Logística Reversa: destino de medicamentos e insumos requer atenção de gestores hospitalares

22/01/2015

Segundo estimativa da ANVISA, apresentada no Relatório “Logística Reversa aplicada ao setor de medicamentos”, o recolhimento de medicamentos pode chegar a mais de 13 mil toneladas por ano. Já no caso dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), a ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Fone: 11 3297.5898) estima que 28,8 milhões de toneladas tiveram destino inadequado nas diferentes regiões do país, em 2013. “Os dados são alarmantes e ainda há muito desperdício de medicamentos e de dinheiro, sem falar do risco à saúde pública. Mas esse cenário está mudando em muitas cidades e instituições de saúde, com programas educativos e a intervenção de uma logística hospitalar de qualidade”, afirma Domingos Fonseca, presidente da UniHealth Logística Hospitalar (Fone: 11 3555.5800) – empresa que realiza a gestão de mais de 100 hospitais e unidades de saúde e atende a mais de 10 mil leitos hospitalares, com movimentação de mais de 800 milhões de unidades e mais de 5 milhões de requisições por ano.

Para Fonseca, é essencial realizar uma logística hospitalar de qualidade evitando desperdícios, com o auxílio de recursos tecnológicos que já possibilitam, hoje, provisionar a necessidade de cada medicamento por região do País e fazer um controle rigoroso dos lotes, conforme a validade, através do sistema de rastreabilidade. “Isso permite o remanejamento de insumos entre unidades de saúde e reduzir a obsolescência de medicamentos, que hoje gira em torno de 20%”, explica Fonseca.

Descarte de medicamentos

O marco legal mais importante para a logística reversa ocorreu com a aprovação da Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Em paralelo, a ANVISA trabalha agora em uma proposta para reduzir os riscos à saúde pública e o impacto ambiental do descarte, ao criar um Grupo de Trabalho Temático de Medicamentos (GTT de Medicamentos), composto pelo Poder Público, setor empresarial, instituições de ensino e entidades profissionais. Com isso, a Agência quer elaborar uma proposta para a implementação da logística reversa na cadeia produtiva do medicamento. 

Alguns programas de operacionalização, coleta e transporte de resíduos sólidos e, sobretudo, de orientação à população para o descarte correto de medicamentos têm sido adotados no Brasil, alguns há muitos anos. É o caso do programa especial da Prefeitura Municipal de Curitiba, cuja coleta de lixo de composição química é realizada uma vez por mês, como também da Farmácia Popular, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e do Programa de Devolução Segura de Medicamentos do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

A logística reversa tem dois eixos essenciais: de um lado, o consumidor final, responsável pelo descarte de medicamentos vencidos em pontos de coleta autorizados, e de outro, os gestores hospitalares, que devem observar as mais avançadas tecnologias, que permitem gerar economia financeira, remanejamento de medicamentos por unidades, controle rigoroso de prazos de validades, entre outros benefícios do inicio ao fim do processo.

“Para uma boa logística reversa dentro das instituições de saúde, é preciso monitorar e rastrear tudo o que foi consumido, de forma que determinada quantidade excedente possa retornar ao estoque e, consequentemente, ser incorporada à instituição ou unidade de saúde”, finaliza o presidente da UniHealth Logística Hospitalar. 

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