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Conteúdo 25 de junho de 2018

O futuro da logística

Eu tenho afirmado frequentemente em minhas palestras que a logística não é a palavra mais “sexy” do momento, principalmente após a marcante greve dos caminhoneiros que colocou o nosso país em situação de alarme. Contudo mesmo não sendo sexy, a logística seduz pelo seu aspecto extremamente importante e cá entre nós sem ela não faríamos chegar produtos aos supermercados, remédios aos hospitais, produtos agrícolas aos portos para exportação e o alimento às nossas mesas, sejam eles perecíveis, congelados ou empacotados. Sem a logística os nossos Correios não entregariam as encomendas de todos os dias. A Fedex, Amazon, B2W, CNova, Magazine Luiza, Netshoes para citar algumas empresas que atuam e dependem fortemente da logística não fariam chegar milhões de encomendas aos seus destinos. As operações logísticas atuais são fortemente baseadas em custos. E muitas vezes não se leva em consideração uma visão mais ampla correspondente a confiabilidade, impacto ambiental, riscos e principalmente vantagem competitiva. Para se ter uma ideia, usando dados aproximados do ILOS, os gastos logísticos no Brasil, provenientes da composição dos transportes, estoques, armazenagem e serviços administrativos representam cerca de 13% do produto interno bruto. Nos Estados Unidos este percentual está ao redor de 8%. Somente a área específica de transportes consome quase 60% dos gastos logísticos. Com o crescimento do comércio eletrônico a tendência é que os custos logísticos se elevem.

Talvez o futuro da logística dentro do contexto da cadeia de abastecimento (Supply Chain) seja o de operar de uma maneira mais harmoniosa levando em conta rotas mais confiáveis que trarão um benefício maior no contexto ambiental. E por que não dizer no custo global. Muitas vezes avaliamos estes custos em suas características de micro níveis e voltados especificamente para produto, frete e entrega e não de uma maneira mais holística e integrada. Um fator a ser avaliado cuidadosamente é o % de retornos de mercadorias devolvidas pelos clientes e consumidores, decorrentes principalmente das compras via internet.

O futuro da logística será pavimentado (que bom) pela inovação e pela tecnologia e por uma forma diferente de se enxergar o todo. O tamanho da indústria logística no mundo significa que organizações estão em busca de novas e inovadoras técnicas para a melhoria da eficiência. De acordo com a “IndustryWeek”, revista americana, o tamanho da logística global é de US$ 4 trilhões representando cerca de 10% do produto interno bruto global. O mercado de serviços de transportes é um dos que mais cresce no mundo estando a uma taxa de crescimento contínuo da ordem de 7% ao ano desde 2011.

O advento do Comércio eletrônico trouxe um tremendo desafio para logística e para aqueles que trabalham no contexto pois representa uma complexidade adicional, que é a administração de uma cadeia de abastecimento altamente sensível, pois deve estar em sintonia com as expectativas do cliente final. Portanto o comércio eletrônico não é apenas uma comercialização através de sites onde repetidas vezes se envia informações aos clientes para obter suas atenções e aumentar conversões. É bem mais do que isso. Essencialmente precisa ter o respaldo logístico extremamente eficiente para atender aos requisitos de níveis de serviços prometidos ao consumidor. Só assim ele regressará para comprar novamente.

Irá vencer esta batalha, aqueles que possuírem uma logística mais robusta e que possa cumprir uma promessa de serviço confiável, rápida e economicamente viável. No caso do Brasil, a sua dimensão geográfica significa um desafio enorme para as organizações, principalmente para realizar as entregas de última milha, que tem uma característica muito especial uma vez que praticamente representa o contato final com cliente: no recebimento, na conferência, na descarga do produto, na sua qualidade e no prazo estabelecido.

Para tanto, as empresas necessitam ter profissionais logísticos altamente capacitados, e que estejam na vanguarda, em constante atualização, e à medida que processos, tecnologias e inovações vão se incorporando, estes profissionais precisam ter a habilidade e a capacidade de se adaptar a uma nova realidade.

A existência dos grandes “players” globais coloca a logística em uma vitrine cuja participação é fundamental e estratégica nas companhias, obrigando a mudanças que demandam flexibilidade, rapidez. e inovação para enfrentar um futuro que está diante de nós. E aqui não falo apenas do comércio eletrônico, mas de todas as empresas que possuem alta dependência logística para mover produtos e materiais, seja no início da cadeia (inbound) ou no final da cadeia de abastecimento (Outbound).

A tecnologia é o grande instrumento que viabiliza gradualmente a mudança, onde a automação, robotização, Internet das Coisas, Big Data, Blockchain, Sistemas inteligentes, para mencionar alguns, darão a forma para a logística e supply chain do futuro. A Logística 4.0. Embora eu não seja muito partidário dessa denominação!

Que a força esteja contigo!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia
  • Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação.
  • Autor de vários livros entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 3ª edição – 2016
  • Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais
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