque é muito importante”, destacou.

Outra frente de atuação é o planejamento de suprimentos. A empresa investiu em novos refinadores e produtos importados. “Precisamos ter um planejamento mais inteligente e dinâmico, que permita a simulação de cenários.”

Na frente operacional, o objetivo é ampliar a torre de controle para todas as operações, inbound, outbound e last mile. “Investimos na digitalização da Supply Chain, na revisão de processos e na capacitação dos colaboradores”, finalizou Aurélio.

 

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