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Logística e Meio Ambiente 25 de julho de 2018

Manual de sustentabilidade orienta empresas a aplicarem boas práticas no transporte

Acaba de ser lançado pelo PLVB – Programa de Logística Verde Brasil o Manual de Aplicação: Boas Práticas para Transportes de Carga. Seu objetivo é orientar empresas, membros da entidade ou não, quanto à escolha, aplicação, avaliação e relato das boas práticas por meio do planejamento e execução de procedimentos estruturados.
O material surge em um contexto em que é importante garantir a redução dos custos de transporte e a segurança energética por meio da redução da dependência de combustíveis fósseis, colaborando com os compromissos internacionais do país em reduzir as emissões de dióxido de carbono em 37% até 2025 e, em 43%, até 2030, tomando como base o ano de 2005.
A iniciativa ocorre um ano após o PLVB ter lançado o Guia de Referência em Sustentabilidade: Boas Práticas para o Transporte de Carga, que consolida 22 boas práticas capazes de contribuir para o aprimoramento da eficiência e da sustentabilidade no setor. Podemos dizer que o guia é a teoria, e o manual, como colocá-la em prática.
“Um dos grandes desafios das empresas para o século XXI é serem sustentáveis e, simultaneamente, eficientes na maneira como operam sua logística e demais atividades, sem que isso impacte sua economia. A criação deste manual visa assegurar a aplicação correta de práticas que persigam este objetivo”, afirma Márcio D’Agosto, coordenador técnico do PLVB.
Segundo Cíntia Oliveira, também coordenadora técnica do programa, o emprego correto das ações contempladas no material pode contribuir para a economia das empresas. “Em quase 80% dos casos, as boas práticas levam à redução dos custos de diversos processos e atividades, uma vez que atuam no sentido de diminuir o consumo de energia, os tempos de operação e aumentar a segurança, a confiabilidade, a flexibilidade e a capacidade das operações”, afirma.
A versão eletrônica do Manual de Aplicação está disponível para download gratuito no site plvb.org.br. Além disso, foram impressas 1.500 cópias, que serão distribuídas aos interessados que procurarem os representantes do PLVB nas empresas membro ou na coordenação técnica do programa.
O PLVB e uma iniciativa que reúne acadêmicos da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) e 21 empresas de diversos segmentos para o aprimoramento da eficiência e a implementação de medidas socioambientais na logística.
As empresas membro do programa participam de um fórum de discussão mensal sobre logística verde no Brasil, que já tem o reconhecimento de instituições internacionais de renome, como o SFC (Smart Freight Center). Além disso, o PLVB realiza reuniões periódicas com seus representantes para estabelecer os caminhos que o programa deve seguir em termos de ações prioritárias.

Na prática
No evento de apresentação do manual à imprensa, D’Agosto explicou o seu uso. Primeiramente, a empresa que deseja assumir compromisso com sua responsabilidade socioambiental faz uma avaliação dos seus processos e analisa as partes críticas que poderiam ser trabalhadas, por exemplo, aquelas que geram mais custos e mais emissões de poluentes. A partir daí, escolhe uma das 22 boas práticas recomendadas no Guia de Referência em Sustentabilidade, que também está disponível para download no site.
É recomendada a utilização da Análise SWOT para ajudar as empresas a posicionarem sua estratégia diante dos ambientes de negócio estabelecidos. Esse tipo de análise permite a avaliação das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças nos ambientes interno e externo.
Após a aplicação de um projeto-piloto e a avaliação dos resultados obtidos, a empresa faz uma reflexão sobre a possibilidade de implementar a boa prática de forma definitiva. Esta reflexão se faz necessária tendo em vista que existe um custo associado à sua aplicação.
Caso os resultados econômico-financeiros sejam satisfatórios para o agente avaliador e os benefícios ambientais minimamente suficientes, ou caso os resultados econômico-financeiros sejam insatisfatórios para o agente avaliador e os benefícios ambientais inexistentes, há uma indicação clara para a tomada de decisão.
No entanto, quando os resultados econômico-financeiros forem insatisfatórios e os benefícios ambientais forem suficientes, ou quando os resultados econômico-financeiros forem satisfatórios e os benefícios ambientais insuficientes, a decisão quanto à implementação da boa prática de forma definitiva vai se tornar uma pouco mais complexa, tendo em vista a necessidade de alinhamento com a missão, os valores, os objetivos e as metas de cada agente avaliador.
Como atividade complementar à aplicação do manual, o PLVB preconiza que sejam realizados os treinamentos oferecidos pelo programa.
As 22 boas práticas expostas no guia são classificadas por modo de transporte, cadeia logística e operação. Para cada uma há um impacto econômico e ambiental, identificado por flechas verdes e vermelhas, para cima e para baixo. Por exemplo, a implantação de Centros de Distribuição de carga próximos à fábrica e a implantação de centros de consolidação de carga em áreas urbanas têm um investimento inicial alto, mas geram impacto positivo em segurança, confiabilidade, flexibilidade e capacidade, reduzindo custo, tempo, consumo de energia, gases de efeito estufa e poluição atmosférica.
De acordo com o guia, uma das formas mais efetivas de reduzir emissões é transferir o transporte de carga para modais mais limpos. A Dow reduziu em 47% o consumo de energia, os custos e a emissão de gases poluentes substituindo o modal rodoviário pelo marítimo no transporte de produtos químicos na rota São Paulo-Fortaleza. Por outro lado, teve um alto investimento e aumentou seu tempo da entrega.
“Não é escolher de forma aleatória qualquer ação e colocar em prática. É preciso analisar os dados e a operação para saber o que é viável de se fazer com os recursos que se tem”, explicou D’Agosto. E não se trata de cumprir as 22 boas práticas. Uma empresa que aplicar apenas uma delas pode obter mais resultados que outra que aplicar cinco, por exemplo, depende da efetividade da ação.
Questionado sobre o engajamento do mercado, o coordenador técnico do PLVB disse que há muito interesse, mas pouco comprometimento. “Para ser membro do programa é preciso cumprir alguns requisitos, como participar das reuniões e dos treinamento e divulgar as boas práticas”, acrescentou Cíntia. O que não é tão simples de se conseguir.

Próximos passos
O próximo passo do programa é lançar, em 2019, o Guia de Excelência em Sustentabilidade. E, em 2020, três selos verdes, nas áreas de transporte de cargas, logística e manutenção de estoques e processamento de pedidos, para certificar as empresas que estão realmente engajadas. “Começamos em 2017, com o lançamento do guia. Queremos gerar o efeito dominó até chegar ao Selo Verde”, expôs D’Agosto. Um passo a cada ano.

O peso dos transportes na poluição
As atividades logísticas são essenciais para toda a sociedade, por suprirem cargas e serviços e por ampliarem os resultados econômicos das empresas, representando de 7% a 9% do PIB mundial e cerca de 12% do PIB brasileiro. Segundo a AIE – Agência Internacional de Energia, os transportes são os maiores consumidores mundiais de combustíveis derivados de petróleo, uma fonte de energia não renovável. Representavam 29% deste montante em 2013. Além disso, a categoria de transportes é uma das que mais contribui para a emissão de gases de efeito estufa (GEE), com crescimento de 2,3 vezes nos últimos 40 anos.
O aumento de concentração de GEE na atmosfera é responsável pelo aquecimento global. No Brasil os transportes respondem por 69% do consumo de petróleo e gás natural e por 13,8% das emissões de GEE. De toda energia consumida em transportes no mundo, 93% são de derivados de petróleo e no Brasil, este valor atinge 80%.

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