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Logística Setorial 2 de fevereiro de 2021

Peso e volumetria da carga tornam o manuseio delicado no setor de papel e celulose

Além disso, é preciso manter todo o local limpo e o ambiente arejado, evitando contaminações e umidade, bem como contar com equipamentos em perfeito estado de conservação e manutenção, sem vazamentos de óleo.

Diversas particularidades diferem o segmento de papel e celulose de outros, desde a logística necessária para produção e escoamento da madeira até a produção e a distribuição do produto acabado.
A operação na área florestal exige do transportador conhecimento técnico muito amplo, além de pessoas extremamente capacitadas tecnicamente. É necessário também um enorme planejamento logístico, que facilite o escoamento da madeira a partir das fazendas de plantio até as fábricas, buscando sempre menor custo e maior produtividade.
Outro diferencial é o ciclo de produção da matéria prima que, no caso de eucalipto e de pinus, chega próximo a 10 anos. Ou seja, demanda uma logística bastante ampla, com áreas distantes para garantir o giro de produção da madeira. Além disso, por se tratar de um ciclo tão longo, é preciso alto investimento, desde o plantio até a preparação das vias. Todos esses detalhes foram dados por Flávio Cunha Souza, supervisor de Projetos Logísticos da Expresso Nepomuceno.
Luiz Faria, gerente comercial corporativo do Grupo Mirassol, também dá a sua contribuição, ressaltando que a empresa tem experiência no transporte da madeira (toras de eucalipto) da fazenda até a planta fabril, no transporte da madeira picada, da celulose e do papel, em suas diversas formas (bobinas, resmas, A-4, para higiene pessoal etc.). “Cada uma tem uma característica diferente”, conta.
No transporte da madeira, por exemplo, em toras ou picadas, são utilizados veículos específicos. Além do básico, como um rigoroso processo de check list, com limpeza e higienização dos equipamentos, é necessário considerar forração, cintas suficientes, catracas fixas e deslizantes, cantoneiras de amarração de madeira e de papelão, bem como cuidados com a impermeabilização do equipamento.
O transporte do papel também requer cuidados. Manter todo o local limpo e o ambiente arejado, sem contaminações e umidade, são requisitos imprescindíveis em todas as etapas da cadeia. “Por outro lado, os equipamentos de manuseio precisam estar em perfeito estado de conservação e manutenção, sem vazamentos de óleo. E os clamps, garfos e bobineiras devem estar limpos e sem ferrugem, para que o produto chegue de forma intacta ao destino final”, detalha Faria.
Devido ao peso e à volumetria da carga, o manuseio é delicado, complementa Anderson Perez, gerente comercial da Alfa Transportes. “O material é nobre e deve estar livre de qualquer tipo de agentes, como óleo, água e outros que possam danificá-lo.”

Desafios
Para quem opera nesse setor, há inúmeros desafios, como elenca Souza, da Expresso Nepomuceno:
• A topografia, o relevo e o tipo de solo, com vários pontos com aclives e declives acentuados, exigem maior conhecimento técnico dos envolvidos e uso de equipamentos específicos e adequados a cada realidade e tipo de operação;
• É preciso encontrar uma melhor logística de operação para cada relevo, levando em consideração fatores climáticos, como excesso ou até mesmo falta de chuvas, interferências externas, como tráfego por comunidades e restrição de trânsito, que dificultam toda a cadeia de abastecimento;
• É fundamental a manutenção do alto nível de serviço, para manter a competitividade no setor;
• Devido aos inúmeros riscos envolvidos, é preciso manter a gestão segura e eficiente da operação;
• Realizar o abastecimento contínuo de suprimento nas fábricas, sem interrupções, envolve uma gestão monitorada 24h por dia e 7 dias por semana, com tecnologias embarcadas nos equipamentos, que possibilitam o acompanhamento online de toda a movimentação e possíveis ocorrências em toda a cadeia de suprimento.
De fato, existem desafios diferentes em cada processo da logística. Faria, do Grupo Mirassol, conta que é preciso investir em mão de obra especializada, com rotina de treinamento específica para garantir a qualidade do produto em seu manuseio e, principalmente, preservar a segurança e a saúde de todos os envolvidos no transporte.
Quando se fala da carga em toras, por exemplo, os equipamentos devem ser de alta performance, com manutenção constante. Na fazenda, é preciso garantir todo o suporte técnico para manutenção e abastecimento dos veículos.
Na lista de desafios de Van Eric, coordenador de logística da Carvalhão – Transportes Carvalho estão os cuidados para mitigar perdas por avarias x baixos fretes, além da concorrência. “E reduzir os gargalos gerados com o aumento da produção no setor”, acrescenta Gerson Gruba Pereira, gerente de novos negócios da Transportes Della Volpe.

Exigências
O segmento de papel e celulose exige expertise e know how aprimorados para lidar com suas inúmeras particularidades. “A mão de obra é parte fundamental do processo e é preciso ser especialista nesse tipo de logística. Além disso, deve-se entender as dinâmicas de escala para manter a operação contínua, respeitando as condições de jornada previstas na nossa legislação”, conta Souza, da Expresso Nepomuceno.
Os OLs que atuam nesse segmento precisam dispor de equipamentos pesados e preparados para esse tipo de operação, com tracionamento 4×4 Off Road, sistemas de freios ABS e EBS e o que há de melhor em tecnologia e potência. “Exige também estrutura e capacidade de gestão da manutenção dos equipamentos para que suportem as condições adversas e severas de operação, além da renovação contínua de frota”, complementa o supervisor de Projetos Logísticos da Expresso Nepomuceno.
Alto desempenho para manter os volumes de inbound da fábrica. No outbound, flexibilidade de equipamentos para atendimento de diferentes clientes (regiões e características de recebimento). É o que expõe Faria, do Grupo Mirassol.
Prazos competitivos, malha de atuação ampla para distribuição, menor nível de avaria e informações em tempo real de qualidade são sempre fundamentais, comenta Perez, da Alfa Transportes.
“O setor exige grande capacidade operacional para volume de transporte com eficiência, muitos cuidados e, para evitar avarias, requer fretes muito otimizados”, expõe, por sua vez, Eric, da Carvalhão.
As transportadoras e os Operadores Logísticos devem ter maior especialização, focando em atividades específicas (inbound, outbond, MRO, armazenagem, etc.), adiciona Pereira, da Della Volpe.

Terceirização
A terceirização é uma tendência cada vez mais forte entre as empresas de papel e celulose em todo o país, principalmente entre as maiores do segmento, garante Souza, da Expresso Nepomuceno.
O mercado de papel e celulose é bastante amplo no Brasil, com inúmeras oportunidades e vem projetando grandes investimentos voltados para melhoria e expansão da produção.
Para Faria, do Grupo Mirassol, praticamente todas as empresas mantêm foco muito grande na terceirização das diversas etapas, pois é o modelo mais econômico, inteligente e estratégico. “Estamos otimistas com o crescimento previsto para 2021.”
Perez, da Alfa Transportes, lembra que ter a própria logística envolve não apenas adquirir veículos, mas também ter mão de obra especializada, sistema de gestão, seguro e fazer a manutenção de veículos. “Tudo isso, em longo prazo, implica em altos custos que, se levados em conta, tornam a logística própria inviável, sendo a terceirização muito mais vantajosa.”

Transformações
Assim como diversas indústrias tiveram mudanças em seus negócios, o mesmo aconteceu com a logística da indústria de papel e celulose devido à pandemia. “Uma parte dessa carga mudou, ficou mais fracionada. Talvez pelo fato de uma enorme quantidade de pessoas estarem em home office e não manterem os níveis de estoque das empresas convencionais”, expõe Faria, do Grupo Mirassol.
De acordo com Souza, da Expresso Nepomuceno, houve uma demanda crescente durante a pandemia por papel e celulose, para produção de insumos, como máscaras e embalagens de proteção, além do aumento significativo nas exportações, devido à alta no dólar em relação à moeda nacional.
Sobre mudanças na reposição de mercadorias, Eric, da Carvalhão, diz que com o fim da pandemia e o período de final de ano, quando, historicamente, já ocorre aumento no volume, reposição e atendimento acabaram competindo com outros segmentos. “O perfil da carga mudou para embalagens destinadas à área alimentícia”, acrescenta.

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