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Conteúdo 10 de outubro de 2017

Custos altos não combinam com competitividade

Sabemos que o Brasil depende muito do transporte rodoviário para movimentar suas cargas: um transporte caro, poluidor e repleto de riscos. Ele representa cerca de 70% de nossa matriz de transporte. Vários países se empenham para diminuir o percentual de dependência rodoviária em suas matrizes logísticas. Os Estados Unidos e a Austrália, por exemplo, mantêm esse percentual abaixo de 30%, enquanto a China não passa de 10%. Eles entenderam de forma bem simples que custo alto não combina com competitividade.

A história do Brasil não contribuiu para o desenvolvimento de uma logística eficiente e bem estruturada, pois as práticas de monocultura não tinham como fomentar regiões maiores ao ponto de impactar sobre todo o país. No entanto, trazendo o Brasil para os dias de hoje, teríamos que pensar em algo bem diferente para que daqui a algum tempo não estejamos lamentando por não ter feito de outra forma. Essa coisa de ferrovias mal planejadas, insuficientes, bitolas diferentes, trilhos ligando nada à coisa nenhuma e de exclusividade para minérios e grãos, tem que ficar no passado! Há tempos deixamos oportunidades para trás para nos agarrar em vícios difíceis de serem abandonados e parece que estamos os perpetuando ao pensarmos que nossa logística foi, é e será assim, sem que possamos mudar nossos pensamentos e ações, mesmo que os tempos atuais nos mostre o grave erro para o qual caminhamos.

Na verdade, quando nos referimos à infraestrutura ferroviária, observamos lacunas enormes nos períodos em que se tentava implantar algo mais significativo. Em muitos períodos a falta de sinergia foi notória: parecia que cada um queria construir do seu jeito sua própria ferrovia. Uma malha de retalhos! E isso atrasou muito o setor e seus efeitos permanecem como um entrave bastante significativo.

A malha ferroviária brasileira para o transporte de cargas mede 30 mil km e possui quase 300 cruzamentos com rodovias considerados críticos que também diminuem a eficiência devido à insegurança. Comparando com os Estados Unidos que possuem extensão territorial semelhante à nossa, são 240 mil km de ferrovias, sendo que para cada mil km2 de extensão territorial eles têm 32 km de ferrovias, a Índia tem 23 km, a China 20,5 km, a Argentina 13,5 km enquanto o Brasil possui apenas 3,6 km, menos até que o Chile com 9,8 km e México com 7,9 km.

Hoje seriam necessários, segundo pesquisas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 54 anos para investir R$ 281 bilhões em 213 obras e construir 72 terminais de cargas para termos um modal que atendesse aos propósitos do país. O governo investe, em média, apenas R$ 1,4 bilhão por ano perdendo 1/3 do orçamento liberado por falhas no planejamento. A situação só não está pior porque o setor privado, de 2006 até 2014, investiu R$ 33,5 bilhões – quase o triplo do que o setor público investiu.

E, para que não falemos apenas das rodovias, não podemos deixar de registrar o esquecimento que tomou conta do setor portuário, que também vem sendo, junto com aeroportos, ferramentas dos anseios arrecadatórios dos governos. E nada contra privatizações, só é triste que a administração pública use daquilo que lhe foi confiado – e não correspondido – para arrecadar a fim de cobrir outros rombos provenientes de administrações equivocadas e unilaterais.

Ainda falando sobre ferrovias, com a agricultura batendo recordes de produção, o custo por tonelada transportada nesse modal é três vezes e meia mais barato do que pelo modal rodoviário. Talvez pelas facilidades que a corrupção encontre na rede rodoviária, não que na ferroviária não exista, através de serviços inexistentes ou mal executados, materiais de terceira que prejudicam a durabilidade, uso da máquina pública, desvios de verbas e a magnífica indústria da multa, além da acomodação e aceitação de seus entraves, tenhamos um cenário onde a competitividade esteja esquecida e avizinhada ao desprezo pelo desenvolvimento focado na competitividade.

Marcos Aurélio da Costa Marcos Aurélio da Costa

Foi coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

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