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Mercado 14 de setembro de 2021

Segundo empresários do setor de transporte, frete internacional em alta sugere Dia das Crianças, Black Friday e Natal atípicos

Comércio Exterior

A pandemia da COVID-19 trouxe uma nova realidade para o comércio exterior mundial: desde a paralisação das operações em 2020, muitos fatores desencadearam uma ruptura na cadeia de suprimentos de muitas empresas.

Mesmo com o avanço da vacinação em todo o mundo, ainda não foi possível normalizar a situação da logística mundial.

O fechamento de portos na Ásia já preocupa empresários brasileiros. A previsão é que grandes datas para o comércio, como Dia das Crianças, Blacky Friday e Natal, sejam impactadas pela falta de mercadorias vindas de navios para o Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez uma pesquisa com empresários do setor e mostrou que 70% deles já sofrem com a falta de navios chineses. Mais de 50% já precisaram cancelar ou suspender alguma encomenda por falta de previsão de entrega.

Para o empresário no ramo de transportes, construção civil, pecuária, factoring, indústria de vestuário e entretenimento, Gérlio Figueiredo, em breve, o consumidor também poderá sentir os efeitos desse fechamento.

“Estamos passando por um processo de desabastecimento de mercadorias e insumos para confecção de produtos nacionais. Esse fechamento gera atrasos e, consequentemente, falta de produtos à venda”, alerta. “Creio que teremos um Dia das Crianças e um Natal atípico este ano”, prevê.

Portos chineses foram fechados em função da pandemia. Além de atrasos na distribuição dos produtos para outros países, há também a perda de produtos perecíveis. Todo esse processo gera um desaquecimento econômico e um aumento significativo no preço do frete.

Congestionamentos

“Seguimos com congestionamentos nos portos, o aumento da demanda por produtos, o atraso de navios, a falta de contêineres e, no início de agosto, o aumento significativo nos casos de Covid-19 na China complicou ainda mais a situação”, afirma, agora, o diretor da ES Logistics, Fabiano Ardigó. A empresa é especializada em afretamentos marítimos e aéreos, transporte de parques fabris completos, e a movimentação de cargas superpesadas.

No início de agosto, um terminal do porto de Ningbo-Zhoushan, um dos maiores portos em número de movimentações da China, parou as operações devido a um caso de Covid-19 em um dos seus colaboradores, o que intensificou a situação nos portos: os navios estão mudando a rota para outros portos como Xangai e Hong Kong, causando um efeito cascata.

“É provável que estes atrasos atinjam os proprietários das cargas, grandes varejistas e até pequenas lojas, que terão que lidar com atrasos em mercadorias e custos de transporte mais altos em seus pedidos para o final de ano”, explica Ardigó.

A 300 km no sul de Xangai, a cidade chinesa de Yiwu é conhecida pelas fábricas especializadas em enfeites de Natal. Desde a árvore de plástico, os ornamentos, o pisca-pisca, o Papai Noel musical, o presépio, entre outros. São produzidos por mais de 600 fábricas, que produzem 60% das decorações desta época de todo o mundo. “Temos duas situações preocupantes: uma, na entrega em tempo dessas importações e outra, no custo final do produto, que, com os valores exorbitantes de frete, com certeza serão maiores”, afirma o diretor da ES Logistics.

Há exatos dois anos, o transporte de um container via marítimo do Porto de Xangai ao Brasil custava US$ 1,6 mil. Hoje, o valor chega a US$ 11 mil. Além disso, o tempo de espera dessas mercadorias também aumentou cerca de 50% no tempo total de trânsito. “Neste caso, o custo desse transporte impacta diretamente no valor final do produto. A expectativa do setor é que a situação se normalize até o final de 2022”, explica Ardigó.

O Brasil precisa conviver ainda com a concorrência acirrada no setor que, além da alta dos preços, vivencia uma escassez de contêineres no mercado. Hoje o Brasil paga cerca de US$ 11 mil para transportar um contêiner. Miami, nos EUA, chega a pagar US$ 25 mil.

Só em 2020, o Porto de Xangai atingiu 43,5 milhões de TEUs (Contêineres de 20 pés), ficando em primeiro lugar do mundo por 11 anos consecutivos, de acordo com a Alfândega de Xangai.

“O fato de os navios continuarem atrasados e agora o aumento dos surtos de variante da Covid-19 em grandes centros de manufatura chineses indicam que pode haver consequências de longo alcance na Black Friday e nas temporadas de compras de fim de ano”, finaliza o diretor da ES Logistics.

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