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Conteúdo 19 de fevereiro de 2018

Impressão 3D: Vai realmente trazer impactos?

IMPRESSÃO 3D É REAL

Cada vez mais, o verdadeiro potencial da tecnologia está sendo explorado e realizado pelas organizações que buscam as oportunidades e integram os seus processos produtivos.
A impressão 3D é um desenvolvimento relativamente novo. No entanto, algo que parecia ser apenas uma visão futurística a alguns anos atrás, vem se transformando em uma solução fantástica, cuja aquisição vem se tornando cada vez mais acessível e permitindo novos modelos de negócios. Particularmente eu gosto de imaginar que esta solução tecnológica vai influenciar e remodelar muitos setores da economia e em especial as cadeias de abastecimento (“supply chains”). Aprecio muito a ideia de que a inovação deve ser realizada quando se existe a chance de fazê-la e não apenas quando há a necessidade.
Acredito em uma mudança significativa na fabricação e na logística, bem como nos hábitos de aquisição. Certas soluções poderão ser obtidas muito próximas ao ponto de consumo ou mesmo no ponto de consumo, fabricando dentro de nossos lares. É possível ter uma impressora 3D em casa para certas finalidades. Os custos de materiais ainda são obstáculos importantes no processo de personalização. Mas a tecnologia sempre está um passo a frente da imaginação da massa consumidora. E gradualmente vai se ajustando.

MAS O QUE É IMPRESSÃO 3D?

Calcada em tecnologia inovadora, a impressão 3D, possibilita a criação de objetos físicos e sólidos a partir de um modelo digital. Não é algo tão recente. Mas evoluiu através do tempo. Com o apelido de “prototipagem rápida” se iniciou nos anos 1980 com o objetivo de acelerar prazos e reduzir os custos. Muitas inovações e mudanças ocorreram desde então, e hoje uma nova geração tecnológica produz resultados fantásticos podendo produzir qualquer coisa incluindo canecas de cerâmica, peças metálicas, brinquedos de plásticos, vasos, bolos de chocolate, componentes de bicicletas e automóveis entre outros. Na medicina avançada é de grande utilização em uma ampla gama de possibilidades. Algumas já existentes, como próteses e outras em teste como os nossos órgãos vitais.

CRIANDO MODELOS DE NEGÓCIOS

Estamos entrando na era em que tudo será personalizado. Feito sob medida. Significa dizer que sapatos, bolsas, móveis e alimentos poderão ser feitos em casa ou próximos dela com impressoras 3D. Uau. Soa como pura fantasia. Mas não é. As impressoras 3D irão substituir as fábricas do futuro? Não acredito. Comprar uma impressora 3D pode se tornar financeiramente atrativo, porém o custo de materiais e o tempo de produção, aparentemente inviabiliza a substituição da tradicional produção em massa. Logicamente, com o tempo os custos tendem a cair. Contudo novos modelos de negócio serão criados e adaptados pelas organizações para sobreviverem no mercado. Muitas empresas encontrarão nichos importantes. E muitas deixarão de existir. Claramente isso não se refere apenas a impressão 3D, mas também a outros elementos. Busque ler algo de organizações exponenciais e entenderá. Um dos fatores que pode fortemente influenciar os modelos é a desintermediação de empresas, que onera o produto ou o serviço, para o cliente final.

IMPACTOS NA LOGÍSTICA
Quer dizer então, que com a personalização de produtos e o reposicionamento da fabricação para perto do consumidor ou cliente final a logística está fadada a morrer? Claro que não. Mas já tenho mencionado na minha sequência de artigos que com o desenvolvimento tecnológico os processos produtivos se tornam cada vez mais simples, assim como toda a cadeia de abastecimento. Robôs e veículos autônomos podem ser os grandes responsáveis por esta afirmação. Muitas empresas já começam a usar a impressão 3D em diversas fabricações e o modelo vai se intensificar nos próximos anos, obrigando a uma migração de capital humano do chão de fábrica (…e de depósito!) para a automação, este último exigindo maiores habilidades intelectuais.
A adoção desta tecnologia permite direta e indiretamente a obtenção de alguns importantes benefícios tais como:
• Otimização na cadeia, pois dada a forte transição para o consumo sob demanda, se espera uma diminuição dos estoques intermediários.
• O ciclo de vida do desenvolvimento e lançamento de produtos será mais curto, representando menores riscos e maior assertividade na demanda.
• As empresas poderão enviar seus projetos para pontos estratégicos e próximos do consumo, minimizando os custos logísticos.
• Eventuais reduções nos custos de movimentação e transporte.

Quero crer que outras vantagens existam e ao mesmo tempo as desvantagens. Estamos tocando pontos sensíveis da “Supply Chain”. Cenários de negócios e soluções alternativas são um exercício importante para se fazer neste momento, independentemente do tamanho da empresa. Da mesma forma como vemos empresas muito bem-sucedidas (…até agora!), como é o caso de Amazon, Apple, AirBnb, Netflix, Uber e Waze, sabemos de outras que se deram mal como Nokia, Kodak, Compaq, Blockbuster e Netscape. E a tecnologia, juntamente com modelos de negócios, tem sido para umas a viabilidade, para outras o pesadelo.

Que a força esteja contigo!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais
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