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Cargas Especiais 10 de novembro de 2021

Logística de Máquinas e Equipamentos: Movimentando peças de vários tamanhos, pesos e configurações

E com mais um “agravante”: um atraso ou erro pode prejudicar colheitas, prazos de obras e até linhas de produção, trazendo grandes prejuízos, o que demanda grande resiliência e agilidade dos processos logísticos.

 

Quando falamos em logística de máquinas e equipamentos – outra matéria desta edição com foco nas cargas especiais – o que chama a atenção, em um primeiro momento, é a grande variedade de tamanhos, pesos e configurações dos equipamentos, que podem ser tanto leves, como muito pesados.

Associado a isso, com uma variedade muito ampla de SKUs, o processo de armazenagem é bem mais complexo. “Em alguns casos, os maquinários e seus componentes exigem acondicionamentos especiais – temos um cliente em que os motores são envoltos em caixas de madeira customizadas – e o valor da carga é muito elevado, o que exige cuidados extras em termos de segurança e gestão de riscos”, pontua Maurício Almeida, head do Setor Automotivo da DHL Supply Chain Brasil.

Por fim, ainda segundo Almeida, trata-se de mais um mercado em que um atraso ou erro pode prejudicar colheitas, prazos de obras e até linhas de produção, trazendo grandes prejuízos, o que demanda grande resiliência e agilidade dos processos logísticos.

Esta criticidade na entrega das máquinas e dos equipamentos também é destacada por Marcelo Zeferino, diretor Comercial e de Marketing da Prestex. Mas, primeiro ele alerta que existe uma divisão dentro desse segmento.

Quando falamos em entrega de uma máquina ou equipamento que irá compor um determinado produto, isso sempre está atrelado a um projeto, seja ele de ampliação, manutenção ou reparo. Esse tipo de reparo, na maioria das vezes, está em consonância com um planejamento assertivo para alinhar, de forma produtiva, os passos que seguem esta cadeia.

“Quando falamos de equipamentos, temos outras vertentes importantes. Falo isso pois os motivos do transporte podem ser os mesmos dos citados acima, porém, o mais comum neste caso é que esses equipamentos sejam para alinhar uma expectativa de estoque, ou até mesmo para uso imediato, o que aumenta a criticidade do processo, pois na indústria, como podem observar no momento em que vivemos, falta de equipamentos pode parar uma linha de produção, causando danos significativos ao processo. Nosso papel é mitigar esses riscos, entregando soluções e possibilidades para todos os envolvidos nesse processo”, coloca Zeferino.

Por seu lado, Carlos Alexandre de Souza, gerente Técnico de Projetos da Allog Participações, prefere adequar esta logística à de “cargas de projeto”, que normalmente movimenta cargas heavylift e superdimensionadas que exigem uma análise criteriosa de toda a cadeia logística, onde a fase de inteligência e viabilidade do projeto é a base para o sucesso.

No caso específico da Metar Logística – Buslog, a gestora executiva Comercial Maria Silvia Martins diz que esta logística é marcada por prazos de entrega muito rápidos: embarque à noite, disponibilidade de retirada no dia seguinte no primeiro horário. “Com retirada pelos técnicos (partes e peças) nos destinos – retirada em nossas lojas no destino (pick-up point).”

Com relação ao fato de haver ou não legislação específica para o setor, Almeida, da DHL Supply Chain Brasil, ressalta que não existem legislações setoriais para movimentação de máquinas e equipamentos, mas sim regras a depender das especificidades de determinados produtos (químicos ou explosivos, por exemplo). “Existe legislação somente para produtos perigosos, como baterias radioativas”, emenda Maria Silvia, da Buslog.

Zeferino, da Prestex, também lembra que para o setor específico não há nada homologado, porém existe alguns setores da economia que utilizam os materiais envolvidos e acabam por regulamentar essas transferências. Como é o caso da IATA, para produtos com classificação perigosa, e a ANVISA, para produtos do setor da saúde, cosméticos e correlatos. “Por isso a importância de estar atento mais do que ao segmento específico, e sim ao que o mercado que é impactado com a utilização dita.”

Por outro lado, como falamos de cargas que excedem dimensões e peso, cada país tem sua legislação específica para a movimentação desse tipo de carga. “Quando montamos a viabilidade do projeto, já consideramos todas as licenças necessárias para que ele aconteça”, diz, agora, Souza, da Allog.

 

Exigências

Como já foi dito, um ponto importante desse segmento é a variabilidade de tamanhos, pesos e urgência dos itens solicitados.

“Neste caso, é fundamental que o Operador envolvido seja um especialista não só em uma rota específica, ou em um modal apenas. A capacidade de atuar nas mais diversas situações e ainda assim ser competitivo é crucial para o sucesso neste certame”, explica Zeferino, da Prestex, quando o assunto é o que a logística neste segmento exige dos OLs e das transportadoras.

Para Almeida, da DHL Supply Chain Brasil, o primeiro requerimento é a especialização, dadas as especificidades deste segmento. A segunda questão é relacionada a toda infraestrutura e equipamentos adequados para movimentação e transportes, tendo em vista as características especiais das cargas. “Garantir práticas de excelência de gestão de inventário também é fundamental, bem como ter equipe qualificada para operar com grande precisão. Nas atividades de transportes, é fundamental prover visibilidade ponta a ponta.

O know-how neste tipo de operações também é essencial na visão de Souza, da Allog. “Você tem que saber o que está fazendo, entender os limites e usar os materiais corretos para que a operação aconteça de forma correta e segura.”

Maria Silvia, da Buslog, aponta outras exigências: prazos de entrega bem curtos e justos, performance de entrega superior a 95% e preços competitivos.

 

Problemas

A necessidade de contar com empresas que tenha know how no segmento é usada por Souza, da Allog, para falar dos maiores problemas ou desafios enfrentados no segmento.

Para ele, na questão de serviços, a escolha de um parceiro competente, com know-how nestes tipos de operação, já minimiza os riscos dos clientes. “Por outro lado, na questão de infraestrutura logística, se o Brasil já é deficitário na movimentação de cargas sem excesso, quando vamos tratar de cargas de projeto, superdimensionadas, os problemas são bem maiores. Somente um investimento em vias e estrutura portuária com base no que temos em continentes de primeiro mundo pode facilitar o segmento.”

Equacionar adequadamente os picos e quedas de demanda é um desafio constante para não se perder a eficiência da operação. Fazer entregas emergenciais com agilidade e segurança é outra questão, uma vez que a cada máquina eventualmente parada em campo representa perdas significativas ao produtor ou empreiteiro. “Para melhor gestão destes desafios, desenvolver as torres de controle para antecipar demandas tem função fundamental, buscando fazer uso cada vez melhor dos dados disponíveis”, comenta, agora, Almeida, da DHL Supply Chain Brasil.

Um grande problema, falando sobre o aspecto logístico, é a tentativa de resolver problemas complexos com soluções simplistas ou já fracassadas, adverte Zeferino, da Prestex. “Já vimos em várias ocasiões como esse segmento foi afetado em eventos históricos, como greve dos caminhoneiros, crise global, entre outros. Esses eventos forçaram a indústria a olhar, ao menos por alguns instantes, para âmbitos distintos dos que até então observava, o que acabou desfraldando algumas possibilidades importantes em modelos de transferência, importância da informação em tempo real, gerenciamento de riscos, controle da cadeia e outros tantos, porém, ao findar esses momentos, vimos algumas áreas da indústria retomando a velhos costumes como se nada fosse. Sem contar quando crises, como a dos semicondutores, assolam a cadeia global forçando a todos, inclusive nós, a tomar novas medidas. Nesta hora, estar apoiado em uma rede tecnológica e operacional integrada, sem dúvida faz com que possamos sair na frente dos demais.”

Maria Silvia, da Buslog, aponta criticidade nos prazos de entrega, especialmente partes e peças de reposição. “Estes desafios são solucionados através das inúmeras partidas diárias que a Buslog oferece, possibilitando a chegada de uma peça de reparo/reposição no destino o quanto antes. Também podemos citar o controle de retirada das peças pelos técnicos nos destinos, solucionado através de acompanhamento no site, EDI, API, Webservice.”

 

Novidades e tendências

A movimentação das cargas de projeto depende muito da infraestrutura e estrutura logística da rota considerando origem e destino onde tal carga irá transitar. Veículos e guindastes potentes, portos bem estruturados e navios aptos a operar tais tipos de carga são pontos fundamentais para a viabilidade dos projetos, acusa Souza, da Allog, quando o assunto é novidades/tendências do setor.

Na ótica de Almeida, da DHL Supply Chain Brasil, o uso mais intensivo de dados, tanto na previsão de demanda, como para gestão de riscos é um movimento crescente e fundamental para encarar um mercado ainda muito volátil.

Por outro lado, a incorporação de novas tecnologias inovadoras, como as encontradas nas torres de controle, por exemplo, vêm contribuindo muito para que o setor ganhe continuamente eficiências. Por fim, a sustentabilidade é um valor extremamente relevante, e se traduz na eletrificação de porções das cadeias de suprimentos, dentre outras iniciativas, completa o head do Setor Automotivo da DHL Supply Chain Brasil.

Tecnologia também é o futuro para Maria Silvia, da Buslog. Ela destaca que, para as indústrias, a otimização dos processos de manutenção, elevando a eficiência da produção, permite que a empresa ganhe maior competitividade. Além da gestão de performance que realiza o monitoramento da condição dos equipamentos e o gerenciamento de integridade do desempenho da indústria. Na logística, ainda segundo a gestora executiva Comercial, a tendência aponta para a automação dos processos manuais com valorização das atividades intelectual e de relacionamento humano através de maior capacitação dos colaboradores com as novas tecnologias e aprimoramento das capacidades mais subjetivas. “A logística em tempo real deve passar a utilizar ferramentas modernas, para realizar o rastreamento e monitoramento em tempo real, avaliar e trabalhar ociosidade e manter as informações de forma eletrônica aos clientes, bem como disponibilizar dashboards para avaliação de performance, entre outros.” Por fim, a sustentabilidade na logística, item importante que vem sendo muito trabalhado e desenvolvido com a redução de emissão de gás carbônico através da otimização e compartilhamento (transporte nos bagageiros dos ônibus de passageiros), com a redução dos impactos nocivos ao meio ambiente. De acordo com Maria Silvia, as empresas, muito mais conscientes, buscam por uma logística mais sustentável e que minimize o desgaste dos recursos naturais.

“Nós da Prestex entendemos que a informação e velocidade competitiva ditam as novas regras do mercado, e para esse segmento não é diferente.  O advento da transformação digital traz ao setor uma atualização importante da sua cadeia de gerenciamento logístico, sendo que é possível uma correlação importante entre valor empregado em estoque versus competitividade em logística, ou seja, não faz sentido altos valores de estoque na cadeia se você possui um parceiro logístico confiável que, além de proporcionar uma logística dentro dos acordos de prazo, oferece uma visibilidade global da cadeia e seus impactos subsequentes.”

Ainda segundo Zeferino, a informação deixou de ser ferramenta de alguns para ser obrigatoriedade de todos neste processo: “o que você faz com ela é o que diferencia sua posição neste mercado.”

 

O que as empresas oferecem

Allog – Trabalha com maquinários para indústria de bebidas, motores e geradores elétricos, segmento de usinagem, segmento náutico com iates de luxo, implementos agrícolas, setor automotivo, etc. Oferece logística door to door do projeto.

Buslog – Atua com partes e peças de maquinários gerais: automação, elevadores, veículos, tratores, outsourcing, hospitalares, eletrodomésticos, etc. E também com equipamentos completos: médico-hospitalares, outsourcing, eletrodomésticos. Oferece transporte de encomendas fracionadas, com opção de serviços de primeira e última milha ou somente a transferência.

DHL Supply Chain Brasil – Atua nos mercados de peças de reposição para equipamentos agrícolas e de construção, bem como tecnologias relacionadas, incluindo componentes eletroeletrônicos e mecânicos para motores e transformadores industriais, gás natural, energia e produtos químicos, tanto em atividades de armazenagem, como de transportes e de gestão da Supply Chain.

Prestex – Em termos de máquinas e equipamentos, atua em duas frentes. A primeira é o mercado de transformação, que basicamente envolve componentes da indústria. Nesta área atua abastecendo a cadeia, seja através de milk run já desenvolvido, ou desenvolvendo o gerenciamento de cadeia para o cliente, bem como em casos pontuais atuando como spot para emergências que ocorrem na cadeia de seus clientes. A outra frente é o mercado de distribuição. Neste caso é o produto final (ou em escala parcial), que entrega na cadeia de distribuidores, fornecedores ou pontos de manutenção dos seus clientes.

 

 

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