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Logística Setorial 27 de fevereiro de 2020

Logística têxtil e vestuário: para embarcadores, dinâmica do setor requer o uso de mais de um modal

Trabalhando com produtos sazonais, os embarcadores precisam contar com uma logística ágil, que atenda aos ditames da moda. Sem contar que, hoje, os consumidores valorizam a experiencia de compra e a logística tem papel primordial neste sentimento.

Jangadeiro Têxtil: vários modais para entrada e saída de materiais
A Osasuna Participações – Jangadeiro Têxtil é uma indústria têxtil que utiliza tanto frota própria com 10 veículos, para atendimento dos clientes estratégicos da fábrica, quanto frota terceirizada de 11 Operadores Logísticos. “A escolha desse modelo operacional é para ter celeridade nas entregas dos clientes no entorno da fábrica, bem como em clientes de grande volume na região Nordeste que compram a matéria prima conosco para produzir para os grandes magazines do Brasil e necessitam de uma entrega expressa”, diz Sabino Pereira Lopes, coordenador de Logística da empresa. Dentre os principais Operadores Logísticos que trabalham com a Jangadeiro Têxtil e são fundamentais nesse atendimento destacam-se a Termaco Logística, a Jamef Encomendas Urgentes, a Leite Express e a Latam Cargo.
Lopes acrescenta que a sua empresa opera com um mix de produtos com regularidade de produção que se renova a cada coleção (moda). Há, ainda, a possibilidade de desenvolvimento de estampas exclusivas conforme a necessidade de cada cliente, desde que atenda à política comercial da fábrica em termos de lotes mínimos de viabilidade de produção. São produzidos diversos grupos de produtos, com foco atual em estamparia digital e produtos diferenciados.
Neste processo todo, o coordenador de Logística diz que são utilizados diariamente, nas entregas em todo o Brasil, cerca de 45 veículos, sendo 70% desse volume nos estados do Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Santa Catarina para distribuição. “Em termos de frota de viagem atualmente dispomos de dois veículos próprios truck Scania P 250 com capacidade de entrega de 14 toneladas cada, focados no percurso Ceará/Pernambuco, e mais três carretas terceirizadas de viagens com saídas diárias do Ceará (Fortaleza) para Guarulhos, SP, Rio de Janeiro, RJ e Blumenau, SC.”
E, além do modal rodoviário, a Jangadeiro Têxtil utiliza os modais aéreo – tem parceria com a Latam Cargo – e o marítimo, para trazer insumos – especialmente fio têxtil – que são comprados na China, Índia e em outros países asiáticos, preferencialmente. “A utilização do modal aéreo é para atender a demanda de material para aprovação de tonalidade e avaliação de amostras para fins de testes pelos clientes – estes precisam receber essas amostras em no máximo 48/72hs corridas. Já a utilização do modal marítimo é para suprir a nossa demanda de matéria prima que vem de fornecedores que temos especialmente na China. Trazemos os contêineres da Ásia e os navios atracam no porto do Pecém/CE. Retiramos do porto e levamos para o nosso parque industrial localizado em Maracanaú, CE”, explica Lopes.
Quanto à armazenagem, a empresa utiliza somente armazéns próprios. Hoje dispõe de quatro armazéns para alocação de matéria prima/insumos e de produtos acabados. Em termos de capacidade de armazenagem varia de 300 ton (menor módulo – armazém 1) a 2.800 ton (maior módulo – armazém 4).
Desafios – Falando sobre os desafios logísticos enfrentados pela empresa, Lopes destaca que é conseguir credenciar Operadores Logísticos com estrutura adequada de coleta/distribuição/entrega rápida dentro de um custo competitivo e que ofereça um nível de serviço logístico excelente – entrega sem avarias, informações via portal acerca da rastreabilidade de carga, ocorrências de devoluções informatizadas, digitalização de comprovantes de entregas etc.
Como a maior parte da carga é transportada em rolos não paletizados, há necessidade de manuseio item a item, o que torna o processo de carga/descarga mais lento. Isso pode acarretar avarias nas embalagens, sujando os tecidos. Como o valor agregado da carga é alto, também é importante ter um Operador Logístico com gerenciamento de risco confiável, apólice de carga com valores altos averbados em seguradora sólida e sistema de rastreabilidade dos veículos ponta a ponta.
“Estes desafios poderiam ser resolvidos com investimento em infraestrutura e constante qualificação/treinamento das equipes internas e externas. Também entender como funciona a operação do cliente para criar um modelo adequado que possa suprir as necessidades e, eventualmente, otimizar os custos logísticos. E como integrar as plataformas de informações via sistemas do embarcador/Operador Logístico”, diz Lopes.
Neste contexto, o coordenador de Logística aproveita para salientar que o relacionamento Jangadeiro Têxtil/transportador e OL é satisfatório. “Antes de credenciarmos um transportador/Operador Logístico fazemos uma análise técnica de viabilidade. É preciso ter estrutura de frota, retaguarda operacional com informações céleres e precisas e com sistema de monitoramento/acompanhamento das cargas de fácil acesso ponta a ponta. Obviamente, o quesito preço de frete é levado em consideração, mas não é a variável mais importante. Não adianta ter o melhor preço e um nível de serviço logístico problemático. Ou seja, ao invés de ser uma solução, cria é mais um problema e insegurança logística para o embarcador. Os problemas mais comuns são relacionados à demora na solução de alguns problemas, especialmente em termos de sinalização de ocorrências de entrega, como devoluções ou perda de agendamentos. A solução é criar plataformas de disparo rápido das informações, a fim de facilitar a comunicação e as tratativas entre o embarcador/transportador/cliente final”, diz Lopes.
Diferenciais – Já se referindo aos diferenciais da logística no segmento têxtil em comparação à de outros setores, o coordenador de Logística diz que é ter agilidade nas entregas, com informação real time do andamento do fluxo desde a coleta até a entrega no cliente final. Manusear cargas com volumes significativos e valor agregado alto, evitando avarias/extravios. Como o elo é entre a indústria e o comércio (cliente final pessoa jurídica), há necessidade de plataformas com informações atualizadas e de fácil acesso por todos os usuários.
“Muitos clientes aplicam multas por atrasos de entrega. São clientes bastante exigentes até porque é um segmento altamente dinâmico que sofre constante concorrência de produtos importados. Portanto, exige velocidade em todo o processo logístico para o produto chegar dentro dos prazos para confecção e entrar nas coleções das lojas.”
Sobre os diferenciais da logística da sua empresa, levando em conta o tipo de produto transportado, Lopes enfatiza que é rapidez na separação dos pedidos, no processo de faturamento e na expedição da carga para o cliente final. Manter esse fluxo com eficiência operacional sem erros de envios, sem avarias, sem extravios e atendendo clientes em todo o Brasil com grande capilaridade de entrega dentro de um custo operacional viável. “Os nossos principais concorrentes e clientes estão no eixo SP/SC, e como a nossa fábrica encontra-se no Nordeste, é preciso compensar esse prazo de chegada do produto nos nossos clientes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste com agilidade. Investimos em tecnologia nos processos internos com coletoras, sistemas de gerenciamento de Supply Chain e buscamos credenciar Operadores Logísticos que tenham expertise nesse segmento têxtil.”
Aliás, a Jangadeiro Têxtil adotou vários procedimentos, em termos de logística, para se adequar ao mercado. Foram feitos investimentos em tecnologia, na qualificação de fornecedores/parceiros logísticos e em treinamento para a equipe interna. Tudo isso para manter a operação com nível de serviço de excelência (perceptível pelo cliente final) e dentro de um custo logístico viável em que o preço final esteja competitivo quanto aos concorrentes internos e externos (importadores), que trazem produtos da China e de outros países asiáticos, especialmente.
“Buscamos investir na integração e na inteligência logística que visa aumentar a eficiência operacional com foco em planejamento, processos, execução, métricas e correção de desvios em tempo real. Sempre prezando pela segurança, qualidade, produtividade e redução de custos. Utilizamos as ferramentas de cascateamento de metas, rastreabilidade, programação de carregamentos, roteirização de entregas, monitoramento de carga/frota, padronização operacional, adoção de métricas de desempenhos e excelência na execução. Ou seja, a torre de controle visa garantir a disciplina operacional com a execução eficiente do trabalho logístico. Seja através de monitoramento ou da padronização de processos e tarefas. Sempre com o constante treinamento e a integração da equipe”, pontua Lopes.

Track & Field: desafio é garantir as entregas em tempo curto
Welington Souza Celestino é gerente de Logistica da Track & Field (Fratex Indústria e Comércio), e ele conta que a empresa atua com transportadora terceirizada e logística própria. “Sendo assim, nós mesmos contratamos os transportadores, por uma questão de custo. Utilizamos a Movvi, Global Cargo, Displan, Braspress, Via Urbana, Rodonaves e Via Brasil. E também agregados para abastecimento de fabricas.”
Falando sobre a média de veículos usados na logística, diariamente, Celestino diz que no terceirizado não há como dimensionar, pois o modelo é fracionado. Já a origem das cargas é São Paulo e o destino, 250 lojas em todo Brasil. Para o abastecimento de fábrica, são usados quatro veículos VUC diariamente. Também é empregado o transporte aéreo, para regiões com grande prazo no modal rodoviário, como Rondônia, Manaus e Sinop, por exemplo. Para armazenagem, é usado em CD de 6.000 m².
Falando propriamente do Varejo Textil, o gerente de logística diz que o maior desafio é garantir semanalmente as entregas em tempo das estratégias em ponto de venda, quando a informação é primordial. “Isto é resolvido com a consolidação de parcerias que entendam a real necessidade do negócio, garantindo o atingimento das expectativas.”
Isto tudo, porque, segundo Celestino, o segmento têxtil é muito dinâmico em suas estratégias comerciais, o que reflete totalmente nas operações logísticas – abastecimento, entrega e informação em tempo. “Os consumidores hoje valorizam a experiencia de compra e a logística tem papel primordial neste sentimento.”
Visando atender a estas exigências, a Track & Field mantém uma estratégia de abastecimento ágil em sinergia com a estratégia comercial e malha de distribuição que acompanha. Também há oferta de canais de entrega para o cliente online.
“Em termos de logística, adotamos ferramentas tecnológicas para gestão e monitoramento tanto fora quanto in house, podendo citar como exemplo o TMS e as parcerias que levam o nosso negócio a sério.” A esta solução logística, foram acrescidas outras, com o uso de WMS, Torre de Tracking e oferta de canais de entrega online.
Destacando que a empresa também atua com venda via site, com o pick up store (compre no site e retire em loja), além do at home (compre na loja e receba em casa), Celestino diz que a Track & Field tem um bom relacionamento com os OLs e transportadoras, pois nos seus processos de BID deixam claro qual a estratégia e quais os requisitos para atender. Além disto, facilitam a comunicação com a implementação de um TMS.
Finalizando, o gerente de logística diz que a Track & Field tem como missão “conectar pessoas a um estilo de vida ativo e saudável” e para isto “oferece produtos para a prática esportiva com qualidade e tecnologia que proporcione isto”.

Ober: atendimento personalizado em cada segmento de mercado em que atuam
A Ober Indústria e Comércio é especialista na produção de não tecidos, atendendo aos mercados automotivo, calçadista, moveleiro, de geossintéticos, limpeza doméstica, limpeza industrial, limpeza institucional, cameba e de feltcolor.
“Temos transportadora própria no grupo, que atende redespachos, entregas em São Paulo – Capital e entregas urgentes. E transportadoras terceirizadas para atender cargas fracionadas a nível Brasil”, explica Vitor Manuel Abreu Silva, gerente de Logística e Distribuição da empresa, destacando que as terceirizadas incluem Rocell, Transduarte, LaBarca, KR Transportes, Farrapos, TA Transportadora Americana, Termaco, Patrus, STR e CNTC Log.
Ele também comenta que são usados, em média, 50 veículos/dia e média de 60 a 70 viagens/dia entre Nova Odessa, SP, e pontos no Brasil. E que também empregam o modal marítimo para importação e exportação.
Para a armazenagem, a empresa conta com três armazéns para estoque de produtos acabados, matéria prima, insumos e embalagens com aproximadamente 6.000 m² cada um.
Destacando que os diferenciais da logística no segmento têxtil são a mão de obra qualificada, pontualidade, níveis de serviço bastante elevados e foco no core business, Vitor Manuel diz que os diferenciais de logística da sua empresa partem da pontualidade, equipamentos e máquinas especializadas e atendimento personalizado em cada segmento de mercado em que atuam.
“Adotamos uma maior agilidade em nossa comunicação e investimos em novas plataformas de integração logística em toda a planta de fábrica”, diz o gerente de Logística e Distribuição.
Mesmo com estes investimentos, a Ober tem encontrado dificuldades em encontrar caminhos para competir com os produtos importados, uma vez que temos uma carga de impostos que onera em grande parte os produtos nacionais.
Relacionamento – Falando sobre o relacionamento empresa/transportador ou OL, Vitor Manuel diz que o da empresa com seus parceiros transportadores se dá de uma forma bastante transparente e saudável. “Podemos estar sempre em busca de melhorias e, desta forma, nossos canais de comunicação se tornam bastante estreitos e eficazes”, diz o gerente, acrescentando que a empresa pratica o e-commerce através da plataforma do Mercado Livre.

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