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Empilhadeiras 11 de janeiro de 2022

Fabricantes: Após as incertezas geradas pela pandemia, 2021 foi de crescimento significativo para o setor

Boa parte deste cenário se deve ao boom do e-commerce/deliveries, e também às demandas dos supermercados, varejistas e atacadistas, para escoarem grandes volumes de alimentos, bebidas, produtos de limpeza e higiene pessoal requeridos na pandemia.

 

Ano de 2021 foi atípico, já que as atividades foram pautadas pelos autos e baixos da pandemia. Mas, no caso do segmento de empilhadeiras, o que se viu foi um mercado em crescimento, também em função desta mesma pandemia. Isto está claro nas palavras dos principais fabricantes de empilhadeiras instalados no país, e que participam desta tradicional matéria que a Logweb promove todos os anos com foco no segmento de empilhadeiras.

“Podemos dizer, sem sobras de dúvidas que, surpreendentemente, o mercado de equipamentos de movimentação e armazenagem de materiais se comportou de maneira muito positiva desde o início da pandemia, alongando tal situação também durante o ano de 2021. Após leve queda no primeiro trimestre da pandemia, a recuperação foi rápida e consistente, elevando o volume de mercado a níveis históricos de vendas.”

A explicação é de Sandro Gianello, gerente de Marketing da Toyota Material Handling Mercosur – Toyota Empilhadeiras. Ele continua. “Sabemos que boa parte disso se deve ao enorme ‘boom’ do e-commerce/deliveries, e também às demandas dos grandes supermercados, varejistas e atacadistas, para escoarem grandes volumes de alimentos, bebidas, produtos de limpeza e higiene pessoal, acentuados pela pandemia. Essa realidade, somada à necessidade de renovação e expansão do parque de máquinas, deixou o mercado totalmente de vento em popa e acelerado. Sabemos, através de dados estatísticos, que essa situação não necessariamente ocorreu da mesma forma em todos os cantos do mundo.”

Por outro lado – ainda segundo Gianello –, e na contramão deste momento extremamente positivo, os impactos foram sentidos na mesma proporção, com aumentos terríveis nos preços de matérias-primas, componentes, fretes, etc. Essa forte onda inflacionária ainda assola o setor e torna muito difícil qualquer plano preciso de produção, volumes, etc., inclusive complicando a relação com a cadeia de fornecedores.

Juliano Cheng, gerente de Vendas da BYD do Brasil, também explica que a demanda de empilhadeiras elétricas durante 2021 aumentou significativamente. Mes­­mo com o mundo sofrendo as consequências da Covid-19, como alto frete marítimo, aumento de matéria-prima, prazo de entrega maior e a instabilidade de taxa de dólar, a estimativa de crescimento global de empilhadeiras elétricas de 2021 para 2026 é de 3,2% ao ano, segundo pesquisas feitas por instituto financeiro internacional.

“O ano de 2021 foi surpreendente para o segmento. Após as incertezas geradas, em função da pandemia, o mercado global se mostrou altamente comprador, superando todas as expectativas e projeções feitas pela Hyster-Yale. Apesar de todas as dificuldades que o setor de movimentação de materiais vivencia, devido às interrupções nas cadeias de abastecimento globais geradas por causas de natureza fortuita e/ou de força maior, conseguimos colocar em prática o nosso plano de ação para controlar essa situação com transparência e integridade junto aos clientes”, também comemora Jéssica Forti, diretora de Vendas da Hyster-Yale Brasil.

O mesmo lado positivo com relação a 2021 é apontado pelo Sales Executive da Kalmar. Elton Lima também alega que 2021 foi um excelente ano para as vendas da empresa, para toda a linha de produtos (empilhadeiras, reachs tackers, empty container handlers e terminal tractors). “Os principais desafios ainda estão no custo logístico do transporte marítimo, nos custos de produção e prazos de entrega com a cadeia de fornecedores. Todos motivos esses que foram diretamente impactados pela pandemia do Covid-19.

Uma análise mais profunda de Guilherme Barion de Almeida, diretor Comercial da Marcon Indústria Metalúrgica, aponta que as novas tendências e hábitos de consumo, sobretudo nos últimos dois anos, movimentaram o mercado intralogístico. Em 2020 toda a cadeia de suprimentos precisou se adequar para atender a demanda da indústria de transformação e, em 2021, os desafios de atrasos do fornecimento e de substanciais altas no preço da matéria-prima, que impactaram na operação de grande parte das indústrias em 2020, foram superados. “Observando as tendências e necessidades do mercado interno, lançamos no início de 2021 dois modelos de empilhadeiras com foco nas empresas de pequeno e médio porte e tivemos excelentes resultados.”

Já na análise de Matheus M. Delagostini, Head de Marketing da Paletrans Empilhadeiras, o ano de 2021 foi bastante atípico para o segmento de empilhadeiras. Historicamente, há um pico de demanda no terceiro trimestre e isso não aconteceu nesse ano, mas isso pode ser explicado.

“Os clientes do nosso segmento, após sofrerem atrasos com parte de suas entregas no ano de 2020, se planejaram melhor e anteciparam boa parte da demanda desse ano para o primeiro semestre. Isso, além de nos dar uma linearidade maior na produção do ano, também possibilitou que conseguíssemos negociar melhor com nossos fornecedores e fez com que nossos clientes negociassem melhor suas compras, já que não havia uma necessidade urgente para a entrega da mercadoria. Esse ano também foi particularmente bom para a exportação. A alta taxa cambial tornou esse negócio mais rentável e acabamos nos consolidando em alguns países onde atuávamos de forma mais tímida, conseguindo oferecer nossos produtos com preços muito mais competitivos”, revela o executivo da Paletrans.

No caso da Zeloso Indústria e Comércio, Luís Humberto Ribeiro ressalta que o mercado ficou aquecido em virtude de fabricarem empilhadeiras especiais, não convencionais, com projetos específicos para cada uso na planta. E, pelo seu lado, Roberto Fernandes, administrador da BYG Transequip Indústria e Comércio de Empilhadeiras, reporta que com a permanência do decreto (quarentena), tiveram uma redução nas vendas, clientes reavaliando pedidos e internamente buscando se adequar na produção, com horários e procedimentos.

 

E 2022?

Em que pese 2022 ser um ano de eleições, as perspectivas também se mostram positivas para boa parte dos fabricantes de empilhadeiras que participam desta matéria.

Por exemplo, Almeida, da Marcon, diz que suas perspectivas para 2022 são de, ao menos, 15 % de crescimento, enquanto Delagostini, da Paletrans, acredita que o ano de 2022 será muito parecido com 2021. “Ouvindo alguns de nossos parceiros comerciais, pairam dúvidas por ser um ano de eleição, mas entendo que todos continuarão consumindo e movimentando suas mercadorias como vem acontecendo nos últimos anos. As incertezas no fornecimento de commodities e matéria-prima continuarão a ditar as regras pelo menos até o meio de 2022, e isso fará com que seus valores, apesar de mais estáveis, continuem altos, especialmente no Brasil, que conta com uma moeda bastante desvalorizada e com uma inflação mais alta do que estava previsto. Esses fatores reforçarão o hábito adquirido e podemos esperar um mercado com um crescimento orgânico bem próximo do que aconteceu nos últimos 3 anos”, diz o Head de Marketing da Paletrans.

Gianello, da Toyota Empilhadeiras, também enfatiza que seguem muito otimistas. “Acreditamos que, com tudo que está sendo feito na estruturação do país, mesmo com um ano de eleições federais se aproximando, seguiremos tendo consistência no crescimento e na maturação de nosso mercado. Equipamentos de maior eficiência energética estão sendo cada vez mais demandados, e não somente isso, estamos em um processo irreversível de modernização do parque brasileiro, com cada vez mais tecnologia embarcada, energia limpa, segurança, ergonomia, etc.”

Ribeiro, da Zeloso, também acredita que, em 2022, as empresas continuarão investindo em produtividade e maneiras de facilitar seu colaborador no processo, com busca de soluções pontuais. “Temos boas expectativas para nosso segmento, porém tudo dependerá das decisões políticas de nosso país que envolvem a aprovação dos ex-tarifários por parte do Mercosul e a renovação do Reporto para os terminais alfandegados”, acrescenta Lima, da Kalmar.

Mas há, também, os que não nutrem muito otimismo para 2022. “Teremos um mercado incerto, pois dependemos de algumas definições devido à nova variante. Esperamos que nossos fornecedores consigam reduzir os prazos de entrega e o abastecimento de matéria-prima seja normalizado e consequentemente os custos sejam reduzidos”, diz Fernandes, da BYG Transequip.

Jéssica, da Hyster-Yale, espera que o mercado retroceda, quando comparado com o histórico dos altos picos em 2021, porém, ainda assim, será mais alto do que os níveis pré-pandêmicos.

 

Pandemia

Vale destacar que, se os últimos meses foram marcados pela pandemia, há se de supor que esta trouxe mudanças para o segmento – que vieram ou não para ficar.

“Com a mudança de comportamento de consumidor durante a pandemia, aumentou o volume de compras on-line e, consequentemente, o setor logístico tem sido beneficiado por esta mudança. As empresas de setor logístico vêm investindo cada vez mais nos equipamentos industriais, bem como nos veículos elétricos e nas empilhadeiras elétricas. Agora para todos nós, como empresa ou pessoa física, a lição que ficou é que podemos fazer mais com menos e viver com mais coerência e simplicidade”, diz Cheng, da BYD do Brasil.

Por seu lado, Fernandes, da BYG Transequip, diz que, apesar de ainda não terem sido impostas mudanças significativas em seus equipamentos, com a pandemia ficou evidente a importância destes e a sua contribuição para que os setores que movimentam e a economia brasileira não parem.

De fato, Jéssica, da Hyster-Yale, também lembra que as empilhadeiras desempenham um papel extremamente importante no mercado. A pandemia evidenciou ainda mais a importância destes equipamentos e a sua contribuição para a movimentação da economia e para que a população tenha acesso a diferentes bens de consumo. “Entendo que a Covid-19 seguirá mudando a vida das pessoas e, consequentemente, das empresas. Os impactos econômicos trazidos por ela têm forçado as empresas a repensarem diferentes aspectos, como, por exemplo, a forma como planejam, produzem, vendem ou entregam seus produtos e serviços. Não dá para esquecer ou negligenciar o fato de que este efeito estará presente por um bom tempo ainda, mesmo depois que a pandemia for controlada em termos de contágio. Esse contexto pode, inclusive, trazer mudanças tecnológicas de forma definitiva”, avalia a diretora de Vendas da Hyster-Yale.

Para Lima, da Kalmar, a pandemia trouxe a necessidade de maior eficiência logística e segurança operacional, fatores que serão cada vez mais exigidos, tanto para os equipamentos, quanto para as equipes de operação e manutenção. “A eletrificação das operações com empilhadeiras é uma realidade para operações industriais, as quais tendem a ser cada vez mais solicitadas.”

Em sua análise sobre as mudanças trazidas pela pandemia, Almeida, da Marcon, destaca que o e-commerce teve um salto exponencial no último ano. As vendas online foram impulsionadas durante a pandemia e, em 2020, mais de 42 milhões de pessoas compraram online. Os novos hábitos de consumo resultaram em significativas mudanças em toda a cadeia intralogística. As empresas já consolidadas neste ‘universo’ virtual tiveram um grande aumento no seu volume de vendas e centenas de novas lojas online surgiram. O prazo de entrega passou a ser um dos principais diferenciais para esse cliente que aderiu à compra online. Uma das estratégias para atender esse consumidor, e que tem sido adotada por grandes players do e-commerce, é a ampliação dos investimentos na construção de Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país e, também, a ampliação da operação nos centros já existentes. O resultado disso foi a necessidade de expandir ainda mais a cadeia de movimentação intralogística e aumentou a busca por equipamentos. “A pandemia antecipou uma tendência eminente no varejo, que é a ampliação dos canais de vendas. E, em alguns casos, a migração da loja física para o ambiente virtual. Sem dúvidas, é uma tendência que veio para ficar e que ainda tem muito a crescer”, completa o diretor Comercial da Marcon.

Também para Delagostini, da Paletrans, a pandemia acabou trazendo uma infinidade de aprendizados e, consequentemente, mudanças. “Mudou a forma como nos relacionamos, como compramos e como vendemos. Aqui na Paletrans acabamos acelerando muito a digitalização de todos os processos e posso afirmar que graças a isso acabamos entrando de fato na chamada indústria 4.0.”

Também para Gianello, da Toyota Empilhadeiras, a pandemia acelerou bastante a discussão de alguns assuntos que até então estavam bastante incipientes no mercado de movimentação e armazenagem, como integração logística e automação, sendo esta última, em diversos níveis de complexidade. Os tempos cada vez mais curtos de entrega, a precisão dos processos logísticos e a criticidade da movimentação de cargas estão colocando bastante pressão para que soluções cada vez mais eficientes sejam apresentadas e oferecidas de forma customizada, sob medida para cada tipo de negócio. “A expansão logística de ponta em um país com as dimensões do Brasil, bem como com todas suas dificuldades estruturais, seguirá sendo por muito tempo um grande gargalo, mas também um grande e frutuoso desafio para nosso futuro”, acredita o gerente de Marketing da Toyota Empilhadeiras.

Finalizando esta questão, Ribeiro, da Zeloso, diz que a pandemia trouxe, além da maior valorização dos bons colaboradores, também a procura pela melhor movimentação, com impacto diretamente na produção.

 

Novas tecnologias

Como é possível notar, tecnologia é a palavra que rege o setor, e ela também não poderia ficar de fora das empilhadeiras. “Temos três tecnologias que hoje vêm crescendo em aplicação: as empilhadeiras com baterias de lítio, que colocam as maquinas elétricas no mesmo patamar de operacionalidade das a combustão; a telemetria, que hoje conta com IoT (Internet of Things) e que cada vez mais gerencia e otimiza frotas; e automação (AGV), que ainda é aplicada em menor escala, mas que tem evoluído rapidamente nos últimos dois anos”, relaciona Cheng, da BYD do Brasil.

Fernandes, da BYG Transequip, também destaca que toda tendência está voltada para a automação. Ele também ressalta a tendência das baterias de Lítio, onde se destacam as seguintes vantagens: maior vida útil (até 3,5 vezes em relação à chumbo ácida); recargas completas em até duas horas; eliminam as paradas para troca – com uma única bateria é possível operar em três turnos; não exalam gazes tóxicos e inflamáveis; e não necessitam adição de água.

“A Hyster-Yale segue trabalhando para solucionar os desafios da Logística 4.0, neste momento trazendo modernidade e praticidade para os seus clientes com a telemetria, sistema de gerenciamento de frota que permite obter dados completos da operação. Isso por acreditar que quanto mais informações o cliente tiver em mãos, melhor será seu controle, precisão e gestão, resultando em ganho financeiro e produtividade. Além disso, quando se tratam de fontes de energia, disponibilizamos as baterias de íon lítio”, acrescenta Jéssica. Realmente, dentre as principais tecnologias, cabem destaques aos sistemas de telemetria e gerenciamento de frota, como o I_Site, desenvolvido pela própria Toyota Material Handling Group, que permite o controle dos equipamentos e o seu gerenciamento remoto, com interface através de um sistema WEB-based, acessível de qualquer computador ou smartphone conectado à internet. Com funções de detecção de impactos, controle de acesso dos operadores, intensidade de uso dos equipamentos, monitoramento das baterias, entre outros, o sistema proporciona não somente um menor custo operacional, mas também maior segurança e produtividade aos usuários.

Também estão disponíveis os equipamentos com baterias de Íons de Lítio (Li-Ion) que, devido à sua característica de fabricação, permitem ser carregadas rapidamente e de forma parcial durante os intervalos disponíveis na operação e que seja utilizada somente uma bateria por equipamento, inclusive para trabalho em três turnos, a depender do caso, eliminando o espaço necessário para salas de carga e manutenção de baterias.

“Possuímos ainda o simulador de viabilidade de utilização das baterias Li-Ion. E vale lembrar que esta tecnologia proporciona uma vida útil até quatro vezes maior do que as baterias convencionais de chumbo-ácido, não necessita de manutenção e tem uma eficiência energética cerca de 30% maior”, completa Gianello, da Toyota Empilhadeiras.

Lima, da Kalmar, também aponta a eletrificação total de seu portfólio dos modelos de 5 t a 33 t de capacidade, tanto com baterias de chumbo-ácido quanto com Lítio. Além de opções de Digitalização & Robótica para todo o portfólio de empilhadeiras (robolifter, robostacker, robohandler e robotractor).

“A bola da vez, sem dúvida alguma, são as baterias de lítio. O mercado está absorvendo a ideia de que faz sentido adotar essa nova tecnologia por ela tornar a operação mais ágil e econômica no médio/longo prazo. Nesse ano, a Paletrans teve um aumento de cerca de 500% em relação a 2020 e a tendência é que a procura por esse tipo de bateria continue aumentando”, finaliza o Head de Marketing da empresa.

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