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Especial 30 de junho de 2022

Redução da emissão de carbono no transporte: montadoras de caminhões e usuários já enfrentam os desafios

Os desafios e as oportunidades para a redução da emissão de carbono no transporte rodoviário de cargas envolvem não apenas os veículos elétricos – em destaque –, como também os híbridos e os a gás. Independentemente das opções, fica clara a conscientização desta necessidade.

Pesquisa inédita realizada pelo CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, encomendada pelo iCS – Instituto Clima e Sociedade, apresenta um mapeamento dos principais desafios e oportunidades para o Brasil em relação à eletrificação do transporte de carga. O levantamento do setor empresarial brasileiro avaliou o cenário atual em diversas situações: da logística de entregas de mercadorias ao consumidor final até o deslocamento de longas distâncias para equipamentos e suprimentos.

Os desafios e oportunidades citados por 16 grandes companhias com atuação no Brasil apontam como uma das questões centrais a falta de marcos regulatórios e fomento ao uso de veículos elétricos. Nesse sentido, consideram que avanços de legislação e normas podem gerar um ambiente favorável, com segurança jurídica para investimentos privados na utilização de veículos elétricos.

Ainda assim, o estudo mostra que há um movimento positivo do setor para o investimento na eletrificação da frota, mesmo considerando insuficiente a política de incentivos. Parte das empresas ouvidas assumiram compromisso de zerar suas emissões de CO2 até 2030, objetivam atingir o ápice de 100% da energia comprada de fontes renováveis e já são usuárias de veículos elétricos.

A lista de companhias que participaram do levantamento inclui gigantes de setores como varejo (Grupo Carrefour), mineração (Anglo American e CBA), energia (Neoenergia e Schneider Electric), tecnologia (Grupo Sabará e Amazon), infraestrutura (Ecorodovias), serviços (Sesc), telecomunicações (Telefônica), bebidas (Ambev), beleza (Natura), saúde (Intermédica), petroquímica (Braskem), florestas (Suzano) e papel e embalagens (WestRock).

A lista de temas identificados inclui também melhor infraestrutura de carregamento e um conjunto de sistemas e tecnologias que facilitem a gestão de dados; e o estabelecimento e fomento a redes de colaboração entre todos os setores envolvidos, desde a geração de energia até as fabricantes de veículos.

As empresas identificam uma vantagem comparativa dos preços de operação dos carros elétricos, já que os custos de combustíveis como o diesel podem sofrer alta variação. As gigantes da economia brasileira citam também o desenvolvimento de novas tecnologias para descarbonização da logística, o aumento dos compromissos do mercado com as agendas globais e intersetoriais, em um contexto de valorização da agenda ESG, e a geração de dados e conhecimentos a partir de projetos concretos existentes como importantes avanços que podem ser alcançados com a eletrificação da frota.

A indústria de transportes é responsável por 14% de todo o CO2 emitido globalmente, segundo o IPCC – Painel Intergovernamental para a Mudança de Clima da ONU. No Brasil, o setor energético foi responsável por cerca de 18% das emissões totais de CO2 em 2020, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa – SEEG. Desse montante, o setor de transportes foi responsável por cerca de 47%, com tendência de aumento.

Este estudo traz ainda mais luz para a necessidade de estímulo à transição energética no país. O tema é citado, inclusive, como uma das 12 ações fundamentais para o próximo governo, elencadas pelo CEBDS em recente carta aberta aos candidatos à Presidência da República: “desenvolver, no primeiro ano de governo, e colocar em prática um plano estratégico de transição energética, com medidas de curto, médio e longo prazo, centrado na expansão de energias renováveis, na eficiência energética, no incentivo e fomento à mobilidade híbrida – combinando a eletrificação dos veículos com a utilização dos biocombustíveis –, na digitalização do setor elétrico e no empoderamento dos consumidores”.

O estudo inédito também ressalta como as grandes empresas têm trabalhado a descarbonização de frotas como ferramenta relevante na agenda de neutralidade climática. Faz parte do esforço para reduzir os níveis de emissões de gases de efeito estufa do país, somando-se a outras iniciativas, como diminuição do desmatamento, avanço da agenda de melhorias em processos industriais e de técnicas de baixo carbono no setor agropecuário.

Mas, é evidente, o processo de descarbonização do transporte em andamento no Brasil segue por vários caminhos, além do elétrico: etanol, gás natural e biometano estão entres outras opções já em uso que, na visão de especialistas, têm muitas vantagens em relação a outros países por causa de suas matrizes mais limpas. 

Para alguns especialistas, o etanol terá importante papel nesse processo, tanto no uso em carros híbridos no curto prazo e como gerador de hidrogênio no carro a célula de combustível no médio e longo prazo.

A seguir apresentamos algumas empresas que já partiram para a eletrificação de suas frotas, ou ainda estão utilizando outros meios para a redução da emissão de carbono no transporte. Acompanhe.

3M Brasil

Em fevereiro deste ano a 3M do Brasil replicou, na sua planta de Itapetininga, SP, ação já realizada na unidade de Sumaré, SP, em novembro de 2021, adotando o segundo caminhão elétrico em sua frota, destinado a atender especificamente a fábrica 3M de Itapetininga. Com autonomia para trafegar 250 quilômetros com uma única carga, cada caminhão elétrico tem capacidade para transportar até 3,5 toneladas.

Com a adoção do caminhão elétrico, além do importante impacto ambiental, com uma redução de emissão de CO2, a empresa também alcançou a redução no custo do frete devido à proximidade da planta 3M com seus principais fornecedores e a possibilidade de realizar várias viagens diárias com esse veículo. “O programa tem planos de expansão e já iniciamos estudos para replicar esse modelo para a 3M Manaus, AM, com previsão de início da operação de outro caminhão elétrico no segundo semestre desse ano, dedicado a esta fábrica”, diz Rodrigo Belinazzo, gerente de Transporte da 3M do Brasil.

Benefícios alcançados – Sobre os benefícios alcançados com o emprego destes dois caminhões, Belinazzo diz que o principal é o impacto ambiental, pois estão deixando de gerar até 60 toneladas  de emissão de CO2 na atmosfera por ano. “Mas há outros benefícios, como a isenção de restrições de circulação urbana – o que facilita a locomoção –, o fato de ser um veículo silencioso – o que reduz a poluição sonora –, e termos conseguido criar rotas inteligentes para a otimização diária do uso do veículo, com maior produtividade em frete, trazendo ganhos para nossa operação.”

O gerente de Transporte também lembra que a 3M tem como visão melhorar a vida das pessoas aplicando a ciência e a inovação, e a sustentabilidade é um pilar importante para implementar esta visão, pois estão comprometidos em criar um futuro mais sustentável, sendo um dos caminhos para isso terem uma logística sustentável.

“A equipe da Logística da empresa está trabalhando em várias iniciativas com esse objetivo, e um deles é o uso do caminhão elétrico com zero emissão de CO2 na atmosfera.

O Brasil tem muito a avançar nesse mercado, principalmente devido à dependência de tecnologia externa para a fabricação de caminhões elétricos, o que impacta em alto custo. “Acreditamos que a tendência é que esses modelos se tornem mais acessíveis e disponíveis à medida que o mercado local se desenvolva, e nós estamos buscando parcerias com empresas com o mesmo compromisso que a 3M na redução de carbono, para seguir ampliando o uso desse tipo de veículo.”

Logística sustentável – Na opinião de Belinazzo, a logística sustentável já faz parte da realidade de muitas empresas no Brasil, principalmente as que possuem uma política de sustentabilidade bem definida com metas agressivas de redução de gases poluentes. A tendência do uso de transportes que não agridam o meio ambiente é algo que veio para ficar, o uso de caminhões elétricos e híbridos vem crescendo a cada ano e, apesar do alto investimento inicial, com o passar dos anos esse investimento se paga com a redução de despesas que esse veículo proporciona.

O uso de bicicletas em grandes centros urbanos para entrega de pequenos volumes já é uma realidade em várias cidades, e outro exemplo. “Acredito que cada vez mais os clientes e empresas buscarão produtos e serviços sustentáveis que não impactem negativamente o meio ambiente, por isso a tendência nos próximos anos é que cada vez mais seja possível encontrar veículos elétricos e híbridos circulando pelas estradas do nosso país.”

Por outro lado, o gerente de Transportes da 3M do Brasil lembra que, enquanto alguns países europeus já utilizam em maior escala veículos não poluentes, como o caminhão elétrico por exemplo, aqui no Brasil ainda é necessário um grande investimento para se adquirir este veículo, em alguns casos até o triplo a mais que um caminhão a combustão. “Acredito que com o avanço da tecnologia e novos fabricantes neste mercado, haverá mais competitividade e redução do custo nos próximos anos, o que contribuirá para ampliação desta frota no país.”

Outro ponto a ser destacado é que não existem estação de recarga suficientes para tornar seu uso viável em muitas cidades, hoje ainda muito concentrado nos grandes polos industriais do país, e a autonomia do veículo é um ponto de preocupação.

“Apesar de todos os desafios, nós na 3M acreditamos e apoiamos toda iniciativa, desde a criação de um novo produto até a entrega para nossos clientes, visando garantir uma melhor experiência e de uma maneira sustentável.”

Outras ações – Além do uso de caminhões elétricos para entrega em seus clientes e coleta em fornecedores, a 3M também utiliza a cabotagem para Manaus, AM, bitrens e estratégias internas para consolidação de cargas e maior otimização dos veículos para reduzir a quantidade de viagens.

Ambev

Ter 50% da frota dedicada composta por caminhões elétricos até 2025: essa é a meta da Ambev, uma das mais ambiciosas do país. Para isso, a companhia realizou uma parceria com a JAC Motors para a compra de mais 150 veículos do modelo iEV1200T, que serão entregues até o final do ano. Somados aos 100 caminhões elétricos da Volkswagen (e-Delivery), fruto de uma parceria fechada com a montadora alemã em 2018 para testar o primeiro caminhão elétrico da América Latina, a Ambev planeja ter até o final deste ano uma frota com 250 unidades de elétricos circulando pelas ruas e avenidas de cerca de 20 cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Natal, Curitiba, Fortaleza e Ilhéus.  Para abastecer os pontos de recarga, a Ambev usará energia limpa, como parte das ações para atingir as metas de sustentabilidade da companhia: ter 100% da eletricidade comprada de fontes renováveis e reduzir em 25% as emissões de carbono em toda a cadeia de valor, ambas até 2025.

“Além da redução de ruídos, também estamos avançando para tornar as grandes cidades mais ‘verdes’. Considerando apenas esse ano, já temos mais de 70 mil quilômetros rodados com os nossos caminhões elétricos no Brasil, o que mostra que esse ‘futuro’ já é o nosso presente. E os resultados já são tangíveis. Somente no primeiro ano de operação, estimamos que uma parte da nossa frota já tenha contribuído para reduzir a emissão de aproximadamente 1.540 toneladas de CO2 na atmosfera e 583 mil litros de diesel. E para os próximos anos, com o avanço desses veículos em todo o Brasil, a redução de CO2 nas grandes cidades será ainda mais exponencial”, comemora Paulo Zagman, VP de logística da Ambev.

Sustentabilidade – Zagman lembra que a sustentabilidade é o negócio da empresa. “Fomos pioneiros ao traçar, em 2018, metas de sustentabilidade ambiciosas para 2025. Antes disso, mais compromissos ambientais já estavam em andamento e, hoje, temos conquistas que refletem a solidez da nossa jornada de carbono 360° nos escopos 1, 2 e 3. E para atingirmos essas conquistas, a logística tem um papel importantíssimo em toda essa nossa trajetória. Além das metas ambiciosas em água, agricultura sustentável e ação climática, por exemplo, estipulamos também ter 50% da nossa frota própria composta por veículos elétricos até 2025 e ter 100% da nossa eletricidade oriunda de fontes renováveis também até o mesmo ano.”

Por conta disso, e para avançar nessa agenda de descarbonização, a Ambev fechou parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus em 2018 para a criação do modelo brasileiro E-delivery. Desde então, também fechou com a FNM e JAC Motors para ter veículos cada vez menos poluentes em circulação.

Além das parcerias com os veículos elétricos, a Ambev integrou a logística reversa à distribuição urbana, por meio dos seus CDDs (Centros de Distribuição), oferecendo o serviço gratuito de coleta e destinação de embalagem pós-consumo.

E também está avançando na jornada de entrega final. “Graças à nossa tecnologia e capilaridade, estamos apostando nas UDCs, que são os Centros de Distribuição Urbanos. Eles são estruturas menores, que atuam em um raio de até 6 km nos grandes municípios em modais menores, como vans, motos e bicicletas, mais rápidos e que emitem menos CO2. O objetivo com esses novos ativos é sermos mais eficientes nas nossas entregas aos consumidores e clientes (bares e restaurantes), já que conseguimos unificar em uma mesma estrutura os pedidos B2B e B2C. Essa aposta vem dando certo e atualmente já temos 14 deles em alguns estados do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.”

Tendências – Para o VP de logística da Ambev, os veículos mais “verdes” já são uma realidade. “Nós aqui na Ambev entendemos que os veículos elétricos vieram para ficar e cada vez mais vamos apostar nesses modais e infraestruturas elétricas para eles rodarem nas cidades brasileiras. Por conta disso, já temos também os ‘Pit Stops de Carga’, que são estruturas que atuam como bases para recarga nos nossos CDDs que já recebem os caminhões, o que possibilita que eles circulem nos grandes centros urbanos.”

Porém, Zagman coloca que são três os maiores obstáculos ao maior emprego de veículos de carga não poluentes. Eles estão na estrutura de recarga dos veículos, no ritmo de redução de preço dos veículos elétricos e na operação de veículos pesados de longa distância, que faz o transporte até o CDD.

“Para incentivar cada vez o crescimento nacional em eletrificação, criamos as nossas próprias estruturas de recarga e realizamos parceria com a Volkswagen para criação de um modelo brasileiro de caminhões e já estamos estudando possíveis projetos para acelerar a eletrificação de veículos pesados de longa distância. Com esses desafios sendo cada vez mais superados, temos certeza de que novos veículos elétricos surgirão e cada vez mais ajudaremos o Brasil na jornada de descarbonização.”

Aurora Coop 

A Cooperativa Central Aurora Alimentos – Aurora Coop está operando com dois veículos elétricos em suas unidades comerciais de Arujá, SP, e Nova Santa Rita, RS. 

A iniciativa surgiu como parte dos projetos de Inovação da Aurora Coop e foi implementada pela área de logística, em função da insegurança de quem opera com veículos a diesel em decorrência dos aumentos do custo do litro do combustível, aliado à preocupação com a poluição do meio ambiente e aquecimento global.

De acordo com os valores sustentáveis da cooperativa, os veículos atendem legislações ambientais, minimizam a poluição sonora, permitindo a utilização em horários alternativos, e geram menor vibração e ruído interno, o que traz mais conforto laboral aos motoristas.

A projeção para os próximos anos é utilizar 45 veículos elétricos, distribuídos em todo o Brasil.

Os caminhões são modelo VUC (veículo urbano de carga), indicados para circular em áreas urbanas, para atender entregas de varejo que realizam mais de 600 entregas por mês. Além da propulsão elétrica, também possuem baú refrigerado com equipamentos 100% elétricos.

Benefícios – Elton Strada, coordenador de transportes; Eduardo de Sousa, analista de logística; Daniel Bermonte, supervisor de logística; e Rodrigo Reche, coordenador de logística industrial, se juntam para comemorar o fato de estarem conseguindo uma redução média de 4,3 toneladas de carbono por veículo, por mês, além de obter um feedback positivo dos motoristas pelo conforto da condução e muitos elogios da sociedade de modo geral pela iniciativa da Aurora Coop ter implantado esta tecnologia. Como percepção imediata, também estão conseguindo uma redução significativa do desembolso para abastecimento, diante do cenário dos preços do diesel. 

Os representantes da logística da Aurora Coop também acreditam que gradativamente teremos um incremente significativo destes modelos de veículos, porque a sociedade de modo geral tem se conscientizado da importância de zelarmos pela manutenção do meio ambiente. 

Porém, imaginam que pela alta demanda e tecnologia de produção, os preços hoje estão sendo o maior obstáculo, mas em breve poderemos ter uma tecnologia de baterias mais eficiente e com custo mais acessível. 

Outras ações – A Aurora Coop também participa do programa “Despoluir”, promovido pela Fetranscesc, SC, onde fazem medições de emissões em parte de sua frota. A Cooperativa tem um programa de renovação de frota, que busca incentivar a troca por veículos novos e energeticamente mais eficientes, e também trabalha com veículos especiais para reduzir os números de viagens. 

Também utiliza o transporte por cabotagem para uma parcela de cargas Norte e Nordeste e ainda tem programas internos de Lean nos processos de carga e descarga, minimizando o tempo dos veículos nestas operações, com isso demandando menos frotas. Além destes, há uma política de otimização no uso de ativos, utilizando dois motoristas por frota nas operações que permitem, minimizando o número de frotas, além de treinamentos anuais para os motoristas em direção econômica e defensiva, buscando reduzir o consumo de combustíveis. 

Ainda em 2022 a Autora Coop estará testando frotas movidas a GNV e sistema de tração auxiliar elétrico para carretas. 

Danone

A Danone Brasil está utilizando dois caminhões elétricos em sua frota logística. A iniciativa é aplicada ao Centro de Distribuição de Guarulhos (refrigerados) e Jundiaí (líquidos), para atender a região metropolitana da capital paulista.

Além do impacto ambiental, o transporte em caminhões elétricos traz benefícios como a economia por quilômetro rodado – quase três vezes menor em comparação com um veículo à combustão – e a redução de ruídos, que possibilita a realização de entregas noturnas. Porém, ainda é preciso avaliar outros aspectos de desempenho, para garantir a autonomia das frotas, como o tempo de manutenção dos automóveis e a durabilidade das baterias.

“Optamos por investir em um projeto piloto neste momento para avaliar a performance dos caminhões. Até o final do semestre, teremos dados conclusivos sobre a eficiência dos veículos e, então, poderemos definir uma estratégia mais ampla e certeira para todo o Brasil”, afirma o diretor de Supply Chain, Maurício Rios.

Ainda segundo ele, o compromisso da Danone com o meio ambiente e com as pessoas foi o principal motivador para buscarem esta alternativa de transporte e alavancarem a sua busca pela neutralidade de emissões de carbono e pelo combate às mudanças climáticas. “Acreditamos que a saúde do planeta e das pessoas está interconectada e que o cuidado com o meio ambiente é uma chave fundamental para a fabricação de nossos produtos com qualidade e segurança. Por isso, estamos constantemente estudando opções mais sustentáveis para todos os aspectos de nossa operação e, na logística, os caminhões elétricos se mostraram grandes aliados. Ainda estamos na fase piloto do projeto, mas acreditamos fortemente no potencial destes veículos, uma vez que não emitem nada de CO2, contra 30 toneladas de CO2/ano no caso de caminhões a diesel.”

Tendências – Com relação às tendências em veículos de carga não poluentes – elétricos, híbridos, etc., Maurício acredita que seja a incorporação em cada vez mais empresas e a execução de um papel fundamental nas estratégias de combate às mudanças climáticas e nas jornadas rumo à neutralidade de carbono, pois, realmente, estes veículos se destacam pelos benefícios ao meio ambiente.

“Podemos notar que a adoção destes carros tem se tornado mais acessível para as empresas. No setor de alimentos e bebidas ainda vejo que precisamos evoluir e discutir as tecnologias envolvidas para a conservação dos produtos e o tempo de carga e de duração das baterias.”

Já o desenvolvimento do mercado nacional deve conduzir as tendências nos próximos anos, a partir do desenvolvimento de novas tecnologias, do aprimoramento da eficiência dos motores, entre outras especificidades requeridas por cada setor de negócios.

“Para nós, o tempo de carga e de duração das baterias são os fatores mais desafiadores e limitantes do emprego de carros elétricos. Por transportarmos produtos que exigem agilidade e refrigeração adequada no transporte, trabalhamos com uma previsão mínima de imprevistos e casualidades, que não são facilmente remediáveis ao usarmos carros elétricos. O custo dos veículos elétricos também é desafiador, pois exige um alto investimento para aplicação em grande escala.”

DHL Supply Chain

O primeiro veículo elétrico da DHL Supply Chain foi adquirido em 2016, e hoje a empresa conta com aproximadamente 70 deles em operação no Brasil, dos tipos caminhão (JAC iEV1200T), VUC (Renault Kangoo Z.E.) e carro utilitário, com uma frota zero emissões inclusive na emissão indireta do consumo de eletricidade, por realizar a neutralização com iREC (Certificado de Energia Elétrica). A meta é atingir mais de 140 ao final deste ano, o que expande bastante a gama de cobertura de serviços zero emissão.

A DHL Supply Chain utiliza os veículos para coletas e entregas em diversas regiões do Brasil, principalmente para os mercados de varejo, e-commerce, moda, consumo e insumos médicos e remédios, incluindo pontos como shoppings, farmácias, lojas de rua e supermercados. A empresa fechou também projetos para descarbonizar trechos inteiros de distribuição, como é o caso do trabalho realizado para uma grande marca de cosméticos, no qual a DHL eletrificou as entregas para todas as lojas de São Paulo. Há a possibilidade ainda de levar este perfil de entrega há outras capitais do Brasil.

“Os veículos elétricos apresentam muitas vantagens. Primeiro, o impacto ambiental quase zero. Com isso, estimamos que nossa frota atual vá prevenir a emissão de até 22.000 toneladas de CO2 (WtW) em cerca de 30 anos. Segundo, o fato de serem liberados de restrições de circulação. Além disso, são veículos ágeis, de baixa manutenção e bastante silenciosos ao rodar”, explica Fábio Miquelin, VP de Transportes da DHL Supply Chain. Ele também enfatiza que este projeto, inclusive, ganhou destaque global, porque mais de 50% dos motoristas são mulheres.

Nesta mesma linha, a DHL Supply Chain lançou em 2020 o seu primeiro Centro de Distribuição com uma usina solar no teto que gera quase toda a energia que necessita. Esta instalação agrega também outras boas práticas sustentáveis, como aproveitamento de resíduos e medidas de uso racional de água e iluminação, o que garantiu a certificação LEED GOLD e LEED PLATINUM. “Temos usado, ainda, cada vez mais, equipamentos elétricos nos armazéns, como paleteiras, transpaleteiras e outros. Fazemos ainda entregas urbanas de baixo volume e peso usando bicicletas tradicionais e elétricas.”

Ainda de acordo com Miquelin, na Polar, transportadora especializada em cadeia fria do Grupo DHL, foram instaladas em alguns caminhões refrigerados placas solares ultrafinas que reduzem em 5% o consumo de combustível, reduzindo assim também as emissões. “Em outra iniciativa, trocamos caixas descartáveis por caixas reutilizáveis para o transporte de medicamentos que requerem temperaturas mais baixas, o que proporcionou ganhos operacionais, de custos e também uma sensível redução de descarte de materiais, além do uso de gases ‘verdes’ em nossos sistemas de climatização de ambientes.”

Tendências – Sobre as tendências em veículos de carga não poluentes o VP de Transportes acredita que a principal seja a descarbonização de trechos inteiros da cadeia logística, o que, por sua vez, estimula os Operadores Logísticos a desenvolveram soluções verdes. Associado a isso, a adoção de cada vez mais combustíveis alternativos e, principalmente, tecnologia também tendem a crescer de forma a aprimorar a eficiência das operações e auxiliar no atingimento das metas sustentáveis.

“Já no contexto do maior emprego de veículos de carga não poluentes, acredito que temos dois desafios principais: primeiro a escassez de pontos de recarga adequados, que ainda são pouco comuns no Brasil, e a pouca oferte de modelos elétricos de carga e seu relativo custo elevado. No entanto, essas são questões que tendem a melhor muito nos próximos anos.”

FM Logistic do Brasil

A FM Logistic quer estar inserida no mercado como uma empresa de logística “green”, que se preocupa com o meio ambiente e a sustentabilidade. Para isso, tem investido em frota de veículos ecológicos (elétricos, híbrido, gás ou hidrogênio).

“No Brasil, já temos uma frota para operações de armazéns ecologicamente correta e que reduz significativamente o impacto das emissões de CO2 na atmosfera. Contamos com veículos ecológicos para movimentação de cargas (paleteiras, transpaleteiras, entre outras) 100% elétricas. Para o transporte externo, já dispomos de veículos elétricos para atendimento de clientes específicos na Grande São Paulo”, diz Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da FM Logistic do Brasil.

Ele afirma, ainda, que, investindo em logística sustentável, a empresa conquista benefícios que nem sempre são mensuráveis, por exemplo, o fechamento de novos contratos com clientes que exigem uma operação 100% alinhada à estratégia de proteção ao meio ambiente e redução da emissão de CO2 na atmosfera.

“Monitoramos e reduzimos em todos os fluxos logísticos da empresa (armazenagem, co-packing e transporte) o consumo de energia, as emissões de gases de efeito estufa, bem como o consumo de água. Estratégias estruturadas com alguns clientes reduziram em até 94% a quantidade de plástico utilizado nas operações de armazenagem e transporte, reflexo do uso de papel kraft, o que também ajuda a reduzir custos operacionais em até 30%. No CD da Anhanguera, instalamos painéis solares, o que reduziu em 10,5 toneladas por ano a emissão de carbono, o que impacta na proteção de, aproximadamente, 140 árvores.”

Silva diz que, a tendência é de que, em breve, novos investimentos da empresa sejam direcionados à aquisição de veículos elétricos, que não agridem o meio ambiente, são sustentavelmente corretos e geram também, consequentemente, menores custos. “A FM Logistic tem uma forte determinação em atuar pela preservação do meio ambiente. Por isso, reduzir o impacto das nossas atividades é um dos pilares do desenvolvimento sustentável.”

Porém, lembra Silva, o maior impacto é o valor que esses equipamentos são vendidos no Brasil. Além disso, não é apenas dispor de verba para ter veículos elétricos, por exemplo. “Precisamos pensar em toda a usabilidade e infraestrutura que envolve o manuseio, recarga e manutenção desses equipamentos. O veículo não poluente só mostrará toda sua potencialidade e recursos se for corretamente utilizado. Além disso, as rodovias brasileiras ainda deixam muito a desejar em termos de eficiência e trafegabilidade.”

MOVAH (Manlog)

De 2011 para cá, a Manlog traçou um movimento baseando-se nas diretrizes do ESG e inovou no segmento de transporte e logística de cargas. Com a aquisição dos primeiros caminhões elétricos, a Manlog tornou-se a primeira transportadora do Centro-Oeste, e uma das primeiras do Brasil, a entregar com um caminhão 100% elétrico frigorificado. Também conduz um projeto de carros elétricos compartilhados para os colaboradores, que já é um cases de sucesso. E desde então, ampliou sua frota sustentável, mais de 30 veículos, entre caminhões e carros, e já neutralizou mais de 1500 toneladas de gás carbônico. Neste contexto estão caminhões com baús secos e frigorificados, sendo a capacidade de carga de 30 a 40 toneladas. As baterias têm autonomia de até 200 km e, em 220 volts, recarregam em até 12 horas; já em 380 volts, a recarrega ocorre em até 3 horas.

No portfólio dos clientes que aderiram aos seus veículos 100% elétricos, estão: Heinz e SSA Alimentos – Boua e Superfrango, na região metropolitana de Goiânia; Danone e Decatlhon, em São Paulo e região; e Carrefour, em Brasília e região. Todos estes operam em distribuição urbana, devido à autonomia limitada.

Mirando o mercado de ações, a Manlog agregou novos negócios ao seu portfólio e agora faz parte da MOVAH Group, que envolve empresas de transporte, tecnologia e aluguel de veículos sustentáveis.

Benefícios – Thiago Barsan Suzin, CEO, e Gustavo Crosara, CMO, da MOVAH Group (Manlog/Wings), destacam os motivos que levaram a empresa a adotar estes veículos de carga. Primeiro, a preocupação com a redução dos gases do efeito estufa e com o futuro do nosso planeta. Segundo a visibilidade e o valor mercadológico que eles agregaram aos negócios. Terceiro, clientes/consumidores estão em busca de marcas e empresas que estejam engajadas em causas socioambientais, e que atrelam à sua marca a um propósito maior do que a venda.

“Eu não posso, simplesmente, desconsiderar o cenário global e entregar mercadorias aos meus clientes. Eu exerço uma função social, tanto na comunidade quanto na vida dos meus colaboradores. Depois de entender isto, eu consigo ampliar o meu campo de visão para, então, trilhar um caminho de valores agregados ao que eu me proponho a fazer: que é transportar. É o que as grandes marcas fazem hoje. Elas estão muito além dos seus produtos”, diz Crosara.

No caso dos caminhões elétricos frigorificados, Suzin explica que os veículos são da fabricante JAC Motors. “Nossa parceria com eles é muito consolidada, fomos os primeiros transportadores a adquir os elétricos da JAC. De lá, saem todos os veículos elétricos que compõem a nossa frota e dos nossos clientes. O que fazemos é personalizar o caminhão de acordo com a demanda logística de cada cliente, desde o tamanho do baú à comunicação visual. Por exemplo, no caminhão da SSA Alimentos, instalamos placas solares no teto do baú. Elas captam a energia do sol para alimentar a refrigeração do implemento. Uma ideia que partiu do nosso time de ESG, que fora acatada pela SSA.”

Tendências – Falando sobre as tendências em veículos de carga não poluentes, Crosara lembra que não são tendência, mas, sim, uma realidade que perdurará, se pretendemos vislumbrar algum futuro para as próximas gerações. “Além dos elétricos, que deverão evoluir, em termos de tamanho e performance, os veículos a gás deverão dominar o mercado. Pelo simples fato de que podemos transformar lixo em biocombustível, e o lixo é uma matéria prima que nós produzimos toneladas, diariamente. Sendo assim, em termos cíclicos, no que tange à matriz energética sustentável, trará um melhor custo-benefício.”

Mas, continua o CMO, a falta de incentivos fiscais e infraestrutura nas estradas/cidades, além do preço dos mesmos, que ainda é elevado se comparado aos veículos a diesel, que conseguem operar em uma escala de distribuição muito maior, são entraves ao maior uso destes veículos.

Viveo

A Viveo, ecossistema de produtos e serviços que conecta soluções de saúde, e que atua desde a fabricação e distribuição de materiais e medicamentos, até gestão de clientes em todo o Brasil, realizou as primeiras entregas com os caminhões 100% elétricos adquiridos no final do ano passado, já com as primeiras embalagens retornáveis, para grandes hospitais na cidade de São Paulo. Como referência, um veículo padrão diesel emite 600 gramas de CO2 por Km na atmosfera. A ação tem o objetivo de reduzir em 100% esta emissão. O projeto faz parte de um robusto plano em ESG definido pela companhia em 2021, com previsão de mais de R$ 65 milhões em investimentos. Até o momento, o projeto alcançou uma redução de 11,74 toneladas de CO2.

Indo além, a diminuição na produção de resíduos sólidos é uma das apostas da Viveo para essa transformação. A companhia investiu em embalagens retornáveis para a cadeia fria, que transporta medicamentos termolábeis, reduzindo a circulação das tradicionais embalagens de modelo de isopor e elementos refrigerantes, que demoram mais a se decompor e geram maior impacto ao meio ambiente.

O projeto completo dos caminhões e embalagens retornáveis será operado pela Healthlog, uma operadora especializada em serviços logísticos e soluções que otimizam a cadeia da saúde, com serviços de gestão compartilhada de estoques por meio do VMI e armazéns gerais, proporcionando uma solução completa aos hospitais, evitando faltas ou perdas de medicamentos e outros materiais. A previsão é que, desta etapa inicial até o final do ano, todas as entregas sejam garantidas com produtos 100% protegidos com o material desenvolvido com tecnologia de Phase Change Material (PCM) garantindo a estabilidade por até 96h, reduzindo custos dos hospitais no tratamento desses resíduos.

Para Flavio Leal, diretor de Serviços B2B da Viveo, e Villeon Jacinto, diretor de Supply Chain e Logística da empresa, ter uma frota verde e embalagens retornáveis faz parte do objetivo da companhia como um ecossistema. “Nossa missão é simplificar a jornada de medicamentos e materiais na cadeia da saúde e apoiar os nossos clientes na redução de custos e ganho de eficiência, considerando os aspectos sociais, ambientais e de governança que fazem parte de nossas prioridades. O sucesso de uma organização está diretamente relacionado ao modo sustentável de todo o ecossistema, e os nossos serviços de distribuição e logística fazem parte disso”, afirmam os executivos.

Clientes e parceiros da Viveo compartilham da mesma opinião. Para José Eduardo Ramos, superintendente de Supply Chain do Hospital A.C.Camargo Câncer Center, que recebeu as primeiras entregas de forma sustentável, a ação da Viveo, por meio da Healthlog, está em sinergia com que o hospital espera de um parceiro. “A questão ambiental é parte integrante da plataforma de sustentabilidade do A.C.Camargo. A redução da emissão de gases de efeito estufa, bem como a utilização de veículos elétricos na realização destas entregas, contribuirão nos nossos resultados a partir deste ano. O setor da saúde possui muitos desafios para atuar nesse tema, mas exemplos de ações como essas com certeza serão utilizadas por outros hospitais, e queremos fazer parte deste movimento de mudança”, explica Ramos.

Quem pensa nesta mesma linha é Bruno Alves Pinto, diretor Geral do Hospital 9 de Julho. Na opinião do executivo, a Healthlog está alinhada com os propósitos de ESG da instituição. “A alta eficiência de gestão logística da Healthlog permite que o hospital chegue próximo ao estoque zero, o que possibilita a diminuição de resíduos e a otimização de espaço. A empresa possui um compromisso com o desenvolvimento de projetos sustentáveis que convergem com os nossos valores.”

Para Rodrigo Modesto, Superintendente Corporativo de Supply Chain do ecossistema DASA, fazer parte de iniciativas como essa é fundamental. “Elas estão totalmente conectadas com o que buscamos diariamente na construção de nosso propósito de ‘ser a saúde que as pessoas desejam e o mundo precisa’. Nem sempre é uma coisa lógica e imediata a contribuição da área de Supply dentro desse propósito, mas ações como essa refletem em uma logística mais limpa e sustentável, onde o retorno ao meio ambiente e a sociedade fica bastante claro. São parceiros engajados nesse contexto de ESG, qualidade e eficiência que queremos ao nosso lado, dentro dessa longa e transformacional jornada a que nos propusemos seguir e a Healthlog tem refletido isso ao longo de todos esses anos juntos.”

Leonisa Scholz Obrusnik, diretora de Suprimentos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, concorda com Alves e Modesto, e enfatiza a importância de ações sustentáveis para o setor da saúde. “Temos buscado atuar de forma mais eficiente para reduzir o impacto ambiental, sem deixar de lado a qualidade e a segurança para os pacientes. Com a implantação das caixas termolábeis, por exemplo, conseguimos otimizar espaços para estoque, reduzir a quantidade de resíduos produzidos e eliminamos o retrabalho de armazenamento causado pelas caixas de isopor. O projeto desenvolvido pela Healthlog é inovador para o nosso setor. As ações da cadeia de logística podem ser melhoradas e projetos como este precisam ser, cada vez mais, propagados”, comenta a diretora.

Motores a combustão – Jacinto, da Viveo, acredita que a inserção de novas tecnologias que visam abolir os motores a combustão é de ordem mundial. “Portanto, o quanto antes aderirmos a este movimento, bem como nos anteciparmos a essas mudanças, mostra que estamos ligados a essas tendências e também o quanto cuidar de cada vida faz parte do nosso propósito.”

E, a exemplo dos outros participantes desta matéria especial, o diretor de Supply Chain e Logística da Viveo diz que ainda esbarramos em custo, limitações relacionadas a autonomia dos veículos elétricos existentes e também escassez nas redes de abastecimentos. “Pelo fato de atendermos nível Brasil, ainda há localidades que temos dificuldade no emprego destes veículos.”

Montadoras têm papel importante na redução da emissão de carbono no transporte

Quando pensamos em redução de emissão de carbono no transporte de cargas, obviamente não podemos deixar de pensar nas montadoras de caminhões e outros veículos usados no segmento. Cabe a elas desenvolver meios alternativos que, em maior ou menor escala, atendem à necessidade premente de aplicarmos realmente o conceito de “carbono zero”.

Por exemplo, a BYD oferece uma linha de veículos elétricos, como o furgão eT3 e os caminhões eT7 e eT8. O furgão BYD eT3 tem autonomia para até 300 km com uma carga de duas horas e possibilidade de recarga rápida de 20% a 80% da bateria em apenas 30 minutos, o que garante até 180 km a mais de viagem. O modelo tem capacidade para 720 kg de carga e espaço no compartimento para 3,3 mil litros. “Vale destacar que o furgão elétrico BYD eT3 representa uma solução amplamente sustentável, pois deixa de emitir 16.534 kg de CO2 por ano de trabalho, o que equivale ao plantio de 1.377 árvores por veículo. Foi o modelo mais vendido do segmento de comerciais leves no mercado brasileiro em 2021”, assegura Adalberto Maluf, diretor de Marketing e Sustentabilidade da empresa.

Já o caminhão eT712.220 foi lançado na Intermodal em março de 2022.Trata-se de um modelo 100% elétrico, multivocacional, com até 230 quilômetros de autonomia. Possui peso bruto total de 12 toneladas e vem equipado com transmissão automatizada e bateria de fosfato ferro-lítio, que garante a autonomia e a total segurança e adaptação às necessidades da frota. O tempo para a recarga da bateria do eT712.220 é de duas a três horas com carregador DC ou de quatro a cinco horas com carregador AC. Vale ressaltar que os veículos pesados podem realizar serviços de distribuição com emissão zero em todas as áreas urbanas.

“Em breve, o mercado conhecerá o BYD D1 EV, automóvel cujo foco principal será atender ao segmento corporativo e empresas, além de aplicativos de transporte e locadoras de veículos. O novo modelo que será apresentado pela BYD possui uma série de características. Além de uma porta traseira direita deslizante motorizada para facilitar o acesso dos passageiros, o veículo dispõe de um motor elétrico de 136 cv, que é alimentado por uma bateria de íon de lítio, proporcionando uma autonomia (NEDC) de até 371 km.”

Maluf lembra que a BYD ainda não opera com modelos híbridos no Brasil. A previsão, com automóveis de passeio, é realizar a apresentação de dois novos modelos em agosto próximo. Mas sem perspectiva de atuação no segmento comercial e transporte de carga, por enquanto.

Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas e Marketing Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, por seu lado, lembra que os caminhões e ônibus da marca podem utilizar biodiesel na proporção adotada comercialmente no País, sem necessidade de alterações no motor e no veículo. E que a empresa também oferece o eO500U, chassi de ônibus urbano elétrico a bateria. Cerca de 100 encomendas estão programadas para entrega entre o final de 2022 e início de 2023.

“Estamos mantendo firme nosso propósito de liderar a transição para um sistema de transporte mais sustentável iniciado na Europa, em 2016, e no Brasil, em 2018, quando anunciamos a chegada da Nova Geração de Caminhões para 2019. Desde então, a evolução da agenda da sustentabilidade vem sendo com nossos modelos movidos a gás (GNV – Gás Natural Veicular) ou GNL (Gás Natural Liquefeito) e/ou biometano. Já superamos os 600 caminhões a gás comercializados e vamos continuar crescendo. Neste ano, anunciamos a primeira venda dos caminhões movidos 100% a GNL da história do Brasil para a Morada Logística, o que mostra que o caminho está só começando. A maturidade do mercado é essencial para os avanços que planejamos para os próximos anos.”

Ainda segundo Silvio Munhoz, diretor de Vendas de Soluções da Scania no Brasil, a infraestrutura brasileira oferecida também impacta no mercado de transportes de cargas. O investimento certo do cliente, hoje, representará um transporte mais seguro, eficiente e menos poluente.  “O veículo elétrico é o caminho do futuro, sim, mas o ´Aqui e Agora’ para o Brasil é o gás. Na Europa, já temos nossas opções elétricas, híbridas e também a gás.”

Perspectivas

Falando sobre as tendências com relação aos veículos de transporte de cargas, Maluf, da BYD, acredita nos elétricos. “A aceitação dos consumidores e empresas por veículos sustentáveis é cada vez maior no mercado brasileiro, particularmente no segmento de comerciais elétricos. Creio que representa o futuro no setor, por vários motivos. Dirigir um veículo elétrico comercial, com câmbio automático, ar-condicionado e apenas dois pedais, representa uma maneira inovadora que traz grande benefício para o motorista, reduzindo até esforço repetitivo, sem falar no conforto e prazer em conduzir.”

Outra vantagem da frota elétrica – ainda segundo o diretor de Marketing e Sustentabilidade – é a maior precisão na previsão de custos. Isso porque o preço da energia elétrica não tem variação em grande escala, como ocorre com os combustíveis em geral.

“Acredito que o mercado brasileiro tem muito potencial para os veículos comerciais elétricos. Veja, por exemplo, o nosso furgão eT3. Hoje representa uma opção sustentável para diversos setores da economia, principalmente em entregas rápidas. Muitas empresas, do comércio varejista e delivery, já estão apostando nesse tipo de veículo e utilizam nosso veículo.”

Também para a Scania o veículo elétrico é o caminho do futuro, mas, no momento, para o Brasil, é o gás. “Ele é o que mais se aproxima do bolso do transportador. Os transportadores estão cada vez mais perguntando sobre alternativas ao diesel e a tendência é esta a partir da pandemia: um transporte de cargas mais sustentável. Estamos neste caminho e levando nossos clientes conosco nesta jornada.” 

Infelizmente, destaca o diretor de Vendas de Soluções da Scania no Brasil, são inúmeros desafios até chegar a realidade do elétrico em questões como investimento inicial, geração e distribuição da rede elétrica preparada para alta demanda (frota), geração da energia elétrica (fontes limpas) e descarte ou reciclagem e capacidade de vida útil das baterias.

Já a Mercedes-Benz acredita em multissoluções para a redução de emissões e a sustentabilidade ambiental. “A Daimler Truck detém várias tecnologias alternativas ao uso do diesel fóssil, como o biodiesel HVO, híbrido, células de combustível já em teste e elétricos, estes últimos já em operação regular em vários mercados”, ressalta Leoncini.

Restrições

Como já mencionado, e de conhecimento geral, ainda há restrições ao pleno emprego dos veículos de carga não poluentes, notadamente os elétricos. “Acho que o estimulo e maior utilização de veículos de carga não poluentes só vai beneficiar o planeta, com a redução de CO2 e, principalmente, a previsibilidade e redução de custos operacionais que os veículos elétricos propiciam”, pondera Maluf, da BYD.

Leoncini, da Mercedes-Benz do Brasil, acredita que o uso de caminhões não poluentes só acontecerá em larga escala no Brasil quando as tecnologias alternativas ao diesel forem viáveis do ponto de vista tecnológico, econômico, estrutural e comercial dentro da realidade do nosso mercado. “Quando isso ocorrer, estaremos ao lado do cliente, como sempre fizemos, para entregar soluções confiáveis, eficientes e rentáveis. Isso, por exemplo, está ocorrendo no segmento de ônibus. Apresentamos recentemente o eO500U, o primeiro chassi de ônibus elétrico urbano da marca no Brasil. Ele chegará ao mercado em 2022. Assim, a Mercedes-Benz do Brasil entra na era da eletromobilidade em veículos comerciais no Brasil.”

Na verdade, o Brasil precisa aumentar sua infraestrutura de distribuição de gás. No caso do biometano, ele pode ser incorporado à rede de distribuição do próprio GNV que já é bastante pulverizada pelo país, mas sua produção precisa aumentar. Ele é um combustível 100% renovável e muito do que o país produz e vira sobras, a exemplo de cascas de frutas, vinhaça da cana ou os dejetos de animais e lodo sanitário, vira biometano.

“Ou seja, o Brasil tem potencial enorme de produzir este combustível. A ABiogás (Associação Brasileira do Biogás) está animada com o crescimento da cadeia de biogás e biometano neste e nos próximos anos. Projeções falam da atração de investimentos privados de R$ 300 milhões para 16 projetos com potência total de 29 MW. Tem um caminho a ser percorrido, mas também mantemos o otimismo pelo aumento da cadeia pelo país”, completa Munhoz, da Scania.

Raízen inaugura primeiro eletroposto de recarga rápida em São Paulo

Licenciada da marca Shell, a Raízen promoveu um evento no dia 13 de junho para lançar seu “Programa de Eletromobilidade”, inaugurando o primeiro eletroposto (posto com estação de recarga para veículos elétricos) com a solução Shell Recharge em São Paulo, na zona norte da cidade.

Com carregadores de 50 kW e 150 kW, as estações podem abastecer veículos elétricos em até 35 minutos, com energia de fonte renovável certificada. Segundo Rafael Rebello, diretor de soluções de energia e renováveis da Raízen, o valor da recarga elétrica é, aproximadamente, até 65% menor em comparação ao da gasolina e do etanol. 

Hoje, a Raízen já fornece energia limpa para mais de 500 postos Shell por meio de Geração Distribuída, oferecendo uma solução para redução das emissões de gases de efeito estufa e diminuição de até 20% dos custos de energia, uma economia de cerca de R$ 3 milhões ao ano para os revendedores.

A empresa gera sua própria energia, utilizando o sol, subprodutos da cana-de-açúcar e outras fontes limpas. Ela é certificada pelo I-REC Standard, sistema global de rastreamento de atributos ambientais de energia. A ideia é implantar uma rede com 35 eletropostos de recarga rápida até o final do ano-safra (mar/23).

“A chegada da Shell Recharge irá acelerar o desenvolvimento da eletromobilidade no país, ao mesmo tempo em que oferece uma experiência única, inovadora e sustentável para nossos clientes, que poderão fazer viagens mais tranquilas com o apoio de uma rede de recarga elétrica nos postos Shell”, expõe Frederico Saliba, vice-presidente de Energia e Renováveis da Raízen.

Os clientes que recarregarem seus veículos elétricos nas estações podem fazer o pagamento por meio do cadastro de um cartão de crédito no app Tupinambá, que já está disponível para download na Apple Store e Play Store.

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