Governo Federal lança nova versão do Portal do Comércio Exterior

29/07/2021

O Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), responsável pelas atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de importação e exportação de todo o país, foi aperfeiçoado e ganhou novas funcionalidades. A principal novidade implementada no sistema, desenvolvido pelo Serpro para o Ministério da Economia, é a permissão para empresas que não possuem certificação no Programa Operador Econômico Autorizado (OEA) realizarem importações amparadas pelos benefícios do Novo Processo de Importação (NPI). O objetivo é desburocratizar as exportações e importações do país e permitir maior agilidade e economia aos operadores do comércio exterior.

De acordo com o gerente do Portal Único Siscomex do Ministério da Economia, Alexandre Zambrano, a estimativa é que a nova cobertura fornecida pelo NPI alcance aproximadamente 30% do valor total das importações brasileiras. “A novidade facilita, também, a atuação de operadores que promovem grande número de importações ao possibilitar o registro, retificação e consulta à Declaração Única de Importação (Duimp), a partir da integração entre os sistemas próprios dos importadores e a plataforma governamental (webservice)”, avalia.

Outras novidades
Dentre as evoluções, para os recintos alfandegados, que abrigam as mercadorias importadas ainda não internalizadas no país, destaca-se, ainda, a solução para captação massiva de dados (Application Programming Interface – API), que simplifica o cumprimento de obrigações dos depositários com a Receita Federal. Além disso, a partir de agora, as Secretarias de Fazenda (Sefaz) que desejarem poderão ter as cargas liberadas após a confirmação do pagamento do ICMS, bem como automatizar a restituição de pagamentos indevidos de tributos federais de importação e, ainda, permitir ao importador a recuperação de guias de ICMS no portal GNRE (Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais) para agilização do pagamento.

Em relação ao módulo de Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE), agora é possível o desbloqueio automático de créditos tributários recolhidos a maior, oriundos de retificação ou cancelamento das declarações de importação. Também fica automatizada a emissão da guia e a confirmação do pagamento do ICMS, o que torna possível que o importador receba a carga sem exigência de comprovantes em papel.

“Tivemos grandes avanços na arquitetura. Os auditores da RFB ganharam mais flexibilidade e autonomia para a configuração das definições do que é risco, uma vez que o motor de regras no Siscomex está construído com base nos metadados da própria exportação. Além disso, avançamos com a adoção da tecnologia blockchain, que passa a ser utilizada como principal canal para a troca de informações entre o Brasil e os países conveniados”, afirma o gerente do Departamento do Domínio de Logística e Processos Aduaneiros do Serpro, Claudio Paranhos.

Neste primeiro semestre do ano, o Siscomex passou por avanços tecnológicos importantes com o objetivo de melhorar tanto a experiência do usuário quanto a infraestrutura, de forma a suportar o volume crescente de uso do sistema. “Do ponto de vista tecnológico, avançamos na evolução do framework de desenvolvimento, no processamento em nuvem e estamos trabalhando para modernizar o barramento de comunicação entre os sistemas. Além disso, utilizamos a técnica de UX, user experience, desenvolvimento focado na experiência do usuário”, revela o gerente do Departamento do Domínio de Importação e Exportação do Serpro, Fernando Ruas.

Para o gerente do Departamento de Negócio Soluções de Comércio Exterior do Serpro, Paulo Ramos, tempo é dinheiro e as melhorias implementadas no sistema trazem maior agilidade aos processos. “Esta nova etapa do Portal Único de Comércio Exterior reafirma o compromisso do Serpro com a melhoria e evolução dos processos de comércio exterior brasileiro, permitindo que, além dos operadores do comércio exterior, a sociedade brasileira, como um todo, seja beneficiada”, conclui.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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