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Boas Notícias 10 de julho de 2020

Indicadores corroboram retomada da atividade ao longo do segundo trimestre, aponta Depec – Bradesco

Vejam a seguir as boas notícias apontadas pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, em seu “Destaque Depec – Bradesco” do dia 08 de julho. As informações são de Ariana Zerbinatti e Fabiana D´Atri, do Depec.

 

“Nas últimas semanas foi observada certa estabilização das projeções de PIB para este ano no Relatório Focus. Os dados referentes a maio e junho, no Brasil e no mundo, têm se mostrado mais positivos que o esperado há um mês, diante das evidências de que a retração da economia no segundo trimestre possa ser menos intensa. De fato, no curto prazo, acumulam-se sinais de melhora da atividade e o cenário nos parece assimétrico para cima. A despeito disso, há muita incerteza em relação ao médio prazo e não vislumbramos a atividade brasileira voltando ao nível pré-pandemia tão cedo. Dentre os motivos que nos levam a tal avaliação, diversos setores, por exemplo, dependem de interações sociais para total funcionamento, o mercado de trabalho tem se mostrado fragilizado e o risco de segunda onda de contágio ainda não pode ser descartado.

Merece destaque o forte avanço dos indicadores de confiança em maio e junho. Ainda que a elevação seja majoritariamente puxada pelos componentes de expectativas, os subíndices de situação atual também mostraram altas relevantes, especialmente na indústria e no comércio. Indicadores de maior frequência (para maiores detalhes, ver boxe “Indicadores para acompanhamento da conjuntura econômica doméstica durante a pandemia” do último Relatório Trimestral de Inflação, disponível em https://www.bcb.gov.br/content/ri/relatorioinflacao/202006/ri202006b1p.pdf.), como gastos com cartões de débito e de crédito, tráfego de veículos e circulação de pessoas também sugerem alguma recuperação, refletindo as reaberturas de diversas localidades do país e novas formas de negócios, como intensificação do e-commerce, entregas e drive thru. Ademais, as surpresas positivas com a produção industrial e as vendas do varejo em maio não só reforçam que abril foi o pior mês para nossa economia, como também são mais um vetor que aponta para menor queda do PIB no segundo trimestre, em comparação com a anteriormente esperada.

O ritmo de retomada é bastante similar com o que temos visto no restante do mundo. Os índices PMI de junho e os dados de maio, em especial os de vendas do varejo – que surpreenderam positivamente em países como EUA, Reino Unido, Alemanha e Espanha –, transmitem o mesmo sinal para a atividade global: a retomada ao longo do segundo trimestre é mais intensa que a esperada. Lembramos que os ciclos econômicos no Brasil são bastante correlacionados com o restante do mundo, ainda que nossa economia seja relativamente fechada.

As condições financeiras são um dos principais canais de conexão das atividades doméstica e internacional e foram bastante beneficiadas pelos estímulos monetários e fiscais sem precedentes. Nosso indicador de condições financeiras voltou para o campo de afrouxamento, recuando desde março, período no qual as preocupações com a pandemia começavam a se intensificar, com quarentenas sendo decretadas em todo o mundo. Adicionalmente, as respostas dos governos à pandemia foram bastante expressivas, chegando a 8,3% do PIB nos países desenvolvidos (Segundo o estudo The fiscal response to the Covid-19 crisis in advanced and emerging market economies do Bank for International Settlements (BIS). Essa ampliação dos gastos públicos, juros mais baixos, ampliação de programas quantitativos e maior fluidez do crédito explicam a melhora do indicador, que deve contribuir positivamente para a recuperação da atividade à frente.

A retomada da economia global, principalmente da China, e o desempenho positivo do setor agropecuário têm beneficiado nossas exportações. Ainda que o setor tenha participação direta pequena no PIB, deve crescer 2,0% neste ano, com aumento das vendas externas, demanda interna relativamente inelástica, safra recorde para algumas culturas, como soja, e câmbio depreciado favorecendo a renda agrícola (Para mais detalhes, ver o Destaque Depec de 24 de junho de 2020, disponível em https://www.economiaemdia.com.br/BradescoEconomiaEmDia/static_files/pdf/pt/publicacoes/destaque_depec/DestaqueDepec_24_jun_20.pdf 4). De fato, as exportações de diversos produtos, como soja e celulose, estão acima da sazonalidade dos últimos meses. Também é possível ver efeitos indiretos desse desempenho positivo, como a recuperação mais forte das vendas de caminhões em maio e em junho, impulsionada pelos veículos maiores, ligados ao escoamento de safra. O nível de emplacamentos de veículos pesados já é superior ao do período pré-pandemia.

Ainda que os estímulos fiscais tenham sido de menor magnitude no Brasil e nos demais emergentes em relação aos países avançados, esses têm desempenhado papel relevante para reverter a queda da massa salarial. Além disso, a MP do emprego tem preservado mais de 11 milhões de postos de trabalho, também tendo efeito sobre a massa ampliada, com parcela do pagamento financiada pelo governo. Quando acrescentamos o auxílio emergencial, a ampliação do Bolsa Família e o benefício da manutenção do emprego à massa salarial ampliada disponível nominal (A massa salarial disponível inclui, à soma de salários, benefícios previdenciários, seguro desemprego e Bolsa Família, por exemplo, descontados do pagamento de Imposto de Renda), temos uma elevação interanual acima de 16,0% em maio. Para compararmos, sem as medidas, há queda de 0,8%, uma forte desaceleração em relação ao prépandemia (os ganhos eram superiores a 7,0% nos últimos meses de 2019 e início deste ano).

Mesmo o mercado de trabalho, que geralmente é defasado em relação à atividade econômica, mostrou sinais menos negativos em maio. Embora seja prematuro afirmar que a recuperação do emprego também será mais rápida que o previsto, os dados do Caged surpreenderam positivamente em maio, com redução menos intensa que a esperada pelo mercado, guardando paralelos, ainda que em intensidade bastante menor, com os dados do payroll norte-americano do mesmo período. Em termos dessazonalizados, o saldo de emprego formal foi superior ao de abril (-553 mil versus -918 mil), ainda que siga bastante negativo. A Medida Provisória 936, que permite suspensão de contrato e redução de jornada e salário está mitigando a perda de postos formais, visto que as demissões se reduziram em magnitude inferior à das admissões.

Apesar disso, é importante ressaltar que os efeitos da pandemia sobre o emprego têm sido severos. O nível de ocupação está 7,9% abaixo do período pré-crise e a taxa de desemprego não apresentou alta mais intensa apenas porque a pandemia afetou a população economicamente ativa (PEA), que caiu 6,8% desde fevereiro. De acordo com os dados semanais do IBGE, há aproximadamente 18 milhões de pessoas fora da força de trabalho que gostariam de trabalhar, mas não buscaram emprego por conta da pandemia ou da ausência de trabalho em suas localidades. Essa queda da PEA tem amenizado a elevação da taxa de desemprego, que seria superior a 16% caso a PEA se mantivesse constante desde fevereiro. Vale destacar que o mercado de trabalho ainda não havia se recuperado totalmente da última recessão: a taxa de desocupação estava acima de dois dígitos e o crescimento da ocupação contava com participação relevante do emprego informal, por exemplo.

Ainda não conseguimos descartar o cenário de contração do consumo das famílias via aumento da poupança precaucional ou involuntária devido ao isolamento social. A despeito da melhora da confiança, os dados de vendas do varejo mostram quedas interanuais mais intensas que as apontadas pela massa salarial, sugerindo que a ampliação desse tipo de poupança está ocorrendo, em linha com o restante do mundo. As medidas de preservação de emprego e renda impediram uma retração mais forte do consumo, mas as incertezas com o futuro ou a impossibilidade de se consumir certos bens e serviços elevaram a taxa de poupança. Ainda é difícil prever como o consumo irá se comportar ao término da pandemia, ou seja, se essa poupança hoje formada irá ou não se traduzir em níveis de consumo acima da renda nos próximos trimestres. Além disso, ainda é desconhecido o total impacto sobre o endividamento das famílias e das empresas e sua persistência, bem como não sabemos o efeito da crise sobre recuperações judiciais e falências.

As incertezas presentes no cenário também têm afetado de forma relevante os investimentos. A formação bruta de capital fixo deve mais que reverter a alta apresentada no primeiro trimestre. Nossa proxy de investimentos sugere uma contração de 7,0% no trimestre encerrado em maio, refletindo, principalmente, a menor produção de bens de capital no período. Adicionalmente, a ociosidade da economia, que já era elevada no pré-pandemia e se intensificou nos últimos meses, deve contribuir para uma recuperação mais lenta dos investimentos. Contudo, é possível ver uma alta acima de 25% na margem em maio, sinalizando que os números do terceiro trimestre podem ser melhores.

Em resumo, ainda que as incertezas sobre ritmo de retomada no segundo semestre permaneçam elevadas, o conjunto de dados conhecidos até agora aponta para uma queda menos intensa do PIB no segundo trimestre, além de uma recuperação iniciada em maio. Revisamos nossa projeção de PIB do período para uma queda de 9,5%, menor que a retração de 10,6% projetada anteriormente. A transição para o segundo semestre deve ocorrer, portanto, em condições mais favoráveis, mas os fatores de risco, como novas ondas de contaminação aqui e no restante do mundo, seguirão presentes. Nesse contexto, mantemos nossas estimativas de contração do PIB de 5,9% neste ano e de crescimento de 3,5% em 2021. Por fim, diversos elementos discutidos ao longo do texto podem levar o PIB a uma queda menos intensa, como a preservação de renda e aumento da poupança.”

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